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Compliance E Esg

05 de outubro de 2026

Compliance para mitigar e prevenir furtos em canteiros de obras: Programa de integridade aplicado à construção civil

Compliance para Mitigar e Prevenir Furtos em Canteiros de Obras: Programa de Integridade Aplicado à Construção Civil

Humberto Bernardino de Andrade; Júlia Pinto Komka

DOI: 10.22167/2675-6528-202602993

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Furtos em canteiros de obras representam um desafio significativo para a construção civil, gerando impactos financeiros, operacionais e reputacionais. Nesse contexto, programas de integridade e compliance surgiram como ferramentas de gestão para fortalecer a governança e mitigar riscos. O estudo objetivou propor um programa de conformidade aplicado à construção civil, focado na prevenção e mitigação de furtos em canteiros de obras. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com apoio quantitativo, desenvolvida em duas etapas. Primeiramente, realizou-se uma pesquisa de campo entre fevereiro e março de 2026, aplicando um questionário eletrônico a profissionais do setor. Em seguida, elaborou-se um estudo de caso fictício, baseado em experiências profissionais do autor, integrando os resultados da pesquisa a práticas de gestão de riscos e governança. Os resultados evidenciaram a importância da implementação de programas de compliance no setor e indicaram que a combinação de mecanismos de controle, processos estruturados, capacitação de equipes, canais de denúncia, monitoramento contínuo e fortalecimento da cultura ética pode reduzir vulnerabilidades. Concluiu-se que a adoção de práticas de integridade amplia a capacidade preventiva das organizações e aprimora a governança e a gestão de riscos no setor.

Palavras-chave: Compliance; Construção civil; Furtos; Gestão de riscos; Governança corporativa.

1. Introdução

A construção civil representa um dos pilares fundamentais da economia nacional, contribuindo significativamente para a geração de empregos e para o Produto Interno Bruto (OLIVEIRA, 2020; IBGE, 2024). Contudo, este setor é caracterizado por uma elevada complexidade operacional, que envolve o intenso fluxo de materiais, equipamentos e pessoas. Essa dinâmica favorece a ocorrência de vulnerabilidades, especialmente no que tange a desvios patrimoniais e furtos em canteiros de obras (FORMOSO; LIKER, 2019).

Nesse ambiente, os furtos constituem um problema recorrente e multifacetado. Eles abrangem desde a subtração de ferramentas e materiais por colaboradores internos ou terceirizados até ocorrências mais elaboradas, envolvendo agentes externos e itens de maior valor agregado, como cabos elétricos e equipamentos (NASCIMENTO, 2021). Embora o impacto financeiro individual possa ser limitado em alguns casos, os efeitos cumulativos desses desvios comprometem prazos, custos, produtividade e a segurança geral dos empreendimentos.

Ao longo das últimas décadas, a construção civil testemunhou uma evolução nos sistemas de gestão, com a disseminação de programas de qualidade como a ISO 9001 e o PBQP-H, que contribuíram para a padronização de processos e o controle de custos e materiais (BRASIL, 2000). A incorporação de tecnologias como o Building Information Modeling (BIM) também elevou a capacidade de controle e previsibilidade das obras. Paradoxalmente, à medida que as perdas técnicas e operacionais foram mitigadas, outras fontes de perdas, menos estruturadas e associadas a comportamentos desviantes e falhas de controle organizacional, como os furtos, tornaram-se mais evidentes (PICCHI, 2015).

Além dos prejuízos financeiros diretos, a ocorrência de furtos afeta o clima organizacional, gerando desconfiança entre as equipes, potenciais conflitos internos e a deterioração das relações de trabalho. A ausência de mecanismos estruturados para denúncia, apuração e responsabilização agrava esse cenário, reforçando a percepção de impunidade e fragilizando a cultura organizacional (MORAES, 2022). Tradicionalmente, as empresas do setor têm adotado medidas predominantemente físicas, como cercamento perimetral, sistemas de monitoramento e controle de acesso. No entanto, essas estratégias mostram-se insuficientes para lidar com a complexidade do problema, que também envolve fatores comportamentais, culturais e de governança.

Nesse contexto, os programas de compliance e integridade emergem como instrumentos de gestão cruciais. Eles são capazes de atuar de forma preventiva, detectiva e corretiva, promovendo a conformidade normativa, a transparência nas relações e o fortalecimento da governança corporativa. Tais mecanismos se alinham às diretrizes de ESG, contribuindo para a construção de ambientes organizacionais mais éticos, sustentáveis e socialmente responsáveis (ELKINGTON, 1999). Apesar de sua crescente relevância, a aplicação sistemática de programas de integridade no cotidiano dos canteiros de obras ainda é incipiente.

Diante da complexidade e dos impactos dos furtos, este estudo se propõe a responder: como a implementação de um programa de compliance pode contribuir para a mitigação e a prevenção de furtos em canteiros de obras na construção civil? A relevância desta pesquisa se justifica sob perspectivas econômica, ao buscar a redução de perdas e o aumento da eficiência operacional; organizacional, ao visar o fortalecimento da cultura ética e do ambiente de trabalho; acadêmica, ao ampliar a discussão sobre o compliance em um setor pouco explorado; e profissional, ao dialogar com a experiência prática do autor. Assim, o objetivo geral deste trabalho é analisar os fatores associados à ocorrência de furtos em canteiros de obras da construção civil e, com base em evidências empíricas e referenciais teóricos, propor um modelo de programa de compliance voltado à sua mitigação e prevenção, considerando aspectos operacionais, culturais e de governança.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como aplicada, com abordagem predominantemente qualitativa e apoio quantitativo, de natureza descritivo-exploratória. O objetivo geral foi analisar os fatores associados à ocorrência de furtos em canteiros de obras e propor um modelo de programa de compliance voltado à mitigação e à prevenção desses eventos na construção civil, com base nas evidências obtidas. A pesquisa buscou uma solução prática e alinhou-se aos princípios dos programas de integridade (ISO 37301, 2021) e às práticas de compliance na construção civil (PICCHI, 2015), visando compreender vulnerabilidades operacionais e aspectos culturais (TREVIÑO; WEAVER, 2011).

O desenvolvimento da pesquisa foi estruturado em duas etapas complementares. A primeira consistiu na realização de uma pesquisa de campo para obtenção de informações diretamente de profissionais atuantes na construção civil. A segunda etapa compreendeu a elaboração de um caso ilustrativo fictício, fundamentado em situações reais observadas na experiência profissional do autor, com a devida preservação da identidade das empresas e pessoas envolvidas. Essa estratégia metodológica buscou integrar evidências empíricas, literatura especializada, normas técnicas e experiências recorrentes do setor (CBIC, 2023; ISO 37301, 2021).

A pesquisa de campo foi realizada entre 2 de fevereiro e 16 de março de 2026, por meio da aplicação de um questionário eletrônico desenvolvido na plataforma Google Forms. O instrumento de coleta de dados foi elaborado com base na literatura especializada sobre conformidade, cultura ética e prevenção de desvios patrimoniais (TREVIÑO; WEAVER, 2011; MORAES, 2022). O questionário foi divulgado nos perfis profissionais do autor nas redes LinkedIn e Instagram, bem como em grupos técnicos de engenharia na plataforma WhatsApp.

Dessa forma, alcançaram-se profissionais de diferentes regiões do Brasil, incluindo as regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, e de diversos segmentos da construção civil. Participaram engenheiros, arquitetos, gestores, coordenadores, mestres de obras, técnicos e outros profissionais envolvidos diretamente na gestão de empreendimentos. A pesquisa possibilitou a obtenção de informações relacionadas às vulnerabilidades operacionais, aos mecanismos de controle existentes e à percepção dos respondentes sobre a aplicação de programas de compliance no ambiente dos canteiros de obras, totalizando 250 respondentes.

Após a conclusão da etapa de coleta, os dados quantitativos foram organizados e analisados por meio de estatística descritiva, utilizando-se frequências absolutas e relativas. As respostas abertas foram examinadas por meio da técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2011), o que permitiu organizá-las em eixos temáticos relacionados às vulnerabilidades de controle, cultura ética, governança corporativa e mecanismos de prevenção e detecção de desvios. A integração da análise dos resultados empíricos, do referencial teórico e das normas aplicáveis possibilitou a identificação de padrões relevantes.

Como complemento à pesquisa de campo, desenvolveu-se um caso ilustrativo fictício, a partir da consolidação de situações recorrentes observadas pelo autor ao longo de sua trajetória profissional na construção civil. Com finalidade didático-analítica, o caso não foi utilizado como fonte primária de dados, mas como instrumento para demonstrar a aplicação prática do modelo desenvolvido. Preservou-se o anonimato das organizações envolvidas e respeitaram-se os princípios éticos da pesquisa. Essa abordagem reforçou a aplicabilidade do programa de compliance proposto.

Com base nos resultados da pesquisa de campo e no referencial teórico desenvolvido durante a revisão bibliográfica, elaborou-se um modelo conceitual de programa de conformidade aplicado aos canteiros de obras. O modelo considerou os pilares de prevenção, detecção e resposta, contemplando diretrizes de conduta, procedimentos de controle de materiais, treinamentos periódicos, canais de denúncia, processos de investigação interna, auditorias e indicadores de desempenho. Seu objetivo foi integrar mecanismos de governança às rotinas operacionais da construção civil, em consonância com as normas ISO 37301 (2021) e ISO 37001.

Para verificar a consistência técnica e aplicabilidade prática, o modelo foi submetido à avaliação de especialistas em compliance corporativo e construção civil. Essa etapa teve como objetivo analisar a aderência do modelo às boas práticas de governança, sua viabilidade de implementação em empreendimentos de diferentes portes e sua compatibilidade com a realidade operacional dos canteiros de obras. Essa validação contribuiu para o aperfeiçoamento da proposta antes da consolidação da versão final do modelo.

Em relação aos aspectos éticos, a pesquisa foi conduzida em conformidade com os princípios aplicáveis à pesquisa acadêmica. Não foram coletados dados sensíveis nem divulgadas informações que possibilitassem a identificação de empresas ou participantes. Todos os dados foram tratados de forma anônima e confidencial, respeitando os princípios da ética em pesquisa e as disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018). O caso ilustrativo apresentado possui caráter fictício, preservando integralmente o anonimato das organizações e das pessoas envolvidas.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados, tanto por meio dos questionários aplicados a 250 profissionais da construção civil quanto das respostas abertas, revelou padrões consistentes sobre a ocorrência de furtos em canteiros de obras e a percepção da efetividade de programas de compliance. Os achados iniciais confirmaram que os furtos representam um problema recorrente no setor, com apenas 2,8% dos respondentes afirmando nunca ter presenciado tais eventos. Uma parcela significativa, 53,6%, relatou ocorrências ocasionais ou frequentes, o que corrobora a visão de que os desvios patrimoniais são perdas sistêmicas, e não meros incidentes isolados, conforme apontado por Nascimento (2021).

A tipologia dos furtos identificados na pesquisa de campo demonstrou uma clara preferência por materiais de maior valor agregado e liquidez. Cabos elétricos e outros componentes de alto valor foram os itens mais visados, representando 44,4% das ocorrências, seguidos por ferramentas e utensílios, com 38%. Esse resultado alinha-se à lógica econômica dos desvios, onde a facilidade de revenda e o retorno financeiro são fatores determinantes, conforme discutido por Formoso e Liker (2019). A origem dos desvios também foi um ponto crucial, indicando que terceiros são os principais envolvidos, com 39,6% das menções, seguidos por colaboradores internos (19,6%) e agentes externos (18,8%).

Essa distribuição da origem dos furtos sublinha a complexidade do problema e a necessidade de uma gestão de riscos abrangente, que inclua a cadeia de fornecedores e a interação com o ambiente externo. A participação de terceiros como principal fonte de risco, conforme destacado por Graham e Rawlings (2020), ressalta a importância de controles rigorosos na contratação e monitoramento de empresas e profissionais externos. Os impactos organizacionais dos furtos também se mostraram relevantes, com 43,6% dos respondentes indicando que os desvios afetam o cronograma da obra sempre ou frequentemente, e 69,2% reconhecendo impactos significativos no clima organizacional.

A deterioração do clima organizacional, gerando desconfiança e conflitos internos, é uma consequência direta da percep ocorrência de atos antiéticos e da ausência de mecanismos de responsabilização, como enfatizado por Moraes (2022). Tais impactos reforçam a necessidade de programas de integridade que abordem não apenas as perdas financeiras, mas também a saúde do ambiente de trabalho. A maturidade dos programas de compliance no setor revelou um cenário heterogêneo, com 43,2% das empresas possuindo programas estruturados, 28,8% com iniciativas parciais e 28,0% sem qualquer programa formal.

Ainda mais preocupante foi a constatação de que 46,8% dos respondentes indicaram a inexistência de canais formais de denúncia em suas obras. Essa lacuna representa uma fragilidade crítica nos mecanismos de detecção de desvios, conforme as diretrizes da ISO 37301 (2021), que estabelece os canais de denúncia como um elemento essencial dos sistemas de gestão de conformidade. A ausência de canais seguros e eficazes pode inibir o relato de irregularidades, perpetuando um ciclo de impunidade e desconfiança.

A pesquisa também revelou deficiências nas práticas organizacionais de promoção da integridade. Verificou-se que 37,2% das empresas não realizam treinamentos em ética, e 40,8% não possuem auditoria ou monitoramento estruturado para prevenção de furtos. Adicionalmente, 31,2% dos colaboradores desconhecem as políticas de compliance de suas empresas. Esses dados indicam um desalinhamento entre a existência formal de políticas e sua aplicação prática efetiva, evidenciando a diferença entre “compliance formal” e “compliance efetivo”, conceito abordado por Treviño e Weaver (2011).

Apesar das fragilidades identificadas, a pesquisa demonstrou um alto grau de aceitação das práticas de integridade entre os profissionais. Um expressivo 72,4% dos respondentes acreditam que o compliance reduz furtos (total ou moderadamente). Além disso, 96,8% afirmaram que denunciariam desvios se houvesse um canal seguro para isso, e 97,2% apoiam sanções disciplinares e legais para os envolvidos em condutas antiéticas. Esse ambiente favorável sugere que há um potencial significativo para a implementação e o fortalecimento de programas de integridade, desde que haja estrutura, credibilidade e liderança ativa.

A análise qualitativa das respostas abertas reforçou a necessidade de uma abordagem integrada para a mitigação de furtos. Os participantes convergiram na percepção de que o problema não se restringe à segurança patrimonial, mas é um fenômeno multifatorial que abrange aspectos operacionais, culturais, gerenciais e tecnológicos. Essa visão sistêmica é fundamental para o desenvolvimento de soluções eficazes, que vão além das medidas reativas e buscam a prevenção e a detecção proativa de desvios.

Os respondentes atribuíram elevada relevância ao fortalecimento dos controles físicos e operacionais, mencionando práticas como monitoramento contínuo, melhoria dos processos de portaria, rastreabilidade de materiais e inventários periódicos. Contudo, as contribuições qualitativas indicaram que essas medidas só se tornam efetivas quando integradas a uma estrutura organizacional mais ampla, com processos bem definidos e responsabilidades claramente atribuídas. A tecnologia, como RFID e biometria, foi citada como importante vetor de apoio, mas sua eficácia depende da integração com processos estruturados e uma cultura organizacional consistente.

A cultura organizacional foi amplamente reconhecida como um dos principais fatores para a prevenção de desvios. Os participantes enfatizaram a importância de treinamentos contínuos, diálogos diários de segurança (DDS) com temas de integridade e a participação ativa da liderança no canteiro de obras. A conscientização dos colaboradores é vista como essencial para reduzir comportamentos oportunistas e fortalecer o senso de responsabilidade coletiva, criando um ambiente onde a ética é valorizada e a impunidade é combatida.

A dimensão da governança também emergiu de forma consistente, com destaque para a necessidade de regras claras, aplicação de sanções proporcionais e coerência nas decisões gerenciais. A percepção de impunidade foi identificada como um fator crítico que compromete a efetividade dos controles existentes. Por outro lado, ambientes com previsibilidade das consequências e alinhamento entre discurso e prática tendem a apresentar maior aderência às normas internas, reforçando a credibilidade do sistema de compliance.

A efetividade do compliance, segundo os participantes, depende de sua aplicação prática no cotidiano das obras, e não apenas de sua formalização documental. Essa percepção está alinhada à literatura, que aponta que a internalização cultural do compliance é mais relevante do que a mera existência de normas formais (Saad-Diniz, 2019). O conceito de *tone at the top* foi recorrentemente mencionado, evidenciando que a postura da liderança é determinante para o sucesso das iniciativas de integridade, pois gestores que atuam pelo exemplo influenciam diretamente a construção de um ambiente mais ético.

Modelo conceitual de compliance aplicado a canteiros de obras

O modelo conceitual proposto, fundamentado nos resultados da pesquisa de campo e no referencial teórico, configura-se como um sistema integrado de gestão para canteiros de obras. Ele visa à redução de desvios, ao fortalecimento dos controles operacionais e à consolidação de uma cultura organizacional orientada à integridade. Diferentemente de abordagens puramente normativas, o modelo foi concebido para ser aplicado de forma prática, integrando-se à rotina operacional das equipes de engenharia, produção, suprimentos e apoio administrativo.

A estrutura do modelo baseia-se em três pilares operacionais: prevenção, detecção e resposta, os quais são sustentados por mecanismos de governança ativa e mensuração contínua de desempenho. A simplicidade de aplicação, a consistência dos controles e, principalmente, o comportamento da liderança no dia a dia da obra são fatores cruciais para a efetividade do modelo. Para sua implementação e acompanhamento, propõe-se a criação de um comitê de ética, com função semelhante às comissões internas já consolidadas no setor, responsável por coordenar, direcionar e monitorar as práticas.

1. Prevenção – Estruturação do ambiente para redução de desvios

A prevenção constitui a primeira linha de defesa do sistema, atuando diretamente na redução das oportunidades de desvios. Um ambiente organizado, com regras claras e processos bem definidos, inibe práticas irregulares de forma consistente. A formalização de diretrizes de conduta objetivas, acessíveis e amplamente comunicadas é o ponto de partida, evitando documentos excessivamente extensos. O código de conduta deve estabelecer comportamentos esperados, limites aceitáveis e consequências de violações, sendo indispensável sua presença no cotidiano por meio de reuniões e comunicação visual.

No âmbito operacional, o controle de materiais é um processo crítico. Todos os insumos devem ser devidamente registrados desde o recebimento até a aplicação, assegurando rastreabilidade ao longo do ciclo produtivo. A realização de inventários periódicos rotativos permite identificar divergências e adotar medidas corretivas. Ferramentas de identificação, como etiquetas, códigos de barras ou QR Codes, podem ser utilizadas conforme a complexidade da obra, ampliando a precisão do controle de estoque e movimentação de materiais.

A segregação de funções é uma medida essencial de controle interno, impedindo a concentração de responsabilidades em um único agente. A separação entre as atividades de recebimento, armazenamento e liberação de materiais reduz significativamente a possibilidade de manipulação de registros e de ocorrência de desvios intencionais. A integração entre planejamento, orçamento e execução operacional fortalece o controle gerencial, possibilitando a comparação sistemática entre o consumo previsto e o realizado, o que permite a identificação precoce de inconsistências e a adoção de ajustes.

No campo comportamental, a prevenção é reforçada por treinamentos contínuos e comunicação frequente, incorporando a temática da integridade com a mesma relevância da segurança do trabalho. A gestão de terceiros requer atenção específica, com avaliação prévia de fornecedores e formalização contratual com cláusulas de conduta ética e responsabilização. O controle de acesso e permanência de equipes terceirizadas no canteiro de obras deve ser rigorosamente executado, minimizando vulnerabilidades. Iniciativas de desenvolvimento humano e valorização dos colaboradores contribuem para um ambiente mais ético, reduzindo fatores de risco.

2. Detecção – Identificação rápida de desvios

Apesar da adoção de práticas preventivas, a ocorrência de desvios não é completamente eliminada, tornando a capacidade de detecção tempestiva um elemento essencial do sistema. Canais de denúncia são instrumentos relevantes, desde que estruturados para garantir acessibilidade, confidencialidade e proteção ao denunciante. A credibilidade desses canais está diretamente associada à efetividade das apurações e, quando aplicável, às ações corretivas, promovendo a confiança dos colaboradores e a transparência organizacional.

O monitoramento físico do canteiro de obras atua como mecanismo complementar de controle. Sistemas de vigilância, controle de acesso e portaria contribuem para a mitigação de riscos, mas sua eficácia depende da integração com os demais processos internos. De forma isolada, tais medidas mostram-se insuficientes, sendo necessária a análise sistemática das informações geradas e a adoção de providências decorrentes para identificar padrões atípicos e tendências de risco. Auditorias internas periódicas possibilitam a verificação objetiva dos processos, abrangendo controle de estoque e conformidade com procedimentos.

A realização de auditorias internas periódicas possibilita a verificação objetiva dos processos, abrangendo o controle de estoque, o consumo de materiais e a conformidade com os procedimentos estabelecidos. Auditorias frequentes e direcionadas tendem a ser mais efetivas do que abordagens esporádicas e excessivamente complexas, permitindo identificar padrões atípicos e tendências de risco. Variações relevantes entre o consumo previsto e o realizado, divergências recorrentes de estoque e inconsistências nos registros operacionais constituem sinais que demandam análise e intervenção, permitindo identificar irregularidades em estágios iniciais.

3. Resposta – Tratamento e correção de irregularidades

A resposta compreende o conjunto de ações adotadas após a identificação de uma irregularidade, com o objetivo de apurar os fatos, responsabilizar os envolvidos e restabelecer a integridade dos processos. A condução de investigações internas deve ser estruturada, com responsabilidades claramente definidas, evidências preservadas e registros documentais adequados. A participação de uma equipe multidisciplinar contribui para uma análise abrangente e consistente dos fatos, garantindo a imparcialidade e a profundidade da apuração.

As medidas disciplinares devem ser aplicadas de maneira proporcional à gravidade das condutas identificadas, respeitando-se os princípios legais e organizacionais. Quando houver indícios de ilícitos penais, o caso deve ser encaminhado às autoridades competentes, garantindo a responsabilização externa. Além da responsabilização, a resposta deve prever a revisão dos processos que possibilitaram a ocorrência do desvio, identificando falhas sistêmicas e implementando melhorias que reduzam a probabilidade de reincidência, promovendo um aprendizado organizacional contínuo.

4. Governança e liderança – O fator determinante

A efetividade do modelo depende diretamente do comprometimento da liderança, pois os gestores estabelecem, na prática, os padrões aceitáveis dentro da organização. É fundamental que haja coerência entre discurso e prática para a consolidação de uma cultura ética. Tolerar pequenas irregularidades ou adotar decisões inconsistentes compromete a credibilidade do sistema. Por outro lado, uma postura pautada em rigor, transparência e consistência tende a ser replicada pelas equipes, fortalecendo a confiança e o engajamento dos colaboradores.

A integração entre as áreas organizacionais contribui para a eliminação de lacunas operacionais e para a redução de oportunidades de ocorrência de desvios. A coordenação entre as áreas de engenharia, suprimentos, planejamento, qualidade e recursos humanos fortalece os mecanismos de controle, criando uma rede de responsabilidades e informações. O alinhamento às práticas de governança e às diretrizes ESG amplia a credibilidade institucional e reforça o compromisso da organização com elevados padrões de integridade, atraindo investimentos e talentos.

5. Indicadores de desempenho – Controle e melhoria contínua

A gestão do compliance deve ser orientada por dados, permitindo a avaliação contínua da eficácia das medidas implementadas. Indicadores como o número de ocorrências, o valor das perdas, o volume de denúncias, o tempo de resposta e o nível de capacitação das equipes fornecem subsídios para a análise gerencial. O acompanhamento periódico desses dados possibilita identificar tendências e ajustar as estratégias adotadas, garantindo que o programa de compliance permaneça relevante e eficaz ao longo do tempo.

A divulgação transparente dos resultados contribui para o engajamento das equipes, ao evidenciar os impactos concretos das ações implementadas. Esse processo fortalece a percepção de valor do sistema e estimula sua continuidade, criando um ciclo virtuoso de melhoria contínua. A comunicação clara e frequente sobre os avanços e desafios do programa de integridade é essencial para manter todos os *stakeholders* informados e comprometidos com os objetivos de conformidade.

6. Aplicabilidade e consolidação do modelo

O modelo proposto está alinhado às diretrizes das normas ISO 37301 e ISO 37001 e atende às necessidades práticas do setor da construção civil. Sua implementação não depende necessariamente de estruturas complexas ou de elevados investimentos iniciais, estando fundamentada na disciplina operacional, na consistência das práticas e no comprometimento da liderança. Essa flexibilidade permite que o modelo se adapte às especificidades de cada empreendimento, considerando seu porte, localização, complexidade e o perfil das equipes envolvidas, sem perder a consistência conceitual.

Os resultados da implementação do modelo tendem a se manifestar de maneira progressiva. Inicialmente, observa-se a melhoria dos controles e a redução de perdas. Em um estágio mais avançado, consolida-se uma cultura organizacional orientada à ética e à eficiência. A validação do modelo por especialistas, como a advogada Roberta Porto e o engenheiro Rodrigo Gambassi, e sua revisão periódica contribuem para seu aprimoramento contínuo, assegurando sua relevância e aplicabilidade ao longo do tempo, reforçando a confiabilidade da proposta.

A consultora Roberta Porto destacou a relevância e a atualidade do tema, ressaltando que o trabalho aborda um assunto pouco explorado academicamente, especialmente na conexão entre compliance, governança e a realidade dos canteiros de obras. Ela avaliou que o estudo demonstra profundo conhecimento do setor e boa capacidade de traduzir conceitos de integridade para situações concretas aplicáveis ao ambiente operacional. A especialista reconheceu a viabilidade de aplicação do modelo proposto, seu potencial de replicabilidade e sua forte capacidade de contribuir para o fortalecimento dos mecanismos de integridade no setor.

O consultor Rodrigo Gambassi, engenheiro civil com vasta experiência, enfatizou a elevada aderência do trabalho à realidade vivida no dia a dia das obras, especialmente pela forma objetiva e prática com que os problemas são abordados. Ele confirmou que o caso ilustrativo retrata com fidelidade situações recorrentes no setor, como desvios de materiais e fragilidades nos controles. Gambassi avaliou que o modelo tem aplicabilidade real, viabilidade operacional e potencial de replicação em diferentes tipos de empreendimentos, sobretudo por sua simplicidade de implementação e pela integração entre prevenção, detecção e resposta.

Embora a pesquisa tenha atendido aos objetivos propostos, é importante reconhecer suas limitações. A amostra de 250 profissionais da construção civil foi obtida por participação voluntária em ambiente digital, representando um recorte específico do setor. Predominaram profissionais em cargos de gestão, o que fortalece a análise sob a perspectiva estratégica, mas pode reduzir a representatividade de funções operacionais. O caso ilustrativo, embora fictício, foi fundamentado em situações reais vivenciadas pelo autor, e o modelo proposto foi desenvolvido de maneira genérica.

Essas limitações, contudo, não comprometem a validade dos resultados, mas indicam oportunidades para pesquisas futuras com amostras mais amplas, em diferentes regiões do país e com aplicações práticas do programa de compliance em obras reais. A triangulação metodológica empregada, que integrou pesquisa de campo, referencial teórico, caso ilustrativo e validação por especialistas, proporcionou robustez científica ao trabalho, permitindo que as conclusões fossem fundamentadas em evidências empíricas e teóricas consolidadas, reforçando a aplicabilidade prática do modelo proposto.

Em síntese, os resultados da pesquisa evidenciaram que os furtos em canteiros de obras são um problema sistêmico e multifacetado, com impactos financeiros e organizacionais significativos. A pesquisa revelou fragilidades nos controles existentes e na cultura de integridade, mas também um alto grau de aceitação dos programas de compliance. O modelo proposto, com seus pilares de prevenção, detecção e resposta, e a ênfase na governança e liderança, oferece uma abordagem integrada e prática para mitigar esses riscos, alinhando-se às boas práticas e às necessidades do setor da construção civil.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar os fatores associados à ocorrência de furtos em canteiros de obras da construção civil e, com base em evidências empíricas e referenciais teóricos, propor um modelo de programa de compliance voltado à sua mitigação e prevenção, considerando aspectos operacionais, culturais e de governança. Verificou-se que os furtos representam um problema recorrente e sistêmico no setor, com impactos significativos no cronograma e no clima organizacional. Identificou-se que cabos elétricos e ferramentas são os itens mais visados, e que terceiros e colaboradores internos estão frequentemente envolvidos. Observou-se a existência de fragilidades nos controles operacionais, como a ausência de canais formais de denúncia, treinamentos em ética e monitoramento estruturado. Contudo, a pesquisa revelou uma alta aceitação das práticas de integridade entre os profissionais, indicando um ambiente favorável para a implementação de programas de compliance. A principal contribuição do trabalho reside na proposição de um modelo conceitual de compliance, estruturado em pilares de prevenção, detecção e resposta, sustentado por governança ativa e mensuração contínua, que se alinha às boas práticas internacionais e às necessidades do setor.

A aplicabilidade prática do modelo proposto foi validada por especialistas, que reconheceram sua relevância e potencial de replicação para fortalecer os mecanismos de integridade, reduzir perdas e aprimorar a gestão de riscos e a governança nas organizações da construção civil. Embora o estudo tenha alcançado seus objetivos, reconhece-se que a amostra, composta predominantemente por profissionais em cargos de gestão e obtida por participação voluntária, representa um recorte específico do setor. O caso ilustrativo, embora baseado em situações reais, foi desenvolvido de forma fictícia, e o modelo proposto é genérico. Essas limitações abrem caminho para estudos futuros, que poderiam envolver amostras mais amplas, em diferentes regiões, e a aplicação prática do programa de compliance em obras reais, permitindo a avaliação de sua efetividade em contextos diversos. Conclui-se que a integridade organizacional, impulsionada por programas de compliance bem estruturados e pela liderança ativa, constitui um fator estratégico para a sustentabilidade e a competitividade das empresas na construção civil.

Referências Bibliográficas

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FORMOSO, C. T.; LIKER, J. K. Gestão de perdas na construção civil: princípios do Lean Construction. Porto Alegre: UFRGS, 2019.

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TREVIÑO, L. K.; WEAVER, G. R. Managing Ethics in Business Organizations. Stanford University Press, 2011.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Compliance e ESG do MBA USP/Esalq

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05 de outubro de 2026

Instituto socioambiental e os pilares ESG: integração entre biodiversidade, capital humano e governança

A crescente pressão por práticas responsáveis impulsionou a agenda ASG como estratégica para a legitimidade organizacional. Um estudo analisou como um Instituto Socioambiental (IS) autônomo, criado por uma empresa do setor de papel e celulose, operacionalizou os pilares ASG na prática. A pesquisa fundamentou-se na premissa de que a autonomia do IS transformou obrigações de compliance em um modelo de governança que gera valor compartilhado. Metodologicamente, caracterizou-se como um estudo de caso único, qualitativo, exploratório e descritivo. A coleta de dados envolveu a triangulação entre entrevista semiestruturada com a diretoria do IS, documentos públicos institucionais (processados com IRaMuTeQ) e análise de relatórios de sustentabilidade da mantenedora (2004-2024) com base em indicadores GRI. Os resultados indicaram que o IS atuou como uma unidade de inteligência técnica que transcendeu a filantropia. No pilar Ambiental, destacou-se a gestão de biodiversidade com o monitoramento de sete mil hectares de Mata Atlântica. No pilar Social, programas de educação ambiental e a implantação de bibliotecas comunitárias fortaleceram a licença social para operar. No pilar de Governança, o IS promoveu a transparência e a redução de riscos ambientais ao integrar a diretoria de sustentabilidade da mantenedora. Concluiu-se que a estrutura independente do IS superou a fragmentação histórica entre gestão econômica e ecológica, convertendo metas corporativas em ativos estratégicos e vantagem competitiva.

Palavras-chave: ASG; Educação ambiental; IRaMuTeQ; Sustentabilidade corporativa.

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05 de outubro de 2026

O uso racional de antimicrobianos como estratégia de Compliance em unidades públicas secundárias de saúde

Programas de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA) promovem o controle do uso racional de antimicrobianos, combatendo a resistência e aprimorando a segurança do paciente. O estudo objetivou descrever a implementação de um PGA, integrado a uma política de compliance, em unidades públicas de atenção secundária de um município de médio porte na região Sudeste do Brasil. Realizou-se um estudo descritivo, focado na implantação gradual do programa a partir de novembro de 2023. O processo envolveu médicos infectologistas do Controle de Infecção Hospitalar e farmacêuticos responsáveis técnicos, desenvolvido em etapas para a elaboração de protocolos institucionais. Coletaram-se dados sistematicamente e monitoraram-se indicadores assistenciais e gerenciais, como conformidade da prescrição, consumo de antimicrobianos e taxa de descalonamento terapêutico. Os resultados indicaram melhoria na padronização das condutas, resultando em uma indicação e uso mais racional de antimicrobianos. Identificaram-se também não conformidades e fragilidades no processo. A implementação do PGA contribuiu para o fortalecimento da política de compliance institucional, possibilitando maior gerenciamento de riscos e segurança do paciente, e impactou positivamente o uso dos recursos na unidade de saúde.

Palavras-chave: Governança em saúde; Indicadores assistenciais; Segurança do paciente.

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02 de outubro de 2026

Compliance em Apostas de Quota Fixa: Desafios Regulatórios e Boas Práticas no Mercado de iGaming

O crescimento recente do mercado de apostas de quota fixa no Brasil evidenciou a necessidade de estruturas regulatórias e mecanismos de controle capazes de mitigar riscos financeiros e sociais associados à atividade. Objetivou-se analisar a implementação de mecanismos de compliance e governança corporativa em uma empresa atuante no setor. Adotou-se abordagem qualitativa e aplicada, baseada em estudo de caso, que incluiu análise documental de políticas internas, revisão da literatura especializada, entrevista semiestruturada com um especialista do setor e observação dos processos organizacionais. Os resultados indicaram que a empresa analisada demonstrou aderência formal às exigências regulatórias, com a implementação de estruturas de governança, controles de prevenção à lavagem de dinheiro e mecanismos de proteção ao usuário. Contudo, verificou-se que tais medidas apresentaram limitações na efetividade prática, especialmente na identificação de comportamentos de risco e na mitigação de impactos relacionados à ludopatia e à vulnerabilidade financeira dos usuários. A análise evidenciou uma lacuna entre o cumprimento formal das obrigações normativas e a gestão efetiva dos riscos inerentes à atividade em um contexto regulatório ainda em consolidação. Concluiu-se que o aprimoramento dos programas de compliance no setor depende da adoção de abordagens mais proativas, integradas e orientadas por dados, visando fortalecer a governança e ampliar a proteção dos usuários.

Palavras-chave: Gestão de riscos; Governança corporativa; Jogo responsável; Lavagem de dinheiro; Proteção do usuário.

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02 de outubro de 2026

Ética em Inteligência Artificial e ESG nas práticas corporativas brasileiras

A crescente adoção da inteligência artificial no ambiente corporativo ampliou os desafios éticos, sociais e ambientais, demandando a incorporação de práticas alinhadas à governança e sustentabilidade. Identificou-se a ausência de clareza sobre o nível de maturidade das práticas éticas de inteligência artificial em empresas brasileiras de capital aberto. O estudo analisou, em uma amostra intencional de oito empresas brasileiras de capital aberto, como diretrizes e práticas de governança ética da inteligência artificial são evidenciadas em documentos públicos e comparou seu grau de maturidade documental. Realizou-se uma pesquisa exploratória e descritiva, com abordagem predominantemente qualitativa e componente quantitativo complementar, utilizando um delineamento de estudo de caso múltiplo. A metodologia baseou-se na análise comparativa de relatórios institucionais e políticas corporativas de oito empresas listadas na B3, de diversos setores econômicos. Os dados foram sistematizados por meio de uma matriz comparativa, fundamentada em referenciais teóricos e normativos internacionais sobre ética em inteligência artificial. Os resultados evidenciaram uma adoção heterogênea de práticas éticas entre os setores, com maior maturidade em organizações sob maior pressão regulatória. Persistiram lacunas em dimensões como transparência, explicabilidade e mitigação de vieses algorítmicos. As iniciativas observadas apresentaram, em grande parte, caráter reativo, indicando uma dissociação entre avanço tecnológico e governança ética. A análise demonstrou que a ética em inteligência artificial permanece em processo de consolidação no contexto corporativo brasileiro, demandando abordagens mais integradas, proativas e alinhadas aos princípios ESG.

Palavras-chave: Compliance; ESG; Ética em inteligência artificial; Governança tecnológica; IA responsável.

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02 de outubro de 2026

Mudanças climáticas e a formação de profissionais de ESG: um estudo exploratório em empresas privadas do setor de impacto socioambiental no Brasil

As mudanças climáticas intensificaram a demanda por capacitação profissional e organizacional em ESG no contexto empresarial brasileiro. O estudo analisou a percepção de profissionais de ESG sobre seu nível de preparo frente às mudanças climáticas e investigou as estratégias de capacitação relatadas por profissionais de empresas privadas com diferentes graus de atuação ou interface socioambiental. A pesquisa adotou abordagem descritivo-exploratória, combinando métodos quantitativos e qualitativos, por meio de questionário estruturado aplicado entre 16 de janeiro e 4 de fevereiro de 2026, que totalizou 52 respostas válidas. Os resultados sugeriram níveis predominantemente intermediários de preparo autodeclarado, com diferenças entre as dimensões avaliadas e a familiaridade com referenciais técnicos e a percepção de preparo para sua aplicação prática. Predominaram iniciativas de capacitação informais ou pontuais, e as respostas abertas destacaram competências técnicas, analíticas, regulatórias, organizacionais e comportamentais como relevantes. Os achados indicaram que o fortalecimento da atuação profissional na agenda climática envolve tanto o desenvolvimento de competências individuais quanto condições organizacionais relacionadas à capacitação, à governança e à integração do tema aos processos decisórios.

Palavras-chave: Capacitação profissional; Competências profissionais; Estratégia organizacional; Gestão de riscos climáticos; Governança climática.

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02 de outubro de 2026

A importância do compliance na mitigação de riscos jurídicos em contratos eletrônicos

A crescente digitalização das relações negociais impulsionou a evolução dos contratos, que passaram de instrumentos físicos e formais para modelos eletrônicos mais dinâmicos. Contudo, tais transações sujeitam-se a novos riscos jurídicos, e o compliance contratual tornou-se elemento fundamental para assegurar que processos, cláusulas e meios de validação eletrônica fossem alinhados às normas legais e às boas práticas de governança. Diante da existência de lacunas na aplicação prática da normatização vigente, buscou-se propor a criação de meios que imprimissem maior segurança jurídica às transações digitais. O estudo teve como objetivo examinar os riscos jurídicos próprios dos contratos eletrônicos e apresentar um modelo estruturado de compliance a fim de proporcionar mais segurança e atendimento aos padrões e requisitos legais e mitigar tais riscos. Para tanto, adotou-se metodologia exploratória e qualitativa, apoiada em revisão bibliográfica de doutrina, legislação, jurisprudência e políticas de algumas grandes corporações empresariais, categorizadas sistematicamente, para permitir a comparação entre elas. Como resultado, verificou-se que existem vícios recorrentes nos contratos eletrônicos, e o compliance revelou-se ferramenta indispensável para combatê-los, tornando-se essencial para garantir validade e execução contratual a partir da proposição de um modelo fundado em cinco eixos que minimiza riscos e promove relações contratuais digitais mais seguras, transparentes e em conformidade com as normas.

Palavras-chave: auditoria; governança; privacidade; tecnologia; transparência.

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02 de outubro de 2026

Due diligence de integridade de fornecedores como mecanismo de mitigação de riscos reputacionais

A crescente materialização de riscos reputacionais em relações comerciais mal estruturadas destacou a relevância da due diligence de integridade de fornecedores. O estudo objetivou demonstrar que a diligência prévia de integridade é um mecanismo essencial para mitigar tais riscos. Para tanto, adotou-se a metodologia de estudo de caso único, analisando uma vinícola do Rio Grande do Sul que se envolveu em um episódio de trabalho análogo à escravidão em 2023. Analisaram-se documentos oficiais, políticas internas e o relatório de sustentabilidade da empresa, publicados entre 2023 e 2025, e comparou-se o programa de compliance da vinícola com as diretrizes da Controladoria-Geral da União. Os resultados revelaram que a ausência de procedimentos estruturados de due diligence contribuiu para a contratação de um fornecedor com graves violações trabalhistas. Contudo, após a crise reputacional, a vinícola implementou práticas de governança mais robustas, como a criação de um Canal de Denúncias e de um Comitê de Integridade, embora ainda apresentasse lacunas, como a falta de uma política interna específica para gestão de terceiros. A pesquisa também propôs um questionário de due diligence para avaliação de fornecedores. Concluiu-se que a due diligence de integridade de fornecedores é um instrumento indispensável para prevenir danos reputacionais e fortalecer a cultura de integridade nas organizações.

Palavras-chave: Compliance; Due diligence; Gestão de terceiros; Risco reputacional.

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