Compliance E Esg
08 de outubro de 2026
Técnicas de Entrevistas Investigativas como Ferramenta Eficaz na Coleta de Informações em Empresa do Setor Farmacêutico
Técnicas de Entrevistas Investigativas como Ferramenta Eficaz na Coleta de Informações em Empresa do Setor Farmacêutico
Juliana Marquesi Federico; Daniel Bruno Vasconcelos
DOI: 10.22167/2675-6528-202603084
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
As investigações corporativas desempenham um papel fundamental na eficácia dos programas de integridade empresarial, pois permitem a resposta a potenciais violações do Código de Conduta e legislações aplicáveis, além de subsidiar a adoção de medidas corretivas para desvios sistêmicos. Com o objetivo de diagnosticar a aderência a técnicas cientificamente validadas e eficazes de entrevistas investigativas, avaliou-se o conhecimento e as práticas de Investigadores de Compliance em uma multinacional do setor farmacêutico. A metodologia empregou uma entrevista com um gestor sênior e um questionário respondido pela totalidade da equipe de investigadores, cujos dados foram comparados à literatura especializada, que enfatiza o rapport como abordagem mais eficaz. Os resultados revelaram que, apesar da maturidade da estrutura de Compliance da organização, os profissionais demonstraram baixo domínio de técnicas formais de entrevista investigativa, predominando práticas intuitivas. Adicionalmente, identificou-se a percepção de investimentos insuficientes em capacitação e desenvolvimento. Concluiu-se que existe uma lacuna no conhecimento técnico formal e na capacitação, indicando um espaço para o aprimoramento que pode impactar diretamente a qualidade das investigações e a efetividade do programa de integridade.
Palavras-chave: Compliance; Investigações corporativas; Rapport.
1. Introdução
Programas de integridade empresarial são cruciais para a governança corporativa e a manutenção de um ambiente ético nas organizações. No Brasil, o Decreto número 11.129 de 11 de julho de 2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção número 12.846 de 1 de agosto de 2013, estabelece que os objetivos desses programas devem contemplar a prevenção, a detecção e a resolução de possíveis irregularidades e atos ilícitos, além de fomentar e manter um ambiente baseado na integridade (Brasil, 2022).
Nesse contexto, as investigações corporativas internas emergem como um pilar fundamental para o cumprimento desses objetivos. Elas visam solucionar casos de possíveis desvios de conduta e violações de normas, identificar lacunas e oportunidades de melhoria em processos internos, e servir como fonte de dados para demonstrar questões sistêmicas que demandam ajustes. As entrevistas investigativas, em particular, são processos-chave, pois permitem a coleta de evidências, a identificação de testemunhas, a compreensão de contextos e percepções, e a obtenção de admissões e esclarecimentos a respeito de alegações de descumprimento de regras.
Durante uma entrevista investigativa, o entrevistado pode se encontrar em uma posição de vulnerabilidade devido ao desequilíbrio de poder inerente à relação com o investigador, que ocupa uma posição de autoridade (ATI, 2021). Essa vulnerabilidade pode resultar em impactos momentâneos emocionais, cognitivos e físicos, dificultando o entendimento das perguntas, o acesso às memórias e o desenvolvimento das ideias. Desse modo, uma abordagem não coercitiva é essencial para minimizar esses efeitos e garantir que o fluxo de informações seja facilitado. Nesse sentido, metodologias pautadas em “rapport”, que geram conexão e confiança, têm sido entendidas como a forma mais eficaz de estabelecer colaboração em entrevistas investigativas (Evans et al., 2013).
O “rapport” trata da criação de uma aliança de trabalho entre as pessoas presentes na conversa, onde o entrevistador é responsável por estabelecer um ambiente humanizado, de confiança, dignidade e respeito, promovido a partir da empatia, do interesse genuíno pelo entrevistado e da ausência de julgamentos (Cecconello e Stein, 2023). Essa abordagem visa coletar informações acuradas, completas e verificáveis, e reduz as chances de resistência, agressividade e propagação de mentiras (Alison e Alison, 2020). Em contraste, as abordagens autoritárias, frequentemente observadas em obras ficcionais e ensinadas no passado, são caracterizadas por um comportamento confrontativo, manipulador, com elementos de falsa empatia, podendo atingir níveis de constrangimento, intimidação e agressividade por parte do entrevistador (Cecconello e Stein, 2023; Brimbal et al., 2020). O principal exemplo dessa abordagem é a Reid Technique (Moscatelli, 2020), que tem o propósito de obter confissões a partir de ideias pré-concebidas (ATI, 2021).
Apesar da literatura especializada apontar a superioridade das abordagens pautadas em “rapport”, a prática em ambientes corporativos pode apresentar desafios. Mesmo em organizações com estruturas de Compliance maduras, o presente estudo identificou um baixo domínio de técnicas formais de entrevista investigativa entre os profissionais avaliados. Os resultados evidenciaram que o alinhamento com os princípios do “rapport” ocorre predominantemente de forma intuitiva, e não necessariamente fundamentada em conhecimento formal de metodologias cientificamente validadas. Adicionalmente, foi percebido que os investimentos em capacitação e desenvolvimento técnico externo são inferiores ao desejado, e o ambiente de trabalho é apontado como a principal fonte de aprendizado, o que pode dificultar a variação e a circulação de novas e importantes técnicas estudadas pela literatura especializada.
Diante da importância das investigações corporativas como pilar garantidor do funcionamento de um programa de integridade, e do avanço nos estudos de técnicas eficazes de condução de entrevistas investigativas, torna-se crucial realizar um diagnóstico da aderência das práticas atuais às metodologias validadas pela literatura. Assim, este estudo teve como objetivo realizar um diagnóstico da aderência de práticas validadas como eficazes pela literatura especializada, dada a importância das investigações corporativas como pilar garantidor do funcionamento de um programa de integridade, e o avanço nos estudos de técnicas eficazes de condução de entrevistas investigativas.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza diagnóstica, com abordagem metodológica mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos. O objetivo foi diagnosticar a aderência de práticas de entrevistas investigativas a metodologias validadas pela literatura especializada. Para tanto, realizou-se a coleta de dados primários por meio de entrevista e questionário, complementada por uma revisão bibliográfica abrangente.
A unidade de análise empírica consistiu nas práticas, conhecimentos e percepções da equipe de Investigações de Compliance de uma multinacional de grande porte, atuante no setor farmacêutico. A organização selecionada possui sede em um país europeu e operações em mais de 50 nações, com presença no Brasil há mais de 50 anos, em mais de 20 localidades e com mais de 4 mil funcionários.
A equipe de Investigações de Compliance no Brasil, composta por cinco investigadores, foi o foco da coleta de dados primários. Esses profissionais são responsáveis por casos de potenciais violações ao Código de Conduta e leis locais ocorridas no território brasileiro, reportando-se ao Diretor de Investigações de Compliance localizado na sede da empresa, garantindo a independência do processo.
A coleta de dados primários foi iniciada com uma entrevista semiestruturada conduzida com o Diretor da área de Compliance do Brasil. Esta entrevista ocorreu em 12 de janeiro de 2026, de forma remota, por meio da plataforma Google Meets, e teve duração de 40 minutos. O propósito foi obter informações sobre os fundamentos da área de Compliance, os processos investigativos, o comportamento esperado dos investigadores e as iniciativas de capacitação.
Posteriormente, aplicou-se um questionário online à totalidade dos cinco investigadores de Compliance no Brasil. O questionário foi disponibilizado por meio de um link via Google Forms, e as respostas foram coletadas remotamente entre 15 de janeiro de 2026 e 10 de fevereiro de 2026. O acesso ao instrumento foi intermediado pelo Diretor de Compliance da empresa.
O questionário foi elaborado com perguntas de natureza aberta, em escala Likert e de múltipla escolha, visando capturar dados qualitativos e quantitativos. As questões abordaram o comportamento dos investigadores durante as conversas com denunciantes, vítimas, testemunhas e denunciados, a forma como adquiriram conhecimentos sobre técnicas de entrevistas, o nível de conhecimento sobre técnicas formais e informais percebidas como eficazes, e a percepção sobre o investimento da organização em capacitação e desenvolvimento da equipe.
Adicionalmente à coleta de dados primários, realizou-se uma revisão bibliográfica sistemática. Esta etapa buscou aprofundar o entendimento sobre o uso de entrevistas investigativas não coercitivas, consideradas métodos eficazes para a obtenção de informações em processos investigativos. Foram consultados artigos publicados em revistas científicas, trabalhos acadêmicos e livros de autores renomados na área, tanto em âmbito nacional quanto internacional.
Para a análise dos dados, as respostas obtidas no questionário foram tabuladas, agrupadas e comparadas. Os dados coletados, tanto da entrevista quanto do questionário, foram então confrontados com os achados da revisão bibliográfica. Este procedimento permitiu identificar pontos de convergência e divergência entre as práticas observadas na empresa e as metodologias validadas pela literatura especializada.
3. Resultados e Discussão
A presente investigação teve como propósito diagnosticar a aderência de práticas de entrevistas investigativas, empregadas por profissionais de Compliance em uma multinacional farmacêutica, a metodologias cientificamente validadas. Os resultados obtidos, por meio de uma entrevista com um gestor sênior e um questionário aplicado à equipe de investigadores, revelaram um cenário complexo, onde a maturidade da estrutura de Compliance da organização contrasta com um domínio predominantemente intuitivo das técnicas de entrevista, com lacunas no conhecimento formal e na capacitação externa. A análise dos dados empíricos, confrontada com a literatura especializada, permitiu identificar os pontos de convergência e divergência entre a teoria e a prática, oferecendo um panorama detalhado das abordagens atuais e das oportunidades de aprimoramento.
A estrutura de Compliance da empresa, objeto de estudo, demonstrou ser robusta e independente, com uma equipe de cinco investigadores no Brasil, além de colegas na Polônia e nas Filipinas, todos reportando a um Diretor de Investigações de Compliance na sede europeia. Essa estrutura assegura a autonomia do processo investigativo, um pilar fundamental para a credibilidade e eficácia do programa de integridade, conforme preconizado pelas melhores práticas de governança corporativa. O Diretor de Compliance do Brasil enfatizou que a Política Global de Incidentes de Compliance exige a oitiva do denunciado em praticamente 100% dos casos, além de denunciantes, testemunhas e vítimas, sublinhando a centralidade das entrevistas na coleta de informações e evidências.
No que tange ao incentivo à capacitação e à aplicação de abordagens pautadas em “rapport”, observou-se que, nos últimos cinco anos, não houve incentivo financeiro para treinamentos externos para a equipe de investigações como um todo. Embora a Diretoria local tenha disponibilizado convites para congressos de Compliance em 2024 e 2025, a iniciativa não se traduziu em um programa estruturado de desenvolvimento externo. Em contrapartida, a empresa promoveu um “Workshop” interno de Investigação de Compliance, com duração de três dias, que contou com a participação de todos os investigadores brasileiros e de outras regiões, sendo conduzido principalmente por membros da própria equipe ou de áreas correlatas, como Auditoria Interna e Recursos Humanos.
Os investigadores declararam que a principal fonte de conhecimento sobre técnicas de entrevista provém de treinamentos ministrados por colegas de trabalho e da experiência prática adquirida na condução e observação de entrevistas. Apenas dois dos cinco profissionais buscaram certificações na área (CPIIC, CFE, CFI) ou participaram de congressos, e somente um mencionou ter adquirido conhecimento por meio de instituições de ensino especializadas, pesquisas acadêmicas ou revistas científicas. Essa dependência do aprendizado interno e da experiência prática, embora valiosa, pode limitar a exposição a novas e importantes técnicas estudadas pela literatura especializada, como apontado por Russano et al. (2024).
A análise do perfil dos respondentes revelou que a equipe de investigadores no Brasil é predominantemente feminina, representando 80% do total, com uma distribuição etária variada. Em relação à experiência profissional, a maioria dos investigadores possui mais de quatro anos de atuação na área de entrevistas investigativas, com apenas um profissional indicando menos de quatro anos de experiência. Essa experiência acumulada sugere uma base prática sólida, que pode contribuir para a autoconfiança na condução das investigações, mas não necessariamente para o domínio de técnicas formais, como será detalhado a seguir.
Quando questionados sobre a autopercepção de segurança na condução das entrevistas, a totalidade dos respondentes (100%) afirmou conduzir as conversas com segurança e experiência adequada. Essa percepção de competência, embora positiva, deve ser analisada em conjunto com o baixo domínio de técnicas formais, indicando que a segurança pode estar mais atrelada à experiência prática e à intuição do que a um conhecimento técnico aprofundado. A principal forma de abordagem junto aos entrevistados, segundo 80% dos respondentes, é a criação de um ambiente pautado em confiança e conexão, o que se alinha aos princípios do “rapport”, enquanto 20% preferem uma abordagem direta e objetiva, e nenhum investigador indicou uma abordagem acusatória.
Apesar da preferência por abordagens que fomentam confiança, o nível de familiaridade com técnicas formais de condução de entrevistas revelou uma lacuna significativa. Ao analisar uma lista de técnicas como P.E.A.C.E., Scharff, Cognitive Interview (C.I.), Strategic Use of Evidence (S.U.E.), Motivational Interview (M.I.), entre outras, as opções “Nunca ouvi falar”, “Muito básico” e “Básico” somaram 45 respostas entre os cinco investigadores, enquanto “Intermediário” e “Avançado” totalizaram apenas 20 respostas. Isso demonstra um baixo nível de conhecimento formal das metodologias cientificamente validadas, que são essenciais para a eficácia das entrevistas investigativas, conforme discutido por Cecconello e Stein (2023).
A frequência de uso dessas técnicas formais também corrobora a falta de domínio. A opção “nunca” foi selecionada 35 vezes pelos respondentes, indicando que muitas das metodologias apresentadas são pouco ou nunca aplicadas na prática. É notável que nenhum investigador afirmou utilizar a Reid Technique, uma abordagem coercitiva que a literatura especializada, como Moscatelli (2020), aponta como ineficaz e propensa a gerar confissões falsas. Este achado sugere que, embora as abordagens autoritárias sejam evitadas, as alternativas baseadas em “rapport” também não são formalmente empregadas, o que pode comprometer a qualidade e a acurácia das informações coletadas (Catlin et al., 2024).
Em relação aos temas de maior domínio percebido, 80% dos respondentes indicaram ter bom domínio sobre “rapport”, enquanto outros temas como estruturação de perguntas, detecção de mentiras, identificação e manejo de emoções, e registro e documentação foram mencionados por 60% dos investigadores. Contudo, a análise dos temas de maior interesse para desenvolvimento futuro revelou uma contradição: nenhum investigador demonstrou querer aprender mais sobre “rapport”. Os temas de maior interesse foram estruturação de perguntas (80%) e detecção de mentiras (60%), indicando que, apesar de se considerarem proficientes em “rapport”, os profissionais buscam aprimoramento em outras áreas, talvez percebendo a necessidade de formalização de habilidades que atualmente são exercidas de forma intuitiva.
A percepção sobre o apoio organizacional para o desenvolvimento de competências também foi avaliada. O nível de satisfação com treinamentos internos ministrados por colegas mostrou-se elevado, com 60% dos respondentes satisfeitos e 20% muito satisfeitos, o que se alinha com a realização do “Workshop” interno mencionado pelo Diretor da área. Em contraste, a satisfação com os incentivos para treinamentos externos foi significativamente menor, com apenas 20% dos respondentes demonstrando algum nível de satisfação, e 20% indicando insatisfação ou a ausência de incentivos. Este resultado reforça a observação de que o desenvolvimento técnico é predominantemente interno, limitando a exposição a conhecimentos externos e especializados.
O ambiente de trabalho foi apontado por 40% dos respondentes como a principal fonte de aprendizado, e por outros 40% como um fator que contribui significativamente para o desenvolvimento técnico. Essa dependência do ambiente de trabalho para a aquisição de conhecimento, embora promova a troca de experiências entre colegas, pode dificultar a introdução de novas e importantes técnicas estudadas pela literatura especializada, que não são naturalmente disseminadas em um contexto de aprendizado exclusivamente interno. A falta de incentivo para capacitação externa pode, portanto, perpetuar práticas intuitivas em detrimento de abordagens formalmente validadas, como as baseadas em “rapport” (Alison e Alison, 2020).
Em perguntas abertas sobre o próprio comportamento durante as entrevistas, os investigadores utilizaram termos como “acolhimento”, “adaptação ao entrevistado”, “empatia”, “calma” e “confiança”, demonstrando uma correlação intuitiva com os princípios do “rapport” descritos na literatura. A visão dos entrevistadores sobre o objetivo das conversas também se alinhou à literatura, com todos os cinco respondentes mencionando a “coleta de informações” e dois deles destacando a “criação de um espaço de segurança psicológica”. Esses achados reforçam que, embora a intenção e a prática intuitiva se aproximem dos ideais do “rapport”, a falta de conhecimento formal das técnicas pode limitar a profundidade e a consistência dessa aplicação.
Em síntese, os resultados indicam que, apesar da maturidade da estrutura de Compliance da organização e da autopercepção de segurança dos investigadores, existe uma lacuna notável no conhecimento técnico formal e na capacitação em técnicas de entrevistas investigativas cientificamente validadas. A predominância de práticas intuitivas e a dependência do aprendizado interno, aliadas à percepção de investimentos insuficientes em capacitação externa, sugerem um espaço significativo para o aprimoramento. Este cenário pode impactar diretamente a qualidade das investigações e, consequentemente, a efetividade do programa de integridade, ao não otimizar a coleta de informações acuradas e completas, que é o objetivo central das entrevistas investigativas.
4. Conclusão
Este estudo teve como objetivo diagnosticar a aderência de práticas de entrevistas investigativas, empregadas por profissionais de Compliance em uma multinacional farmacêutica, a metodologias cientificamente validadas. Verificou-se que, apesar da estrutura de Compliance da organização ser madura e independente, os investigadores demonstraram um baixo domínio de técnicas formais de entrevista investigativa, com a predominância de práticas intuitivas. Observou-se que o alinhamento com os princípios do “rapport” ocorria de forma não fundamentada em conhecimento formal de metodologias validadas, e que os investimentos em capacitação e desenvolvimento técnico externo eram percebidos como insuficientes. A principal fonte de aprendizado para a equipe consistia em treinamentos internos e na experiência prática, o que limitava a exposição a novas e importantes técnicas estudadas pela literatura especializada. A contribuição deste trabalho reside em evidenciar uma lacuna crítica no conhecimento técnico formal e na capacitação dos investigadores, indicando um espaço para aprimoramento que pode impactar diretamente a qualidade das investigações e a efetividade do programa de integridade da empresa.
Contudo, as conclusões aqui apresentadas não devem ser generalizadas para todo o setor farmacêutico ou para o universo empresarial brasileiro. A pesquisa foi conduzida em uma única organização, com a participação de apenas cinco investigadores, e parte dos dados foi obtida por meio da autopercepção dos respondentes, o que pode introduzir vieses inerentes à avaliação subjetiva das próprias competências. Tais limitações sugerem cautela na interpretação dos resultados. Para estudos futuros, recomenda-se a replicação desta pesquisa em outras empresas do mesmo setor, visando comparações, e a realização de uma análise longitudinal na organização estudada para acompanhar o desenvolvimento das práticas ao longo do tempo.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Compliance e ESG do MBA USP/Esalq
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