Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Leitura fragmentada: o efeito das mídias sociais na leitura e compreensão textual

Leitura Fragmentada: o Efeito das Mídias Sociais na Leitura e Compreensão Textual

Louisiana Chaves Freitas; Maria Aparecida Soares

DOI: 10.22167/2675-6528-202603162

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Os impactos das mídias sociais na prática da leitura e compreensão textual têm gerado preocupações entre professores, especialmente na área de linguagens, nos ambientes familiar e educacional. O estudo objetivou refletir sobre a prática leitora, com foco na leitura fragmentada, a partir das percepções de pais e responsáveis. A metodologia empregou uma abordagem qualitativa e descritiva, coletando dados por meio de questionário aplicado via Google Forms a responsáveis por alunos de uma escola de Educação Básica, da rede privada, em Camaçari, Bahia. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados revelaram que, apesar do avanço tecnológico e da facilidade de acesso a livros digitais, os responsáveis demonstraram preferência pelo livro físico. Além disso, constatou-se que o uso frequente das mídias sociais foi percebido como um fator que dificultou a concentração em textos longos e contribuiu para a leitura fragmentada. Concluiu-se que a leitura fragmentada representa um desafio crescente no ambiente escolar, e que as mídias sociais, embora influenciaram os hábitos de leitura, puderam ser utilizadas como suporte pedagógico, desde que acompanhadas de estratégias que estimulem a reflexão e a compreensão profunda dos textos.

Palavras-chave: Aprendizagem; Educação Básica; Ensino-aprendizagem; Leitura; Tecnologia digital.

1. Introdução

A leitura, compreendida como uma prática cultural, social e cognitiva, acompanha a humanidade desde suas manifestações mais remotas. Ao longo da história, a evolução dos suportes textuais, do papiro ao livro impresso, moldou não apenas o acesso à informação, mas também os modos de pensar e compreender o mundo. No século XXI, a ascensão das tecnologias digitais e, em especial, das mídias sociais, provocou uma transformação profunda nos hábitos de leitura.

A sociedade contemporânea encontra-se imersa em um ambiente digital caracterizado pela constante circulação de informações, impulsionada pelas mídias sociais. Plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e WhatsApp tornaram-se espaços privilegiados de interação, onde a leitura é frequentemente marcada pela fragmentação, com conteúdos curtos, descontínuos e mistos. Essa nova configuração tem gerado preocupações entre os professores, especialmente os da área de linguagens, quanto à prática da leitura e da compreensão textual nos ambientes familiar e educacional.

Nesse contexto, emerge o conceito de leitura fragmentada, caracterizado pela predominância de textos curtos, leitura descontínua e constante alternância entre diferentes mídias. Essa dinâmica desafia a capacidade de concentração e de interpretação crítica, uma vez que o consumo acelerado de informações tende a privilegiar a superficialidade em detrimento da profundidade (Mélo, 2024). Autores como Lévy (1999) e Santaella (2013) já apontavam que a cibercultura e as tecnologias digitais alterariam significativamente os modos de leitura e escrita.

A leitura, como prática social, transforma-se conforme os suportes e os contextos culturais (Chartier, 2002). A leitura fragmentada, diferente da leitura linear que exige concentração e continuidade, privilegia a rapidez e pode comprometer a compreensão textual, a construção de conexões entre ideias e a capacidade crítica dos estudantes. Além disso, afeta o desenvolvimento cognitivo e a leitura de mundo, que envolve a interpretação crítica da realidade (Freire, 1989). Kenski (2012) e Moran (2014) reforçam que o ritmo acelerado da informação exige novas práticas pedagógicas para preparar os leitores para lidar com a sobrecarga informacional.

As mídias sociais, embora democratizem o acesso à informação e possam ser utilizadas como suporte pedagógico, exigem que a escola repense suas metodologias para garantir que os estudantes não apenas leiam, mas compreendam e reflitam criticamente sobre os textos (Kenski, 2012). O uso massivo dessas redes não pode ser ignorado no contexto educacional, pois elas se tornaram parte integrante da vida acadêmica e social dos indivíduos (Leonardo, 2021). Contudo, o excesso de tempo dedicado às mídias digitais pode contribuir para a dispersão e para a diminuição da leitura aprofundada, substituída por conteúdos fragmentados e imediatos (Silva, 2025).

Diante desse cenário, torna-se fundamental que os ambientes escolar e familiar promovam estratégias de incentivo à leitura contínua, reflexiva e de qualidade, contribuindo para o desenvolvimento de jovens leitores mais críticos e autônomos. A temática da leitura fragmentada e seus efeitos na compreensão textual, especialmente entre adolescentes, constitui uma lacuna prática e teórica relevante, justificando a necessidade de estudos que ofereçam subsídios para a educação. Assim, este trabalho buscou trazer uma reflexão sobre a prática leitora, destacando a leitura fragmentada, a partir das percepções dos pais e responsáveis, e como os docentes podem repensar estratégias pedagógicas diante desse cenário.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se por sua natureza exploratória e descritiva, empregando uma abordagem metodológica qualitativa para investigar o fenômeno da leitura na era digital. O estudo foi delineado com o objetivo de refletir sobre a prática leitora, com foco específico na leitura fragmentada, a partir das percepções de pais e responsáveis. Essa abordagem permitiu uma compreensão aprofundada dos hábitos de leitura e da influência das mídias sociais no contexto familiar e educacional, conforme o problema de pesquisa estabelecido.

O campo de estudo consistiu em uma instituição de ensino da rede privada, que oferece ensino regular, localizada no município de Camaçari, no estado da Bahia. A seleção dos participantes ocorreu por meio de uma amostra não probabilística e por conveniência. O público-alvo principal foram os responsáveis por adolescentes matriculados na Educação Básica, abrangendo estudantes com faixas etárias entre dez e dezoito anos, residentes no bairro Abrantes, em Camaçari, Bahia.

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado, elaborado com perguntas de múltipla escolha. Este instrumento foi desenvolvido e aplicado utilizando a plataforma Google Forms. O questionário foi concebido para identificar os hábitos de leitura dos participantes, o tempo dedicado ao uso das mídias sociais e os tipos de conteúdo consumido nessas plataformas digitais.

Adicionalmente, o questionário buscou investigar as dificuldades percebidas pelos respondentes na interpretação de textos longos. Também se objetivou aprofundar as percepções dos participantes sobre a relação entre a leitura digital e os efeitos observados na concentração e na compreensão textual, fornecendo uma visão abrangente sobre a temática central do estudo.

Os formulários foram distribuídos aos participantes por meio de um link eletrônico, garantindo a acessibilidade e a praticidade na resposta. Um total de 113 pessoas recebeu o link, e 112 responderam ao questionário. Todos os respondentes concederam consentimento livre e esclarecido, e o sigilo de suas identidades foi assegurado, em conformidade com os critérios éticos da pesquisa acadêmica.

Para a análise dos dados coletados, empregou-se a técnica de análise de conteúdo, conforme a metodologia proposta por Bardin (2011). Essa técnica possibilitou a categorização e a interpretação sistemática dos dados, a partir da identificação de unidades de significado relevantes. Os dados foram organizados em categorias temáticas predefinidas, que incluíram: atenção e distração, compreensão textual, influência das mídias sociais e a preferência de hábitos de leitura em livros físicos ou virtuais.

3. Resultados e Discussão

O avanço das tecnologias digitais transformou profundamente as formas de interação social e de acesso à informação, impactando diretamente o cotidiano dos estudantes da Educação Básica. Observou-se que os jovens estão cada vez mais conectados às mídias sociais e às plataformas digitais, utilizando a internet diariamente para entretenimento e comunicação. Contudo, essa integração no ambiente escolar ainda enfrenta desafios, seja pela infraestrutura limitada em algumas instituições, seja pela necessidade de formação continuada dos professores para lidar com as novas práticas de ensino e aprendizagem.

No município de Camaçari, Bahia, onde a pesquisa foi realizada, constatou-se que os estudantes mantêm um contato intenso com as mídias sociais fora do ambiente escolar, mas o uso dentro da escola é frequentemente limitado e, por vezes, percebido como distração. Essa dicotomia entre o mundo digital dos alunos e as práticas pedagógicas tradicionais gera um descompasso. Enquanto os jovens estão habituados a interações rápidas e fragmentadas, a escola ainda privilegia leituras lineares e aprofundadas, características do livro físico.

Nesse contexto, emerge o conceito de leitura fragmentada, que se refere ao consumo de textos em partes curtas, descontínuas e frequentemente descontextualizadas, como ocorre em postagens e mensagens instantâneas. Conforme Chartier (2002), a leitura é uma prática social que se transforma com os suportes e contextos culturais, e a leitura fragmentada representa uma mudança significativa na apropriação dos textos. Essa prática, ao privilegiar a rapidez e a superficialidade, pode comprometer a compreensão textual, a construção de conexões entre ideias e a capacidade crítica dos estudantes, afetando também o desenvolvimento cognitivo e a leitura de mundo, conceito abordado por Freire (1989).

A discussão sobre a leitura fragmentada é fundamental para compreender os impactos das mídias sociais na educação. Embora essas plataformas democratizem o acesso à informação e possam ser utilizadas como suporte pedagógico, elas exigem que a escola repense suas metodologias para garantir que os estudantes não apenas leiam, mas compreendam e reflitam criticamente sobre os textos. Kenski (2012) destaca que a tecnologia deve ser vista como aliada no processo de ensino-aprendizagem, desde que utilizada de forma crítica e planejada. A pesquisa em Camaçari contribuiu para esse debate, revelando uma valorização do livro físico, o que sugere a possibilidade de práticas híbridas que conciliem tradição e inovação.

A análise dos dados coletados, realizada por meio de questionários aplicados a responsáveis por adolescentes matriculados na Educação Básica, revelou insights importantes sobre os hábitos de leitura e a influência das redes sociais. Antes de investigar os efeitos diretos das mídias, foi essencial compreender o contexto de formação leitora, reconhecendo o ambiente familiar como o primeiro e mais impactante núcleo de mediação e construção de sentidos. Aproximadamente 59,8% dos responsáveis afirmaram incentivar a leitura “sempre”, enquanto cerca de 40% o fazem “às vezes”, “raramente” ou “nunca”.

Esse dado inicial, que se restringe ao estímulo e não à prática efetiva de leitura de livros, dialoga com estudos sobre a sociedade em rede e as práticas de leitura nas mídias sociais, como os de Freitas (2021). Essas pesquisas enfatizam como os ambientes digitais ampliam e ressignificam os espaços de interação. Investigações de Silva, Moura e Dalto (2023) e Silva (2023) demonstraram que as redes sociais, incluindo comunidades virtuais como Bookstagram, Booktube e Booktok, funcionam como canais de comunicação e espaços de construção identitária, promovendo multiletramento e engajamento por meio de linguagens híbridas e interativas.

A articulação entre o incentivo familiar e a mediação digital revela um processo contínuo em que a família inaugura o hábito leitor, enquanto as redes sociais oferecem novas formas de manutenção e expansão desse hábito. Isso cria um ecossistema de leitura que transita entre o espaço doméstico, o escolar e o virtual. Ao indagar sobre a frequência de leitura de textos impressos (livros, revistas ou jornais), entre os 112 participantes, 31,3% mantêm o hábito diário, enquanto 25% afirmaram ler “quase nunca”. As leituras semanais e mensais somam 10,7%, indicando uma prática leitora irregular para uma parcela significativa dos respondentes.

Esse cenário pode ser compreendido à luz das pesquisas que discutem a influência das redes sociais na diminuição do interesse pela leitura impressa, conforme apontado por Gomes (2020). Os estudos indicam que o tempo gasto em plataformas digitais, caracterizado pela fragmentação e velocidade da informação, compete com a leitura de livros físicos, deslocando o foco do leitor para conteúdos mais imediatos e interativos. A leitura impressa, nesse contexto, perdeu espaço frente às práticas digitais, o que ajuda a explicar a porcentagem expressiva de participantes que afirmaram ler “quase nunca”.

Por outro lado, Paulo (2014) analisa o papel das redes sociais no processo de ensino-aprendizagem, destacando que esses ambientes não devem ser vistos apenas como ameaça, mas também como oportunidade. As redes podem ser mobilizadas pedagogicamente para estimular o contato com diferentes linguagens e gêneros, promovendo práticas de multiletramento e aproximando os estudantes da leitura em formatos híbridos. Assim, embora haja indícios de que as redes sociais contribuam para a redução da frequência da leitura impressa, elas também oferecem potencial para reconfigurar e ampliar o acesso ao universo literário.

Os dados revelaram um aspecto contemporâneo: a permanência do hábito diário de leitura impressa em parte dos participantes e a influência das redes sociais que, ao mesmo tempo em que competem com o livro físico, podem ser ressignificadas como ferramentas de incentivo e mediação na formação do leitor. Quanto à utilização de mídias sociais como Instagram, TikTok, WhatsApp e Facebook pela família, as respostas indicaram que o uso alcançou praticamente a totalidade dos participantes, com 99,1% declarando utilizá-las. Esse dado demonstra a centralidade das plataformas digitais no cotidiano, tornando-as ferramentas de comunicação e espaços de interação cultural e educacional.

À luz dos estudos de Leonardo (2021) sobre a utilização das mídias sociais na educação, percebe-se que essas plataformas se consolidaram como ambientes de aprendizagem formal e informal. Elas permitem a circulação de conteúdos, a troca de experiências e a construção de comunidades de prática, aproximando estudantes e professores em dinâmicas mais horizontais e colaborativas. O uso massivo das redes sociais, portanto, não pode ser ignorado no contexto educacional, pois se tornaram parte integrante da vida acadêmica e social dos indivíduos.

Leonardo (2021) ainda destaca que o Facebook é frequentemente utilizado para grupos de estudo, o Instagram para divulgação de conteúdos visuais e projetos acadêmicos, e o WhatsApp para comunicação rápida e organização de atividades coletivas. Essa multiplicidade de usos demonstra que as redes sociais não se limitam ao entretenimento, mas se configuram como espaços de mediação pedagógica, capazes de ampliar o acesso à informação e estimular práticas de leitura e escrita em formatos digitais. O dado de 99,1% de adesão às mídias sociais reforça a necessidade de compreender como esses ambientes impactam a formação leitora e o processo de ensino e aprendizagem.

Se, por um lado, há o risco de dispersão e superficialidade, por outro, existe o potencial de transformar as redes em instrumentos de incentivo à leitura, de construção de conhecimento e de engajamento crítico. Outra questão abordada foi o tempo médio diário que as famílias dedicam às redes sociais, com 35,7% utilizando de três a quatro horas por dia e 30,4% mais de quatro horas. Esse dado evidencia a centralidade das plataformas digitais no cotidiano doméstico, mostrando que o tempo de interação virtual ocupa uma parcela significativa da rotina, influenciando diretamente os hábitos de leitura e escrita.

A este respeito, Silva (2025) discutiu o papel das tecnologias digitais de comunicação e informação, destacando que as redes sociais podem ser mobilizadas para além do entretenimento, funcionando como ambientes de aprendizagem e desenvolvimento de competências leitoras e escritoras. As plataformas permitem a circulação de conteúdos, a troca de experiências e a construção de comunidades de prática, aproximando os sujeitos de diferentes linguagens e gêneros textuais. O tempo gasto nas redes, portanto, pode ser ressignificado pedagogicamente, transformando-se em oportunidade de mediação crítica e incentivo à leitura.

Apesar das potencialidades, é necessário adotar uma perspectiva crítica sobre o uso das redes sociais. O excesso de tempo dedicado às mídias digitais pode contribuir para a dispersão e para a diminuição da leitura aprofundada, substituída por conteúdos fragmentados e imediatos. Nesse sentido, o desafio consiste em equilibrar o uso das mídias digitais com práticas de leitura, de modo que o tempo de interação virtual não se torne um obstáculo, mas sim um aliado na formação do leitor. A articulação entre família, escola e redes sociais torna-se, portanto, essencial para promover um ecossistema de práticas de leitura que dialogue com a realidade tecnológica dos sujeitos.

Outro tema abordado foi a percepção dos pais ou responsáveis sobre a influência das mídias sociais nos hábitos de leitura. Verificou-se que 58% dos respondentes consideram essa influência negativamente, enquanto 28,6% a veem positivamente e 13,4% não percebem influência. Essa percepção se conecta diretamente às análises de Lima (2018), que destaca como o tempo gasto em ambientes digitais pode reduzir a dedicação à leitura tradicional, mas também abrir novas formas de contato com textos, ainda que em formatos fragmentados.

Ghilardi (2009) ressalta que a escola precisa assumir um papel ativo na formação de leitores críticos diante da influência das mídias. A leitura, nesse contexto, não deve ser vista apenas como prática escolar, mas como competência essencial para interpretar discursos midiáticos e resistir ao consumo superficial de informações. Os resultados apresentados também dialogam com as reflexões de Sousa (2016) sobre o papel das redes sociais no ensino e na aprendizagem, que afirma que essas plataformas não devem ser compreendidas apenas como espaços de entretenimento, mas como ambientes capazes de favorecer a interação, a colaboração e o desenvolvimento de competências.

Nesse sentido, o uso intenso das redes sociais não elimina a prática da leitura, mas a ressignifica, transformando-a em uma experiência marcada pela fragmentação e pela multiplicidade de estímulos. Essa constatação reforça a necessidade de que educadores e instituições repensem suas estratégias pedagógicas, buscando equilibrar o consumo de conteúdos digitais com práticas de leitura mais profundas e reflexivas. Assim, o estudo de Sousa (2016) sustenta a ideia de que o desafio contemporâneo não está em combater as mídias sociais, mas em integrá-las de forma crítica e criativa ao processo educativo, desenvolvendo autonomia e capacidade de concentração em meio às demandas da cultura digital.

Quando questionados sobre a percepção acerca do uso frequente das mídias sociais e se esse hábito pode trazer dificuldades para a atenção durante a leitura de textos longos, 70,5% dos respondentes consideraram que sim, frequentemente. Adicionalmente, ao serem indagados sobre a relação entre o uso frequente das mídias sociais e a leitura fragmentada, 72,7% dos participantes também consideraram que sim. Esses dados demonstram um reconhecimento claro, por parte dos responsáveis, da influência das mídias digitais na capacidade de concentração e na natureza da leitura.

Essa constatação dialoga com estudos sobre leitura digital e sociedade em rede, como o de Santos (2020), que aponta tanto oportunidades quanto desafios no contato com conteúdos literários em ambientes virtuais. A pesquisa de Santos (2020) destaca que as mídias sociais criam formas de interação e pertencimento, mas também ressignificam a leitura, tornando-a mais fragmentada e múltipla, em contraste com a linearidade da leitura impressa.

Freitas (2021) assegura que, embora as mídias possam incentivar a leitura, elas competem com outros hábitos digitais e podem alterar a forma de atenção e concentração dos leitores. O autor defende que as mídias digitais oferecem estímulos constantes e variados, como redes sociais, vídeos curtos e notificações, que disputam espaço com a prática da leitura. Essa disputa não elimina a leitura, mas altera sua natureza: em vez de uma leitura profunda e contínua, tende-se a uma leitura fragmentada, rápida e dispersa, comprometendo a imersão e a capacidade de reflexão crítica.

Silva (2023), em sua tese sobre mediação de leitura literária em redes sociais, destaca que plataformas como Instagram, YouTube e TikTok estimulam práticas de leitura em formatos curtos e multimodais, o que pode impactar negativamente a leitura de textos longos e lineares. O autor argumenta que a lógica dessas plataformas privilegia conteúdos rápidos, visuais e de fácil consumo, moldando a atenção dos leitores e reduzindo sua disposição para leituras mais densas e contínuas.

O autor não desqualifica o papel das redes sociais na formação do leitor, mas alerta para um desequilíbrio: elas são eficazes em despertar interesse e criar comunidades, porém podem fragilizar competências de leitura profunda. O desafio é aproveitar o potencial das plataformas sem perder a prática da leitura longa e linear, essencial para a formação crítica e acadêmica. Para enfrentar esse desafio, Guimarães, Santos e Melo (2021) propuseram estratégias pedagógicas que buscam equilibrar o potencial das redes com a necessidade de foco.

Entre as estratégias propostas, destaca-se o planejamento intencional das atividades de leitura, onde o professor define objetivos claros e utiliza as plataformas como complemento, não como substituto da leitura integral. A mediação docente é essencial, atuando como guia para orientar os estudantes a refletirem criticamente sobre os textos e a não se perderem em distrações. Sugere-se também atividades de continuidade, como sequências de leitura acompanhadas por debates e produções escritas, que exigem maior aprofundamento. O uso direcionado das redes sociais, criando espaços específicos para leitura e discussão, reduzindo interferências externas, é outra recomendação.

Por fim, Guimarães, Santos e Melo (2021) recomendam integrar práticas digitais com tradicionais, como fichamentos e resenhas, que reforçam a concentração e a linearidade da leitura. Em síntese, os autores reconhecem que as redes sociais podem ser poderosas aliadas no incentivo à leitura, mas alertam que seu uso pedagógico exige intencionalidade e estratégias para superar a dispersão. O objetivo é transformar o ambiente digital em porta de entrada para a literatura, sem renunciar à profundidade e à continuidade que caracterizam a leitura formativa. Essa constatação é corroborada por Diniz e Santos (2019), que mostraram como as plataformas digitais aproximam os jovens de diferentes tipos de textos, tornando a leitura mais acessível, mas em formatos fragmentados e rápidos.

Ao abordar a mediação de leitura literária em redes sociais e a formação do leitor, Silva (2023) demonstrou que, com mediação pedagógica intencional, as redes sociais podem se transformar em espaços de incentivo à leitura literária, favorecendo o desenvolvimento de competências críticas e reflexivas. O estudo destacou que cabe ao educador criar estratégias que orientem os estudantes a superar a dispersão e a manter o foco, equilibrando o entretenimento digital com práticas de leitura mais consistentes. Essa perspectiva reforça as reflexões de Santos, Cerqueira e Pamponéti (2022) sobre a prática de leitura e o uso das redes sociais como recurso de ensino-aprendizagem no Ensino Médio.

Esses autores pontuam que as plataformas digitais, quando utilizadas pedagogicamente, podem estimular práticas leitoras entre jovens, aproximando-os de conteúdos que antes pareciam distantes. O estudo ressaltou, contudo, que essa aproximação exige acompanhamento docente para que a leitura não se restrinja a interações superficiais. De modo convergente, Porto (2016), ao abordar as redes sociais como instrumento de formação de leitores literários, alerta que esses ambientes digitais podem ser mobilizados para a formação de leitores, desde que haja intencionalidade pedagógica. Assim, a pesquisa acrescentou que o uso das redes sociais ampliou o acesso à literatura e criou formas de engajamento, mas também alertou para o risco da fragmentação e da perda de profundidade, caso não haja estratégias de mediação adequadas.

Também foi perguntado aos respondentes sobre as estratégias para incentivo à leitura no ambiente familiar. As práticas mais indicadas foram presentear com livros, com 37,5% das respostas, seguido por estabelecer horários para leitura, com 19,6%. Incentivar a leitura digital (e-books, blogs) foi mencionado por 16,1% dos participantes, e realizar leituras compartilhadas em família por 12,5%. Esses dados mostram uma diversidade de abordagens familiares para fomentar o hábito leitor, com destaque para as práticas mais tradicionais.

Especificamente sobre a preferência de suportes de textos para a leitura em família, 68,5% dos respondentes informaram preferir os materiais impressos. Os e-books e notebooks, somados, representaram a preferência de 31,5% dos participantes. Esses resultados, ao lado das estratégias de incentivo, indicam uma forte valorização do livro físico no ambiente familiar, mesmo diante da crescente disponibilidade de formatos digitais. A preferência pelo impresso sugere uma resistência à efemeridade digital e a valorização da materialidade do livro na formação leitora.

Os dados apresentados, que indicam que 37,5% dos participantes incentivam a leitura por meio do ato de presentear com livros e que 68,5% mantêm preferência pelo suporte impresso, corroboram a análise de Menezes (2018). Este autor, ao discutir sobre a criança da era das mídias digitais e sua relação com a leitura literária, ressalta que, mesmo diante da expansão das tecnologias digitais, o livro físico conserva relevância simbólica e afetiva, funcionando como mediador cultural e formativo. Nesse contexto, o estudo de Paulo (2014) sobre o impacto das mídias sociais no processo de ensino-aprendizagem demonstra que, embora as redes digitais ampliem o acesso à informação e promovam novas formas de interação, elas não substituem o valor pedagógico da leitura tradicional.

Assim, os dados obtidos sugerem que práticas como o ato de presentear livros e a preferência pelo material impresso constituem estratégias de resistência à efemeridade digital, reafirmando a importância da materialidade do livro na formação leitora e na preservação de vínculos sociais e culturais. Por outro lado, também foi possível observar que, gradativamente, os meios digitais estão sendo incorporados aos hábitos de leitura, porém apresentando outros desafios, como a concentração para a leitura de textos longos. A leitura fragmentada, caracterizada pela descontinuidade e não linearidade, configura-se como um desafio para as aprendizagens, pois o leitor acessa fragmentos breves ou isolados de informação, o que é comum nas mídias sociais e em muitas publicações digitais, diferentemente da leitura de obras completas e organizadas de forma sequencial.

Predominante no ambiente digital contemporâneo, essa prática distingue-se pela celeridade, superficialidade e pela dinâmica acelerada de consumo informacional. No âmbito educacional, especialmente entre jovens estudantes, esse padrão de leitura tem impactos significativos nos processos de aprendizagem, visto que a exposição constante a conteúdos curtos e dispersos, em geral, dificulta o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como a interpretação aprofundada, a análise crítica e a elaboração de inferências mais complexas. Além disso, a limitação no contato com textos longos e estruturados pode comprometer a ampliação do repertório linguístico e cognitivo, elementos essenciais para o desempenho escolar.

Dessa forma, essa interação com a leitura pode influenciar o próprio interesse dos estudantes por práticas leitoras mais densas, que exigem maior atenção. A preferência por conteúdos rápidos e de fácil assimilação pode reduzir a disposição para enfrentar textos que demandam tempo de dedicação e esforço interpretativo, o que pode afetar negativamente o hábito e o gosto pela leitura. Nesse sentido, torna-se fundamental que não apenas o ambiente escolar, mas também o ambiente familiar, promova estratégias de incentivo à leitura contínua, reflexiva e de qualidade, contribuindo para o desenvolvimento de jovens leitores mais críticos e autônomos.

Em síntese, os resultados da pesquisa revelaram que, apesar do avanço tecnológico e da facilidade de acesso a livros digitais, os responsáveis demonstraram uma preferência marcante pelo livro físico. Contudo, o uso frequente das mídias sociais foi percebido como um fator que dificulta a concentração em textos longos e contribui para a leitura fragmentada. Esses achados reforçam que a leitura fragmentada representa um desafio crescente no ambiente escolar, e que as mídias sociais, embora influenciem os hábitos de leitura, podem ser utilizadas como suporte pedagógico, desde que acompanhadas de estratégias que estimulem a reflexão e a compreensão profunda dos textos.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou refletir sobre a prática leitora, com especial atenção à leitura fragmentada, a partir das percepções de pais e responsáveis por estudantes da Educação Básica. Verificou-se que, apesar do avanço tecnológico e da facilidade de acesso a conteúdos digitais, os responsáveis demonstraram uma preferência marcante pelo livro físico. Contudo, constatou-se que o uso frequente das mídias sociais foi percebido como um fator que dificultou a concentração em textos longos e contribuiu para a leitura fragmentada. Observou-se que a maioria das famílias utiliza intensamente as mídias sociais, e uma parcela significativa dos respondentes reconheceu a influência negativa dessas plataformas nos hábitos de leitura e na capacidade de atenção.

A pesquisa contribui para o debate acadêmico ao evidenciar a complexidade da formação leitora na era digital, ressaltando a necessidade de que educadores e instituições repensem suas estratégias pedagógicas. Sugere-se que as mídias sociais, embora influenciem os hábitos de leitura, podem ser utilizadas como suporte pedagógico, desde que acompanhadas de estratégias intencionais que estimulem a reflexão e a compreensão profunda dos textos. Como limitação, o estudo empregou uma amostra não probabilística e por conveniência, o que restringe a generalização dos resultados. Recomenda-se, para estudos futuros, a realização de pesquisas mais amplas e aprofundadas que explorem a implementação e os impactos de práticas pedagógicas híbridas.

Referências Bibliográficas

Chartier, R. 2002. A aventura do livro: do leitor ao navegador. 1 ed. Editora UNESP. São Paulo, SP, Brasil.

Freire, P. 1989. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 1ed. Editora Cortez. São Paulo, SP, Brasil

Kenski, V.M. 2012. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. 6ed. Editora Papirus. Campinas, SP, Brasil.

Leonardo, P.A. 2021. Utilização das mídias sociais na educação: Facebook, Instagram e WhatsApp. Disponível em: <http://dspace.nead.ufsj.edu

Lévy, P. 1999. Cibercultura. 1ed. Editora 34. São Paulo, SP, Brasil.

Moran, J.M. 2014. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 1ed. Editora Papirus. Campinas, SP, Brasil.

Mélo, A.P. 2024. Leitura e cognição na era digital. Revista Educação em Foco 24(2): 45-62.

Santiella, L. 2013. Leitura e tecnologias: o impacto das mídias no comportamento leitor. 1ed. Editora Papirus. São Paulo, SP, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

A inclusão da pessoa com deficiência visual nas escolas regulares: desafios e possibilidades

A inclusão escolar de estudantes com deficiência visual representa um desafio persistente nas instituições de ensino brasileiras, apesar dos avanços legislativos. Barreiras pedagógicas, atitudinais, estruturais e formativas ainda comprometem o acesso pleno desses alunos à educação regular, especialmente em escolas particulares, onde há resistência à matrícula e ao acolhimento. O estudo teve por objetivo analisar como ocorre a inclusão de estudantes com deficiência visual em uma escola regular, identificando desafios, recursos disponíveis e práticas bem-sucedidas. Para isso, observou-se o cotidiano de uma escola particular em Fortaleza [CE], que atende da educação infantil ao ensino fundamental I. A pesquisa contemplou visitas sistemáticas à instituição ao longo de três meses, visando compreender a atuação dos profissionais, a infraestrutura escolar, as estratégias pedagógicas e o uso de recursos tecnológicos e assistivos, destacando possibilidades e caminhos para uma inclusão efetiva. Identificaram-se os principais entraves enfrentados por docentes e gestão escolar, bem como práticas que favoreceram o desenvolvimento, a autonomia e o pertencimento dos alunos com deficiência visual. Concluiu-se que a inclusão, quando planejada e contextualizada, beneficia não apenas o aluno com deficiência, mas toda a comunidade escolar, promovendo uma educação mais humana, equitativa e colaborativa.

Palavras-chave: acessibilidade; deficiência visual; educação inclusiva; inclusão escolar; práticas pedagógicas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Deficiência intelectual, sistema de apoios e o desenvolvimento de funções executivas

A presença de estudantes com deficiência intelectual (DI) em classes de ensino comum apresenta desafios significativos para os docentes na promoção de ensino e aprendizagem eficazes. Este cenário motivou a articulação de três eixos: a aprendizagem da pessoa com DI, o modelo de sistema de apoios da “Association of Intellectual and Developmental Disabilities” (AAIDD) e o desenvolvimento de funções executivas, conforme estudos das neurociências. Buscou-se compreender se planos educacionais individualizados (PEIs) continham a intenção de promover o desenvolvimento de funções executivas nucleares (memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva) por meio de planejamento intencional. O objetivo foi identificar essa intenção em planejamentos de ensino, explicitada por objetivos, estratégias ou recursos para o desenvolvimento das funções executivas. A investigação delineou-se como uma pesquisa qualitativa de análise documental, que apreciou onze PEIs anônimos, elaborados em duas escolas públicas do ensino fundamental 1. Os resultados principais indicaram a existência de propostas didáticas que envolviam a promoção do desenvolvimento de funções executivas. Contudo, não foi possível determinar se os docentes tinham consciência desse objetivo. Para aprofundar essa questão, seriam necessárias entrevistas e observações das práticas de ensino, sugerindo novas investigações.

Palavras-chave: Deficiência intelectual; Funções executivas; Plano educacional individualizado.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Neuroplasticidade, memória e aprendizagem: análise sobre o desenvolvimento cognitivo no Ensino Fundamental II

O estudo analisou o impacto de atividades lúdicas e cognitivas na estimulação da memória e no desenvolvimento cognitivo de estudantes do Ensino Fundamental II. O objetivo foi investigar os efeitos dessas atividades na memória operacional e de longo prazo, mapear estratégias de memorização, avaliar o engajamento e as reações emocionais dos alunos durante oficinas, e produzir recomendações pedagógicas baseadas em evidências neurocientíficas, a partir da percepção de fragilidades no aprendizado. A pesquisa fundamentou-se em contribuições teóricas da psicologia do desenvolvimento, da pedagogia e da neurociência, com destaque para autores como Piaget, Vygotsky, Lent, Kandel e Izquierdo. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem mista, articulando procedimentos quantitativos e qualitativos, por meio da realização de oficinas pedagógicas baseadas em jogos cognitivos aplicados a estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental II de uma escola pública em Vitória da Conquista – BA. Os resultados revelaram possíveis fragilidades relacionadas à memória de trabalho e à atenção dos estudantes, e as oficinas demonstraram potencial para estimular funções cognitivas e fornecer indicadores para o planejamento pedagógico. Concluiu-se que práticas pedagógicas fundamentadas em princípios da neurociência, que integram cognição, emoção e interação social, podem favorecer o aprendizado e contribuir para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos estudantes, reforçando a necessidade de ampliar o diálogo entre educação e neurociência.

Palavras-chave: Cognição; Emoções; Estratégias de memorização; Funções executivas; Neurociência educacional.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Entre autonomia e dependência: impactos da inteligência artificial nos processos cognitivos de alunos de MBA online

A Inteligência Artificial tem transformado significativamente os processos de aprendizagem e produção de conhecimento, suscitando dilemas éticos e questionamentos sobre seu uso educacional. Investigou-se os efeitos do uso de ferramentas de Inteligência Artificial generativa sobre os processos cognitivos de estudantes de MBA na modalidade online, com foco na relação entre autonomia e dependência tecnológica. A pesquisa caracterizou-se como exploratória e utilizou dados secundários de um questionário aplicado por uma instituição de ensino, que buscou compreender a relação dos estudantes com tecnologias digitais. Os resultados indicaram elevada utilização das ferramentas generativas (81,5% dos mais de 2000 respondentes, com 50,5% de uso diário), acompanhada da percepção de dependência em tarefas que poderiam ser realizadas de forma autônoma. Observaram-se efeitos positivos, como aumento da autonomia nos estudos e estímulo à curiosidade, mas também indícios de redução do esforço mental e da confiança nas próprias habilidades cognitivas. Mais da metade dos participantes (57,3%) afirmou sempre verificar as informações geradas pela IA. Infere-se que a Inteligência Artificial na educação demanda abordagens pedagógicas que promovam o uso crítico, ético e equilibrado dessas tecnologias, especialmente por meio do desenvolvimento do letramento em IA, posicionando-a como apoio e não substituta das capacidades intelectuais.

Palavras-chave: Dependência Tecnológica; Educação Digital; Inteligência Artificial Generativa; Neurociência.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Estratégias Pedagógicas para Alunos com TDAH na Educação Básica

O estudo analisou o perfil e as dificuldades de alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no Ensino Fundamental II e Ensino Médio de uma escola privada em Barretos, São Paulo, e propôs estratégias pedagógicas fundamentadas em neurociência, psicologia e pedagogia para favorecer o ensino e a aprendizagem. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, descritivo-analítica, por meio da análise documental de registros institucionais de 15 alunos com diagnóstico de TDAH ou em investigação, muitos com comorbidades como dislexia, ansiedade, Transtorno do Espectro Autista, Transtorno do Processamento Auditivo Central e discalculia. Os dados foram analisados por técnica de análise de conteúdo temática. Os resultados evidenciaram que os alunos com TDAH apresentaram dificuldades significativas na atenção, organização, planejamento e controle comportamental, impactando diretamente a aprendizagem e associadas a alterações nas funções executivas. As estratégias propostas, como fragmentação de tarefas, uso de recursos visuais, organização do ambiente, metodologias ativas e feedback contínuo, demonstraram potencial para favorecer o desenvolvimento cognitivo, emocional e acadêmico dos estudantes. Concluiu-se que práticas pedagógicas baseadas em evidências científicas contribuem para uma educação mais inclusiva, promovendo autonomia, engajamento e melhoria no desempenho escolar de alunos com TDAH.

Palavras-chave: Aprendizagem; Educação básica; Inclusão; Práticas pedagógicas; TDAH.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Neurociência, Desenhos e a Formação Docente: Presenças e Lacunas nas Ementas

A neurociência aplicada à educação oferece ferramentas essenciais para a compreensão do desenvolvimento cognitivo, mas observou-se um distanciamento entre esses conhecimentos teóricos e a prática pedagógica. O estudo objetivou diagnosticar a presença de conteúdos de neurociência e grafismo infantil em currículos de cursos de Pedagogia, propondo a elaboração de um material digital de divulgação científica para apoio docente. A metodologia caracterizou-se como pesquisa documental, com análise sistematizada, de caráter exploratório e abordagem quali-quantitativa. Realizou-se um levantamento bibliográfico e uma busca por matrizes curriculares e ementas em páginas oficiais de instituições de ensino superior. Para o tratamento dos dados, utilizou-se o mapeamento de metadados em planilhas eletrônicas, o que permitiu a análise de frequências e a identificação de lacunas curriculares. Os resultados indicaram uma escassez de disciplinas que integrassem diretamente o neurodesenvolvimento ao estudo do grafismo, embora temas gerais de neurociência tenham sido identificados em parte das ementas analisadas. Como produto final, desenvolveu-se um guia digital com orientações práticas fundamentadas nas etapas de desenvolvimento propostas por Luquet, Lowenfeld e Derdyk. O estudo proporcionou um diagnóstico atualizado das grades curriculares e ofereceu uma ferramenta pedagógica para aproximar a ciência da rotina escolar.

Palavras-chave: Desenho infantil; Educação; Matrizes curriculares; Neuroeducação; Pedagogia.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Marco referencial de competências em IA e uma proposta para formação de professores

A articulação entre neurociência e educação para o desenvolvimento humano, aliada à relevância dos textos prescritivos na formação de professores no ensino superior brasileiro, motivou a investigação. O estudo objetivou investigar a potencialidade do documento Marco referencial de competências em IA para professores (MRCP-IA) da UNESCO para uma formação docente que priorize o desenvolvimento humano e, a partir dessa análise, apresentar uma proposta para sua implementação no contexto brasileiro, articulada aos princípios da neurociência. A pesquisa caracterizou-se como descritiva, qualitativa e de análise documental. Para a análise do MRCP-IA, empregou-se o quadro teórico-metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo. A interpretação dos resultados fundamentou-se nas discussões das Ciências do Trabalho, do Interacionismo Sociodiscursivo, de Vygotsky e nos 12 princípios da neurociência elencados por Amaral e Guerra (2022). Os resultados indicaram que o MRCP-IA posiciona a Inteligência Artificial como protagonista, atribuindo ao professor a responsabilidade de lidar com ela de forma ética e crítica, mas sem detalhar a formação docente. Diante disso, formulou-se uma proposta de formação de professores para cursos de Pedagogia que considera os princípios da neurociência e a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, enfatizando a interação social e o engajamento integral do professor. Concluiu-se que uma formação continuada, que respeite a individualidade cerebral e promova a interação social com engajamento corporal e emocional do professor, pode efetivamente impulsionar o desenvolvimento humano.

Palavras-chave: Competências; IA; Neurociência; Pedagogia; Trabalho docente.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

A Neurociência Como Norteadora em Aulas de Ciências Naturais na Educação Básica

A neurociência constitui uma aliada poderosa na compreensão dos processos de aprendizagem, embora apenas um terço dos professores demonstre familiaridade com o tema, evidenciando uma lacuna que justifica políticas públicas. No ensino de ciências, a integração da neurociência pode favorecer o desenvolvimento de estratégias para superar barreiras de aprendizagem e melhorar o desempenho acadêmico no Brasil. Pesquisas anteriores não haviam abordado o uso, benefícios e desafios da neurociência no ensino básico brasileiro. A pesquisa objetivou verificar como professores se utilizaram da neurociência como norteadora de aulas de ciências na educação básica, compreender os desafios na aplicação de seus conceitos na docência e propor soluções práticas, incluindo uma sequência didática. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa-quantitativa, aplicada, descritiva e de levantamento de campo, com uma amostra de dez professores de ciências do ensino básico. Utilizou-se um questionário online com escalas Likert para coletar dados sócio-demográficos e sobre o uso ou não da neurociência. A análise dos dados foi descritiva, identificando padrões e tendências com gráficos e estatísticas. Os resultados indicaram que a neurociência foi valorizada, mas sua aplicação prática ainda não é expressiva. Professores que a utilizaram relataram impactos positivos consistentes, enquanto os que não a utilizavam demonstraram interesse, mas enfrentaram barreiras de formação e condições de trabalho. Apesar das limitações, o estudo contribuiu para a compreensão das relações entre neurociência e Educação Básica, propondo programas formativos e colaborativos entre neurocientistas e educadores, visando capacitar docentes a julgar a qualidade e aplicabilidade das evidências.

Palavras-chave: Aprendizagem; Ciências; Educação; Educação Básica; Neurociência.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade