Neurociência E Aprendizagem Na Educação
09 de outubro de 2026
Estratégias Pedagógicas para Alunos com TDAH na Educação Básica
Estratégias Pedagógicas para Alunos com Tdah na Educação Básica
Lúcia Aparecida Parreira; Maria Fernanda Celli De Oliveira
DOI: 10.22167/2675-6528-202603175
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O estudo analisou o perfil e as dificuldades de alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no Ensino Fundamental II e Ensino Médio de uma escola privada em Barretos, São Paulo, e propôs estratégias pedagógicas fundamentadas em neurociência, psicologia e pedagogia para favorecer o ensino e a aprendizagem. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, descritivo-analítica, por meio da análise documental de registros institucionais de 15 alunos com diagnóstico de TDAH ou em investigação, muitos com comorbidades como dislexia, ansiedade, Transtorno do Espectro Autista, Transtorno do Processamento Auditivo Central e discalculia. Os dados foram analisados por técnica de análise de conteúdo temática. Os resultados evidenciaram que os alunos com TDAH apresentaram dificuldades significativas na atenção, organização, planejamento e controle comportamental, impactando diretamente a aprendizagem e associadas a alterações nas funções executivas. As estratégias propostas, como fragmentação de tarefas, uso de recursos visuais, organização do ambiente, metodologias ativas e feedback contínuo, demonstraram potencial para favorecer o desenvolvimento cognitivo, emocional e acadêmico dos estudantes. Concluiu-se que práticas pedagógicas baseadas em evidências científicas contribuem para uma educação mais inclusiva, promovendo autonomia, engajamento e melhoria no desempenho escolar de alunos com TDAH.
Palavras-chave: Aprendizagem; Educação básica; Inclusão; Práticas pedagógicas; TDAH.
1. Introdução
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem se consolidado como um dos principais desafios contemporâneos no campo educacional, especialmente no âmbito da Educação Básica. Caracteriza-se como um transtorno do neurodesenvolvimento com padrões persistentes de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Tais padrões estão associados a alterações no funcionamento de circuitos neurais relacionados às funções executivas, especialmente nas regiões pré-frontais do cérebro. Essas funções incluem o controle inibitório, a memória de trabalho, a flexibilidade cognitiva, o planejamento e a autorregulação, habilidades consideradas fundamentais para o sucesso acadêmico (Barkley, 2008).
Do ponto de vista neurocientífico, estudos indicam que o TDAH está relacionado a disfunções nos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico, os quais são responsáveis pela modulação da atenção, motivação e controle comportamental. Essas alterações impactam diretamente a capacidade do estudante de manter o foco, organizar tarefas, persistir em atividades e regular emoções. No contexto escolar, isso se reflete em dificuldades de aprendizagem, baixa adesão às atividades e comportamentos considerados inadequados.
No Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, essas dificuldades tornam-se ainda mais evidentes devido à intensificação das demandas cognitivas, à exigência de autonomia e à complexidade dos conteúdos escolares. O estudante com TDAH, nesse cenário, frequentemente apresenta desafios em gerenciar o tempo, organizar materiais, acompanhar o ritmo da turma e manter a atenção em atividades prolongadas. Essas dificuldades podem gerar frustração, sentimentos de incapacidade e, em alguns casos, desengajamento escolar.
Sob a perspectiva da teoria histórico-cultural, a aprendizagem é compreendida como um processo mediado socialmente, no qual o desenvolvimento das funções psicológicas superiores ocorre por meio das interações com o outro e com o meio. Vygotsky (1991) destaca que a mediação pedagógica é essencial para promover o avanço do aluno em sua Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). No caso dos estudantes com TDAH, essa mediação é ainda mais relevante, pois contribui para a organização do pensamento, o direcionamento da atenção e o desenvolvimento de estratégias cognitivas. Complementando essa abordagem, a neuropsicopedagogia propõe uma integração entre os conhecimentos da neurociência, da psicologia e da educação, possibilitando uma compreensão mais ampla das dificuldades de aprendizagem (Fonseca, 2014). Assim, o TDAH é entendido como uma condição que exige intervenções pedagógicas específicas e intencionais.
A presente pesquisa foi desenvolvida a partir da realidade de uma instituição privada de ensino localizada no município de Barretos, estado de São Paulo, que atende alunos da Educação Infantil IV ao Ensino Médio. A escola possui uma organização pedagógica estruturada e acompanhamento sistemático do desempenho dos estudantes, resultando em baixos índices de evasão e repetência. Entretanto, mesmo em um contexto institucional estruturado, a presença de alunos com TDAH, frequentemente associada a comorbidades como ansiedade e dislexia, impõe desafios significativos ao processo de ensino e aprendizagem. Do ponto de vista da neurociência educacional, tais desafios exigem práticas pedagógicas que respeitem o funcionamento cerebral do aluno, favorecendo a atenção, a motivação e o engajamento.
Nesse sentido, estratégias como a organização do ambiente, a fragmentação de tarefas, o uso de recursos visuais, a alternância de atividades e o feedback imediato mostram-se eficazes, pois dialogam com os princípios da neurociência da aprendizagem. Diante desse cenário, torna-se fundamental que a escola desenvolva práticas pedagógicas baseadas em evidências científicas, articulando os conhecimentos da neurociência, da psicologia e da educação, de modo a promover uma aprendizagem mais significativa e inclusiva. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de pesquisa de natureza documental, o perfil e as dificuldades de alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no Ensino Fundamental II e Ensino Médio de uma escola privada do interior paulista, propondo estratégias pedagógicas que favoreçam o processo de ensino e aprendizagem.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como pesquisa qualitativa, descritivo-analítica, fundamentada na análise documental e interpretação de dados institucionais. Essa abordagem justificou a compreensão das manifestações do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no ambiente escolar, considerando suas implicações cognitivas, comportamentais e pedagógicas.
A pesquisa foi desenvolvida em uma instituição privada de ensino localizada no município de Barretos, estado de São Paulo, denominada Escola Alfa. A instituição atende alunos da Educação Infantil IV ao Ensino Médio e possui uma organização pedagógica estruturada. O recorte temporal da pesquisa compreendeu o ano letivo de 2025.
Participaram do estudo 15 estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, com laudos de TDAH ou em processo de investigação. Observou-se a presença de comorbidades como dislexia, ansiedade, Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) e discalculia.
O levantamento dos dados ocorreu por meio da análise de registros institucionais, como relatórios pedagógicos, fichas de acompanhamento, documentos escolares, laudos das famílias e resultados de avaliações diagnósticas e simulados do sistema SAS Educação.
Para a pesquisa, obteve-se autorização via Termo de Anuência junto à instituição escolar, garantindo acesso exclusivo aos dados pedagógicos para fins acadêmicos. Respeitaram-se os princípios éticos, assegurando sigilo, não identificação dos participantes (nomes fictícios) e confidencialidade das informações.
Os dados foram organizados e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, na perspectiva temática. Este procedimento permitiu a identificação de núcleos de sentido presentes nos registros analisados, possibilitando a organização, categorização e interpretação sistemática das informações para a compreensão do fenômeno investigado.
As categorias de análise foram estruturadas de forma dedutiva e indutiva, partindo tanto dos referenciais teóricos quanto dos elementos emergentes dos dados. Contemplaram-se os seguintes eixos: Funções executivas (atenção, controle inibitório, memória de trabalho e planejamento), Comportamento e autorregulação, Desempenho acadêmico e Demandas pedagógicas e estratégias de ensino.
Cada eixo foi operacionalizado a partir de indicadores específicos observados nos registros institucionais. Para funções executivas, consideraram-se registros relativos à atenção, controle inibitório, memória de trabalho e planejamento (Barkley, 2008). Para comportamento e autorregulação, buscou-se identificar ocorrências de comportamentos impulsivos e indícios de autorregulação e persistência.
No eixo de desempenho acadêmico, analisaram-se aspectos como participação em sala de aula, organização das atividades, realização de tarefas e engajamento avaliativo. No eixo de demandas pedagógicas e estratégias de ensino, identificaram-se as intervenções adotadas ou recomendadas, como fragmentação de tarefas, uso de recursos visuais e organização do ambiente de estudo.
A análise foi interpretativa, articulando dados empíricos com Barkley (2008), Vygotsky (1991) e Fonseca (2014). Essa abordagem permitiu compreender o TDAH como transtorno relacionado às funções executivas e à autorregulação comportamental, enfatizando a mediação pedagógica e a neuropsicopedagogia integrada.
A interpretação dos dados orientou-se pelos princípios da neurociência cognitiva e da aprendizagem, considerando o TDAH associado a alterações no córtex pré-frontal e circuitos neurais de atenção, comportamento e emoções. Princípios da neurociência educacional, como a importância da atenção, emoção, motivação, repetição, organização e significado para a aprendizagem, foram considerados.
A influência do ambiente e das interações sociais no desenvolvimento neural também foi considerada. A pesquisa, por ser exclusivamente documental e sem intervenção direta, caracterizou-se como de risco mínimo, garantindo a confidencialidade.
3. Resultados e Discussão
O presente estudo investigou o perfil e as dificuldades de alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no Ensino Fundamental II e Ensino Médio de uma escola privada em Barretos, São Paulo, e propôs estratégias pedagógicas alinhadas à neurociência, psicologia e pedagogia. A análise documental de registros institucionais de 15 estudantes revelou um cenário complexo, marcado por desafios significativos nas funções executivas e na aprendizagem, frequentemente agravados pela presença de comorbidades. Os achados sublinham a necessidade de abordagens pedagógicas individualizadas e baseadas em evidências para promover um desenvolvimento educacional mais inclusivo e eficaz.
Perfil dos Alunos e Comorbidades
A pesquisa abrangeu 15 estudantes, dos quais 14 (93,3%) cursavam o Ensino Fundamental II e apenas 1 (6,7%) estava no Ensino Médio. Observou-se uma concentração notável no 9º ano, com 7 alunos (46,7% da amostra), seguido pelo 8º ano, com 3 alunos (20%), e pelos 6º e 7º anos, com 2 alunos cada (13,3%). Essa distribuição etária e de série sugere que as demandas acadêmicas e sociais se intensificam nas fases finais do Ensino Fundamental, tornando as manifestações do TDAH mais evidentes e desafiadoras para os estudantes e para a instituição de ensino.
Quanto ao perfil diagnóstico, verificou-se que 4 alunos (26,7%) apresentavam TDAH isolado, sem comorbidade registrada. Dois alunos (13,3%) estavam em processo de investigação diagnóstica, e 1 aluno (6,7%) possuía diagnóstico de TDA, sem o componente de hiperatividade. Contudo, a maioria, 8 alunos (53,3%), apresentava TDAH associado a alguma comorbidade, evidenciando a complexidade dos quadros. A presença de comorbidades amplifica os desafios, exigindo um olhar pedagógico mais sensível e articulado às múltiplas dimensões do desenvolvimento humano, conforme destacado na literatura (Barkley, 2008).
Entre as comorbidades identificadas, a ansiedade foi a mais prevalente, presente em 3 alunos (20% da amostra), incluindo um caso de ansiedade generalizada. Outras condições, como dislexia, Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC), discalculia e transtorno de aprendizagem não especificado, foram observadas em um aluno para cada condição, correspondendo a 6,7% da amostra individualmente. Essa heterogeneidade de perfis reforça a necessidade de estratégias pedagógicas individualizadas, que considerem as interações entre os diferentes fatores cognitivos, emocionais e pedagógicos que influenciam a aprendizagem.
A literatura científica aponta para uma maior incidência de diagnósticos de TDAH no gênero masculino, com proporções que variam entre 2:1 e 3:1 em relação ao gênero feminino (Rohde; Halpern, 2004; Barkley, 2008). Contudo, essa predominância deve ser analisada com cautela, pois estudos indicam um viés diagnóstico relacionado às diferenças na manifestação dos sintomas. Meninos tendem a apresentar comportamentos mais externalizantes, como hiperatividade e impulsividade, enquanto meninas frequentemente manifestam sintomas internalizantes, como desatenção e dificuldades emocionais, o que pode levar à subidentificação do transtorno nesse grupo (Benczik, 2000; Fonseca, 2014).
Dificuldades nas Funções Executivas
Os registros institucionais revelaram que os alunos com TDAH apresentavam dificuldades significativas nas funções executivas, essenciais para o sucesso acadêmico. Observou-se comprometimento na atenção, controle inibitório, memória de trabalho e planejamento. Essas dificuldades são consistentes com a compreensão neurocientífica do TDAH, que o associa a alterações no funcionamento do córtex pré-frontal e em circuitos neurais responsáveis pela regulação da atenção, do comportamento e das emoções (Barkley, 2008).
A desatenção manifestou-se como uma incapacidade de manter o foco em tarefas prolongadas ou complexas, resultando em interrupções frequentes e dificuldade em seguir instruções. O controle inibitório comprometido levou a comportamentos impulsivos, como interrupções em sala de aula e dificuldade em aguardar a vez. A memória de trabalho deficiente impactou a capacidade dos alunos de reter informações temporariamente para processamento, dificultando a resolução de problemas e a compreensão de textos mais longos.
O planejamento, outra função executiva crucial, mostrou-se um desafio para os estudantes, que frequentemente apresentavam dificuldade em organizar suas tarefas, gerenciar o tempo e estabelecer prioridades. Essa limitação impacta diretamente a capacidade de concluir projetos, preparar-se para avaliações e desenvolver autonomia nos estudos. A análise desses achados reforça a perspectiva de que o TDAH não é meramente um problema comportamental, mas uma condição neurobiológica que exige intervenções pedagógicas específicas e intencionais.
Comportamento e Autorregulação
As dificuldades de autorregulação comportamental foram amplamente documentadas nos registros pedagógicos. Os alunos com TDAH frequentemente demonstravam impulsividade e hiperatividade, manifestadas por inquietação, dificuldade em permanecer sentados e respostas precipitadas. Esses comportamentos, embora mais visíveis, são reflexos das disfunções nas funções executivas e na regulação emocional, que impactam a capacidade do estudante de modular suas reações ao ambiente e às demandas escolares.
A persistência diante das dificuldades escolares também se mostrou um desafio. Muitos alunos apresentavam baixa tolerância à frustração e tendiam a desistir de tarefas complexas ou que exigiam esforço prolongado. Essa falta de persistência, aliada à dificuldade de autorregulação, pode gerar um ciclo de insucesso e desengajamento, afetando a autoestima e a motivação intrínseca para a aprendizagem. A mediação pedagógica, conforme Vygotsky (1991), torna-se crucial para auxiliar o aluno a desenvolver estratégias de enfrentamento e a regular suas emoções e comportamentos.
Desempenho Acadêmico
O impacto do TDAH no desempenho acadêmico foi evidente nos registros analisados. Os estudantes apresentavam dificuldades em acompanhar o ritmo da turma, organizar materiais e manter a atenção em atividades prolongadas. A participação em sala de aula era inconsistente, e a realização de tarefas e o engajamento nos processos avaliativos eram frequentemente comprometidos. Essas observações corroboram a literatura que associa o TDAH a desafios significativos no ambiente escolar, que podem levar a um desempenho abaixo do potencial do aluno.
As avaliações diagnósticas e simulados do sistema SAS Educação, utilizados pela escola, também indicaram lacunas no aprendizado e na consolidação de conteúdos. Essas dificuldades não se restringiam a uma área específica do conhecimento, mas se manifestavam de forma transversal, afetando diversas disciplinas. A falta de organização e planejamento, decorrente dos déficits nas funções executivas, dificultava a preparação para as provas e a entrega de trabalhos dentro dos prazos estabelecidos, impactando diretamente as notas e a progressão acadêmica.
Estratégias Pedagógicas Propostas
Diante do perfil e das dificuldades identificadas, a pesquisa propôs um conjunto de estratégias pedagógicas fundamentadas em princípios da neurociência, psicologia e pedagogia. Uma das principais estratégias é a fragmentação de tarefas em etapas menores e mais objetivas. O cérebro de estudantes com TDAH processa melhor informações em blocos curtos e claros, o que favorece a manutenção da atenção e reduz a sobrecarga cognitiva, aumentando o engajamento nas atividades.
O uso de recursos visuais e organizacionais, como mapas mentais, esquemas, cores e listas, também foi proposto. Esses recursos ativam diferentes áreas cerebrais simultaneamente, potencializando a aprendizagem, especialmente quando há associação entre linguagem, imagem e emoção (Fonseca, 2014). Organizadores visuais facilitam a consolidação e a recuperação da informação, auxiliando na memória de trabalho e no planejamento.
A organização do ambiente de estudo é outra estratégia crucial. Recomenda-se um espaço estruturado, com poucos elementos distratores, iluminação adequada e materiais previamente organizados. Ambientes com excesso de estímulos visuais e auditivos podem comprometer ainda mais a atenção do estudante com TDAH, dificultando o foco e a produtividade. A gestão do ambiente contribui para a externalização das funções executivas, conforme Barkley (2008).
A utilização de metodologias ativas, que incentivam o estudante a adotar uma postura participativa, fazer perguntas, estabelecer relações e construir significados, é fundamental. Conforme Vygotsky (1991), a aprendizagem é um processo mediado socialmente, e a participação ativa do aluno em discussões e na elaboração de resumos com suas próprias palavras contribui para uma aprendizagem mais significativa e para o avanço em sua Zona de Desenvolvimento Proximal.
O feedback contínuo e positivo, tanto por parte dos professores quanto do próprio estudante, é essencial para fortalecer a autoestima e a persistência. O reconhecimento dos avanços, mesmo que pequenos, motiva o aluno a superar desafios e a desenvolver um senso de autoeficácia. Além disso, a utilização de intervalos regulares durante o estudo, como o método Pomodoro, que alterna períodos curtos de estudo com pausas, mostrou-se eficaz para manter o foco e evitar a fadiga mental, considerando a dificuldade do cérebro com TDAH em sustentar a atenção por longos períodos.
Resultados Esperados das Estratégias
A implementação das estratégias pedagógicas propostas, fundamentadas na neurociência, psicologia e pedagogia, projeta-se para gerar melhorias significativas no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes com TDAH. No âmbito cognitivo, espera-se uma ampliação da capacidade de concentração, organização e execução de tarefas escolares, diretamente relacionadas ao desenvolvimento das funções executivas. A adoção de práticas estruturadas tende a promover maior eficiência no processamento das informações e na consolidação da aprendizagem, favorecendo a neuroplasticidade e o desenvolvimento de habilidades cognitivas (Fonseca, 2014).
No campo comportamental e emocional, a expectativa é de melhoria na autorregulação dos estudantes, com redução de comportamentos impulsivos e aumento da capacidade de persistência nas atividades escolares. Rotinas estruturadas, feedback contínuo e estratégias de monitoramento devem contribuir para o fortalecimento da autonomia e da autoestima, aspectos frequentemente fragilizados em alunos com TDAH. A mediação docente intencional, aliada a metodologias ativas, favorece uma aprendizagem mais significativa, permitindo que o estudante avance em sua Zona de Desenvolvimento Proximal (Vygotsky, 1991).
Adicionalmente, espera-se que as estratégias propostas contribuam para a melhoria do desempenho acadêmico dos alunos, refletindo-se em maior participação em sala de aula, melhor organização das atividades, aumento da realização de tarefas e maior engajamento nos processos avaliativos. A articulação entre escola, família e aluno, promovendo um acompanhamento mais integrado e eficaz, é um resultado esperado que tende a favorecer intervenções mais consistentes e alinhadas às necessidades dos estudantes, fortalecendo a cultura inclusiva na instituição de ensino.
Em síntese, os achados desta pesquisa revelaram um perfil de alunos com TDAH no Ensino Fundamental II e Ensino Médio marcado por significativas dificuldades nas funções executivas, na autorregulação comportamental e no desempenho acadêmico, frequentemente agravadas por comorbidades. A discussão demonstrou que a aplicação de estratégias pedagógicas baseadas em evidências científicas, como a fragmentação de tarefas, o uso de recursos visuais, a organização do ambiente, metodologias ativas e feedback contínuo, possui um potencial transformador para promover uma educação mais inclusiva, autônoma e engajadora, respondendo diretamente ao objetivo de favorecer o processo de ensino e aprendizagem desses estudantes.
4. Conclusão
O presente estudo analisou o perfil e as dificuldades de alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no Ensino Fundamental II e Ensino Médio de uma escola privada, bem como propôs estratégias pedagógicas fundamentadas em neurociência, psicologia e pedagogia para favorecer o processo de ensino e aprendizagem. Verificou-se que os estudantes com TDAH, muitos dos quais apresentavam comorbidades como ansiedade, dislexia, Transtorno do Espectro Autista e discalculia, manifestavam dificuldades significativas nas funções executivas, incluindo atenção, organização, planejamento e controle inibitório. Essas limitações impactaram diretamente o desempenho acadêmico, a autorregulação comportamental e o engajamento nas atividades escolares. Em resposta a esses desafios, foram propostas estratégias como a fragmentação de tarefas, o uso de recursos visuais e organizacionais, a estruturação do ambiente de estudo, a aplicação de metodologias ativas e o feedback contínuo. Tais abordagens demonstraram potencial para promover o desenvolvimento cognitivo, emocional e acadêmico, contribuindo para uma educação mais inclusiva e eficaz.
A principal contribuição deste trabalho reside na oferta de subsídios teórico-práticos para professores, coordenadores e gestores, ao sistematizar estratégias pedagógicas aplicáveis ao cotidiano escolar e fundamentadas em evidências científicas. O estudo reforça a importância de uma cultura inclusiva nas instituições de ensino, incentivando práticas flexíveis e centradas no aluno, e amplia o debate sobre a necessidade de formação continuada docente na compreensão dos processos cognitivos e das funções executivas. Contudo, a pesquisa foi realizada em uma única instituição e com um número restrito de participantes, o que limita a generalização dos resultados. Ademais, a natureza documental dos dados pode não ter capturado integralmente a complexidade das dinâmicas vivenciadas em sala de aula. Sugere-se, para estudos futuros, a ampliação do escopo da investigação para diferentes contextos educacionais e a utilização de metodologias complementares, como observações e entrevistas, a fim de aprofundar a compreensão e validar as estratégias propostas. Conclui-se que a adoção de práticas pedagógicas intencionais e baseadas em evidências é um caminho promissor para promover uma educação mais equitativa e humanizada, fortalecendo a autonomia e o engajamento dos estudantes com TDAH.
Referências Bibliográficas
BARKLEY, Russell A. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: manual para diagnóstico e tratamento.3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
BENCZIK, Edyleine Bellini Peroni. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: atualização diagnóstica e terapêutica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
FONSECA, Vitor da. Neuropsicopedagogia. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2014.
ROHDE, Luis Augusto; HALPERN, Ricardo. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: atualização. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, v. 80, n. 2, p. 61-70, 2004.
VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação
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