Mba Executivo Em Liderança E Gestão
11 de junho de 2026
Gestão Integrada: Qualidade e Desempenho de Equipes
Eduardo Gonçalves Diaz André; Flavio Fisch
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
A empresa, líder nacional em serviços especializados de consultoria na gestão e no licenciamento de instalações que operam com material radioativo na indústria, vivenciou um crescimento acelerado nos últimos oito anos. Esse avanço se refletiu em um aumento médio anual de faturamento de 35% e na expansão do quadro de colaboradores de 4 para 30, majoritariamente engenheiros. Apesar de sua reputação de mais de 30 anos no mercado, pautada na qualidade do serviço e não no preço, essa rápida expansão trouxe desafios significativos, resultando em uma queda na qualidade dos relatórios técnicos, aumento do retrabalho e baixa eficiência operacional.
Os problemas se manifestaram como inconsistências na emissão e nos prazos de entrega dos relatórios, impactando diretamente a satisfação do cliente e a capacidade da empresa de absorver novas demandas com agilidade. O volume crescente de trabalho, somado à ausência de processos estruturados, gerou um ciclo de pressão sobre a equipe técnica, comprometendo a produtividade e elevando o risco de falhas. Além disso, em períodos de menor demanda, observou-se a subutilização de colaboradores, indicando uma alocação ineficiente de recursos. Esse cenário exigiu da liderança a implementação de ações estratégicas para otimizar as operações e garantir a sustentabilidade do crescimento sem comprometer a excelência do serviço.
Para diagnosticar as causas-raiz desses problemas, a empresa iniciou um processo de profissionalização da gestão, visando otimizar recursos e valorizar a equipe técnica. Ferramentas de qualidade, como o Diagrama de Ishikawa e a técnica dos cinco porquês, foram utilizadas para mapear as causas da queda de produtividade e da qualidade das entregas (Souza, 2021). Essa abordagem sistemática permitiu uma compreensão aprofundada dos fatores envolvidos, orientando a definição de medidas eficazes para mitigar as questões identificadas e direcionar a organização para a excelência operacional.
Na categoria “Mão de Obra” do Diagrama de Ishikawa, a causa inicial foi a falta de capacitação de novos colaboradores. A análise dos cinco porquês revelou que isso se devia à ausência de um programa formal de integração e treinamento, pois a empresa não havia documentado processos de “onboarding” nem alocado um responsável. A prioridade operacional sobrepôs o planejamento de RH, e a falta de indicadores-chave de desempenho (KPIs) impedia a justificação de investimentos em treinamento. Assim, a causa-raiz provável foi a ausência de um processo de “onboarding” estruturado e a carência de KPIs que validassem o investimento em capacitação.
Em “Métodos”, a ausência de padronização na elaboração de relatórios foi identificada como causa inicial. Cada colaborador utilizava seu próprio formato e ferramentas, sem um “template” oficial ou orientação central. Isso decorria da falta de revisão de processos e governança de documentos, sem um responsável claro pela qualidade dos relatórios. A estrutura organizacional não definia papéis para a gestão de métodos. Consequentemente, a causa-raiz provável foi a falta de governança de processos e a ausência de “templates” oficiais validados, que comprometiam a consistência e a qualidade das entregas técnicas.
A categoria “Materiais” apontou “templates” desatualizados ou incompletos como causa inicial. A investigação revelou que não havia revisão periódica, controle de versão ou responsável pela manutenção desses materiais. As ferramentas utilizadas não suportavam uma gestão documental centralizada, com a empresa ainda dependendo de arquivos locais e compartilhamentos informais. A ausência de investimento em uma plataforma colaborativa e a falta de percepção do custo da inconsistência foram as causas subjacentes. Portanto, a causa-raiz provável foi a ausência de gestão documental, de uma plataforma colaborativa e de um processo de revisão estruturado.
Em “Máquina”, a causa inicial foi a falta de um software de gestão integrada. A empresa não havia adquirido ou implantado uma solução ERP/SGI adequada, considerando o custo e o esforço de implementação elevados. No entanto, não havia uma análise de retorno sobre investimento (ROI) que demonstrasse os ganhos operacionais. Isso se devia à falta de dados consolidados sobre perdas por retrabalho, tempo ocioso e falhas de comunicação, pois os processos atuais não geravam métricas confiáveis nem relatórios integrados. A causa-raiz provável foi a ausência de dados e métricas que justificassem o investimento em um software integrado.
A categoria “Medidas” identificou a ausência de KPIs para monitoramento como causa inicial. Não havia objetivos mensuráveis definidos para as entregas, nem alinhamento entre as áreas sobre o que medir e por quê. A falta de uma rotina de governança de metas e reuniões de revisão, e a ausência de ciclos regulares de acompanhamento pela liderança, impediam a identificação da urgência e do impacto das entregas abaixo do esperado. Assim, a causa-raiz provável foi a falta de governança de metas e uma cultura de medição consistente, essenciais para o controle e a melhoria contínua do desempenho.
Em “Meio Ambiente”, a má comunicação interna e a má gestão do tempo ocioso foram as causas iniciais. Não existiam canais e protocolos claros para a troca de informações, com a organização dependendo de comunicação informal e não padronizada. Fluxos de informação e ferramentas colaborativas não haviam sido estabelecidos, e não houve priorização para melhorar a coordenação entre equipes. O impacto do tempo ocioso e da comunicação deficiente não foi quantificado. A causa-raiz provável, portanto, foi a falta de processos e ferramentas de comunicação, aliada à ausência de medição e gestão eficaz do tempo ocioso.
A análise dos cinco porquês, aplicada aos problemas mapeados no Diagrama de Ishikawa, revelou uma convergência de causas-raiz. Entre elas, destacam-se a ausência de um sistema de gestão integrada, a falta de métricas e rotinas de acompanhamento, a carência de governança, a ausência de gestão documental e a deficiência nos processos e ferramentas de comunicação. Esses fatores interligados formavam uma cadeia de problemas que comprometia a produtividade e a qualidade das entregas, exigindo uma solução sistêmica e integrada para restaurar a eficiência operacional da empresa.
A falta de um sistema de gestão integrada emergiu como o ponto central da cadeia de problemas, diretamente relacionada à ausência de padronização nos métodos de trabalho, à gestão documental ineficaz e à carência de processos e ferramentas de comunicação. Esses elementos contribuíam significativamente para o aumento do retrabalho, pois os documentos frequentemente necessitavam de correções ou refações para atender aos padrões exigidos pelos clientes. Essa interconexão de fatores ressaltou a necessidade de uma abordagem unificada para resolver os problemas sistêmicos e garantir a consistência e a qualidade das entregas.
O retrabalho, além de consumir horas produtivas, gerava atrasos na entrega dos relatórios, prejudicando o relacionamento com os clientes e a capacidade de absorver novas demandas. Esses atrasos intensificavam a pressão sobre a equipe técnica, afetando a produtividade e aumentando o risco de novas falhas. Paralelamente, a falta de integração entre sistemas operacionais e a ausência de indicadores de desempenho dificultavam a gestão do tempo ocioso. Colaboradores permaneciam sem tarefas adequadamente distribuídas em períodos de baixa demanda, agravado pela comunicação interna deficiente e pela ausência de planejamento dinâmico.
A representação desses fatores em um diagrama de inter-relação evidenciou que, embora muitos elementos estivessem conectados, a padronização de processos e o fortalecimento da qualificação técnica eram as causas-raiz primárias. Atuar nesses pontos estratégicos poderia gerar efeitos positivos em cascata, diminuindo o retrabalho, melhorando os prazos de entrega e otimizando o aproveitamento da equipe. Essa compreensão da interconexão dos problemas foi fundamental para direcionar as ações recomendadas, focando em intervenções que gerassem o maior impacto positivo e sustentável em toda a organização.
Como solução, recomendou-se a implantação de um Sistema de Gestão Integrada (SGI) para padronizar processos e garantir a rastreabilidade das entregas. Complementarmente, foi proposta a implementação de uma política de Participação nos Lucros (PLR) para incentivar o desempenho individual e coletivo, e a criação de um plano de cargos e salários que estabelecesse caminhos claros para a evolução profissional. Essas medidas visavam aumentar a governança dos processos, revisar os padrões de relatórios e estruturar um processo de integração e treinamento para novos colaboradores, além de definir parceiros para auxiliar no desenvolvimento da equipe.
O SGI, um sistema digital, foi projetado para integrar todas as áreas da empresa. Seu controle inicia-se na área comercial, auxiliando na geração de propostas e dando início à cadeia de processos. Em seguida, a coordenação técnica define datas e responsáveis pela execução dos escopos. O corpo técnico utiliza o sistema para enviar relatórios e evidências dos serviços, que são então usados pela área financeira para o faturamento. Sua implementação foi concluída com sucesso, já apresentando resultados concretos na melhoria da comunicação interna e na padronização dos relatórios, demonstrando seu valor estratégico para a eficiência operacional.
Os programas de Participação nos Lucros (PLR) e o plano de cargos e salários estão em fase final de implantação, com expectativa de impacto positivo na motivação e alinhamento da equipe. A política de PLR visa recompensar o desempenho individual e coletivo, incentivando a produtividade e o engajamento. O plano de cargos e salários, por sua vez, estabelece trajetórias claras de desenvolvimento profissional e aumenta a responsabilidade, contribuindo para a retenção de talentos e a atração de novos profissionais qualificados. Essas iniciativas são estratégicas para consolidar uma força de trabalho engajada e de alta performance.
Foi implementada uma revisão geral de todos os padrões de relatórios, com periodicidade trimestral. Para garantir a identificação de mais pontos de melhoria, o revisor e o coordenador aprovador de cada procedimento são alternados a cada ciclo. Essa prática visa maximizar as contribuições de um maior número de colaboradores, enriquecendo os padrões e garantindo sua atualização contínua. Essa abordagem sistemática é crucial para assegurar a qualidade técnica das entregas, reduzir o retrabalho e manter a consistência em todos os documentos gerados pela equipe, abordando diretamente uma das causas-raiz dos problemas.
Para sanar a deficiência no treinamento de novos colaboradores, foi estruturado um processo de integração inicial. Este inclui treinamentos em HSE, RH, utilização do SGI, cultura e políticas da empresa, e procedimentos operacionais detalhados para todos os escopos de serviço. Além disso, cada novo colaborador é acompanhado por um parceiro para auxiliar na compreensão do cargo, e os primeiros serviços são realizados em dupla até que o coordenador julgue a etapa de treinamento concluída. Essa abordagem visa garantir que os novos membros da equipe adquiram as habilidades e o conhecimento necessários para desempenhar suas funções com excelência.
Para mensurar os efeitos dessas iniciativas e orientar as tomadas de decisão, foram definidos indicadores-chave de desempenho (KPIs). Os KPIs monitoram aspectos cruciais, como tempo de entrega, qualidade nas entregas, aperfeiçoamento dos padrões de relatórios e melhorias nos processos operacionais. A partir dessas métricas, foram instituídos painéis de controle e reuniões periódicas de alinhamento com a equipe, permitindo análises constantes e ações corretivas imediatas (Parmenter, 2015). Essa estrutura de monitoramento é essencial para garantir a progressão lógica das melhorias e a sustentabilidade dos resultados alcançados.
Os indicadores de desempenho definidos incluem a entrega de relatórios dentro do prazo estabelecido para cada tipo de serviço, a elaboração de relatórios sem erros relevantes, a melhoria implementada por trimestre e a taxa de retenção de talentos. O indicador de entrega no prazo monitora a eficiência, enquanto o de relatórios sem erros avalia a qualidade. A melhoria trimestral mede o aperfeiçoamento contínuo dos padrões e processos, e a taxa de retenção de talentos avalia o engajamento e a moral da equipe. Esses KPIs fornecem uma visão abrangente do impacto das ações implementadas.
Os indicadores de entrega no prazo, entrega sem erros e implementação de melhorias são cruciais para medir a efetividade dos treinamentos de novos colaboradores, evidenciando a qualidade das entregas. Eles também atestam a eficácia do SGI no controle de documentos e na comunicação interna, fatores diretamente relacionados à qualidade. A implementação de melhorias está ligada à otimização de relatórios e processos. A taxa de retenção de talentos, por sua vez, comprova o êxito da PLR e do plano de cargos e salários, atestando o engajamento da equipe, fundamental para um setor com escassez de profissionais.
As metas estabelecidas para os KPIs foram: 90% para a entrega de relatórios dentro do prazo, considerando uma margem de 10% para exceções. Para a aprovação direta dos relatórios, a meta foi de 80%, buscando excelência, mas reconhecendo a possibilidade de desvios. Para a implementação de melhorias, definiu-se uma melhoria por colaborador por trimestre, um número relevante e executável. Em relação à retenção de talentos, a meta foi de 90%, dada a especificidade do setor e o alto custo de treinamento, visando garantir uma alta taxa de permanência de profissionais qualificados.
Esses primeiros dados de 2025 permitem avaliar a eficácia das iniciativas adotadas, ao mesmo tempo em que sinalizam pontos que ainda demandam ajustes. Para melhorar os indicadores que performaram abaixo da meta, a empresa está reforçando a importância dessas metas para uma melhor remuneração de PLR e desenvolvimento de carreira. Além disso, há um aprimoramento contínuo dos modelos de relatórios e do SGI. A continuidade do monitoramento será essencial para consolidar os avanços, corrigir eventuais desvios e garantir que o objetivo de melhorar a entrega final para o cliente seja plenamente alcançado.
A análise dos resultados demonstra que as iniciativas implementadas, como o Sistema de Gestão Integrada (SGI), a política de Participação nos Lucros (PLR), o plano de cargos e salários, a revisão dos padrões de relatórios e o processo de integração de novos colaboradores, já geraram impactos positivos. No entanto, ainda não atingiram plenamente todas as metas estabelecidas, indicando a necessidade de ajustes contínuos para consolidar os avanços e garantir a excelência operacional em todas as frentes, especialmente na qualidade técnica das entregas.
Os dados de 2025 mostram que a meta de entrega no prazo foi superada, com um resultado agregado de 94%, evidenciando a eficácia inicial do SGI na coordenação de prazos. A taxa de retenção de talentos alcançou 100%, refletindo o impacto positivo das políticas de PLR e do plano de cargos e salários no engajamento da equipe. Contudo, a aprovação direta dos relatórios permaneceu aquém da meta, com 51% frente a 80%, sinalizando que a padronização, os “templates” e os treinamentos ainda não se traduziram em qualidade técnica consistente, exigindo intensificação de treinamentos práticos e fortalecimento da governança.
A análise também se conecta ao ciclo PDCA (“Plan-Do-Check-Act”), onde as ações implementadas representam a fase “Do”, e os resultados atuais sinalizam a necessidade de ajustes nas fases “Check” e “Act”. O uso do Diagrama de Ishikawa e da técnica dos cinco porquês reforça a abordagem de diagnóstico estruturado, alinhada às práticas de gestão da qualidade (Moreira, 2021). Esses resultados reforçam a necessidade de consolidar práticas de capacitação contínua, aprimorar os modelos de relatórios e intensificar o acompanhamento dos indicadores, de modo a reduzir desvios e elevar o padrão de excelência técnica.
Esses resultados reforçam a necessidade de consolidar práticas de capacitação contínua, aprimorar os modelos de relatórios e intensificar o acompanhamento dos indicadores, de modo a reduzir desvios e elevar o padrão de excelência técnica. A implementação contínua de revisões trimestrais de padrões e a obrigatoriedade de versões controladas no SGI já criaram bases para a redução do retrabalho, mas o sucesso sustentado dependerá da disciplina operacional, de ciclos de feedback estruturados e do alinhamento dos incentivos de PLR com indicadores de qualidade.
O business case evidencia que a empresa está em transição para uma gestão mais profissionalizada, orientada por métricas e alinhada às melhores práticas de liderança e gestão de equipes de alta performance. A adoção do SGI e das políticas de incentivo representa um marco estratégico que posiciona a organização em direção à excelência operacional. Essa transformação é fundamental para garantir que o crescimento acelerado dos últimos anos seja acompanhado por uma estrutura robusta e eficiente, capaz de sustentar a qualidade e a produtividade em um mercado altamente especializado.
Para que os resultados obtidos até o momento se convertam em desempenho sustentável, recomenda-se manter o monitoramento sistemático, institucionalizar auditorias de qualidade e evoluir os programas de treinamento e mentoria. Essas ações são cruciais para garantir que a organização consolide equipes de alta performance e preserve sua vantagem competitiva, baseada na excelência técnica. A continuidade do investimento em desenvolvimento de pessoas e processos é vital para assegurar que a empresa não apenas atinja suas metas, mas também se estabeleça como referência em seu setor, mantendo a qualidade como diferencial.
Em síntese, a empresa demonstra estar no caminho adequado para consolidar equipes de alta performance no setor de segurança do trabalho. O desafio reside em transformar os avanços iniciais em resultados sustentáveis, garantindo que a qualidade técnica acompanhe o ritmo de crescimento e que a motivação da equipe se mantenha elevada. A continuidade do monitoramento e a implementação das recomendações propostas serão determinantes para que os objetivos estratégicos sejam plenamente alcançados, assegurando a liderança e a excelência no mercado de serviços especializados em material radioativo.
Referências Bibliográficas:
Moreira, M. de M. A. C., Azevedo, T. C., Silveira, S. R., Soares, I. N., Nordi, T. M., Sousa, F. S. I. de, & Mosconi, D. (2021). Ferramentas da qualidade: uma revisão de diagrama de Ishikawa, 5W2H, ciclo PDCA, DMAIC e suas interrelações. In Anais. São Carlos, SP: EESC-USP.
Parmenter, D. (2015). Key performance indicators: Developing, implementing, and using winning KPIs (3rd ed.). Hoboken, NJ: Wiley.
Souza, J. O. de L. (2021). Diagrama de Ishikawa: Diagnosticar e resolver problemas. São Paulo, SP: Ferramentas de Gestão.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Executivo em Liderança e Gestão do MBA USP/Esalq
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