Gestão Escolar
09 de outubro de 2026
Políticas públicas como um elemento motivacional para estudantes: O caso do Programa de Iniciação Científica Jr. OBMEP
Luciana da Costa de Santana; Marcos Cesar Rodrigues de Miranda
DOI: 10.22167/2675-6528-202603180
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
Políticas públicas buscam promover ações que garantam direitos e melhorias em serviços essenciais, como a educação. A pesquisa analisou o impacto da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) na trajetória de estudantes premiados, considerando efeitos imediatos no engajamento e resultados de longo prazo em suas formações e carreiras. Para isso, realizou-se uma análise documental qualitativa de 54 depoimentos de egressos do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.) que atuaram como tutores em 2025. Os relatos foram coletados por meio de um formulário Google, onde os participantes descreveram suas experiências mais marcantes como alunos do PIC Jr. Os resultados indicaram que o PIC Jr. funcionou como um elemento propulsor da motivação intrínseca, fortalecendo os sentimentos de competência, autonomia e pertencimento dos estudantes. Essa influência direcionou a decisão dos egressos em seguir carreiras na área de exatas. O papel do professor e o suporte da gestão escolar mostraram-se fundamentais para a manutenção do engajamento no ambiente escolar. Concluiu-se que o PIC Jr. consolidou-se como uma política pública eficaz na construção de projetos de vida e no fortalecimento do vínculo com o conhecimento científico.
Palavras-chave: Autodeterminação; Ensino de Matemática; Gestão Escolar; Motivação Intrínseca; Programa de Governo.
1. Introdução
As políticas públicas representam um conjunto de ações desenvolvidas pelo Estado, com o envolvimento de compromissos e atos que visam o desenvolvimento cultural e social da população (Bastos, 2017). Tais políticas são frequentemente concebidas para atender necessidades coletivas em áreas estratégicas para o bem-estar social, como saúde, educação e segurança. No âmbito educacional, as políticas públicas podem se manifestar por meio de leis, planejamentos, financiamentos ou pela criação de programas específicos que refletem uma ação estatal (Santos, 2011). A origem das políticas públicas educacionais no Brasil remonta ao período da Primeira República, quando foram instituídas iniciativas e decretos para regulamentar uma educação voltada ao desenvolvimento do país, em contraste com o período anterior, no qual a educação era restrita às classes dominantes.
No período abordado por este trabalho, as políticas públicas do primeiro governo do presidente Lula foram caracterizadas pela continuidade de programas educacionais de caráter compensatório, que buscavam minimizar desigualdades sociais sofridas por grupos específicos, conforme destacado por Santos (2011). Dentre as iniciativas desse período, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), criado em abril de 2007, incorporou um conjunto de 52 ações para aprimorar a educação em todas as suas etapas. Uma dessas ações foi a Olimpíada Brasileira de Escolas Públicas (OBMEP).
A OBMEP, criada em 2005, configura-se como um projeto de política pública com o propósito de estimular o estudo da matemática e identificar jovens talentos na área. Seus objetivos incluem promover a inclusão social através da difusão do conhecimento. Atualmente, a prova é aplicada a aproximadamente dezoito milhões de estudantes do Ensino Fundamental e Médio, sendo reconhecida como a maior Olimpíada de conhecimento do país. A prova da OBMEP pode ser uma ferramenta pedagógica para incentivar estudantes com afinidade em matemática, instigando-os a desenvolver estratégias autônomas para resolver desafios e gerando satisfação pessoal.
Um dos desdobramentos da OBMEP é o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.), realizado em parceria com o CNPq. Este programa oferece aos participantes estudos de matemática mais aprofundados, através do contato com a linguagem de resolução de problemas olímpicos. Dessa forma, o PIC Jr. busca aproximar os estudantes da disciplina desde a educação básica, incentivando-os a prosseguir na área de exatas e a produzir conhecimento no ambiente acadêmico.
No contexto escolar, a motivação é entendida como a disposição para agir em busca de um objetivo ou conhecimento. Lourenço e Paiva (2010) afirmam que um aluno motivado se envolve ativamente no processo de aprendizagem, dedicando esforços e utilizando estratégias para desenvolver novas capacidades de compreensão. A literatura acadêmica distingue a motivação intrínseca, que é impulsionada por interesses e aptidões internas, da motivação extrínseca, que busca recompensas externas (Guimarães e Boruchovitch, 2004).
A Teoria da Autodeterminação, conforme abordada por Guimarães e Boruchovitch (2004), enfatiza a promoção do interesse dos estudantes pela aprendizagem, a valorização da educação e a confiança em suas capacidades. Ela destaca necessidades psicológicas básicas como autonomia, competência e pertencimento, que promovem o bem-estar no ambiente do indivíduo. O sentimento de competência está ligado à percepção de autonomia e, para ser validado, requer reconhecimento externo. O ato volitivo, discutido por Vigotski (1995), também é relevante, pois se refere à tomada de decisão consciente e voluntária, influenciada pelo meio cultural e social, essencial para a escolha de seguir carreiras em áreas específicas.
Apesar da relevância das políticas públicas educacionais e de programas como a OBMEP e o PIC Jr. na identificação de talentos e no estímulo ao estudo de matemática, ainda é fundamental compreender o impacto desses programas na trajetória de vida dos estudantes, especialmente no que tange à motivação e à autodeterminação. Há uma lacuna na compreensão detalhada de como a experiência no PIC Jr. influencia o engajamento imediato e os resultados de longo prazo, como as escolhas de formação e carreira. Este estudo se justifica pela necessidade de analisar como tais iniciativas podem se consolidar como elementos propulsores na construção de projetos de vida e no fortalecimento do vínculo com o conhecimento científico, destacando o papel do professor e da gestão escolar na manutenção desse engajamento. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar o impacto da OBMEP na trajetória dos estudantes premiados nas Olimpíadas, considerando efeitos imediatos no engajamento e resultados de longo prazo em suas formações e carreiras, com foco nos relatos de ex-participantes do PIC Jr. – OBMEP.
2. Material e Métodos
A presente pesquisa caracterizou-se pela natureza documental e abordagem qualitativa, buscando compreender as experiências humanas e as motivações dos sujeitos envolvidos. Este método foi selecionado por permitir uma análise aprofundada de relatos, colocando os participantes como elementos centrais para a compreensão de suas ações e interações sociais ao longo do tempo, conforme preconizado por Bardin (2016).
Quanto aos objetivos, o estudo configurou-se como uma pesquisa documental, complementada por elementos de um estudo de caso. A aplicação do estudo de caso foi pertinente, pois o interesse da pesquisa recaiu sobre uma situação particular, com contornos bem delimitados, visando retratar a realidade de forma concreta e profunda, utilizando uma variedade de fontes para a coleta de dados, conforme a perspectiva de Oliveira (2008).
O objeto empírico da pesquisa consistiu na análise de depoimentos de ex-alunos do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.) da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Esses participantes atuaram como tutores do programa no ano de 2025. A unidade de análise foi composta por 54 relatos específicos, extraídos de um universo maior de respondentes.
Os participantes da pesquisa foram tutores do PIC Jr. em 2025, que eram estudantes de graduação nas áreas de matemática, física e/ou engenharias. Esses tutores receberam formação pedagógica qualificada por meio do Programa de Iniciação de Extensão (PBIEXT), uma iniciativa da CAPES em parceria com a OBMEP, cujo objetivo é fortalecer a formação em ciências exatas e promover a inserção acadêmica de jovens de escolas públicas.
No ano de 2025, o PIC Jr. contou com aproximadamente 430 tutores. Desses, 209 participaram de uma dinâmica de avaliação do programa. A amostra final para este estudo foi composta pelos 54 tutores que, dentro do grupo de 209, afirmaram ter sido ex-alunos do PIC Jr. e forneceram relatos sobre suas experiências como estudantes.
A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário Google, que foi enviado pela Coordenação Acadêmica da OBMEP a todos os tutores participantes. O envio ocorreu ao final dos 8 ciclos de aprendizagem do PIC Jr., geralmente no mês de novembro de 2025, conforme o período de coleta explicitamente informado no TCC original.
O formulário tinha como propósito principal permitir que os tutores avaliassem suas experiências no PIC Jr., destacando pontos positivos e aspectos a serem aprimorados no programa. Para os fins desta pesquisa, uma questão específica foi incluída, indagando sobre a participação prévia do tutor como estudante no PIC Jr.
Em caso de resposta afirmativa à pergunta sobre a participação prévia, abria-se um campo discursivo onde o tutor era convidado a relatar livremente as experiências mais marcantes vivenciadas como aluno. A questão foi elaborada de forma abrangente e neutra, sem induzir respostas ou elogios ao programa, garantindo um espaço espontâneo e individual para o resgate de memórias.
Os cuidados éticos foram observados durante a coleta de dados, garantindo o preenchimento voluntário do formulário e o anonimato dos participantes. Para preservar a privacidade dos depoentes, as citações de seus escritos, quando apresentadas na seção de resultados, foram identificadas por siglas padronizadas, variando de IC1 a IC54.
A técnica de análise dos dados empregada foi a análise documental, seguindo as diretrizes de Bardin (2016). As principais etapas consistiram em reunir o material, que eram as respostas discursivas dos tutores, e separá-lo em unidades de análise. Essas unidades corresponderam às respostas específicas sobre a experiência como ex-aluno do PIC Jr.
Posteriormente, as unidades de análise foram codificadas por categorias, e interpretadas a partir das necessidades e objetivos da pesquisa. Este processo permitiu identificar padrões e temas emergentes nos relatos, sem, contudo, antecipar os achados empíricos ou apresentar resultados quantitativos nesta seção metodológica.
3. Resultados e Discussão
A análise dos depoimentos de 54 egressos do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.), que atuaram como tutores, revelou elementos cruciais sobre o impacto da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) em suas trajetórias. Os achados indicam que o programa funcionou como um catalisador para a motivação intrínseca e a autodeterminação, influenciando significativamente suas escolhas acadêmicas e profissionais. A pesquisa buscou compreender como a experiência no PIC Jr. moldou o engajamento imediato e as decisões de longo prazo desses estudantes, conforme o objetivo estabelecido.
Os relatos coletados evidenciaram quatro fatores marcantes na experiência dos participantes do PIC Jr. Dentre os 54 depoimentos analisados, oito destacaram a participação em eventos da OBMEP como um fator significativo. Quinze depoentes enfatizaram as questões e desafios matemáticos propostos pelo programa. A decisão de permanecer na área de exatas foi mencionada por quatorze participantes, enquanto doze relataram a importância de conhecer amigos com as mesmas afinidades e conhecimentos. Esses dados demonstram a multifacetada influência do programa na vida dos estudantes.
Observou-se que as questões e desafios matemáticos foram o elemento de maior impacto nas lembranças dos depoentes, com quinze menções. Essa prevalência sugere que a superação dos desafios pedagógicos do PIC Jr. gerou uma profunda satisfação pessoal e orgulho nos estudantes. Tal resultado alinha-se à Teoria da Autodeterminação, que postula a necessidade de competência como um dos pilares da motivação intrínseca, onde a percepção de domínio sobre tarefas complexas fortalece o engajamento e o bem-estar (Guimarães e Boruchovitch, 2004).
A motivação intrínseca, conforme discutido por Guimarães e Boruchovitch (2004), é impulsionada por interesses e aptidões internas, levando os alunos a se envolverem ativamente nas tarefas de aprendizagem. Os depoimentos dos participantes do PIC Jr. corroboram essa perspectiva, indicando que o contato com problemas desafiadores e a busca por soluções autônomas despertaram um entusiasmo genuíno. O participante IC12, por exemplo, descreveu o dia a dia no programa como “muito marcante”, destacando o prazer em resolver desafios em um ambiente dinâmico e colaborativo, o que reforça a ideia de que a atividade em si se tornou a recompensa.
A necessidade de competência, um dos pilares da Teoria da Autodeterminação, foi amplamente refletida nos relatos. Estudantes como IC2, IC5 e IC8 expressaram a satisfação em aprimorar o raciocínio lógico e desenvolver a escrita matemática, bem como a capacidade de resolver problemas que inicialmente pareciam “impossíveis”. O depoimento de IC8, ao mencionar o aprendizado de “teoria nova, que usualmente não vemos na escola (como aritmética modular)” e sua aplicação na resolução de problemas, ilustra como o programa expandiu suas habilidades e percepções de capacidade.
Essa percepção de competência está intrinsecamente ligada à autonomia, ou seja, à capacidade do indivíduo de governar suas próprias habilidades e decisões. Para ser validada, essa autonomia requer reconhecimento externo, que no contexto do PIC Jr. pode vir da superação dos desafios e do feedback dos tutores e colegas. A experiência de criar estratégias e resolver problemas de forma independente, sem a rigidez do currículo escolar tradicional, contribuiu para o desenvolvimento de um senso de agência e controle sobre o próprio aprendizado.
O ato volitivo, conceito abordado por Vigotski (1995), também se manifestou de forma proeminente nos depoimentos. A escolha consciente e voluntária de seguir carreiras na área de exatas, influenciada pelas experiências no PIC Jr., demonstra uma tomada de decisão que transcende a impulsividade. Participantes como IC3, IC29 e IC47 relataram que foi no programa que sua paixão pela matemática se consolidou, levando-os a optar por graduações na área, evidenciando que o PIC Jr. atuou como um fator decisivo na construção de seus projetos de vida.
A necessidade de pertencimento, outra dimensão fundamental da Teoria da Autodeterminação, foi um aspecto recorrente nos relatos. O contato com pares que compartilhavam interesses semelhantes em matemática, algo “raro na escola” para muitos, proporcionou um ambiente de segurança e confiança. Depoimentos como os de IC6, IC52 e IC40 destacam a importância de encontrar pessoas que consideravam a matemática “divertida, intrigante e maravilhosa”, o que gerou um senso de comunidade e apoio mútuo, fortalecendo o vínculo dos estudantes com a disciplina e com o conhecimento científico.
Além do impacto direto nos estudantes, a pesquisa ressaltou o papel crucial do professor e da gestão escolar na manutenção do engajamento. Guimarães e Boruchovitch (2004) enfatizam que o estilo motivacional do professor influencia diretamente a orientação motivacional dos estudantes. Ações pedagógicas que valorizam o esforço, estimulam a curiosidade e oferecem atividades diferenciadas, como as observadas no PIC Jr., são essenciais para criar um ambiente de aprendizagem positivo e duradouro.
Os depoimentos de IC31 e IC36 ilustram a importância de professores que buscam aulas interativas, aprofundam conteúdos e vão “além” do currículo básico, servindo como inspiração. A percepção de competência do aluno, quando reconhecida pelo professor, reflete positivamente no rendimento escolar, conforme Lourenço e Paiva (2010). O professor, ao utilizar as aptidões dos alunos como estratégia, exalta sua motivação e competência, valorizando seus esforços e conquistas.
A gestão escolar emerge como um facilitador estratégico para a continuidade e o sucesso de programas como o PIC Jr. Ao integrar as atividades olímpicas ao currículo formal, a gestão pode proporcionar enriquecimento pedagógico e criar um ambiente de reconhecimento e autoafirmação. Isso inclui a liberação de espaços e horários para grupos de estudo e o apoio a práticas docentes que valorizem o esforço e a autonomia dos estudantes, promovendo um clima escolar inclusivo e sem estigmas.
A experiência de visitar uma universidade pública, como relatado por IC14, também se mostrou marcante, ampliando a visão dos estudantes sobre o conhecimento científico e suas possibilidades. Essas vivências fora do ambiente escolar cotidiano estimulam o interesse em outros contextos científicos, mostrando que o aprendizado transcende a sala de aula e que a matemática pode ser um instrumento ativo de formação crítica e social, capacitando os alunos a compreender e transformar sua realidade.
A análise dos 54 relatos de tutores egressos do PIC Jr. demonstra que o programa atua como um elemento incentivador da motivação intrínseca e do desenvolvimento da autodeterminação, superando a mera aquisição de conhecimento. A experiência no PIC impactou a identidade acadêmica e as escolhas de carreira dos participantes, modificando positivamente suas trajetórias de vida. Contudo, é importante notar que este estudo se baseou em uma amostra de egressos que mantiveram vínculo com a OBMEP, o que reflete as percepções de um grupo já bem-sucedido, não abrangendo a totalidade dos perfis ou possíveis causas de evasão.
Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que o Programa de Iniciação Científica Jr. da OBMEP desempenha um papel fundamental na promoção da motivação intrínseca, fortalecendo os sentimentos de competência, autonomia e pertencimento dos estudantes. A experiência com desafios matemáticos, o contato com pares e a influência de professores engajados, somados ao suporte da gestão escolar, direcionam os egressos para carreiras em exatas e consolidam o vínculo com o conhecimento científico, respondendo assim ao objetivo de analisar o impacto do programa na trajetória de vida desses indivíduos.
4. Conclusão
Este estudo analisou o impacto da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) na trajetória de estudantes premiados, considerando os efeitos no engajamento imediato e os resultados de longo prazo em suas formações e carreiras. Por meio da análise documental de 54 depoimentos de egressos do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC Jr.), verificou-se que o programa atuou como um elemento propulsor da motivação intrínseca. Identificou-se que a superação de desafios matemáticos, o contato com pares que compartilhavam interesses e o suporte de professores engajados fortaleceram os sentimentos de competência, autonomia e pertencimento dos estudantes. Essa influência foi decisiva para a tomada de decisão dos egressos em seguir carreiras na área de exatas, demonstrando o impacto do ato volitivo em suas escolhas. A gestão escolar também se mostrou fundamental para a manutenção do engajamento no ambiente escolar, ao integrar as atividades olímpicas e apoiar práticas docentes inovadoras. Assim, o PIC Jr. consolidou-se como uma política pública eficaz na construção de projetos de vida e no fortalecimento do vínculo com o conhecimento científico.
Contudo, é importante reconhecer que a pesquisa se baseou em uma amostra de egressos que mantiveram vínculo com a OBMEP, o que reflete as percepções de um grupo já bem-sucedido, não abrangendo a totalidade dos perfis ou possíveis causas de evasão. Para que os resultados identificados sejam contínuos e duradouros, sugere-se que a gestão escolar atue como facilitadora da integração entre o currículo formal e as atividades olímpicas, institucionalizando atividades extracurriculares e garantindo apoio pedagógico e reconhecimento docente. Recomenda-se, ainda, a realização de estudos futuros que aprofundem a análise dos impactos dessas políticas, especialmente no que se refere à motivação e permanência dos estudantes na trajetória acadêmica, contribuindo para o aprimoramento e criação de maiores iniciativas públicas educacionais no Brasil.
Referências Bibliográficas
Bardin, L. (2016). Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições 70.
Bastos, M. J. (2017). Políticas Públicas na Educação Brasileira. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/politicas-publicas. Acesso em 16/09/2025.
Guimarães, S. E. R.; Boruchovitch, E. (2004). O estilo motivacional do professor e a motivação intrínseca dos estudantes: uma perspectiva da teoria e autodeterminação. Disponível em: scielo.br/j/prc/a/DwSBb6xK4RknMzkf5qqpZ6Q/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 18/10/2025.
Lourenço, A. A.; Paiva, M. O. A. (2010). A motivação escolar e o processo de aprendizagem. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-58212010000200012. Acesso em 18/10/2025.
Oliveira, C. L. (2008). Um apanhado teórico-conceitual sobre a pesquisa qualitativa: tipos, técnicas e características. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459. Acesso em 21/09/2025.
Santos, K. S. (2011). Políticas Públicas educacionais no Brasil tecendo fios. Disponível em: https://anpae.org.br/simposio2011/cdrom2011/PDFs/trabalhosCompletos/comunicacoesRelatos/0271.pdf. Acesso em 08/10/2025.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq
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