Artigo

Compliance E Esg

09 de outubro de 2026

Comunicação e Ética Corporativa: O Papel da Comunicação na Efetividade dos Programas de Compliance

Comunicação e Ética Corporativa: o Papel da Comunicação na Efetividade dos Programas de Compliance

Ludmila Carvalho Fonseca de Liz; Eliza Remédio Alecrim

DOI: 10.22167/2675-6528-202603188

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O estudo analisou o papel da comunicação corporativa na efetividade do programa de compliance e integridade em uma organização do setor de engenharia e construção pesada. O objetivo foi analisar a influência da comunicação corporativa na internalização de valores éticos e na efetividade do programa de compliance, identificando instrumentos, analisando práticas e apontando oportunidades de aprimoramento. Utilizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso único, com base em análise documental e observação de práticas institucionais, no período de novembro de 2025 a fevereiro de 2026. Examinaram-se documentos como código de conduta, políticas de compliance, registros de treinamentos e comunicados internos. Os resultados evidenciaram que a organização possuía instrumentos formais estruturados para a comunicação do compliance, contribuindo para a disseminação de diretrizes éticas. Contudo, verificou-se que a efetividade do programa não dependia apenas da existência desses mecanismos, mas da forma como eram comunicados e incorporados às práticas cotidianas, destacando-se o papel das lideranças na tradução das diretrizes institucionais em comportamentos concretos. Propôs-se um indicador de efetividade da comunicação de compliance (IECC) para monitoramento contínuo.

Palavras-chave: comunicação interna; cultura organizacional; ética empresarial; governança corporativa; liderança organizacional.

1. Introdução

A comunicação está presente em todas as instâncias organizacionais, atuando como elemento estruturante da gestão e dos processos decisórios. Ela não se limita à simples transmissão de informações, mas desempenha um papel central na construção de significados, valores e práticas que orientam o comportamento organizacional (Kunsch, 2003).

No cenário contemporâneo, caracterizado pelo aumento das exigências regulatórias e pela crescente exposição das organizações a riscos reputacionais, a comunicação organizacional assume um papel ainda mais estratégico. Ela se relaciona diretamente com a gestão da imagem, da reputação e com o relacionamento com os diversos stakeholders (Kunsch, 2016; Marchiori, 2010).

Essa perspectiva é reforçada pela compreensão de que a comunicação organizacional é essencial para a construção de confiança, alinhamento e legitimidade nas relações institucionais, especialmente em contextos que demandam maior transparência e responsabilidade corporativa (Marchiori, 2010; Kunsch, 2016). Paralelamente, no campo do compliance, a efetividade dos programas de integridade está diretamente relacionada à forma como seus princípios e diretrizes são comunicados e incorporados às práticas organizacionais (Manzi, 2008; Diniz, 2019).

A integração entre comunicação, ética e compliance configura-se como um elemento central para o fortalecimento da confiança e da transparência no ambiente de negócios (Ribeiro e Diniz, 2015). O compliance não deve ser compreendido apenas como uma prática de conformidade normativa, mas como um sistema abrangente de gestão de riscos, reputação e integridade. Seu êxito depende da incorporação efetiva à dinâmica organizacional (Candeloro, Rizzo e Pinho, 2012).

A efetividade dos programas de integridade não decorre exclusivamente da existência de códigos de conduta ou manuais internos. Schuler (2004) argumenta que a comunicação é uma prática constitutiva das organizações, por meio da qual valores éticos são traduzidos em comportamentos cotidianos e incorporados às rotinas institucionais. A comunicação estratégica, por sua vez, favorece o engajamento e o alinhamento organizacional, transformando normas formais em práticas sustentáveis e socialmente legitimadas (Marchiori, 2010).

Diante desse contexto, a relevância deste estudo reside na necessidade de compreender como a comunicação corporativa influencia a internalização de valores éticos e, consequentemente, a efetividade dos programas de compliance. Isso é especialmente crítico em organizações inseridas em ambientes regulatórios complexos e expostas a riscos reputacionais.

Embora as organizações adotem instrumentos formais de integridade, a simples existência de diretrizes e mecanismos estruturados não assegura sua efetividade no contexto organizacional (Kunsch, 2016). A incorporação de valores depende de processos mais amplos de construção cultural e de interação entre os indivíduos (Marchiori, 2010). Programas de compliance baseados apenas na formalização tendem a apresentar limitações práticas se não forem acompanhados de ações que promovam sua internalização (Diniz, 2019). É fundamental que os programas de integridade vão além do plano documental, sendo efetivamente implementados, comunicados e monitorados (Brasil, 2015). Dessa forma, evidencia-se uma lacuna entre a formalização das diretrizes e sua incorporação no cotidiano organizacional.

Essa lacuna prática e teórica justifica a presente pesquisa, que busca responder à questão de que forma a comunicação corporativa contribui para a internalização de valores éticos e para a efetividade dos programas de compliance nas organizações. O objetivo geral deste estudo é analisar a influência da comunicação corporativa na internalização de valores éticos e na efetividade do programa de compliance e Integridade em uma organização do setor de engenharia. Como objetivos específicos, busca-se identificar os instrumentos de comunicação do programa de compliance, analisar as práticas de comunicação institucional relacionadas à ética e integridade e apontar oportunidades de aprimoramento na comunicação organizacional, com ênfase na atuação das lideranças.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso único. A unidade de análise foi uma organização de grande porte do setor de engenharia e construção pesada, localizada no município de Belo Horizonte, Minas Gerais. A empresa contava com aproximadamente 600 colaboradores, distribuídos entre a administração central e unidades operacionais, e possuía um programa de compliance e integridade implantado. A pesquisa buscou compreender as práticas de comunicação relacionadas a esse programa no contexto organizacional.

A coleta de dados foi realizada no período de novembro de 2025 a fevereiro de 2026. Para tanto, empregou-se uma estratégia metodológica que combinou pesquisa documental e observação não participante. Esses procedimentos foram adotados de forma complementar, visando ampliar a compreensão do fenômeno investigado e fornecer uma base robusta para a análise.

A pesquisa documental contemplou a análise de documentos institucionais disponibilizados pela organização. Esses documentos foram acessados tanto em meio físico quanto eletrônico, incluindo a intranet corporativa e o site institucional. O objetivo foi identificar os instrumentos de comunicação do programa de compliance e integridade e analisar as práticas institucionais relacionadas à ética e à integridade.

Entre os documentos examinados, incluíram-se o código de conduta, políticas de compliance e integridade, e políticas e procedimentos de compliance, todos de natureza normativa ou política corporativa, acessados via intranet e site institucional. Também foram analisados registros de treinamentos e comunicados institucionais, que consistiam em registros institucionais e comunicações internas, respectivamente, acessados por meio de arquivos internos, listas de presença, intranet e e-mails corporativos. Atas de reuniões, também registros institucionais, foram consultadas em arquivos internos e em meio físico.

Adicionalmente à pesquisa documental, realizou-se observação não participante das práticas organizacionais. A observação ocorreu durante o mesmo período da coleta documental, abrangendo atividades desenvolvidas tanto na administração central quanto nas unidades operacionais da organização. Este procedimento permitiu acompanhar a dinâmica da comunicação do programa de compliance e integridade em seu ambiente real.

Os eventos observados incluíram reuniões institucionais relacionadas ao programa de compliance e integridade, treinamentos sobre ética, integridade e compliance, campanhas internas de conscientização, comunicações institucionais divulgadas por canais corporativos e reuniões de alinhamento com a participação das lideranças. Os registros dessas observações foram efetuados por meio de anotações elaboradas pela pesquisadora, com foco na descrição objetiva das práticas acompanhadas.

A análise dos dados coletados, tanto dos documentos quanto das observações, foi de natureza qualitativa. Os registros das observações foram utilizados de forma complementar à pesquisa documental, contribuindo para a interpretação e compreensão do fenômeno investigado. A análise documental, conforme Gil (2019), constituiu uma importante fonte de dados para acessar informações registradas pela própria instituição.

Os procedimentos éticos foram rigorosamente observados durante toda a pesquisa. A análise dos documentos institucionais foi conduzida em conformidade com os critérios éticos aplicáveis, assegurando a confidencialidade das informações e a não identificação da organização estudada. Os dados foram utilizados exclusivamente para fins acadêmicos, em consonância com as boas práticas de pesquisa científica.

3. Resultados e Discussão

A análise documental realizada evidenciou que a organização estudada dispõe de um conjunto estruturado de instrumentos formais relacionados ao programa de compliance e integridade. Esses instrumentos incluem o código de conduta, a política de compliance e integridade, políticas e procedimentos internos, registros de treinamentos, atas do comitê de compliance e comunicados institucionais. A finalidade desses mecanismos é orientar o comportamento ético dos colaboradores, parceiros e terceiros, contribuindo para a prevenção de irregularidades e para a promoção de uma cultura organizacional baseada na integridade, conforme destacado por Manzi (2008) sobre a importância da formalização de diretrizes.

Entre os mecanismos identificados, o código de conduta se destaca como principal instrumento de comunicação institucional, por consolidar os princípios e diretrizes que orientam a atuação organizacional. A política de compliance e integridade, por sua vez, estabelece diretrizes específicas para a conformidade normativa e a prevenção de práticas ilícitas. A presença desses documentos formais demonstra uma base normativa estruturada, alinhada às recomendações da literatura sobre programas de compliance, que enfatiza a necessidade de formalização para a orientação de condutas organizacionais (Manzi, 2008).

Sob a perspectiva da comunicação organizacional, a análise documental corrobora o entendimento de que a comunicação institucional exerce papel estratégico na disseminação de valores e no alinhamento organizacional (Kunsch, 2016). A organização analisada demonstra aderência às diretrizes de programas de integridade, inclusive sendo certificada na ISO 37001:2017. Isso reforça a existência de mecanismos formais voltados à prevenção, detecção e resposta a desvios éticos, evidenciando um compromisso com a integridade em seu ambiente de negócios.

Adicionalmente, foram identificados diversos canais e práticas de comunicação interna, como treinamentos, comunicados institucionais, intranet e materiais de conscientização, utilizados para disseminar as diretrizes do programa de compliance e integridade. Essas práticas evidenciam a utilização de múltiplos meios de comunicação, em consonância com a literatura que destaca a importância da comunicação interna para a construção da cultura organizacional e o fortalecimento de valores institucionais (Marchiori, 2010; Kunsch, 2016), buscando engajar os colaboradores.

Entretanto, apesar da existência desses instrumentos estruturados, a pesquisa aponta a necessidade de analisá-los criticamente. A formalização das diretrizes, por si só, não assegura sua incorporação efetiva às práticas institucionais (Diniz, 2019). A literatura enfatiza que a comunicação organizacional deve promover a construção de sentido, o engajamento e o alinhamento entre o discurso e a prática (Kunsch, 2016; Marchiori, 2010), aspectos cruciais para a efetividade dos programas de compliance (Manzi, 2008).

Com base na análise documental e nas observações, procedeu-se à classificação dos instrumentos de comunicação quanto ao seu potencial de impacto no programa de compliance e integridade. Instrumentos de impacto alto foram aqueles com maior potencial para influenciar diretamente a comunicação organizacional e promover o engajamento. Instrumentos de impacto médio concentraram-se na formalização e disseminação de diretrizes, sem mecanismos estruturados de acompanhamento da efetividade da comunicação.

Os instrumentos formais, como o código de conduta e as políticas de compliance, foram classificados como de impacto médio, conforme sintetizado em

Elemento

Situação atual

Limitação

Potencial de impacto

Código de conduta

Formalmente estabelecido

Ausência de avaliação da efetividade

Médio

Políticas de compliance

Estruturadas

Comunicação predominantemente formal

Médio

Treinamentos

Realizados periodicamente

Ausência de avaliação de eficácia

Alto

Comunicados internos

Utilizados com frequência

Falta de mensuração de alcance e compreensão

Médio

Atuação da liderança

Presente

Baixa padronização na comunicação

Alto

. Embora essenciais para a estruturação do programa, eles apresentaram atuação predominantemente voltada à formalização e disseminação das diretrizes institucionais. A ausência de avaliação da efetividade da comunicação e a natureza predominantemente formal das políticas foram as principais limitações identificadas, indicando que a mera existência não garante a internalização.

Os comunicados internos também foram classificados como de impacto médio, apesar de serem utilizados com frequência. A limitação observada foi a falta de mensuração de seu alcance e compreensão pelos colaboradores, o que impede uma avaliação precisa de sua efetividade na internalização dos valores. Essa lacuna sugere que, embora a informação seja disseminada, não há garantia de que ela seja compreendida e aplicada de forma consistente no cotidiano organizacional.

Por outro lado, os treinamentos e, principalmente, a atuação da liderança foram classificados como de impacto alto, conforme

Elemento

Situação atual

Limitação

Potencial de impacto

Código de conduta

Formalmente estabelecido

Ausência de avaliação da efetividade

Médio

Políticas de compliance

Estruturadas

Comunicação predominantemente formal

Médio

Treinamentos

Realizados periodicamente

Ausência de avaliação de eficácia

Alto

Comunicados internos

Utilizados com frequência

Falta de mensuração de alcance e compreensão

Médio

Atuação da liderança

Presente

Baixa padronização na comunicação

Alto

. Os treinamentos, por sua característica interativa, possuem potencial para favorecer o aprendizado e a assimilação dos conteúdos, alinhado à perspectiva de Marchiori (2010) sobre o engajamento. Contudo, a ausência de avaliação de eficácia foi uma limitação, indicando que o potencial não é plenamente explorado.

A atuação da liderança, presente e constante, foi considerada de alto impacto, apesar de uma baixa padronização na comunicação. A liderança se destaca como elemento central nesse processo, atuando como elo entre as diretrizes institucionais e sua aplicação no contexto operacional (Kunsch, 2016; Marchiori, 2010). Essa classificação decorre da análise das evidências obtidas e da literatura, que reconhece a comunicação e a liderança como elementos estratégicos para o fortalecimento dos programas de compliance (Manzi, 2008).

As evidências documentais e as observações realizadas indicam que, embora a organização possua uma base normativa estruturada, a comunicação do programa de compliance e integridade pode ser fortalecida por mecanismos que promovam maior interação, engajamento e exemplificação prática das diretrizes institucionais. Isso complementa os instrumentos formais de comunicação, que, por si só, não são suficientes para garantir a internalização dos valores éticos e a efetividade do programa.

Nessa perspectiva, as evidências sugerem que as lideranças intermediárias desempenham papel relevante na condução das equipes e na operacionalização das diretrizes institucionais. Observou-se que essas lideranças ocupam posição estratégica no fluxo de comunicação entre a sede administrativa e as frentes de obra, atuando como importante elo de tradução, adaptação e viabilização das orientações estratégicas no ambiente operacional, conforme discutido por Kunsch (2016) e Marchiori (2010).

Entretanto, esse processo de comunicação mediado pelas lideranças nem sempre ocorre de forma linear ou plenamente eficaz. A comunicação oriunda da sede tende a apresentar caráter mais formal, normativo e padronizado, enquanto as frentes de obra operam em um contexto dinâmico, com demandas imediatas e especificidades operacionais. Esse cenário exige interpretações rápidas e, muitas vezes, adaptações das diretrizes recebidas, o que pode gerar ruídos, retrabalho ou dificultar a disseminação das orientações de compliance (Kunsch, 2016; Marchiori, 2010).

As lideranças intermediárias não apenas transmitem informações, mas também filtram, interpretam e priorizam conteúdos, podendo influenciar a forma como as mensagens são compreendidas e aplicadas pelas equipes. A comunicação organizacional envolve processos de mediação e construção de sentido (Kunsch, 2016). Quando bem preparadas e engajadas, essas lideranças favorecem maior alinhamento entre discurso e prática. Contudo, lacunas de entendimento ou sobrecarga operacional podem transformá-las em pontos de estrangulamento da comunicação, comprometendo a efetividade do programa (Manzi, 2008).

A partir das limitações identificadas na análise dos instrumentos de comunicação, especialmente a predominância de mecanismos formais, a ausência de acompanhamento da efetividade da comunicação e as fragilidades na atuação das lideranças intermediárias, foram estruturadas estratégias para aprimorar a comunicação organizacional. Tais estratégias visam fortalecer o alinhamento entre as diretrizes institucionais e as práticas operacionais, favorecendo o engajamento e a disseminação dos valores de integridade.

As estratégias propostas, conforme detalhado em

Desafio identificado

Estratégia

Comunicação formal e pouco adaptada

Tradução operacional das diretrizes

Falta de mensuração da efetividade

Implantação de indicadores

Ausência de feedback estruturado

Fortalecimento da comunicação bidirecional

Baixa padronização das lideranças

Capacitação das lideranças intermediárias

Ruídos entre sede e operação

Estruturação de rituais de comunicação

Baixa internalização dos valores

Comunicação contextualizada e aplicada

, buscam endereçar desafios como a comunicação formal e pouco adaptada, a falta de mensuração da efetividade, a ausência de feedback estruturado, a baixa padronização das lideranças, os ruídos entre sede e operação e a baixa internalização dos valores. Para cada desafio, foram propostas estratégias como a tradução operacional das diretrizes, implantação de indicadores, fortalecimento da comunicação bidirecional, capacitação das lideranças intermediárias, estruturação de rituais de comunicação e comunicação contextualizada e aplicada.

Caso implementadas, essas estratégias poderão contribuir para o fortalecimento do alinhamento entre as diretrizes institucionais e as práticas operacionais, favorecendo o aprimoramento da comunicação organizacional. Elas visam criar condições para maior engajamento e para o fortalecimento da disseminação dos valores de integridade no ambiente organizacional, em consonância com os pressupostos de Kunsch (2016) e Marchiori (2010) no âmbito da comunicação organizacional, e de Manzi (2008) no que se refere à efetividade dos programas de compliance.

Com base nos resultados obtidos, que evidenciaram limitações na mensuração da efetividade da comunicação, observa-se a relevância da adoção de indicadores de efetividade da comunicação de compliance (KPI). Essa abordagem está em consonância com a utilização de métricas como instrumentos de tradução da estratégia em ações mensuráveis (Kaplan; Norton, 1997), permitindo um acompanhamento mais objetivo do impacto das ações comunicacionais.

Nesse contexto, o Índice de Efetividade da Comunicação de Compliance (IECC) configura-se como uma alternativa para avaliação desse processo, voltado à mensuração do nível de compreensão e engajamento dos colaboradores em relação às diretrizes institucionais. Sua estrutura conceitual, apresentada em

Elemento

Proposta

Objetivo

Mensurar a efetividade da comunicação do programa de compliance e integridade, subsidiando a tomada de decisão e a melhoria contínua das ações de comunicação.

Método de cálculo

Média simples das variáveis avaliadas.

Fórmula

IECC = (V1 + V2 + V3 + V4 + V5) ÷ 5 correspondente à média aritmética simples das cinco variáveis que compõem o indicador.

Variável

Forma de obtenção

V1 – Compreensão dos comunicados

Pesquisa interna com os colaboradores, avaliando o grau de compreensão das comunicações institucionais.

V2 – Participação em treinamentos de compliance

Percentual de participação dos colaboradores nos treinamentos realizados no período.

V3 – Clareza e objetividade da comunicação

Pesquisa de percepção dos colaboradores quanto à clareza das informações recebidas.

V4 – Aplicabilidade das diretrizes

Pesquisa de percepção sobre a facilidade de aplicação das diretrizes de compliance nas atividades desenvolvidas.

V5 – Atuação da liderança na comunicação

Avaliação da percepção dos colaboradores quanto ao apoio e à comunicação realizada pelas lideranças.

Escala de avaliação

Cada variável avaliada em escala de 0 a 10 pontos.

Peso das variáveis

Igual para todas as variáveis, utilizando-se média simples.

Fonte dos dados

Pesquisas internas, registros de treinamentos, listas de presença e avaliações das ações de comunicação do programa.

Periodicidade

Apuração trimestral.

Responsável pela apuração

Área de Compliance.

Parâmetro para interpretação

9,0 a 10,0 – Excelente; 8,0 a 8,9 – Satisfatório; 7,0 a 7,9 – Aceitável; abaixo de 7,0 – Necessita ações de melhoria.

, contempla os principais elementos necessários para sua utilização como instrumento de monitoramento da comunicação do programa de compliance e integridade.

O objetivo do IECC é mensurar a efetividade da comunicação do programa de compliance e integridade, subsidiando a tomada de decisão e a melhoria contínua das ações de comunicação. O método de cálculo é a média simples de cinco variáveis avaliadas: compreensão dos comunicados (V1), participação em treinamentos (V2), clareza e objetividade da comunicação (V3), aplicabilidade das diretrizes (V4) e atuação da liderança na comunicação (V5), todas avaliadas em escala de 0 a 10 pontos.

A forma de obtenção das variáveis inclui pesquisa interna com colaboradores para V1, V3, V4 e V5, e percentual de participação em treinamentos para V2. As fontes de dados são pesquisas internas, registros de treinamentos, listas de presença e avaliações das ações de comunicação do programa. A apuração é trimestral, e a interpretação dos resultados varia de “Excelente” (9,0 a 10,0) a “Necessita ações de melhoria” (abaixo de 7,0), com a Área de Compliance como responsável pela apuração, conforme

Elemento

Proposta

Objetivo

Mensurar a efetividade da comunicação do programa de compliance e integridade, subsidiando a tomada de decisão e a melhoria contínua das ações de comunicação.

Método de cálculo

Média simples das variáveis avaliadas.

Fórmula

IECC = (V1 + V2 + V3 + V4 + V5) ÷ 5 correspondente à média aritmética simples das cinco variáveis que compõem o indicador.

Variável

Forma de obtenção

V1 – Compreensão dos comunicados

Pesquisa interna com os colaboradores, avaliando o grau de compreensão das comunicações institucionais.

V2 – Participação em treinamentos de compliance

Percentual de participação dos colaboradores nos treinamentos realizados no período.

V3 – Clareza e objetividade da comunicação

Pesquisa de percepção dos colaboradores quanto à clareza das informações recebidas.

V4 – Aplicabilidade das diretrizes

Pesquisa de percepção sobre a facilidade de aplicação das diretrizes de compliance nas atividades desenvolvidas.

V5 – Atuação da liderança na comunicação

Avaliação da percepção dos colaboradores quanto ao apoio e à comunicação realizada pelas lideranças.

Escala de avaliação

Cada variável avaliada em escala de 0 a 10 pontos.

Peso das variáveis

Igual para todas as variáveis, utilizando-se média simples.

Fonte dos dados

Pesquisas internas, registros de treinamentos, listas de presença e avaliações das ações de comunicação do programa.

Periodicidade

Apuração trimestral.

Responsável pela apuração

Área de Compliance.

Parâmetro para interpretação

9,0 a 10,0 – Excelente; 8,0 a 8,9 – Satisfatório; 7,0 a 7,9 – Aceitável; abaixo de 7,0 – Necessita ações de melhoria.

.

A estrutura proposta busca tornar o indicador passível de aplicação prática pelas organizações, permitindo o acompanhamento periódico da efetividade da comunicação do programa de compliance e integridade. Dessa forma, o IECC pode subsidiar a identificação de oportunidades de melhoria, apoiar a tomada de decisão e contribuir para o aperfeiçoamento contínuo das estratégias de comunicação, mantendo alinhamento com os objetivos propostos nesta pesquisa, que visam aprimorar a internalização de valores éticos.

Um plano de ação para aprimoramento da comunicação de compliance foi estruturado a partir das fragilidades identificadas, buscando promover melhorias práticas. As ações propostas, detalhadas em

Ação

Objetivo

Responsável

Desenvolver guias práticos por área

Facilitar a compreensão das diretrizes no contexto operacional

Compliance

Implementar o indicador IECC

Mensurar a efetividade da comunicação de compliance

Compliance

Capacitar lideranças intermediárias

Fortalecer a atuação como agentes de comunicação e compliance

RH e Compliance

Estruturar canais de feedback

Promover comunicação bidirecional e reduzir ruídos

Compliance e TI

Instituir rituais de comunicação

Melhorar o alinhamento entre sede e operação

Lideranças operacionais

Desenvolver campanhas com casos práticos

Aumentar engajamento e internalização dos valores

Compliance

, incluem desenvolver guias práticos por área para facilitar a compreensão das diretrizes, implementar o indicador IECC para mensurar a efetividade, capacitar lideranças intermediárias como agentes de comunicação e compliance, e estruturar canais de feedback para promover comunicação bidirecional e reduzir ruídos.

Outras ações do plano incluem instituir rituais de comunicação para melhorar o alinhamento entre sede e operação, e desenvolver campanhas com casos práticos para aumentar o engajamento e a internalização dos valores. Essas medidas, de forma integrada, visam fortalecer a clareza das diretrizes, ampliar o engajamento dos colaboradores e aprimorar o fluxo de comunicação, consolidando uma abordagem mais estratégica e mensurável da comunicação (Kunsch, 2016; Marchiori, 2010; Manzi, 2008).

A análise crítica dos resultados permitiu identificar que a organização possui estratégias de comunicação formais relacionadas ao programa de compliance e integridade, evidenciando a existência de mecanismos institucionais voltados ao fortalecimento das orientações de ética e integridade. Aspectos positivos incluem documentos normativos estruturados, treinamentos, ações de conscientização, reuniões periódicas do comitê de compliance e comunicados internos, que demonstram aderência aos pressupostos de Kunsch (2016) e Marchiori (2010).

Contudo, a comunicação analisada apresenta predominância de caráter formal e institucional, o que pode limitar sua efetividade na internalização dos valores e diretrizes no cotidiano organizacional, conforme discutido por Kunsch (2016) e Marchiori (2010). Embora haja diversidade de instrumentos de comunicação, os mecanismos voltados à mensuração de sua efetividade e à compreensão da percepção dos colaboradores ainda são incipientes, reforçando a necessidade de abordagens mais interativas e mensuráveis.

O papel das lideranças intermediárias é destacado como elemento crítico para a efetividade da comunicação, especialmente na interação entre a sede administrativa e as frentes de obra. Essas lideranças atuam como mediadoras na interpretação e aplicação das diretrizes institucionais, podendo tanto fortalecer quanto limitar o fluxo comunicacional, a depender de sua preparação e alinhamento com os valores organizacionais, conforme Manzi (2008).

O fluxo de comunicação entre a sede administrativa e as frentes de obra ocorre predominantemente de forma vertical e formal, por meio de documentos normativos, comunicados institucionais e treinamentos. Embora isso contribua para a padronização das diretrizes, tende a apresentar limitações no ambiente operacional, especialmente quando depende da interpretação e retransmissão pelas lideranças intermediárias, podendo gerar ruídos, distorções ou perda de efetividade na aplicação prática das orientações (Kunsch, 2016).

Dessa forma, a comunicação flui de maneira estruturada no nível institucional, mas pode sofrer travamentos no nível operacional, em razão da ausência de mecanismos mais interativos e da limitada mensuração de sua efetividade. Esses aspectos comprometem o engajamento e a internalização dos valores organizacionais (Marchiori, 2010), evidenciando a necessidade de maior alinhamento entre a sede administrativa e as frentes de obra por meio de processos comunicacionais mais integrados e participativos.

Os objetivos da pesquisa foram majoritariamente atendidos, ainda que parcialmente em alguns aspectos, conforme sintetizado em

Elemento analisado

Nível de atendimento

Síntese analítica

Direcionamento

Objetivo geral comunicação no compliance

Atendido parcialmente

Comunicação estruturada, porém concentrada em instrumentos formais

Fortalecer atuação da liderança e abordagem estratégica

Identificação dos instrumentos de comunicação

Atendido

Existência de diversos instrumentos formais

Integrar canais e mensurar efetividade

Análise das práticas de comunicação

Atendido parcialmente

Predominância de comunicação formal, sem avaliação de percepção

Incluir indicadores e pesquisas internas

Identificação de oportunidades de melhoria

Atendido

Lacunas na comunicação em contextos sensíveis e papel da liderança

Estruturar comunicação para cenários críticos

Problema da pesquisa

Respondido

Comunicação depende da liderança e da internalização cultural

Investir em comunicação integrada e cultura organizacional

. A comunicação foi identificada como estruturada, porém concentrada em instrumentos formais, com oportunidades de aprimoramento na atuação da liderança e na abordagem estratégica. A existência de diversos instrumentos formais foi confirmada, mas a predominância da comunicação formal e a ausência de avaliação da percepção dos colaboradores foram limitações.

As lacunas na comunicação em contextos sensíveis e o papel da liderança foram identificados como oportunidades de melhoria, indicando a necessidade de estruturar a comunicação para cenários críticos. O problema da pesquisa foi respondido, apontando que a comunicação depende da liderança e da internalização cultural. Os resultados refletem a análise dos documentos institucionais disponíveis, representando uma delimitação metodológica que sugere possibilidades para futuras pesquisas que contemplem a percepção dos colaboradores.

Em síntese, a pesquisa revelou que a organização possui instrumentos formais estruturados para a comunicação do compliance, contribuindo para a disseminação de diretrizes éticas. Contudo, a efetividade do programa não depende apenas da existência desses mecanismos, mas da forma como são comunicados e incorporados às práticas cotidianas, destacando-se o papel crucial das lideranças na tradução das diretrizes institucionais em comportamentos concretos e a necessidade de mensuração da efetividade da comunicação para aprimoramento contínuo.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a influência da comunicação corporativa na internalização de valores éticos e na efetividade do programa de compliance e integridade em uma organização do setor de engenharia. Verificou-se que a organização possuía um conjunto estruturado de instrumentos formais, como código de conduta, políticas e treinamentos, que contribuíam para a disseminação de diretrizes éticas. Contudo, observou-se que a efetividade do programa não dependia apenas da existência desses mecanismos, mas da forma como eram comunicados e incorporados às práticas cotidianas. Identificou-se que os instrumentos formais apresentavam impacto médio devido à ausência de avaliação de sua efetividade, enquanto os treinamentos e, principalmente, a atuação da liderança foram classificados como de alto impacto, apesar da baixa padronização na comunicação e da falta de mensuração de sua eficácia. O fluxo de comunicação entre a sede administrativa e as frentes de obra revelou-se predominantemente vertical e formal, o que, embora padronizasse as diretrizes, gerava limitações no ambiente operacional, especialmente na dependência da interpretação e retransmissão pelas lideranças intermediárias, podendo comprometer a internalização dos valores.

Como contribuição prática, propôs-se um Índice de Efetividade da Comunicação de Compliance (IECC) e um plano de ação detalhado, visando aprimorar a clareza das diretrizes, o engajamento dos colaboradores e o fluxo comunicacional, consolidando uma abordagem mais estratégica e mensurável. Entretanto, o estudo apresentou limitações metodológicas, pois foi desenvolvido como um estudo de caso único, com base exclusiva em análise documental e observação de práticas institucionais, sem a coleta de dados primários junto aos colaboradores. Essa delimitação restringe a compreensão da efetividade da comunicação sob a perspectiva dos públicos internos, especialmente no que se refere à percepção, ao engajamento e à internalização das diretrizes. Sugere-se, para estudos futuros, a realização de pesquisas que contemplem diferentes contextos organizacionais, a utilização de métodos complementares para captar a percepção dos colaboradores e a análise empírica da efetividade das práticas comunicacionais, a fim de ampliar a compreensão sobre os desafios da comunicação em programas de compliance e a consolidação de uma cultura de integridade.

Referências Bibliográficas

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CANDELORO, Ana Paula P.; RIZZO, Maria Balbina Martins; PINHO, Vinícius. Compliance: a excelência na prática. São Paulo: Trevisan Editora Universitária, 2012.

DINIZ, Gustavo Saad. Compliance: teoria e prática. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

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SCHULER, Maria Inês. Comunicação interna: fator de integração nas organizações. São Paulo: Atlas, 2004.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Compliance e ESG do MBA USP/Esalq

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Compliance E Esg

13 de outubro de 2026

Compliance Digital e Vieses Algorítmicos: Estudo de Caso sobre Governança Ética da IA Conversacional.

A crescente adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) conversacional em serviços financeiros ampliou ganhos de eficiência, mas introduziu riscos éticos relacionados a vieses algorítmicos e à opacidade dos processos decisórios automatizados. Investigou-se, a partir de um estudo de caso único, de que forma mecanismos de compliance digital podem identificar, prevenir e mitigar vieses algorítmicos em ferramentas de IA conversacional aplicadas à aquisição digital de produtos financeiros. Adotou-se abordagem qualitativa e natureza aplicada, fundamentada em análise documental de uma solução de IA utilizada por instituição financeira de atuação nacional. Confrontou-se a ferramenta com frameworks internacionais de governança ética, incluindo os princípios do Al4People, da OCDE, da UNESCO, do Conselho da Europa, do AI Act e da LGPD. Os resultados indicaram que, embora a ferramenta apresentasse rastreabilidade e supervisão humana parciais, persistiram lacunas significativas na formalização de controles de compliance voltados à mitigação de riscos algorítmicos. Essas lacunas incluíram a ausência de métricas de equidade, de políticas de auditoria algorítmica e de avaliações de impacto ético. Concluiu-se que a conformidade regulatória e os controles técnicos, isoladamente, não bastam para uma governança responsável, sendo necessário um modelo de compliance digital com avaliação contínua de risco algorítmico, accountability formalizada e governança ética institucionalizada para lidar com a complexidade desses sistemas.

Palavras-chave: Accountability corporativa; Auditoria algorítmica; Equidade em sistemas automatizados; LGPD; Proteção de dados pessoais.

Compliance E Esg

13 de outubro de 2026

Mecanismos de integridade na contratação de terceiros por organizações sociais da saúde

A expansão das organizações sociais da saúde no Brasil consolidou um modelo de gestão caracterizado pela descentralização da execução de serviços públicos e pela intensificação das contratações de terceiros. Neste contexto, analisou-se os mecanismos de integridade aplicados à contratação de empresas terceirizadas por organizações sociais da saúde, utilizando como objeto empírico duas entidades localizadas nos estados de Goiás e Santa Catarina. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, com método de estudo de caso múltiplo, fundamentada na análise documental de contratos de gestão, regulamentos internos, programas de integridade, códigos de ética, dados de portais de transparência e informações sobre contratações e aditivos contratuais. Os resultados evidenciaram que ambas as organizações possuíam instrumentos formais de compliance, como programas de integridade e normas de conduta. Contudo, apresentaram limitações relevantes na transparência das contratações de terceiros, na publicidade de contratos e na divulgação de resultados de auditorias e apurações internas, revelando um descompasso entre a estrutura formal e sua efetiva operacionalização. Concluiu-se que a efetividade das parcerias entre o Estado e as organizações sociais depende não apenas da existência formal de programas de integridade, mas da aplicação concreta de práticas de controle, fiscalização e transparência compatíveis com a gestão de recursos públicos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Palavras-chave: Compliance; Contratos de gestão; Organizações sociais da saúde; Programas de integridade; Serviços públicos.

Compliance E Esg

09 de outubro de 2026

Inventários Corporativos de Emissões de Gases de Efeito Estufa: Metodologias, Desafios e Boas Práticas

O presente estudo analisou os inventários corporativos de emissões de gases de efeito estufa (GEE) de empresas multinacionais do setor energético. O objetivo foi avaliar comparativamente os inventários da Petrobras e Eletrobras, no período de 2019 a 2023, com foco nas metodologias, desafios técnicos e institucionais, e boas práticas de mensuração, gestão e reporte. A pesquisa, de caráter descritivo-analítico e documental, examinou as abordagens adotadas para a definição de limites organizacionais, a contabilização dos escopos 1, 2 e 3, o uso de indicadores de intensidade de carbono e os mecanismos de governança climática corporativa. Os resultados indicaram a adoção generalizada de referenciais metodológicos internacionais consolidados, mas revelaram desafios persistentes relacionados à comparabilidade dos inventários, à qualidade dos dados, à variabilidade sistêmica do setor e à gestão de emissões indiretas. Observou-se convergência entre as empresas na institucionalização dos inventários como instrumentos de governança ambiental, com integração a processos decisórios, verificação independente e divulgação pública. Concluiu-se que a consolidação de boas práticas metodológicas e institucionais fortaleceu a transparência, a credibilidade e a utilidade estratégica dos inventários corporativos de GEE, contribuindo para o papel do setor energético na transição para uma economia de baixo carbono.

Palavras-chave: Gases de efeito estufa; Governança climática; Inventário de emissões; Setor energético; Sustentabilidade corporativa.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Educação e Implementação ESG na Cadeia de Pequenos e Médios Fornecedores da Indústria Automobilística e de Autopeças Brasileira

O Grupo Axion, atuante na produção de equipamentos e sistemas automotivos, recebeu a exigência de implementar práticas de gestão sustentável e ESG em sua cadeia de valor. Diante disso, o estudo teve como objetivo verificar a existência de instrumentos, no setor automobilístico e de autopeças brasileiro, passíveis de adesão pelo Grupo Axion para educação e implementação ESG em sua cadeia de valor, especialmente junto aos pequenos e médios fornecedores. Para tanto, a pesquisa foi dividida em duas partes. Primeiramente, exploraram-se os instrumentos de educação e implementação ESG presentes na cadeia de fornecimento do setor automobilístico e de autopeças brasileiros, por meio da análise de relatórios de sustentabilidade divulgados por empresas listadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) no período de 2015 a 2025. Em seguida, desenvolveu-se um Plano de Educação e Implementação ESG na Cadeia de Pequenos e Médios Fornecedores do Grupo Axion. Nos resultados, concluiu-se que, no setor automobilístico e de autopeças brasileiro, conquanto escassos em termos quantitativos, existem instrumentos de qualidade técnica passíveis de adesão. Ademais, estruturou-se o Plano de Educação e Implementação ESG em quatro etapas essenciais: estruturação, diagnóstico e engajamento, implementação e desenvolvimento, e monitoramento e consolidação, visando suprir a lacuna identificada na estratégia ESG da corporação.

Palavras-chave: Cadeia de Fornecimento; Educação ESG; Gestão Sustentável; Práticas ESG; Setor Automobilístico e de Autopeças.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Práticas ESG no setor alimentício: estratégias sustentáveis e impactos em um modelo de negócio brasileiro

O presente estudo analisou como a adoção de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) contribui para a consolidação de um modelo de negócio sustentável no setor alimentício brasileiro. A pesquisa foi conduzida como um estudo de caso qualitativo de uma empresa nacional de chocolates que implementou políticas voltadas à sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e governança corporativa. A coleta de dados baseou-se em análise documental, relatórios institucionais e entrevistas públicas com executivos, produtores e cofundadores da empresa, tratadas como fontes secundárias. Identificou-se que a empresa adotou o sistema cabruca para o cultivo de cacau, eliminou progressivamente o plástico das embalagens, participou de projetos de créditos de carbono e garantiu remuneração justa aos produtores, visando uma renda digna. Implementou também políticas anticorrupção, conformidade com a LGPD e rastreabilidade da cadeia de suprimentos. Os resultados indicaram impactos socioambientais positivos, como a preservação da biodiversidade e a melhoria da renda de produtores, além do fortalecimento da reputação corporativa. Contudo, a empresa ainda não alcançou lucratividade plena devido aos investimentos em sustentabilidade. Concluiu-se que a adoção de práticas ESG pode ser uma estratégia de diferenciação competitiva e um instrumento de transformação social, demonstrando a viabilidade de alinhar propósito e rentabilidade, embora exija investimentos significativos e condições favoráveis para sua escalabilidade.

Palavras-chave: Estudo de caso; Governança; Setor alimentício; Sustentabilidade corporativa.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Governança no contexto ESG: proposição de métrica para avaliação da divulgação de informações em relatórios integrados

A crescente relevância das práticas ESG no contexto corporativo ampliou a necessidade de transparência e prestação de contas nas divulgações organizacionais, especialmente na governança, evidenciando uma lacuna em instrumentos de avaliação sistemática e comparável. Diante disso, o estudo objetivou desenvolver e propor uma métrica de avaliação para o eixo de governança dos relatórios ESG, com foco nas práticas de divulgação de informações em empresas do setor de telecomunicações listadas na B3. A pesquisa, de natureza aplicada, adotou abordagem qualitativa, exploratória e descritiva. Realizou-se análise documental e de conteúdo em relatórios ESG de empresas do setor, elaborados conforme padrões GRI, SASB e IFRS Sustainability, a partir de indicadores previamente definidos e organizados em dimensões analíticas de governança. Os resultados revelaram diferentes níveis de maturidade informacional entre as empresas, com maior consolidação em indicadores de ética, integridade e gestão de riscos, mas fragilidades na divulgação de informações estruturais, como composição acionária e conflitos de interesses. Observou-se predominância de um nível intermediário de maturidade, com assimetrias na qualidade e consistência das informações divulgadas. A partir desses achados, propôs-se o Índice de Divulgação da Prestação de Contas (IDPC). Concluiu-se que o setor avançou na institucionalização da governança ESG, mas ainda carece de maior padronização e alinhamento às melhores práticas de transparência. O IDPC constitui um instrumento analítico sistematizado e replicável para avaliar a transparência, rastreabilidade e comparabilidade das informações socioinstitucionais.

Palavras-chave: Divulgação de Informações; ESG; Governança; Métrica de Avaliação; Transparência.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Técnicas de Entrevistas Investigativas como Ferramenta Eficaz na Coleta de Informações em Empresa do Setor Farmacêutico

As investigações corporativas desempenham um papel fundamental na eficácia dos programas de integridade empresarial, pois permitem a resposta a potenciais violações do Código de Conduta e legislações aplicáveis, além de subsidiar a adoção de medidas corretivas para desvios sistêmicos. Com o objetivo de diagnosticar a aderência a técnicas cientificamente validadas e eficazes de entrevistas investigativas, avaliou-se o conhecimento e as práticas de Investigadores de Compliance em uma multinacional do setor farmacêutico. A metodologia empregou uma entrevista com um gestor sênior e um questionário respondido pela totalidade da equipe de investigadores, cujos dados foram comparados à literatura especializada, que enfatiza o rapport como abordagem mais eficaz. Os resultados revelaram que, apesar da maturidade da estrutura de Compliance da organização, os profissionais demonstraram baixo domínio de técnicas formais de entrevista investigativa, predominando práticas intuitivas. Adicionalmente, identificou-se a percepção de investimentos insuficientes em capacitação e desenvolvimento. Concluiu-se que existe uma lacuna no conhecimento técnico formal e na capacitação, indicando um espaço para o aprimoramento que pode impactar diretamente a qualidade das investigações e a efetividade do programa de integridade.

Palavras-chave: Compliance; Investigações corporativas; Rapport.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Investimentos em Programas de Privacidade

O avanço do tratamento de dados pessoais em larga escala e a consolidação de marcos regulatórios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Regulamento Europeu de Proteção de Dados (RGPD), intensificaram a necessidade de estruturas organizacionais voltadas à proteção de dados. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo analisar os investimentos em programas de privacidade sob a perspectiva da gestão de riscos, considerando seus impactos operacionais, estratégicos e regulatórios. A pesquisa combinou revisão bibliográfica com estudo de caso aplicado a uma empresa global de grande porte do setor de tecnologia e a construção comparativa de matrizes de risco, a partir da análise de informações públicas sobre a implementação de seu programa de privacidade. Os investimentos realizados pela empresa contribuíram significativamente para a redução da probabilidade de ocorrência de riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais, além de promover avanços na governança, na maturidade organizacional e na incorporação da privacidade como elemento transversal às atividades empresariais. Assim, os programas de privacidade, quando sustentados por investimentos contínuos, ultrapassam a função de compliance regulatório e se estabelecem como instrumentos estratégicos capazes de gerar valor e fortalecer a confiança de stakeholders, ainda que persistam limites práticos na mitigação total de riscos inerentes ao ambiente tecnológico.

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Estratégia organizacional; Governança; Proteção de dados pessoais; Riscos.

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