Artigo

Compliance E Esg

05 de outubro de 2026

Instituto socioambiental e os pilares ESG: integração entre biodiversidade, capital humano e governança

Instituto Socioambiental e os Pilares Esg: Integração entre Biodiversidade, Capital Humano e Governança

Gabriel da Silva Barco; Gabriela Trindade Pinheiro

DOI: 10.22167/2675-6528-202602937

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A crescente pressão por práticas responsáveis impulsionou a agenda ASG como estratégica para a legitimidade organizacional. Um estudo analisou como um Instituto Socioambiental (IS) autônomo, criado por uma empresa do setor de papel e celulose, operacionalizou os pilares ASG na prática. A pesquisa fundamentou-se na premissa de que a autonomia do IS transformou obrigações de compliance em um modelo de governança que gera valor compartilhado. Metodologicamente, caracterizou-se como um estudo de caso único, qualitativo, exploratório e descritivo. A coleta de dados envolveu a triangulação entre entrevista semiestruturada com a diretoria do IS, documentos públicos institucionais (processados com IRaMuTeQ) e análise de relatórios de sustentabilidade da mantenedora (2004-2024) com base em indicadores GRI. Os resultados indicaram que o IS atuou como uma unidade de inteligência técnica que transcendeu a filantropia. No pilar Ambiental, destacou-se a gestão de biodiversidade com o monitoramento de sete mil hectares de Mata Atlântica. No pilar Social, programas de educação ambiental e a implantação de bibliotecas comunitárias fortaleceram a licença social para operar. No pilar de Governança, o IS promoveu a transparência e a redução de riscos ambientais ao integrar a diretoria de sustentabilidade da mantenedora. Concluiu-se que a estrutura independente do IS superou a fragmentação histórica entre gestão econômica e ecológica, convertendo metas corporativas em ativos estratégicos e vantagem competitiva.

Palavras-chave: ASG; Educação ambiental; IRaMuTeQ; Sustentabilidade corporativa.

1. Introdução

A crescente pressão por práticas empresariais responsáveis tem impulsionado a consolidação da agenda ASG como estratégica para a legitimidade organizacional. O conceito de ASG, proveniente da sigla em inglês Environmental, Social and Governance, refere-se à integração de fatores socioambientais e de governança corporativa na análise financeira, na gestão de ativos e na tomada de decisão estratégica das empresas. Este conceito foi cunhado oficialmente no relatório de 2004 intitulado Who Cares Wins e consolidou-se como um indicador de qualidade de gestão (UN Global Compact, 2004).

Dentro desse cenário, o Compliance Socioambiental emerge como um campo que vai além do mero cumprimento legal, incorporando ações efetivas de mitigação de impactos e de promoção do desenvolvimento sustentável (Sales e Cantarino, 2011). A literatura demonstra que a integração de práticas de responsabilidade socioambiental amplia a legitimidade organizacional e contribui para a aceitação social das empresas, especialmente diante da pressão de stakeholders (Awa et al., 2024; Silva, 2021). Ademais, pesquisas empíricas apontam que falhas nessa dimensão geram riscos reputacionais que afetam diretamente o desempenho financeiro e a atratividade no mercado (Nicolas et al., 2023). Assim, para além de reduzirem riscos reputacionais e regulatórios, as empresas que realizam a integração desses pilares fortalecem sua legitimidade perante a sociedade.

Nesse contexto, a criação de institutos socioambientais corporativos ou a formação de parcerias estratégicas com organizações do terceiro setor tem se mostrado uma estratégia eficaz para contribuir na resiliência dos mercados e proteção contra riscos idiossincráticos que afetam o valor da marca (Giese et al., 2019), aumentando a sua vantagem competitiva. A forma como as questões ambientais, sociais e de governança corporativa são geridas vem se tornando cada vez mais indicadoras de qualidade geral das organizações (UN Global Compact, 2004). Esse modelo de colaboração interinstitucional contribui para o fortalecimento da governança socioambiental corporativa e para a geração de valor compartilhado, ao integrar práticas de responsabilidade social às estratégias de negócio (Barbieri, 2023; Layrargues, 2003; Sales e Cantarino, 2011; Porter e Kramer, 2011).

Diante desse panorama, surge a oportunidade de investigar como a atuação autônoma de um Instituto de educação e conservação Socioambiental (IS), criado em 1999 por iniciativa de uma empresa de grande porte do setor de papel e celulose, pode se revelar como uma integração institucional inovadora. Essa investigação é relevante frente à fragmentação histórica entre as responsáveis pela gestão e proteção dos recursos naturais e as encarregadas da gestão econômica, conforme diagnosticado no relatório Our Common Future (WCED, 1987). Embora esse Instituto operacionalize os pilares de sustentabilidade por iniciativa própria, ele não utiliza formalmente o vocabulário da agenda ASG em seus documentos, o que torna necessário o enquadramento analítico proposto por esta pesquisa para evidenciar sua real contribuição.

Este estudo fundamenta-se na premissa de que o IS não é um simples apêndice filantrópico da mantenedora, mas um agente que lidera de forma independente a aplicação dos valores envoltos nesses pilares. A qualidade de gestão do IS se identifica como um indicador de competência para mitigar os riscos idiossincráticos e proteger o valor dos ativos contra eventos negativos (UN Global Compact, 2004; Giese et al., 2019). Por isso, sua autonomia transforma obrigações iniciais de compliance em um modelo de governança que gera valor compartilhado, permitindo vislumbrar impactos positivos tanto para o planeta quanto para o próprio negócio, ao gerar vantagem competitiva para a mantenedora. Diante disso, esta pesquisa sustentou a hipótese de que a estrutura independente do IS supera a fragmentação historicamente estabelecida entre gestão econômica e ecológica, ao se constituir como um modelo qualificado de governança, evidenciando sua capacidade integradora e a potencial articulação entre conservação da biodiversidade, fortalecimento do capital humano e ampliação da transparência administrativa. O objetivo central foi analisar, por meio de um estudo de caso, de que maneira a atuação desse Instituto Socioambiental operacionaliza os pilares ASG na prática.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo qualitativo, de natureza exploratória e descritiva, conforme a classificação de Gil (2017). Adotou-se o delineamento de estudo de caso único, considerado apropriado para investigar fenômenos complexos em seu contexto real (Hollweck e Yin, 2014; Stake, 1995). A escolha justificou-se pela singularidade da atuação do Instituto Socioambiental (IS), que gerencia uma Reserva Legal e desenvolve programas de educação ambiental, estabelecendo interface com a estratégia socioambiental de sua empresa mantenedora.

O foco analítico recaiu sobre o papel do IS como agente protagonista na operacionalização autônoma dos pilares ASG. O contexto do estudo envolveu a relação institucional entre o Instituto Socioambiental e sua empresa mantenedora (EM), uma organização de grande porte do setor de papel e celulose. A investigação considerou a perspectiva da liderança do IS e a representação de sua atuação nos documentos corporativos da EM.

A coleta de dados foi realizada por meio de triangulação, abrangendo fontes primárias e secundárias. Os dados primários foram obtidos através de uma entrevista semiestruturada, conduzida com um membro da diretoria do Instituto Socioambiental. O participante foi selecionado por sua posição estratégica e conhecimento aprofundado sobre a atuação institucional e a relação com a empresa mantenedora.

A entrevista, com duração aproximada de 50 minutos, foi realizada remotamente via Google Meets em 07 de outubro de 2025, utilizando um roteiro previamente elaborado. O método é justificado por Minayo (1992) por combinar a exploração livre de percepções com a comparabilidade de tópicos definidos. As informações coletadas foram de caráter profissional e institucional, sem dados sensíveis ou pessoais. Para assegurar as boas práticas éticas, empregou-se um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) simplificado, e a identidade dos envolvidos foi preservada mediante anonimização, utilizando-se pseudônimos para o IS e a EM.

Os dados secundários consistiram em documentos institucionais e corporativos, selecionados para complementar e validar as evidências da entrevista. Estes foram subdivididos em dois grupos: documentos institucionais emblemáticos do Instituto e Relatórios Anuais de Sustentabilidade (RAS) da empresa mantenedora. A seleção desses materiais baseou-se em sua relevância para expressar a missão, identidade e prioridades programáticas do Instituto, além de seu potencial analítico para evidenciar práticas e posicionamentos relacionados à gestão ASG.

Os documentos institucionais do IS incluíram o catálogo do “Programa Meu Ambiente”, o e-book “Estratégias para Conservação de Áreas Naturais Protegidas”, o “Relatório Anual de Atividades” mais recente e informações do site institucional. Os Relatórios Anuais de Sustentabilidade (RAS) da empresa mantenedora abrangeram o período de 2004 a 2024. O marco inicial de 2004 correspondeu ao primeiro relatório publicamente disponível e sistematicamente organizado, permitindo acompanhar a evolução da narrativa corporativa desde a gênese da agenda ASG (UN Global Compact, 2004) até sua consolidação como critério de gestão.

A análise dos dados foi conduzida por meio de triangulação, contrastando a perspectiva da liderança do IS, as práticas documentadas pelo Instituto e a narrativa corporativa da EM (Flick, 2009). Aplicou-se a análise de conteúdo (Bardin, 2011), dividida em pré-análise, exploração do material e tratamento e interpretação. Os materiais textuais foram organizados em três corpora distintos: (i) a transcrição da entrevista semiestruturada, (ii) os documentos institucionais públicos do IS e (iii) os Relatórios de Sustentabilidade públicos da EM.

Para os corpora (i) e (ii), utilizou-se o software IRaMuTeQ (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), desenvolvido por Pierre Ratinaud. Este software empregou funcionalidades estatísticas do R para análises léxicas, atuando como ferramenta de apoio ao processamento de dados e à Classificação Hierárquica Descendente (CHD). O tratamento dos dados para o IRaMuTeQ envolveu a organização dos corpora em Unidades de Contexto Inicial (UCI), segmentadas automaticamente em Unidades de Contexto Elementar (UCE). Para o rigor estatístico, aplicou-se o teste Qui-Quadrado (x2), considerando valores superiores a 3,84 como estatisticamente significativos. O arquivo foi codificado em UTF-8, perguntas do roteiro suprimidas e palavras compostas unidas por underline.

Para o corpus (iii), a análise categorial sistemática foi realizada manualmente, fundamentada nos preceitos de Bardin (2011). Essa abordagem manual permitiu uma interpretação contextual e longitudinal da evolução narrativa da agenda ASG ao longo de duas décadas, utilizando as normas da Global Reporting Initiative (GRI, s.d.) como critério analítico para a categorização das informações.

O rigor metodológico da pesquisa foi assegurado pela triangulação de múltiplas fontes de evidência, pelo registro sistemático dos procedimentos de preparação e análise dos corpora, pelo uso de software especializado para reduzir vieses (corpora i e ii), e pela adoção dos indicadores GRI como critério analítico (corpus iii).

3. Resultados e Discussão

A pesquisa revelou que a atuação do Instituto Socioambiental (IS) transcende a mera filantropia, consolidando-se como uma unidade de inteligência técnica e estratégica que operacionaliza os pilares ASG de forma autônoma. Os achados, provenientes da triangulação de dados de entrevistas com a diretoria do IS, documentos institucionais públicos e relatórios de sustentabilidade da empresa mantenedora (EM) ao longo de duas décadas, demonstraram uma integração inovadora entre conservação da biodiversidade, desenvolvimento do capital humano e governança corporativa. Essa abordagem permitiu ao IS converter obrigações de compliance em um modelo de gestão que gera valor compartilhado e vantagem competitiva para a EM, superando a fragmentação histórica entre gestão econômica e ecológica (WCED, 1987).

A análise do discurso da liderança do IS, por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) aplicada ao corpus da entrevista, identificou seis classes lexicais que delineiam a atuação do Instituto. A Classe 5, denominada Diálogo Estratégico Interno e Diálogo Setorial Externo, com 17,27% dos segmentos de texto, destacou o posicionamento do IS como uma referência técnica e estratégica no setor socioambiental e na rede de conservação. Essa classe exemplifica a integração do IS à Diretoria de Sustentabilidade da EM e sua colaboração no Programa de Educação Socioambiental (PES), contribuindo diretamente para o pilar de Governança (G) ao reduzir assimetrias e mitigar riscos reputacionais, conforme apontado por Giese et al. (2019).

Os resultados indicaram que a participação do Instituto em programas específicos é uma decisão estratégica, cujos desdobramentos demonstram eficácia na consecução dos objetivos institucionais. Ao atuar como consultor interno, o IS auxilia na diminuição da dissonância entre o discurso técnico e a narrativa corporativa, assegurando que a governança interna reflita com precisão a estratégia de sustentabilidade anunciada ao mercado. Uma das consequências positivas dessa atuação é o aumento da transparência dos riscos e padrões de conformidade da EM, um benefício crucial de uma governança sólida, que permite aos valores do IS permear a cultura organizacional da mantenedora, conferindo resiliência e valor institucional perante investidores e a sociedade.

No que tange ao diálogo setorial, o IS consolidou sua autonomia por meio do acúmulo de capital intelectual e técnico, fortalecido por uma rede de parceiros estratégicos que ampliam sua capacidade de diálogo e bagagem institucional. O Instituto desempenha um papel de liderança na rede brasileira de reservas privadas, ocupando a cadeira de secretário executivo e estabelecendo parcerias estratégicas com outras organizações. Essa atuação em redes, aliada à transparência nos reportes de sustentabilidade, alinha-se ao pilar G, pois a capacidade de reduzir a assimetria de informação atrai mais investidores e sinaliza padrões de gestão superiores (Giese et al., 2019).

A Classe 1, Governança e Estratégia sob a Responsabilidade Ambiental, com 16,36% dos segmentos de texto, focou na contribuição do IS para as metas corporativas da EM, com termos como “projeto”, “compliance”, “contribuição” e “meta”. Essa classe revelou que a atuação do IS transcende a simples obrigação legal, evoluindo de uma condução isolada de metas para a execução de projetos complexos e conjuntos, como o monitoramento da biodiversidade. O IS atua de forma indissociável à área de sustentabilidade da mantenedora, assumindo responsabilidade direta pela entrega de resultados associados a compromissos públicos globais de conservação e redução da pobreza, além de manter o papel de representante da atuação filantrópica da organização.

Essa estrutura de governança operacionaliza a “qualidade de gestão” (management quality), conforme Giese et al. (2019), sinalizando transparência ao mercado. Ao gerir metas de conservação por meio do IS, a EM demonstra transparência, o que atrai investidores e reduz o custo de capital, pois a empresa é percebida como menos vulnerável a choques de mercado. A recontextualização das orientações de compliance, como observado em segmentos da entrevista, transforma-as de um peso administrativo em valores morais que o IS já carrega, alinhando-se ao princípio de Responsabilidade Ambiental da UN Global Compact (2004) e aos aspectos intangíveis como confiança e reputação.

Pilar Social (S)

A Classe 2, Desenvolvimento do Capital Humano pela Educação Socioambiental Interna, com 17,27% dos segmentos de texto, evidenciou a relação do IS com o público interno da EM, destacando o “programa_de_educação_socioambiental_pes”. Vocábulos como “interno”, “programa” e “próprio” demonstram a busca por sinergias e o compartilhamento de expertises entre o Instituto e a mantenedora. Essa classe reflete o empenho do IS no desenvolvimento de competências e no fortalecimento da cultura organizacional sustentável, o que se relaciona com o pilar Social (S), que engloba o treinamento de funcionários e o desenvolvimento de talentos (Nicolas et al., 2023).

O foco reside no desenvolvimento do capital humano por meio do Programa de Educação Socioambiental (PES), uma estratégia que utiliza os próprios colaboradores de cada área como facilitadores. Isso maximiza a identificação e o engajamento dos colaboradores com a agenda de sustentabilidade, promovendo a criação de novos valores internos. Embora o PES seja gerenciado pela EM, o IS contribui com capítulos sobre conservação e monitoramento da biodiversidade em seu documento orientador. Essa linguagem interna aproxima o trabalhador dos temas de sustentabilidade, alinhando a visão da indústria com a da conservação e gerando vantagem competitiva, pois organizações com forte perfil ASG desenvolvem uma força de trabalho mais preparada para planos de negócios de longo prazo (Giese et al., 2019).

A Classe 3, Educação Ambiental e Engajamento de Stakeholders, com 15,45% dos segmentos de texto, agrupou termos centrais da missão do IS, como “proteção”, “educação_ambiental”, “olhar” e “atuar”. Essa classe aborda o desenvolvimento de metodologias críticas e o engajamento com atores externos e territórios protegidos, representando a dimensão pedagógica e relacional do IS. Ela atua como o elo que transforma a conservação técnica em aceitação social e impacto humano. Áreas de preservação que carecem de iniciativas estruturadas de proteção e educação ambiental tornam-se vulneráveis a eventos negativos para a EM e a sociedade, como invasões e perdas de integridade biológica.

A atuação do IS busca preencher essa lacuna ao integrar o olhar técnico sobre as Áreas de Alto Valor para Conservação (AVCs) à gestão de unidades de conservação públicas vizinhas. A proposta estratégica consiste em expandir o modelo de gestão do IS para as áreas naturais da EM, priorizando o engajamento de atores locais e mantendo a educação ambiental como o pilar central da gestão operacional. Essa classe se conecta com o pilar Social (S), evidenciando a licença social para operar e a educação baseada na natureza. O engajamento com a comunidade e as relações com partes interessadas são fundamentais para cultivar a confiança e melhorar a posição de mercado (Nicolas et al., 2023), e a educação ambiental atua como um caminho central para outros projetos, diminuindo distorções sociais e fortalecendo a licença social.

Pilar Ambiental (A)

A Classe 6, Conservação de Capital Natural e Biodiversidade, com 16,36% dos segmentos de texto, foca no patrimônio natural gerido pelo IS. Termos como “neblina”, “parque”, “hectare”, “nativo” e “rppn” referem-se ao Parque das Neblinas, uma área de aproximadamente sete mil hectares de Mata Atlântica, que funciona como um “laboratório vivo” onde ações de conservação e restauração são testadas e validadas. O Instituto não apenas preserva áreas, mas gera conhecimento técnico sobre restauração de ecossistemas para validar as práticas da companhia, caracterizando essa classe no pilar Ambiental (A), ao focar na proteção da biodiversidade e uso sustentável do solo.

A Classe 4, Modelos de Gestão de Riscos e Territorialidade, com 17,27% dos segmentos de texto, refere-se à estruturação do modelo de gestão do Instituto, com destaque para as palavras “modelo”, “gestão”, “território” e “processo”. Essa classe indica a ambição de escalar a inteligência de gestão para outras áreas e Unidades de Conservação, unindo a Governança (G) à dimensão Ambiental (A) ao aplicar esses modelos em “unidades de conservação”, “território” e “RPPNs”. A proposta é levar a inteligência de gestão testada no laboratório vivo do Parque das Neblinas para outros territórios, evidenciando uma ambição estratégica de expandir esse modelo operacional para além dos domínios da mantenedora, buscando ativamente parcerias e negociações com atores externos.

A operacionalização dessa expansão fundamenta-se na tradução do modelo institucional em planos de gestão customizados, que respeitam e se adaptam à capacidade financeira e aos recursos humanos disponíveis em cada Unidade de Conservação ou propriedade alvo da intervenção. Empresas com altos ratings ASG demonstram melhor controle de riscos e sofrem menos incidentes severos, como fraudes ou danos ambientais (Giese et al., 2019). O modelo de gestão do IS busca escalar a inteligência testada no Parque das Neblinas para outros territórios e RPPNs, visando uma “gestão equilibrada e efetiva”, representando a transição da experiência prática acumulada para uma metodologia replicável e escalável.

A análise dos documentos institucionais públicos do IS (corpus ii) revelou que o Pilar Ambiental, denominado Capital Natural e Ciência Aplicada (Classes 1, 3 e 4), absorve 79% dos recursos financeiros do Instituto e sintetiza sua operacionalização por meio da gestão de ecossistemas e da produção científica. O IS atua diretamente na recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica, alinhando-se aos compromissos do Acordo de Paris e às metas brasileiras para 2030, como a restauração de doze milhões de hectares. A técnica de Regeneração Natural Assistida (RNA) é detalhada, utilizando intervenção humana mínima para favorecer processos naturais, e a reintrodução da palmeira-juçara, espécie-chave que alimenta setenta variedades da fauna, com a dispersão de mais de nove milhões de sementes, demonstra a profundidade técnica do trabalho.

O Parque das Neblinas, com sete mil hectares, é apresentado como um laboratório científico vivo, onde o inventário de pesquisas registra 1.330 espécies identificadas e a descoberta de quatro novas espécies para a ciência, como o “sapinho-da-neblina” (Brachycephalus ibitinga). A rede de parcerias com instituições de ensino e pesquisa, como USP-ESALQ, UNESP e UMC, valida a seriedade da produção de conhecimento. Em relação ao Pilar Social, a Metodologia do “Espaço Educador” (Classes 6 e 2) representa 42,3% do conteúdo documental, fundamentada na pedagogia da alternância e na democratização cultural. A Classe 6, Educação pela Natureza, isola-se no dendrograma, indicando que a educação é a identidade mais independente do Instituto.

O programa “Meu Ambiente” é detalhado em cinco fases cíclicas, atingindo até 2023 mais de 9,6 mil alunos e 380 educadores, fundamentado na premissa de que o ser humano se encontra ao conhecer o mundo natural. A Classe 2, Infraestrutura e Inclusão Social, revelou uma frente de democratização do conhecimento por meio de 107 bibliotecas comunitárias distribuídas em doze estados, muitas em contextos de alta vulnerabilidade, como terras indígenas e unidades prisionais. Essa atuação gerou mais de 600 mil atendimentos anuais, provando que o IS utiliza a leitura como ferramenta de cidadania crítica.

O Pilar de Governança, Gestão de Riscos e Escalabilidade (Classe 5), com 14,8% de representatividade, demonstra como o IS profissionaliza a conservação privada por meio da Gestão Estratégica, utilizando o Plano de Manejo como ferramenta norteadora, atualizado de forma colaborativa com especialistas e comunidades. Além disso, por meio da Assessoria Técnica e Geração de Renda, o programa “Reservas IS” presta consultoria a outros proprietários, auxiliando na criação de RPPNs e fomentando o ecoturismo comunitário, o que garante a sustentabilidade econômica da conservação e reduz riscos de pressão territorial.

Integração e Triangulação dos Dados

A análise da presença do Instituto na narrativa da empresa mantenedora, por meio dos Relatórios Anuais de Sustentabilidade (RAS) de 2004 a 2024, revelou uma oscilação ao longo dos anos. O ano de 2018 apresentou a maior proporção de incidência, com o IS sendo mencionado em 30,56% das páginas do relatório, seguido por 2015 (21,95%) e 2022 (19,05%), consolidando uma média histórica de 11,73% de presença. Essas flutuações indicam que o Instituto passou por um processo de institucionalização e legitimação perante os stakeholders, tornando-se um elemento central na estratégia de sustentabilidade da empresa, embora sua exposição varie conforme as prioridades de cada ciclo de reporte.

A relação do IS com a EM evoluiu de uma organização voltada à execução de projetos pontuais para uma unidade de inteligência técnica e estratégica fundamental para a legitimidade da Empresa Mantenedora, traduzindo requisitos técnicos em narrativas humanas e educativas, essencial para a manutenção da licença social para operar. As oscilações na importância estratégica do IS são ajustadas conforme as prioridades de cada ciclo de gestão da mantenedora. Houve associações explícitas dos indicadores GRI com o IS, que evoluíram conforme as versões da metodologia adotada pela companhia, permitindo identificar como a atuação técnica do Instituto foi convertida em indicadores de performance pela mantenedora.

A triangulação dos dados demonstrou uma convergência robusta entre a intencionalidade da liderança do IS e a materialidade das práticas documentadas. Enquanto o discurso da gestão ressaltou a intenção de ser uma organização de referência e o desejo de levar o modelo de gestão para além dos domínios da mantenedora, os documentos institucionais provam essa competência técnica por meio de dados concretos, como o monitoramento de 1.330 espécies e a descoberta de quatro novas espécies para a ciência. Essa “inteligência biológica” valida a afirmação da liderança de que o IS gera conhecimento técnico para sustentar as práticas de conservação da companhia em larga escala.

No entanto, a triangulação também revelou assimetrias históricas importantes na forma como essa atuação é legitimada nos documentos da empresa mantenedora. Observou-se um processo de silenciamento discursivo no pilar ambiental até o ano de 2017. Embora o IS já realizasse a gestão técnica do Parque das Neblinas e de RPPNs, os indicadores ambientais da GRI (como EN11 a EN14) não eram vinculados diretamente a ele, sendo o Instituto apresentado majoritariamente como protagonista de ações sociais e culturais, como o programa “Ler é Preciso”. Apenas a partir de 2017 houve uma associação direta e explícita do Instituto a indicadores ambientais de impacto (como o 304-3), evidenciando uma transição onde o IS passou a ser reportado como a autoridade técnica responsável por habitats protegidos e serviços ecossistêmicos.

Ademais, a triangulação evidenciou que a educação ambiental atua como a engrenagem central que conecta os pilares social e ambiental, transformando a conservação técnica em aceitação social e cultura organizacional. Os documentos do IS detalham a metodologia pedagógica cíclica do programa “Meu Ambiente”, enquanto os relatórios da mantenedora demonstram como essa prática se converte em licença social para operar e mitigação de riscos territoriais, consolidando parcerias de longo prazo. A autonomia do IS é o que garante a conversão de obrigações de compliance em ativos estratégicos, atuando como um mediador que traduz metas corporativas complexas em narrativas humanas e resultados científicos, protegendo o capital natural e reduzindo o “risco de cauda” ambiental da EM, o que posiciona a instituição como um modelo de gestão resiliente, escalável e indissociável da estratégia de sustentabilidade da mantenedora.

Em síntese, os resultados demonstram que a atuação autônoma do Instituto Socioambiental operacionaliza os pilares ASG na prática, não apenas cumprindo obrigações, mas gerando valor compartilhado e vantagem competitiva para a empresa mantenedora. O IS atua como um laboratório vivo, traduzindo requisitos técnicos de conservação em capital humano e transparência administrativa, o que contribui para a diminuição da dissonância entre o discurso técnico e a narrativa corporativa. Essa capacidade integradora, evidenciada na conservação da biodiversidade, no fortalecimento do capital humano e na ampliação da transparência administrativa, responde diretamente ao objetivo do estudo, confirmando a hipótese de que a estrutura independente do IS supera a fragmentação histórica entre gestão econômica e ecológica.

4. Conclusão

A pesquisa analisou a maneira pela qual um Instituto Socioambiental autônomo operacionaliza os pilares ASG na prática, revelando sua atuação como uma unidade de inteligência técnica que transcendeu a filantropia. Verificou-se que a autonomia do Instituto permitiu converter obrigações de compliance em um modelo de governança que gerou valor compartilhado e vantagem competitiva para a empresa mantenedora. No pilar Ambiental, identificou-se a gestão de biodiversidade com o monitoramento de sete mil hectares de Mata Atlântica, além da geração de conhecimento técnico para restauração de ecossistemas e descoberta de quatro novas espécies. No pilar Social, observou-se o fortalecimento da licença social para operar por meio de programas de educação ambiental e da implantação de 107 bibliotecas comunitárias em doze estados, que desenvolveram o capital humano e promoveram o engajamento de stakeholders. No pilar de Governança, o Instituto promoveu a transparência e a redução de riscos ambientais ao integrar-se à diretoria de sustentabilidade da mantenedora e liderar redes de conservação. Essa capacidade integradora, evidenciada na conservação da biodiversidade, no fortalecimento do capital humano e na ampliação da transparência administrativa, demonstrou que a estrutura independente do IS superou a fragmentação histórica entre gestão econômica e ecológica.

Contudo, este estudo possui limitações inerentes à sua natureza de caso único, o que restringe a generalização imediata dos achados para outros contextos. A coleta de dados primários concentrou-se na perspectiva da diretoria, deixando uma lacuna na percepção de outros stakeholders e colaboradores operacionais sobre a eficácia da integração das agendas. Para estudos futuros, sugere-se investigar a replicabilidade deste modelo em outros biomas onde a mantenedora atua, como o Cerrado e a Amazônia, conforme projetado pela liderança do Instituto. Adicionalmente, recomenda-se a realização de pesquisas quantitativas que busquem correlacionar o desempenho socioambiental de Institutos Socioambientais à redução do “risco de cauda” e à volatilidade das ações da mantenedora no mercado financeiro.

Referências Bibliográficas

Awa, H. O.; Etim, W.; Ogbonda, E. 2024. Stakeholders, stakeholder theory and corporate social responsibility. International Journal of Corporate Social Responsibility 9(11): 1-14.

Barbieri, J. C. 2023. Gestão Ambiental Empresarial: Conceitos, modelos e instrumentos. 5ed. Saraiva, São Paulo, SP, Brasil.

Bardin, L. 2011. Análise de Conteúdo. 1ed. Edições 70, Lisboa, Portugal.

Flick, U. 2009. Introdução à Pesquisa Qualitativa. 3ed. Artmed, Porto Alegre, RS, Brasil.

Gieses, G. et al. 2019. Foundations of ESG investing: how ESG affects equity valuation, risk, and performance. The Journal of Portfolio Management 45(5): 69-83.

Gil, A. C. 2017. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Global Reporting Initiative (GRI). n.d. Mission and history. Disponível em: https://umbraco-acc.globalreporting.org/about-gri/mission-history/. Acesso em: 25 mar. 2026.

Hollweck, T.; Yin, R. K. 2014. Case study research design and methods. Canadian Journal of Program Evaluation 30(1): 108-110.

Layrargues, P. P. 2003. O desafio empresarial para a sustentabilidade e as oportunidades da educação ambiental. p. 96-110. In: Loureiro, C. F. B. (org). Cidadania e meio ambiente. v.1. Salvador, Bahia, Brasil.

Minayo, M. C. S. 2014. O Desafio do Conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde. 14ed. Hucitec, São Paulo, SP, Brasil.

Nicolas, M. L. D. et al. 2023. ESG reputation risk matters: an event study based on social media data. Finance Research Letters 59(1): 1-18.

Porter, M. E.; Kramer, M. R. 2011. Creating shared value: reinventing capitalism and the role of the corporation in society. Harvard business review 89(1/2): 62-77.

Sales, T. B.; Cantarino, A. 2011. Educação ambiental empresarial como ferramenta na gestão ambiental. In: VII Congresso Nacional de Excelência em Gestão, 2011, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Anais do Congresso Nacional em Excelência em Gestão.

Silva, S. 2021. Corporate contributions to the sustainable development goals: an empirical analysis informed by legitimacy theory. Journal of Cleaner Production 292(125962): 1-14.

Stake, R. 1995. The Art of Case Study Research. 1ed. SAGE, Thousand Oaks, EUA.

United Nations Global Compact. 2004. Who Cares Wins: Connecting Financial Markets to a Changing World. Disponível em: <www.ifc.org>. Acesso em: 28 jan. 2026.

World Commission on Environment and Development (WCED). 1987. Our Common Future: Report of the World Commission on Environment and Development. Oxford: Oxford University Press.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Compliance e ESG do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

05 de outubro de 2026

Compliance para mitigar e prevenir furtos em canteiros de obras: Programa de integridade aplicado à construção civil

Furtos em canteiros de obras representam um desafio significativo para a construção civil, gerando impactos financeiros, operacionais e reputacionais. Nesse contexto, programas de integridade e compliance surgiram como ferramentas de gestão para fortalecer a governança e mitigar riscos. O estudo objetivou propor um programa de conformidade aplicado à construção civil, focado na prevenção e mitigação de furtos em canteiros de obras. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com apoio quantitativo, desenvolvida em duas etapas. Primeiramente, realizou-se uma pesquisa de campo entre fevereiro e março de 2026, aplicando um questionário eletrônico a profissionais do setor. Em seguida, elaborou-se um estudo de caso fictício, baseado em experiências profissionais do autor, integrando os resultados da pesquisa a práticas de gestão de riscos e governança. Os resultados evidenciaram a importância da implementação de programas de compliance no setor e indicaram que a combinação de mecanismos de controle, processos estruturados, capacitação de equipes, canais de denúncia, monitoramento contínuo e fortalecimento da cultura ética pode reduzir vulnerabilidades. Concluiu-se que a adoção de práticas de integridade amplia a capacidade preventiva das organizações e aprimora a governança e a gestão de riscos no setor.

Palavras-chave: Compliance; Construção civil; Furtos; Gestão de riscos; Governança corporativa.

Compliance E Esg

05 de outubro de 2026

A integração da Lei Geral de Proteção de Dados aos programas de Compliance nas empresas

Analisou-se a integração da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) aos programas de compliance em empresas, com o objetivo de destacar seus impactos, desafios e benefícios no contexto da governança corporativa. Adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, com coleta de dados por meio de questionário aplicado a profissionais de diversas áreas organizacionais. Os resultados indicaram que a integração entre LGPD e compliance ainda se encontrava em estágio inicial na maioria das organizações, sendo marcada por dificuldades estruturais, culturais e operacionais. Entre os principais desafios identificados, destacaram-se a ausência de cultura organizacional voltada à proteção de dados, a insuficiência de treinamentos, a falta de engajamento da alta administração e a indefinição de papéis e responsabilidades. Por outro lado, verificou-se que empresas que promoveram a integração entre essas áreas apresentaram maior maturidade em governança, melhor gestão de riscos e maior confiança dos stakeholders. Concluiu-se que a LGPD atuou como um elemento catalisador para o aprimoramento dos programas de compliance, exigindo das organizações uma transformação estrutural e cultural para garantir a efetividade da conformidade e a proteção dos dados pessoais.

Palavras-chave: Compliance; Gestão de riscos; Governança corporativa; Lei Geral de Proteção de Dados; Proteção de dados.

Compliance E Esg

05 de outubro de 2026

O uso racional de antimicrobianos como estratégia de Compliance em unidades públicas secundárias de saúde

Programas de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA) promovem o controle do uso racional de antimicrobianos, combatendo a resistência e aprimorando a segurança do paciente. O estudo objetivou descrever a implementação de um PGA, integrado a uma política de compliance, em unidades públicas de atenção secundária de um município de médio porte na região Sudeste do Brasil. Realizou-se um estudo descritivo, focado na implantação gradual do programa a partir de novembro de 2023. O processo envolveu médicos infectologistas do Controle de Infecção Hospitalar e farmacêuticos responsáveis técnicos, desenvolvido em etapas para a elaboração de protocolos institucionais. Coletaram-se dados sistematicamente e monitoraram-se indicadores assistenciais e gerenciais, como conformidade da prescrição, consumo de antimicrobianos e taxa de descalonamento terapêutico. Os resultados indicaram melhoria na padronização das condutas, resultando em uma indicação e uso mais racional de antimicrobianos. Identificaram-se também não conformidades e fragilidades no processo. A implementação do PGA contribuiu para o fortalecimento da política de compliance institucional, possibilitando maior gerenciamento de riscos e segurança do paciente, e impactou positivamente o uso dos recursos na unidade de saúde.

Palavras-chave: Governança em saúde; Indicadores assistenciais; Segurança do paciente.

Compliance E Esg

02 de outubro de 2026

Compliance em Apostas de Quota Fixa: Desafios Regulatórios e Boas Práticas no Mercado de iGaming

O crescimento recente do mercado de apostas de quota fixa no Brasil evidenciou a necessidade de estruturas regulatórias e mecanismos de controle capazes de mitigar riscos financeiros e sociais associados à atividade. Objetivou-se analisar a implementação de mecanismos de compliance e governança corporativa em uma empresa atuante no setor. Adotou-se abordagem qualitativa e aplicada, baseada em estudo de caso, que incluiu análise documental de políticas internas, revisão da literatura especializada, entrevista semiestruturada com um especialista do setor e observação dos processos organizacionais. Os resultados indicaram que a empresa analisada demonstrou aderência formal às exigências regulatórias, com a implementação de estruturas de governança, controles de prevenção à lavagem de dinheiro e mecanismos de proteção ao usuário. Contudo, verificou-se que tais medidas apresentaram limitações na efetividade prática, especialmente na identificação de comportamentos de risco e na mitigação de impactos relacionados à ludopatia e à vulnerabilidade financeira dos usuários. A análise evidenciou uma lacuna entre o cumprimento formal das obrigações normativas e a gestão efetiva dos riscos inerentes à atividade em um contexto regulatório ainda em consolidação. Concluiu-se que o aprimoramento dos programas de compliance no setor depende da adoção de abordagens mais proativas, integradas e orientadas por dados, visando fortalecer a governança e ampliar a proteção dos usuários.

Palavras-chave: Gestão de riscos; Governança corporativa; Jogo responsável; Lavagem de dinheiro; Proteção do usuário.

Compliance E Esg

02 de outubro de 2026

Ética em Inteligência Artificial e ESG nas práticas corporativas brasileiras

A crescente adoção da inteligência artificial no ambiente corporativo ampliou os desafios éticos, sociais e ambientais, demandando a incorporação de práticas alinhadas à governança e sustentabilidade. Identificou-se a ausência de clareza sobre o nível de maturidade das práticas éticas de inteligência artificial em empresas brasileiras de capital aberto. O estudo analisou, em uma amostra intencional de oito empresas brasileiras de capital aberto, como diretrizes e práticas de governança ética da inteligência artificial são evidenciadas em documentos públicos e comparou seu grau de maturidade documental. Realizou-se uma pesquisa exploratória e descritiva, com abordagem predominantemente qualitativa e componente quantitativo complementar, utilizando um delineamento de estudo de caso múltiplo. A metodologia baseou-se na análise comparativa de relatórios institucionais e políticas corporativas de oito empresas listadas na B3, de diversos setores econômicos. Os dados foram sistematizados por meio de uma matriz comparativa, fundamentada em referenciais teóricos e normativos internacionais sobre ética em inteligência artificial. Os resultados evidenciaram uma adoção heterogênea de práticas éticas entre os setores, com maior maturidade em organizações sob maior pressão regulatória. Persistiram lacunas em dimensões como transparência, explicabilidade e mitigação de vieses algorítmicos. As iniciativas observadas apresentaram, em grande parte, caráter reativo, indicando uma dissociação entre avanço tecnológico e governança ética. A análise demonstrou que a ética em inteligência artificial permanece em processo de consolidação no contexto corporativo brasileiro, demandando abordagens mais integradas, proativas e alinhadas aos princípios ESG.

Palavras-chave: Compliance; ESG; Ética em inteligência artificial; Governança tecnológica; IA responsável.

Compliance E Esg

02 de outubro de 2026

Mudanças climáticas e a formação de profissionais de ESG: um estudo exploratório em empresas privadas do setor de impacto socioambiental no Brasil

As mudanças climáticas intensificaram a demanda por capacitação profissional e organizacional em ESG no contexto empresarial brasileiro. O estudo analisou a percepção de profissionais de ESG sobre seu nível de preparo frente às mudanças climáticas e investigou as estratégias de capacitação relatadas por profissionais de empresas privadas com diferentes graus de atuação ou interface socioambiental. A pesquisa adotou abordagem descritivo-exploratória, combinando métodos quantitativos e qualitativos, por meio de questionário estruturado aplicado entre 16 de janeiro e 4 de fevereiro de 2026, que totalizou 52 respostas válidas. Os resultados sugeriram níveis predominantemente intermediários de preparo autodeclarado, com diferenças entre as dimensões avaliadas e a familiaridade com referenciais técnicos e a percepção de preparo para sua aplicação prática. Predominaram iniciativas de capacitação informais ou pontuais, e as respostas abertas destacaram competências técnicas, analíticas, regulatórias, organizacionais e comportamentais como relevantes. Os achados indicaram que o fortalecimento da atuação profissional na agenda climática envolve tanto o desenvolvimento de competências individuais quanto condições organizacionais relacionadas à capacitação, à governança e à integração do tema aos processos decisórios.

Palavras-chave: Capacitação profissional; Competências profissionais; Estratégia organizacional; Gestão de riscos climáticos; Governança climática.

Compliance E Esg

02 de outubro de 2026

A importância do compliance na mitigação de riscos jurídicos em contratos eletrônicos

A crescente digitalização das relações negociais impulsionou a evolução dos contratos, que passaram de instrumentos físicos e formais para modelos eletrônicos mais dinâmicos. Contudo, tais transações sujeitam-se a novos riscos jurídicos, e o compliance contratual tornou-se elemento fundamental para assegurar que processos, cláusulas e meios de validação eletrônica fossem alinhados às normas legais e às boas práticas de governança. Diante da existência de lacunas na aplicação prática da normatização vigente, buscou-se propor a criação de meios que imprimissem maior segurança jurídica às transações digitais. O estudo teve como objetivo examinar os riscos jurídicos próprios dos contratos eletrônicos e apresentar um modelo estruturado de compliance a fim de proporcionar mais segurança e atendimento aos padrões e requisitos legais e mitigar tais riscos. Para tanto, adotou-se metodologia exploratória e qualitativa, apoiada em revisão bibliográfica de doutrina, legislação, jurisprudência e políticas de algumas grandes corporações empresariais, categorizadas sistematicamente, para permitir a comparação entre elas. Como resultado, verificou-se que existem vícios recorrentes nos contratos eletrônicos, e o compliance revelou-se ferramenta indispensável para combatê-los, tornando-se essencial para garantir validade e execução contratual a partir da proposição de um modelo fundado em cinco eixos que minimiza riscos e promove relações contratuais digitais mais seguras, transparentes e em conformidade com as normas.

Palavras-chave: auditoria; governança; privacidade; tecnologia; transparência.

Compliance E Esg

02 de outubro de 2026

Due diligence de integridade de fornecedores como mecanismo de mitigação de riscos reputacionais

A crescente materialização de riscos reputacionais em relações comerciais mal estruturadas destacou a relevância da due diligence de integridade de fornecedores. O estudo objetivou demonstrar que a diligência prévia de integridade é um mecanismo essencial para mitigar tais riscos. Para tanto, adotou-se a metodologia de estudo de caso único, analisando uma vinícola do Rio Grande do Sul que se envolveu em um episódio de trabalho análogo à escravidão em 2023. Analisaram-se documentos oficiais, políticas internas e o relatório de sustentabilidade da empresa, publicados entre 2023 e 2025, e comparou-se o programa de compliance da vinícola com as diretrizes da Controladoria-Geral da União. Os resultados revelaram que a ausência de procedimentos estruturados de due diligence contribuiu para a contratação de um fornecedor com graves violações trabalhistas. Contudo, após a crise reputacional, a vinícola implementou práticas de governança mais robustas, como a criação de um Canal de Denúncias e de um Comitê de Integridade, embora ainda apresentasse lacunas, como a falta de uma política interna específica para gestão de terceiros. A pesquisa também propôs um questionário de due diligence para avaliação de fornecedores. Concluiu-se que a due diligence de integridade de fornecedores é um instrumento indispensável para prevenir danos reputacionais e fortalecer a cultura de integridade nas organizações.

Palavras-chave: Compliance; Due diligence; Gestão de terceiros; Risco reputacional.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade