Neurociência E Aprendizagem Na Educação
13 de outubro de 2026
Ação teatral como metodologia ativa para aprendizagem: convergência entre neurociência e educação
Ação Teatral como Metodologia Ativa para Aprendizagem: Convergência entre Neurociência e Educação
Maria da Glória de Carvalho e Silva Estevam Guimarães; Maria Fernanda Celli de Oliveira
DOI: 10.22167/2675-6528-202603245
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A presente pesquisa propôs a utilização da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem para estudantes do ensino fundamental II, fundamentada em neurociência, teatro e pedagogia. O estudo investigou o potencial da prática teatral como estratégia pedagógica para potencializar a compreensão e retenção de conteúdos teóricos. O objetivo foi estruturar e propor uma intervenção pedagógica baseada na criação coletiva de cenas teatrais enquanto aprendizagem ativa, comparando-a com práticas tradicionais de ensino expositivo. Realizou-se uma pesquisa experimental, com abordagem qualitativa e quantitativa, envolvendo quatorze estudantes do 7º ano. Os participantes foram submetidos a pré-testes objetivos e dissertativos sobre lobos cerebrais, hipocampo e amígdala. O grupo controle (7 estudantes) participou de aula expositiva, enquanto o grupo experimental (7 estudantes) criou cenas teatrais colaborativas. Dados de desempenho e observação foram analisados. Ao final da investigação, o grupo experimental demonstrou melhor retenção de conceitos e funções em comparação ao grupo controle. Concluiu-se que o teatro possui grande potencial como metodologia ativa para o desenvolvimento estudantil no contexto escolar, podendo ser aplicado em diferentes disciplinas por mobilizar engajamento, emoção, razão e resolução de problemas, além de auxiliar professores na elaboração de planos de aula.
Palavras-chave: aprendizagem ativa; engajamento estudantil; metodologia pedagógica; neurociência educacional; teatro educativo.
1. Introdução
O cérebro humano é reconhecido como o mecanismo mais sofisticado para o processamento de conceitos e ideias, conforme destacado por Relvas (2023). A aprendizagem, em sua essência, é um processo complexo que integra fatores cognitivos, emocionais e ambientais, como observado em estudos de Vygotsky e Damásio (2011). Contudo, o cenário educacional contemporâneo enfrenta desafios significativos. Dados recentes indicam que o Brasil ocupa uma das últimas posições no PISA em matemática, ciências e leitura (G1 Educação, 2023). Além disso, o desinteresse dos estudantes e a dificuldade de engajamento em sala de aula são apontados como obstáculos primordiais, juntamente com a indisciplina e a falta de participação familiar (Folha de S. Paulo, 2024). Em um ambiente saturado por estímulos digitais que proporcionam alta liberação de dopamina, a escola encontra crescente dificuldade em capturar e manter a atenção dos alunos (USP, 2024). Diante dessa realidade, torna-se imperativa a busca por metodologias pedagógicas capazes de oferecer experiências significativas e potencializar o interesse pelos estudos.
Nesse contexto, a ação teatral emerge como uma metodologia ativa promissora para a aprendizagem, fundamentada em princípios da neurociência, do teatro e da pedagogia. A literatura na área corrobora a relevância da emoção no processo de aprendizagem, com Damásio (2000) propondo que as emoções são agentes estruturantes que impactam a memorização, o raciocínio e o aprendizado. Relvas (2023) complementa essa visão, articulando conceitos de Piaget e Vygotsky, e enfatizando que razão e emoção são complementares, com as emoções atuando como “iniciadoras” do ato de aprender. A neurociência demonstra que a formação de sinapses, essencial para a aprendizagem, envolve tanto a emoção quanto a repetição do estímulo. A própria estrutura da prática teatral, que demanda afetos e ensaios contínuos, alinha-se a esse princípio de produção sináptica.
Apesar da existência de práticas pedagógicas e teatrais que desafiam o indivíduo a resolver problemas, como o Teatro do Oprimido de Augusto Boal e o método Mantle of the Expert (MOE) de Dorothy Heathcote, o conhecimento sobre sua aplicação e eficácia parece restrito. Essa limitação decorre, em parte, da falta de formação específica para professores de diferentes áreas e de questões estruturais, como salas de aula lotadas e tempo reduzido das aulas. Embora existam pesquisas sobre teatro e neurociência (Calvert, 2010), sobre a aquisição de conteúdo por meio do teatro (Hauer, 2005) e sobre o uso de jogos teatrais na educação (Neves, 2018), ainda se observa uma escassez de estudos com evidências específicas sobre a relação entre teatro e aprendizagem sob a ótica da neurociência no ambiente escolar. Há uma lacuna na compreensão de como a ação teatral pode ser sistematicamente integrada ao currículo para otimizar o processo de ensino-aprendizagem.
A presente pesquisa justifica-se pela necessidade de explorar e validar abordagens inovadoras que possam reverter o quadro de desinteresse e baixa retenção de conteúdo entre estudantes do Ensino Fundamental II. Ao propor experiências significativas em sala de aula, capazes de potencializar o engajamento e a compreensão, este estudo visa oferecer um material que possa auxiliar outros professores na implementação de metodologias ativas, considerando a realidade das escolas públicas. Assim, o objetivo geral é investigar o potencial da ação teatral enquanto metodologia ativa de aprendizagem, articulando fundamentos da neurociência e da educação, por meio de análise quantitativa e qualitativa de sua eficácia na construção e retenção do conhecimento.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa experimental, adotando uma abordagem metodológica mista, de natureza qualitativa e quantitativa, conforme preconizado por Gil (2008). O objetivo central foi investigar o potencial da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem, articulando fundamentos da neurociência e da educação, por meio da análise de sua eficácia na construção e retenção do conhecimento.
A unidade de análise consistiu em quatorze estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental II, selecionados em uma escola municipal localizada no interior de São Paulo. Os participantes foram divididos em dois grupos equitativos: um grupo controle, composto por sete estudantes, e um grupo experimental, também com sete estudantes.
O tema abordado na intervenção pedagógica foi o funcionamento das zonas cerebrais, incluindo lobos cerebrais, hipocampo e amígdala. O conteúdo teórico utilizado como referência para a elaboração das atividades foi extraído do livro “Como o Cérebro Aprende”, de Cosenza e Guerra (2011), e do livro “A Neurobiologia da Aprendizagem para uma Escola Humanizadora”, de Relvas (2023).
O delineamento metodológico propôs a comparação entre os dois grupos. O grupo controle foi submetido a aulas expositivas tradicionais, enquanto o grupo experimental participou de atividades focadas na criação coletiva de cenas teatrais, transpondo o conteúdo teórico para a prática cênica.
Para o grupo controle, a intervenção pedagógica foi realizada em duas aulas de cinquenta minutos cada. Na primeira aula, procedeu-se à leitura de um texto sobre o cérebro, neurônios e lobos cerebrais (occipital, parietal, temporal, frontal), seguida de explicação do professor e discussão dialogada. A segunda aula deu continuidade à leitura e explicação, abordando o hipocampo e a amígdala, também com discussão dialogada.
No grupo experimental, a intervenção também ocorreu em duas aulas de cinquenta minutos. Na primeira aula, realizou-se a leitura do texto sobre o cérebro, neurônios e lobos cerebrais, com foco na criação coletiva de cenas. Os estudantes foram orientados a criar cenas teatrais para representar os neurônios formando sinapses e as funções dos diferentes lobos cerebrais, utilizando diálogos e movimentos corporais. As cenas foram ensaiadas e apresentadas aos colegas.
Na segunda aula do grupo experimental, a leitura do texto concentrou-se nos tópicos de hipocampo e amígdala. Em seguida, os estudantes foram propostos a criar cenas teatrais para representar o funcionamento dessas estruturas cerebrais, com ênfase na expressão de emoções e memórias. As cenas foram ensaiadas e apresentadas aos demais participantes.
A coleta de dados foi estruturada em três etapas sequenciais. Inicialmente, aplicou-se uma avaliação inicial, composta por pré-testes com questões objetivas e dissertativas, a ambos os grupos. Em seguida, ocorreu a intervenção pedagógica, conforme descrito para cada grupo. Por fim, aplicaram-se pós-testes, utilizando as mesmas avaliações do pré-teste, para mensurar a retenção do conhecimento após as atividades.
Os instrumentos de coleta de dados incluíram as avaliações (pré-testes e pós-testes) e registros sistemáticos de observação. A pesquisadora realizou anotações detalhadas sobre o engajamento, participação e evolução dos estudantes durante as atividades em sala de aula e no pátio escolar, utilizando a infraestrutura existente na escola.
A análise dos dados contemplou duas dimensões. A dimensão quantitativa foi realizada por meio da comparação do número de acertos e erros obtidos nos pré-testes e pós-testes de ambos os grupos. Para a organização desses dados, utilizaram-se planilhas do software Microsoft Excel e tabelas do Microsoft Word.
A dimensão qualitativa consistiu na análise das observações registradas pela pesquisadora, focando no engajamento, colaboração, criatividade, demonstração de compreensão do conteúdo e expressão artística dos estudantes durante as atividades. Essas observações foram organizadas em planilhas, utilizando categorias previamente definidas para facilitar a identificação de padrões.
Em relação aos cuidados éticos, todas as informações coletadas foram registradas de forma anônima, garantindo a confidencialidade e a proteção da identidade dos participantes. Nomes de alunos, docentes ou instituições não foram mencionados. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), assegurando que todas as etapas da coleta de dados com os estudantes seguissem as normas éticas vigentes.
3. Resultados e Discussão
A presente investigação buscou comparar a eficácia de duas abordagens pedagógicas na construção e retenção do conhecimento em estudantes do Ensino Fundamental II: uma metodologia tradicional expositiva e uma abordagem ativa baseada na criação coletiva de cenas teatrais. A temática central, o funcionamento das zonas cerebrais, foi escolhida por não ser um conteúdo usualmente aprofundado no 7º ano, minimizando o conhecimento prévio dos participantes e facilitando a avaliação da aprendizagem. Os resultados obtidos, tanto quantitativos quanto qualitativos, indicaram diferenças notáveis no desempenho e engajamento dos grupos, corroborando o potencial da ação teatral como ferramenta pedagógica.
Na dimensão quantitativa, a análise dos pré-testes e pós-testes revelou um desempenho superior do grupo experimental em comparação ao grupo controle. Os estudantes do grupo controle, submetidos à aula expositiva, apresentaram variações na diferença entre os resultados do pré-teste e pós-teste que oscilaram de -1 a 4 pontos. Por exemplo, o Aluno 1 teve uma redução de 1 ponto, enquanto o Aluno 4 obteve um aumento de 4 pontos. Esses dados sugerem uma retenção de conteúdo inconsistente e, em alguns casos, até mesmo uma diminuição no conhecimento após a intervenção tradicional.
Em contraste, o grupo experimental, que participou da criação de cenas teatrais, demonstrou uma melhoria significativa e mais consistente. As diferenças entre os resultados do pré-teste e pós-teste para este grupo variaram de 4 a 10 pontos. O Aluno 4, por exemplo, obteve um aumento de 10 pontos, e o Aluno 5, 7 pontos. Esses números indicam que a metodologia ativa teatral promoveu uma retenção de conceitos e funções mais eficaz e abrangente, superando o desempenho do grupo controle nas avaliações objetivas e dissertativas.
A análise qualitativa, baseada em observações sistemáticas da pesquisadora durante as aulas, complementou os achados quantitativos. No grupo controle, observou-se que, apesar de alguns alunos expressarem interesse inicial pelo tema da neurociência, a participação geral foi discreta. Houve momentos de desvio de atenção, conversas paralelas e brincadeiras não relacionadas ao conteúdo. A professora precisou intervir para retomar a atenção, e alguns estudantes relataram dificuldade em compreender o conteúdo, considerando-o complexo. Essa dinâmica resultou em um baixo desempenho no pós-teste, confirmando a dificuldade de retenção das informações.
Para o grupo experimental, a experiência foi marcadamente diferente. Ao receberem o texto com a instrução de criar uma cena teatral, os estudantes engajaram-se em uma leitura ativa e colaborativa, com o objetivo claro de transpor o conteúdo para a dramatização. Eles inventaram personagens para representar as diferentes partes do cérebro, como o hipocampo e a amígdala, e desenvolveram diálogos e ações que explicavam suas funções de forma lúdica. Esse processo estimulou o interesse imediato, a tomada de decisões coletivas, a organização de papéis e a construção compartilhada da encenação, com a mediação da professora.
A criação coletiva de cenas teatrais exigiu dos estudantes uma atenção ativa e constante tomada de decisões, elementos que, segundo David (2021), são fundamentais para o engajamento e a formação de sinapses. Ao contrário da passividade observada no grupo controle, a atividade teatral demandou a participação de “corpo e mente”, transformando o desafio de transpor conceitos científicos em movimentos corporais e diálogos em um processo lúdico e emocionalmente envolvente. Essa abordagem alinha-se à perspectiva de Relvas (2023), que enfatiza a emoção como um alicerce essencial para a aprendizagem, atuando como “iniciadora” do ato de aprender.
A proposta pedagógica da ação teatral também se conecta com a ideia de que o cérebro se mantém atento ao que julga importante, conforme Cosenza e Guerra (2011). A necessidade de criar uma narrativa, definir personagens e resolver conflitos cênicos manteve os estudantes do grupo experimental em um estado de atenção ativa. As tomadas de decisões estéticas e narrativas, que ocorreram no tempo presente, foram julgadas relevantes pelos participantes, resultando em um processo que engajou e divertiu, ao mesmo tempo em que provocou sensações e emoções que facilitaram o registro e a memorização do conteúdo.
A repetição, um elemento crucial para a formação de sinapses e o fortalecimento da memória, conforme Relvas (2023), foi intrínseca à prática teatral. Os ensaios das cenas, que exigiam a repetição de gestos, entonações e falas, não foram meramente mecânicos, mas sim um processo de aprimoramento e interpretação. Essa repetição investigativa, como descrita por Ciane Fernandes ao abordar o trabalho de Pina Bausch, permitiu aos estudantes experimentar diferentes formas de ação e encenação, produzindo novas percepções e aprofundando a compreensão do conteúdo, ao invés de apenas decorá-lo.
A articulação entre teatro e neurociência também se manifesta na perspectiva brechtiana, que concebe o teatro como um jogo de ideias que convida à postura ativa e reflexiva. Essa abordagem, ao propor um estranhamento e distanciamento da representação realista, estimula os estudantes a refletirem criticamente e a participarem ativamente na construção dos sentidos da cena, o que se alaciona com os estudos de Damásio, Dehaene e Cosenza e Guerra sobre a atenção ativa como pilar da aprendizagem. A criação coletiva de cenas, inspirada em Boal, valorizou a participação ativa dos sujeitos, permitindo-lhes observar, experimentar e reformular suas ações, dialogar e tomar decisões, elementos que Dehaene (citado por David, 2021) associa ao engajamento ativo e ao feedback na aprendizagem.
A noção de “ação física” de Stanislavski, que conecta o trabalho do ator ao corpo e suas ações, encontra ressonância nos estudos de Damásio (2025) sobre a não cisão entre mente e corpo. A ação teatral, ao exigir que os estudantes transponham conceitos teóricos em gestos e movimentos, atua como um agente que constantemente lembra que razão, cognição e emoção caminham juntas na construção do conhecimento. A interpretação de personagens, como a amígdala ou o hipocampo, exigiu que os alunos investigassem coletivamente as ações e reações que expressariam as funções cerebrais, gerando engajamento e conhecimento, inclusive para os observadores, pela ativação de neurônios-espelho (Villa, 2016, apud Rizzolatti e Craighero, 2004).
A ludicidade e o “fazer de conta” presentes na ação teatral, como no método Mantle of the Expert (MoE) de Dorothy Heathcote, também se mostraram eficazes. Ao se imaginarem como especialistas no assunto, os estudantes foram desafiados a resolver problemas e a expressar-se, mobilizando emoção, interpretação e criatividade. Essa abordagem, que se alinha às orientações de Vygotsky (apud Hauer, 2005) sobre a aprendizagem através do jogo, amplificou o protagonismo e a motivação, promovendo a interdisciplinaridade ao estudar neurociência através da arte.
A pesquisa também considerou a realidade das escolas públicas, utilizando a infraestrutura existente e recursos básicos. A abordagem brechtiana, que dispensa grandes recursos cenográficos e figurinos, focando no jogo cênico e no olhar crítico, mostrou-se adequada para o tempo de aula de 50 minutos e a disponibilidade de recursos. Essa adaptabilidade reforça a replicabilidade da metodologia em diferentes contextos escolares, promovendo uma educação mais inclusiva que abraça a diversidade de formas de existir e aprender, como apontado por Boal (2019) e Lima (2025), sem a imposição de padrões “neurotípicos” de expressão.
Apesar dos resultados promissores, o estudo enfrentou algumas limitações. O experimento foi realizado com um número reduzido de participantes (14 estudantes), o que difere da realidade de salas de aula com mais de 30 alunos e restringe a generalização dos achados. Além disso, a professora pesquisadora atuou como única aplicadora da intervenção, o que pode ter influenciado o engajamento e os resultados, e impossibilitou a verificação sob a condução de diferentes docentes. A prévia experiência teatral dos estudantes, desde o 6º ano com a mesma professora, também pode ser considerada uma limitação, embora o acesso a esse conhecimento seja um direito previsto na BNCC.
Outra limitação importante foi a impossibilidade de realizar uma avaliação longitudinal, o que restringe a análise da retenção de longo prazo do conhecimento. No entanto, o estudo demonstrou que a metodologia ativa teatral é replicável em aulas de 50 minutos, tornando-a viável para a realidade do professor do Ensino Fundamental II. A proposta de intervenção pedagógica, articulando neurociência, teatro e educação, oferece um material que pode auxiliar outros professores na implementação de metodologias ativas, potencializando o interesse e a compreensão dos estudantes.
Em síntese, os achados desta pesquisa indicam que a ação teatral, ao integrar engajamento, emoção, razão e resolução de problemas, promoveu uma aprendizagem mais ativa e uma retenção de conhecimento superior no grupo experimental. A metodologia demonstrou ser uma estratégia pedagógica eficaz para o desenvolvimento estudantil, capaz de mobilizar a atenção e a participação dos alunos, e de consolidar o aprendizado de forma significativa, respondendo ao objetivo de investigar o potencial da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem.
4. Conclusão
A presente pesquisa buscou investigar o potencial da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem, articulando fundamentos da neurociência e da educação para analisar sua eficácia na construção e retenção do conhecimento. Verificou-se que a intervenção pedagógica baseada na criação coletiva de cenas teatrais promoveu uma retenção de conceitos e funções significativamente superior no grupo experimental, em comparação com o grupo controle submetido a práticas expositivas tradicionais. Os achados quantitativos indicaram melhorias consistentes no desempenho dos estudantes que participaram das atividades teatrais, enquanto a análise qualitativa revelou um engajamento ativo, colaboração e tomada de decisões que transformaram o conteúdo teórico em uma experiência lúdica e emocionalmente envolvente. Observou-se que a transposição de conceitos científicos em movimentos e diálogos cênicos, aliada à repetição investigativa dos ensaios, potencializou a formação de sinapses e a memorização, alinhando-se aos princípios da neurociência que destacam a emoção e a atenção ativa como pilares da aprendizagem. A metodologia demonstrou ser uma estratégia pedagógica eficaz para o desenvolvimento estudantil, capaz de mobilizar a atenção e a participação dos alunos, consolidando o aprendizado de forma significativa.
Apesar dos resultados promissores, o estudo enfrentou limitações importantes, como o número reduzido de quatorze participantes, o que restringe a generalização dos achados para salas de aula com maior número de alunos. Além disso, a atuação da professora pesquisadora como única aplicadora da intervenção pode ter influenciado os resultados, impossibilitando a verificação sob a condução de diferentes docentes. A impossibilidade de realizar uma avaliação longitudinal também limitou a análise da retenção de conhecimento a longo prazo. Contudo, a proposta de intervenção pedagógica, que articula neurociência, teatro e educação, oferece um material replicável em aulas de 50 minutos, auxiliando professores na implementação de metodologias ativas e potencializando o interesse e a compreensão dos estudantes. Sugere-se para estudos futuros a ampliação da amostra, a realização de avaliações longitudinais e a aplicação da metodologia por diferentes docentes, a fim de verificar sua eficácia em contextos mais amplos e diversificados, contribuindo para a proposição de novas pesquisas sobre o impacto da criação de cenas teatrais na aprendizagem.
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Vygotsky e Damásio, 2011 [Referência completa não encontrada no documento original]
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq
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