Artigo

Engenharia De Software

19 de agosto de 2026

Integrando Parceiro de Negócio ao ERP Utilizando API Rest

Alexandre Martins; Jorge Carlos Valverde Rebaza

DOI: 10.22167/2675-6528-202601593

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A integração de dados entre o sistema de um parceiro de negócios e um ERP corporativo em uma empresa fabricante de equipamentos eletrônicos enfrentava desafios significativos. Problemas como a redundância de dados no registro de peças e serviços de suporte técnico impactavam a gestão de estoque e geravam retrabalho, consumindo tempo de colaboradores. Com o objetivo de mitigar essas questões, buscou-se automatizar o repasse de informações entre os sistemas. Para tanto, adotou-se a metodologia Scrum com iteração contínua, desenvolvendo-se uma API REST com dois endpoints: um para consulta de produtos e outro para atualização de estoque. A arquitetura incluiu um banco de dados complementar (BDX) para preservar a integridade do banco de dados principal do ERP (BDERP), e implementaram-se camadas de segurança, como proxy, firewall e autenticação básica, além de rastreabilidade de transações. A implementação resultou na redução de mais de 50% do tempo necessário para alimentar o sistema, eliminou a redundância de dados, permitiu a realocação de intermediários e manteve a integridade das informações. Concluiu-se que a solução demonstrou ser viável e eficaz para empresas com ERPs legados que buscam expandir funcionalidades sem customizações complexas, representando uma estratégia eficiente para contornar limitações e possibilitar projetos de baixa complexidade e custo reduzido, com potencial para escalonamento.

Palavras-chave: API Rest; Automação; ERP; Estoque; Redundância de dados.

1. Introdução

A adoção de modelos de gestão eficazes e o uso estratégico de ferramentas de tecnologia da informação são elementos cruciais para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer empreendimento. Em um cenário de negócios cada vez mais dinâmico, mesmo empresas de menor porte reconhecem a necessidade de soluções informatizadas para otimizar seus processos administrativos e operacionais (Beraldi e Escrivão Filho, 2000). A implementação de tais ferramentas é fundamental para o ganho de eficiência e eficácia, contribuindo diretamente para a competitividade e lucratividade das organizações.

No planejamento estratégico, a consideração de um sistema de informação gerencial é imperativa desde as etapas iniciais, abrangendo a aquisição de sistemas, a gestão de bancos de dados e a priorização de projetos (Furlan, 1991). A informação, nesse contexto, é um recurso primordial para a sobrevivência e o desenvolvimento empresarial, exigindo que as instituições reconheçam seu valor intrínseco. Uma gestão informacional robusta capacita a empresa a se adaptar às mudanças do mercado e a fortalecer sua posição competitiva (Beuren e Martins, 2001).

Com o tempo, empresas consolidadas frequentemente migram de sistemas menores para plataformas mais abrangentes, como os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning). Os ERPs são soluções robustas que integram diversos módulos, auxiliando na sistematização de controles administrativos e de produção, fornecendo uma visão geral do negócio e facilitando a tomada de decisões estratégicas (Souza e Braga, 2025). Eles permitem o acompanhamento de indicadores de desempenho em tempo real, essenciais para a gestão (Junior, 2024).

Contudo, mesmo com a robustez dos ERPs, suas limitações podem se manifestar, especialmente quando há a necessidade de integrar ferramentas externas para complementar funcionalidades. Em muitos casos, essa integração inadequada leva à redundância de serviços e dados, resultando em processos lentos, suscetíveis a erros e gerando relatórios pouco confiáveis, o que impacta negativamente a tomada de decisões. A comunicação entre diferentes sistemas ou entidades, como usuários, sistemas ou organizações, caracteriza um ponto de interação onde informações são trocadas (Dynowski e Dulak, 2025).

A empresa foco deste estudo, uma fabricante de equipamentos eletrônicos localizada em São Paulo-SP, com fornecedores nacionais e estrangeiros e vendas predominantemente internas, adotou um sistema ERP em dois mil e doze. Apesar das centenas de customizações realizadas para atender às suas necessidades operacionais e administrativas, a contratação de ferramentas externas para aprimorar o atendimento ao cliente gerou trabalhos redundantes. A questão do compartilhamento e recolhimento de dados para o atendimento de suporte técnico tornou-se uma prioridade.

Anteriormente, o processo de atendimento ao cliente envolvia o técnico responsável reservando produtos no ERP e, após a execução do serviço, repassando as informações de uso via ligação telefônica à empresa de origem. Esse método era ineficiente, custoso e carecia de agilidade e segurança, comprometendo a qualidade do atendimento e a eficiência operacional. A duplicação de informações e o retrabalho manual eram problemas recorrentes que consumiam uma parte significativa do tempo dos colaboradores.

Diante dessa problemática, a justificativa para este estudo reside na necessidade de otimizar os processos de integração de dados para eliminar redundâncias e retrabalho. O objetivo geral foi compartilhar e obter dados, reduzir redundâncias e melhorar os processos de atualização do estoque, permitindo que parceiros acessem a lista de produtos via web com segurança e eficiência, e que os serviços realizados e peças utilizadas pelos técnicos sejam registrados automaticamente no ERP.

2. Material e Métodos

O estudo adotou uma pesquisa aplicada, focada no desenvolvimento e implementação de uma solução técnica para otimizar a integração de sistemas. A metodologia empregada foi o Scrum, com iterações contínuas, permitindo flexibilidade e alinhamento com os objetivos de negócio (Pressman e Maxim, 2021). A pesquisa foi conduzida em uma empresa fabricante de equipamentos eletrônicos em São Paulo-SP, entre janeiro e março de 2025, em 11 semanas. A unidade de análise foi a integração de dados entre o sistema de um parceiro e o ERP corporativo, visando otimizar o atendimento técnico e a gestão de estoque.

Para o desenvolvimento da solução, foram utilizadas ferramentas como Visual Studio 2022, .Net Framework 4.8 e a linguagem C#. O gerenciamento de banco de dados empregou Microsoft SQL Server 10 e SQL Server Management Studio 15, em ambiente Windows 11. A arquitetura da aplicação seguiu o padrão Model-View-Controller (MVC). A ferramenta Postman (v12.5.2) foi utilizada para testar os endpoints da API REST desenvolvida.

A integração foi concebida através de uma API REST, com endpoints para consulta de produtos e atualização de estoque. A estrutura de armazenamento segregou um Banco de Dados Auxiliar (BDX) e o Banco de Dados Principal do ERP (BDERP). As solicitações de gravação do parceiro eram direcionadas ao BDX, e as consultas ao BDERP. A Figura 1 ilustra a estrutura macro do serviço de acesso.Figura 1. Estrutura macro do serviço de acesso

Fonte: TCC original

A Figura 1 demonstra a interconexão entre o parceiro, o proxy externo e a empresa de origem.

O fluxo de dados entre os bancos foi planejado para que as solicitações de gravação fossem processadas no BDX e transferidas para o BDERP via Jobs. As requisições de pesquisa acessavam o BDERP diretamente, utilizando procedures que consultavam views formatadas. A Figura 2 detalha a estrutura dos bancos de dados.Figura 2. Estrutura dos bancos de dados

Fonte: TCC original

A Figura 2 ilustra o fluxo de dados entre o BDX e o BDERP, assegurando segurança e consistência.

A segurança de acesso foi priorizada com múltiplas camadas de proteção. Um proxy externo foi contratado para roteamento e segurança básica. Internamente, um firewall foi configurado para permitir apenas entradas do parceiro. A API utilizou o padrão Basic Auth de autenticação, enviando usuário e senha em todas as requisições HTTP. A Figura 3 representa as camadas de segurança implementadas.Figura 3. Segurança de acesso

Fonte: TCC original

A Figura 3 representa as camadas de segurança implementadas, incluindo proxy, firewall e autenticação.

O fluxo de trabalho implantado permitiu que o técnico utilizasse um dispositivo móvel com aplicativo do parceiro para inserir os dados necessários à finalização do serviço. Esses dados eram inseridos via API no BDX, aguardando a intervenção do ERP. Uma rotina automática (job) no ERP gerava os registros de atualização de estoque com base nos dados do BDX, que era então atualizado com o status do processamento. A Figura 4 ilustra o novo fluxo de trabalho implantado atualmente.Figura 4. Fluxo de trabalho implantado atualmente

Fonte: TCC original

A Figura 4 ilustra o novo fluxo de trabalho, desde a inserção de dados pelo técnico até a atualização do estoque no ERP.

A API disponibilizou serviços para listagem de item único e para solicitação de ajuste de estoque, incluindo criação, listagem e exclusão de registros. Para novas solicitações de ajuste, a entrada de dados seguiu o padrão JSON, estruturado com cabeçalho e linhas contendo itens específicos do serviço. A API foi projetada para retornar códigos de status HTTP, como 200 OK para sucesso e 409 Conflict para erros de validação ou registros existentes.

A organização dos dados envolveu a gravação inicial das solicitações no BDX, atuando como área de validação antes da transferência. Os Jobs do ERP reprocessavam e transferiam esses registros para o BDERP, garantindo a atualização do estoque e o retorno do status da solicitação. A rastreabilidade mínima foi implementada, registrando data, hora, técnico responsável e status dos eventos. Cuidados éticos como TCLE ou termos de confidencialidade não foram explicitamente descritos, pois o foco foi a integração de sistemas.

3. Resultados e Discussão

A implementação da API REST para a integração entre o sistema do parceiro de negócios e o ERP corporativo demonstrou ser uma solução viável e eficaz para mitigar os desafios de redundância de dados e retrabalho. Os resultados obtidos validaram a abordagem de automação do repasse de informações, que se mostrou capaz de otimizar processos operacionais e garantir a integridade dos dados. A arquitetura desenvolvida e as camadas de segurança implementadas foram cruciais para o sucesso da integração, permitindo que a empresa expandisse suas funcionalidades sem a necessidade de customizações complexas no ERP legado, conforme o objetivo central do estudo.

A estrutura de segurança de acesso aos serviços foi um pilar fundamental da solução, conforme detalhado no projeto. Inicialmente, a camada de proteção incluiu a contratação de um serviço de proxy externo, que não apenas oferece segurança básica, como roteamento e mascaramento, mas também contribui para o aumento do desempenho geral do sistema. Esta medida preventiva é essencial para proteger a comunicação externa e garantir que apenas tráfego autorizado alcance a infraestrutura interna da empresa, estabelecendo uma barreira inicial contra acessos indevidos e otimizando a performance das requisições.Figura 5. Criação de usuário para acesso as views e procedures

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Internamente, a segurança foi reforçada com a configuração de um firewall, permitindo apenas as entradas provenientes do parceiro de serviço, o que restringe o acesso e minimiza vulnerabilidades. No terceiro nível, a própria API foi projetada para utilizar o padrão Basic Auth de autenticação, que, apesar de sua simplicidade, garante que todas as requisições HTTP sejam acompanhadas de usuário e senha válidos. Essas camadas de proteção, em conjunto, criam um ambiente seguro para a troca de informações sensíveis, como demonstrado na Figura 5, que ilustra a criação de um usuário específico para acesso aos componentes do banco de dados.Figura 6. Exemplo de permissão concedida ao UsuarioAPI a uma procedure

Fonte: Resultados originais da pesquisa

As permissões concedidas nos bancos de dados foram rigorosamente controladas para definir exatamente as ações que os usuários dos serviços poderiam realizar, seja leitura, gravação ou execução. No banco de dados auxiliar (BDX), o UsuarioAPI recebeu permissões de leitura e gravação, enquanto no banco de dados principal do ERP (BDERP), apenas a permissão de leitura foi concedida. Essa segregação de permissões, exemplificada na Figura 6, garante que o banco de produção do ERP seja protegido contra modificações diretas, com a gravação de dados ocorrendo apenas através do usuário específico do banco auxiliar, que atua como um intermediário controlado.Figura 7. Permissões concedidas ao usuário da API

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 7 detalha a arquitetura de permissões concedidas ao usuário da API, evidenciando a estratégia de proteção dos dados. Essa abordagem de segurança em múltiplas camadas, que inclui proxy externo, firewall interno, autenticação por usuário e senha, e permissões granulares de banco de dados, assegurou a proteção básica necessária para o projeto. A arquitetura garante que dados sensíveis sejam protegidos, pois o BDERP possui apenas permissão de leitura para o usuário da API, impedindo modificações diretas, enquanto o BDX, separado, permite validação antes do prosseguimento dos dados de atualização de estoque.

A visão macro do serviço, ilustrada na Figura 8, demonstra o fluxo operacional da solução. O parceiro de negócio inicia uma solicitação que, após ser validada pelo proxy externo, é redirecionada pela API para sua efetivação, de acordo com o tipo de serviço (endpoint) escolhido. Essa estrutura garante que todas as interações externas sejam processadas de forma controlada e segura, direcionando as requisições para os módulos apropriados do ERP ou para o banco de dados auxiliar (BDX), conforme a natureza da operação, assegurando a fluidez e a integridade da comunicação.Figura 8. Desenho macro do serviço

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os serviços implantados foram divididos em duas categorias principais: consulta de produtos e atualização de estoque. Para a consulta de produtos, o parceiro de negócio pode solicitar a identificação e descrição de um item a partir de seu código, recebendo em retorno uma descrição resumida utilizada nos catálogos de vendas. Este endpoint, conforme planejado, retornou a descrição de identificação das peças corretamente em todas as dez solicitações testadas, confirmando a eficácia da ferramenta para um retorno simples e direto de informações.

A atualização de estoque, por sua vez, ocorre ao término do atendimento técnico. O técnico responsável, utilizando um dispositivo móvel com o aplicativo do parceiro, insere os dados necessários para finalizar o serviço. Esses dados são então enviados via API para o BDX, onde aguardam a intervenção do ERP. Uma rotina automática (job) no ERP processa esses registros do BDX para atualizar o estoque, e o status do registro no BDX é atualizado para refletir o momento atual do processamento, garantindo a rastreabilidade e a consistência das informações.Figura 9. Fluxo de trabalho implantado atualmente

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 9 ilustra o fluxo de trabalho implantado, destacando a comunicação no domínio do negócio e os endpoints da API, o banco de dados auxiliar (BDX) e o ecossistema do ERP. Este novo fluxo elimina a necessidade de intermediação manual, permitindo que o próprio técnico insira os dados diretamente no sistema do parceiro, que então os repassa ao BDX via API. Essa automação reduz significativamente o tempo e a probabilidade de erros associados ao processo anterior, que dependia de ligações telefônicas e digitação manual.Figura 10. Esquema de comunicação no domínio do negócio

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O esquema de comunicação no domínio do negócio, apresentado na Figura 10, detalha a interação entre os componentes da solução. A API disponibiliza serviços como a listagem de item único, com base no ID do item, e a solicitação para ajuste de estoque, que inclui a criação, listagem geral, listagem por item único e exclusão de registros de atualização. Para a listagem de um item único, é necessário fornecer o código do item, respeitando a formatação alfanumérica e a presença de zeros precedentes, conforme o exemplo de link de pesquisa fornecido.

Os dados de retorno dos itens, conforme a solicitação de pesquisa, são apresentados em formato JSON, como demonstrado na Figura 11. Para o item solicitado, o sistema retorna o código do item (strItemId), o nome do catálogo para vendas (strCatalogName) e a descrição geral do produto (strPartNumberDescription). Essa padronização no formato JSON facilita a integração com outros sistemas e garante a clareza e a consistência das informações de produto, essenciais para a operação do parceiro e para a gestão de estoque.Figura 11. Retorno dos dados em formato JSON do item solicitado. (via Postman)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A solicitação de criação do registro de atualização de estoque requer a formatação de entrada dos dados utilizando o padrão JSON, que se compõe de duas seções: o cabeçalho e as linhas. O cabeçalho contém dados de agrupamento como veículo/localização (strVeiculoLocalizacao), ordem de serviço (intOSConfirm8) e número do lote (intLoteConfirm8). As linhas, por sua vez, detalham os itens pertencentes ao serviço, incluindo código ID do item (strItemId), quantidade (intQuantidade), lote (strLote), série (strSerie) e tipo de movimento (intTipoMovimento), como ilustrado na Figura 12, que mostra a estrutura JSON completa para essa operação.Figura 12. Estrutura JSON para criação do registro de atualização de estoque. (via Postman)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A listagem geral de todas as solicitações realizadas, independentemente de seu status, é um serviço importante para o monitoramento e a auditoria das operações de estoque. A Figura 13 demonstra essa funcionalidade, exibindo todos os registros já criados, o que permite uma visão abrangente das movimentações e ajustes pendentes ou já processados. Essa capacidade de visualização facilita a gestão e a identificação de possíveis inconsistências, contribuindo para a transparência e a eficiência do controle de estoque.Figura 13. Listagem geral das solicitações de atualização de estoque. (via Postman)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Para o retorno de um registro único de solicitação de atualização de estoque, é necessário fornecer o código da ordem de serviço (OS) enviado na criação do lote. A Figura 14 ilustra o retorno desse registro único, independentemente de seu status atual. Essa funcionalidade é crucial para que os usuários possam consultar o andamento de uma solicitação específica, verificando se o ajuste de estoque foi criado, lançado ou se ainda está pendente, otimizando a rastreabilidade e a resolução de dúvidas operacionais.Figura 14. Listagem registro único, solicitações de atualização de estoque. (via Postman)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A funcionalidade de exclusão de solicitação de atualização de estoque é um recurso importante para corrigir erros ou cancelar operações antes que sejam finalizadas. A exclusão de um registro de solicitação de atualização de estoque é efetivada apenas se o número da OS no registro for fornecido e o status do retorno não indicar que a solicitação já foi processada. A Figura 15 demonstra o pedido de exclusão, que, se bem-sucedido, retorna uma mensagem de “Exclusão realizada com sucesso”, garantindo que apenas solicitações pendentes possam ser removidas do sistema.Figura 15. Pedido de exclusão de solicitação de atualização de estoque. (via Postman)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O processo de atualização de estoque foi testado com base em uma estimativa de 1.460 registros anuais (média de 2024), dos quais 150 foram definidos para testes de movimentação. Todos os 150 registros previstos para movimentação de estoque foram repassados com sucesso ao BDX e movimentados, demonstrando a eficácia da solução. O aplicativo utilizado durante os atendimentos suporta leitura de QR Code, eliminando a digitação manual do código das peças e exigindo apenas a informação da quantidade, o que otimiza o processo e reduz a margem de erro.

No lado do ERP, os trabalhos automáticos foram responsáveis pela transferência dos registros entre os bancos, pela criação dos registros para atualização de estoque e pelo retorno do status atual da solicitação. A Figura 16 apresenta o esquema básico desse processo, evidenciando como a automação garante que os dados sejam movidos e processados de forma eficiente e sem intervenção manual. Esse fluxo automatizado é fundamental para manter a sincronia entre o BDX e o BDERP, assegurando que o estoque esteja sempre atualizado com as informações mais recentes.Figura 16. Fluxo das solicitações para atualização de estoque

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os primeiros 15 dias após a implantação da solução revelaram resultados promissores. Foram atendidos 29 clientes, resultando em 35 trocas de peças. A troca de dados entre os sistemas ocorreu conforme o planejado, com uma média de atualização de estoque em até 6 minutos. Não houve erros de digitação, atrasos nas atualizações ou quedas de conexão com a internet, indicando uma performance robusta e confiável. A taxa de retorno para consultas e estoque foi de 100%, confirmando a estabilidade da integração.

A eliminação de redundâncias e retrabalho foi um dos principais ganhos da solução. O processo anterior, ilustrado na Figura 1, envolvia o técnico responsável reservando produtos no ERP e, após o serviço, repassando as informações via ligação telefônica à empresa de origem. Esse método gerava duplicação de informações e retrabalho manual, consumindo tempo significativo dos colaboradores. Com a nova API, a intermediação de um colaborador para digitar dados no sistema ERP não é mais necessária, pois o próprio técnico insere os dados via aplicativo do parceiro, que os repassa ao BDX.

A redução de tempo no atendimento foi substancial. O processo antigo de atendimento por ligação consumia em média 2 minutos e 50 segundos por evento, totalizando 34 horas, 28 minutos e 20 segundos anuais para 730 atendimentos. Com a nova solução, o tempo médio de interação entre técnico e atendente para a criação do registro de atualização no ERP foi reduzido para 1 minuto e 20 segundos, resultando em um ganho de 18 horas e 15 minutos anuais. Essa economia de tempo reflete um aumento significativo na produtividade e eficiência operacional.

A eliminação da redundância de dados foi completa, uma vez que os registros não existem mais no banco de dados do parceiro. Todas as consultas e gravações ocorrem exclusivamente na empresa de origem, que se tornou a única fonte de dados, garantindo 100% de eliminação da duplicação. Além disso, os erros gerados por intervenções humanas foram minimizados, pois apenas as quantidades são informadas manualmente, enquanto os códigos de peças são lidos via QR Code, aumentando a confiabilidade dos controles.

O processo anterior de atendimento, que dependia de chamadas telefônicas, permitia que múltiplos técnicos ligassem simultaneamente, podendo exigir até quatro atendentes para lidar com picos de demanda. A Figura 17 ilustra esse cenário de paralelismo, onde a necessidade de aumentar a quantidade de técnicos em campo intensificaria o problema. Com a automação, as chamadas telefônicas para atualização de estoque foram eliminadas, e a intervenção humana se restringe a casos de emergência ou falha de internet, reduzindo a dependência de múltiplos atendentes e liberando recursos.Figura 17. Todos os técnicos de campo ligando ao mesmo tempo

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A automação do fluxo de atualização de estoque liberou recursos humanos que antes eram dedicados ao recebimento de dados via telefone, redigitação manual no ERP, verificação de consistência e resolução de erros. Esses recursos foram redirecionados para atividades de maior valor, como o atendimento direto ao cliente ou a resolução de outras questões deficitárias da empresa. Essa realocação estratégica de pessoal contribui para um uso mais eficiente da força de trabalho e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados.

A integridade dos dados e a segurança foram garantidas pela segregação dos bancos de dados. O banco de dados principal do ERP (BDERP) foi isolado de qualquer interferência externa prejudicial, com a gravação de dados ocorrendo exclusivamente no banco de dados auxiliar (BDX). O BDERP foi configurado apenas para leitura no acesso da API, enquanto o BDX, localizado dentro do domínio da empresa, atua como uma “quarentena” onde os dados de atualização de estoque podem ser validados antes de prosseguir. Essa arquitetura, que já havia sido ilustrada na Figura 10, adiciona uma camada robusta de proteção.

As múltiplas camadas de proteção implementadas, incluindo proxy externo, firewall interno, autenticação via usuário/senha e permissões granulares de banco de dados, conforme detalhado nas Figuras 5, 6 e 7, asseguraram a segurança básica necessária para o projeto. A rastreabilidade também foi um ponto chave, com informações de data e hora dos eventos, técnico responsável e status de momento sendo gerados para posterior verificação. Isso permite um controle detalhado das operações e facilita a auditoria, garantindo a conformidade e a segurança das transações.

Em síntese, a solução de integração via API REST demonstrou ser uma estratégia eficaz para contornar as limitações de ERPs legados, permitindo a expansão de funcionalidades sem customizações complexas e de alto custo. A automação do repasse de informações reduziu significativamente o tempo de alimentação do sistema em mais de 50%, eliminou a redundância de dados, permitiu a realocação de intermediários e manteve a integridade das informações. Os resultados confirmam que a solução é viável e eficaz para empresas que buscam projetos de baixa complexidade e custo reduzido, com potencial para escalonamento, respondendo diretamente ao objetivo de otimizar os processos de integração de dados e melhorar a gestão de estoque.

4. Conclusão

O estudo buscou compartilhar e obter dados, reduzir redundâncias e melhorar os processos de atualização do estoque, permitindo que parceiros acessassem a lista de produtos via web com segurança e eficiência, e que os serviços realizados e peças utilizadas pelos técnicos fossem registrados automaticamente no ERP. Verificou-se que a implementação de uma API REST com dois endpoints, um para consulta de produtos e outro para atualização de estoque, se mostrou uma solução viável e eficaz. Identificou-se uma redução de mais de 50% no tempo necessário para alimentar o sistema, eliminando a redundância de dados e minimizando erros humanos. A automação do processo de atualização de estoque, que antes dependia de intermediação manual e ligações telefônicas, passou a ser realizada diretamente pelos técnicos via aplicativo do parceiro, com os dados sendo repassados ao banco de dados auxiliar (BDX) e posteriormente processados pelo ERP. Observou-se que a integridade e a segurança das informações foram garantidas por uma arquitetura robusta, que incluiu camadas de proteção como proxy externo, firewall interno, autenticação básica e permissões granulares de banco de dados, além da segregação entre o BDX e o banco de dados principal do ERP (BDERP). Os resultados dos primeiros quinze dias de operação confirmaram a estabilidade e a confiabilidade da integração, com 100% de sucesso nas consultas e atualizações, e uma média de atualização de estoque em até seis minutos.

A principal contribuição deste estudo reside na demonstração de uma estratégia eficiente para contornar as limitações de ERPs legados, permitindo a expansão de funcionalidades sem a necessidade de customizações complexas e de alto custo. A solução possibilitou a realocação de recursos humanos que antes realizavam o retrabalho para atividades de maior valor e estabeleceu um modelo de integração de baixa complexidade e custo reduzido, com potencial para escalonamento. Contudo, a implementação requer um conhecimento técnico mínimo em desenvolvimento de APIs e configuração avançada de segurança de rede e bancos de dados, o que pode representar um investimento inicial significativo caso a empresa não possua esses elementos. Além disso, é fundamental o treinamento dos técnicos de campo para o uso do novo aplicativo do parceiro. Sugere-se que estudos futuros explorem a escalabilidade da solução para integrar múltiplos parceiros e aprofundem a análise sobre a otimização de processos em diferentes módulos do ERP, visando aprimorar ainda mais a eficiência operacional e a tomada de decisões estratégicas.

Referências Bibliográficas

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Beuren, I. M.; Martins, L. W.. 2001. Sistema de informações executivas: suas características e reflexões sobre sua aplicação no processo de gestão. ISSN: 1808-057X, Revista Contabilidade & Finanças, Volume: 12, Número: 26,https://doi.org/10.1590/S1519-70772001000200001

Dynowski, L.; Dulak, M. 2025. Dominando estilos de APIs: compreendendo as vantagens e desvantagens dos principais estilos de APIs e escolhendo as soluções corretas. 1ed. Editora Novatec, São Paulo, SP, Brasil.

Furlan, J. D. 1991.Como elaborar e implementar o planejamento estratégico de sistemas de informação. 1ed. Makron, McGraw-Hill. SP, São Paulo, Brasil.

Junior, J. R. S. A. 2024. A proficuidade dos sistemas ERP no âmbito da análise de negócios. Revista Tópicos, v. 18, n. 2, p. 45-59, 2024. https://revistatopicos.com.br/artigos/a-proficuidade-dos-sistemas-erp-no-ambito-da-analise-de-negocios. Acesso em 20 de abril de 2026.

Pressman, R. S.; Maxim, B.R. 2021. Engenharia de software: uma abordagem profissional. 9ed. Editora Mc Graw Hill Education, Porto Alegre, RS, Brasil.

Souza, A.P.M. de, Braga, G.M. 2025. A contribuição dos sistemas ERP para a análise de negócios: benefícios, desafios e impactos na tomada de decisão. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. 11, 1 (jan. 2025), 1296–1309. https://doi.org/10.51891/rease.v11i1.17941.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

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