Artigo

Engenharia De Software

30 de setembro de 2026

FinOps em TI: comparação entre ambientes on-premise e nuvem sob custo, governança e escalabilidade

Finops em Ti: Comparação entre Ambientes On-premise e Nuvem sob Custo, Governança e Escalabilidade

Bruno César de Souza Dela Val Assis; Everton Gomede

DOI: 10.22167/2675-6528-202602742

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A crescente adoção da computação em nuvem transformou a gestão de recursos de tecnologia da informação nas organizações, introduzindo desafios de controle de custos e governança financeira. Nesse contexto, o FinOps emergiu como abordagem para integrar equipes técnicas, financeiras e de negócios, promovendo transparência e otimização contínua. O estudo avaliou comparativamente a aplicação do FinOps em ambientes on-premise e em nuvem, considerando custo, governança e escalabilidade, e o impacto do FinOps na eficiência econômica da computação em nuvem. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, exploratória e descritiva, baseada em simulação computacional de custos. Utilizaram-se dados médios de mercado para estruturar cenários controlados e comparáveis, analisando o impacto financeiro de diferentes modelos de infraestrutura ao longo de cinco anos. Os resultados indicaram que a simples adoção da nuvem não garantiu ganhos de eficiência econômica, com custos em ambientes sem governança financeira estruturada aproximando-se do modelo on-premise devido a desperdícios. Contudo, a incorporação de práticas FinOps demonstrou impacto significativo na otimização dos custos, reduzindo as despesas anuais e fortalecendo a governança. Concluiu-se que os benefícios de flexibilidade e escalabilidade da nuvem se materializam consistentemente apenas com práticas estruturadas de governança financeira. A escolha do modelo de infraestrutura deve considerar o perfil da carga de trabalho e a maturidade organizacional, priorizando a implementação de FinOps desde os estágios iniciais para garantir controle e otimização contínua.

Palavras-chave: Cloud computing; Computação em nuvem; FinOps; Gestão de custos; Governança em TI.

1. Introdução

A tecnologia da informação (TI) desempenha um papel estratégico nas organizações contemporâneas, sendo fundamental para a inovação, a eficiência operacional e a geração de vantagem competitiva. Tradicionalmente, as infraestruturas de TI foram estruturadas em ambientes on-premise, caracterizados pela aquisição e manutenção de ativos físicos próprios, como servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede. Com o avanço da computação em nuvem, observa-se uma mudança relevante nesse paradigma, impulsionada por características como elasticidade, escalabilidade e rapidez no provisionamento de recursos.

Esse novo modelo de computação permite maior flexibilidade no uso de recursos computacionais, reduzindo a necessidade de investimentos iniciais elevados e possibilitando maior adaptação às variações de demanda. A literatura indica que a nuvem oferece vantagens significativas em termos de escalabilidade e eficiência operacional, enquanto o modelo on-premise tende a apresentar maior controle sobre os recursos e maior previsibilidade de custos, especialmente em cenários com cargas de trabalho estáveis (Marston et al., 2011; Gartner, 2022). No entanto, a adoção da nuvem também introduz desafios relevantes, especialmente no que se refere à gestão financeira.

Diferentemente do modelo tradicional, baseado majoritariamente em despesas de capital (CAPEX), a computação em nuvem opera sob um modelo de despesas operacionais (OPEX), no qual os custos variam conforme o consumo. Nesse cenário, diversas organizações passaram a enfrentar dificuldades relacionadas ao controle de gastos, à previsibilidade orçamentária e ao alinhamento entre custos de TI e valor de negócio. Estudos indicam que ambientes em nuvem sem práticas estruturadas de governança podem apresentar níveis significativos de desperdício, decorrentes principalmente de instâncias ociosas, superdimensionamento e ausência de monitoramento contínuo (Flexera, 2023; FinOps Foundation, 2023).

Nesse contexto, surge o FinOps (Financial Operations), uma abordagem que integra equipes técnicas, financeiras e de negócios com o objetivo de promover maior transparência, responsabilidade compartilhada e otimização contínua dos custos em ambientes de cloud computing. O FinOps propõe uma mudança de paradigma na gestão financeira de TI, deslocando o foco de controles centralizados para uma governança orientada a dados e baseada no consumo em tempo quase real (FinOps Foundation, 2023; Stormont, Fuller e Fuller, 2021). A literatura recente destaca ainda que a maturidade na adoção de práticas de FinOps está diretamente relacionada à capacidade das organizações de alinhar custos de infraestrutura aos objetivos de negócio, evoluindo de estágios iniciais de controle para níveis mais avançados de otimização e governança (FinOps Foundation, 2024).

Além disso, a governança financeira em TI desempenha um papel fundamental na definição de mecanismos de controle e no alinhamento estratégico dos investimentos tecnológicos. De acordo com Weill e Ross (2004), a governança de TI é essencial para assegurar o uso eficiente dos recursos e sua orientação aos objetivos de negócio. Frameworks como o COBIT (ISACA, 2019) e o ITIL (Axelos, 2019) estabelecem diretrizes para o alinhamento entre tecnologia e gestão organizacional. No entanto, tais abordagens não contemplam plenamente os desafios dinâmicos da computação em nuvem, nos quais o consumo variável de recursos exige monitoramento contínuo e tomada de decisão baseada em dados. Nesse contexto, o FinOps emerge como uma prática complementar, voltada à governança financeira orientada ao consumo.

Apesar do avanço da literatura sobre gestão de custos em cloud computing e da consolidação do FinOps como prática de governança financeira, observa-se que parte relevante dos estudos se concentra na otimização de ambientes exclusivamente em nuvem. Ainda são limitadas as abordagens que realizam uma comparação estruturada entre ambientes on-premise e cloud computing sob múltiplas perspectivas, como custo, governança e escalabilidade, considerando um mesmo cenário analítico. Essa lacuna limita a compreensão sobre em quais contextos a adoção do FinOps gera maior valor e como sua aplicação impacta diferentes modelos de infraestrutura. Diante desse contexto, este trabalho busca responder à seguinte questão de pesquisa: em que medida a adoção de práticas de FinOps altera a eficiência econômica e a governança financeira quando comparada ao ambiente on-premise, considerando também aspectos de escalabilidade? Parte-se da hipótese de que a adoção de práticas de FinOps no ambiente de cloud computing é capaz de reduzir os custos operacionais em uma faixa estimada entre 20% e 35%, além de melhorar os níveis de governança financeira e capacidade de escalabilidade, quando comparado ao modelo on-premise e ao ambiente em nuvem sem governança estruturada. Por outro lado, na ausência dessas práticas, o ambiente em nuvem tende a apresentar ineficiências financeiras decorrentes do consumo descontrolado de recursos.

A relevância deste estudo reside em preencher essa lacuna, fornecendo subsídios para a tomada de decisão estratégica em organizações que avaliam a migração ou otimização de suas infraestruturas de TI. Assim, o objetivo deste estudo é avaliar comparativamente os modelos on-premise e em nuvem, considerando as dimensões de custo, governança e escalabilidade, por meio de uma simulação quantitativa baseada em parâmetros representativos de mercado.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. O objetivo foi realizar uma avaliação analítica e comparativa de custos entre ambientes on-premise e em cloud computing, com foco na aplicação de práticas de FinOps. A metodologia empregou uma simulação computacional, justificada pela capacidade de estruturar cenários controlados e comparáveis, permitindo a análise isolada das variáveis de custo associadas a diferentes modelos de infraestrutura de TI, em conformidade com estudos de custo total de propriedade (TCO).

O processo metodológico foi estruturado em um pipeline sequencial, abrangendo seis etapas principais. Inicialmente, realizou-se a definição do cenário e o estabelecimento das premissas que guiariam a simulação. Em seguida, procedeu-se à modelagem dos custos para os diferentes ambientes. As etapas subsequentes incluíram a simulação dos cenários propostos, a análise dos resultados obtidos e, por fim, uma análise de sensibilidade para verificar a robustez das conclusões.

A definição do cenário analisado baseou-se em parâmetros representativos de uma organização de médio porte. Considerou-se uma carga de trabalho composta por máquinas virtuais, armazenamento de dados e a operação contínua de sistemas corporativos críticos. Os valores e premissas utilizados na simulação foram estimados a partir de médias de mercado e benchmarks amplamente adotados na indústria de tecnologia, conforme relatórios técnicos e literatura especializada (GARTNER, 2022; BRASSCOM, 2022; IDC, 2021; UPTIME INSTITUTE, 2021; FINOPS FOUNDATION, 2023).

As variáveis consideradas na análise de custos incluíram a aquisição de hardware, depreciação de ativos, consumo de energia elétrica, espaço físico e refrigeração, manutenção de infraestrutura, mão de obra especializada, custos operacionais em nuvem e custos associados à escalabilidade. Para o ambiente em nuvem sem governança estruturada, adotou-se um percentual de desperdício de 25%, valor intermediário de uma faixa de 20% a 35% indicada pela literatura (FINOPS FOUNDATION, 2023; STORMONT; FULLER; FULLER, 2021).

Similarmente, a estimativa de redução de custos com a adoção de práticas de FinOps foi estabelecida em 30%. Este percentual representou um cenário de maturidade intermediária, baseado em evidências da literatura que apontam ganhos entre 20% e 35% (FINOPS FOUNDATION, 2023; FLEXERA, 2023). A escolha desses valores intermediários visou representar um cenário realista de maturidade organizacional intermediária, evitando extremos que pudessem comprometer a generalização dos resultados da simulação.

A modelagem dos custos foi diferenciada para os ambientes on-premise e em nuvem, considerando suas características operacionais e financeiras. No modelo on-premise, os custos foram estruturados em investimentos iniciais (CAPEX) e despesas operacionais recorrentes (OPEX). O CAPEX foi distribuído ao longo de um período de análise de cinco anos por meio de depreciação linear, alinhado às práticas contábeis de ativos de TI.

O cálculo do custo total anual para o ambiente on-premise seguiu a fórmula: Custo total anual = (CAPEX total / vida útil) + OPEX anual. Para o ambiente em nuvem, adotou-se o modelo de pagamento sob demanda, onde os custos variaram conforme o consumo de recursos. O custo total anual em nuvem foi calculado como: Custo total anual = custo mensal × 12.

Adicionalmente, foram incorporados ajustes para refletir o desperdício e a otimização. O custo com desperdício foi calculado como: Custo base × (1 + percentual de desperdício). Já o custo com a aplicação de FinOps foi determinado por: Custo com desperdício × (1 – percentual de redução). O detalhamento completo das fórmulas e premissas encontra-se nos apêndices do trabalho.

A simulação foi conduzida considerando um horizonte temporal de cinco anos, período alinhado às práticas de depreciação de ativos tecnológicos e avaliação de investimentos em infraestrutura de TI. Para o ambiente de cloud computing, simularam-se dois cenários distintos: um sem práticas estruturadas de governança financeira e outro com a adoção de FinOps, permitindo a avaliação do impacto direto dessas práticas na otimização dos custos.

A análise considerou três perspectivas de cenário: um cenário base com parâmetros médios de mercado, um cenário conservador com menor eficiência operacional e um cenário otimista com maior nível de otimização de recursos. Para fins de comparação direta, os resultados apresentados focaram no cenário base, garantindo consistência analítica. A memória de cálculo detalhada encontra-se nos apêndices do trabalho.

Os dados gerados pela simulação foram organizados e analisados por meio de estatística descritiva. Essa técnica permitiu a comparação entre os diferentes modelos de infraestrutura sob as perspectivas de custo, governança e escalabilidade. A apresentação dos resultados foi realizada de forma a facilitar a visualização das diferenças entre os cenários e o impacto da adoção de práticas de FinOps na eficiência econômica.

Com o objetivo de avaliar a robustez dos resultados, realizou-se uma análise de sensibilidade. Foram consideradas variações nos principais parâmetros da simulação, incluindo diferentes níveis de desperdício (15%, 25% e 35%) e diferentes níveis de redução de custos associados ao FinOps (20%, 30% e 35%).

Adicionalmente, a análise de sensibilidade incluiu a variação da carga de trabalho, representada pelo número de máquinas virtuais e volume de armazenamento. Essa abordagem permitiu verificar o comportamento dos resultados frente a mudanças nas premissas adotadas, reforçando a validade das conclusões em diferentes condições operacionais. Os cálculos detalhados da análise de sensibilidade estão disponíveis nos apêndices.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da simulação quantitativa, conduzida para comparar os modelos de infraestrutura on-premise e em nuvem sob as perspectivas de custo, governança e escalabilidade, revelaram insights importantes sobre a eficiência econômica e a gestão de recursos de TI. A análise demonstrou que a simples migração para a nuvem não garante, por si só, ganhos de eficiência, sendo a adoção de práticas de FinOps um fator determinante para a otimização de custos e o fortalecimento da governança financeira. Este estudo, portanto, oferece uma compreensão aprofundada sobre como diferentes abordagens de gestão impactam o desempenho financeiro e operacional da infraestrutura de tecnologia.

A pesquisa partiu da caracterização de um cenário hipotético representativo de uma organização de médio porte, com aproximadamente duzentos colaboradores. A carga de trabalho simulada incluiu cinquenta máquinas virtuais, vinte terabytes de armazenamento e a operação contínua de sistemas corporativos críticos, como ERP, bancos de dados e aplicações web. Essa configuração foi estabelecida com base em padrões de infraestrutura corporativa e relatórios de mercado, visando um cenário intermediário e comparável para a análise dos modelos (Gartner, 2022; IDC, 2021).

O horizonte de análise financeira foi definido em cinco anos, período alinhado às práticas de depreciação de ativos tecnológicos e à avaliação de investimentos em infraestrutura de TI, conforme estudos de custo total de propriedade (TCO). Para a simulação dos custos em nuvem, foram considerados percentuais de desperdício de 25% em cenários sem governança financeira estruturada e uma redução de custos de 30% com a adoção de práticas de FinOps. Esses valores intermediários foram escolhidos para representar um cenário realista de maturidade organizacional, evitando extremos que pudessem comprometer a generalização dos resultados.

Caracterização do cenário analisado

As premissas centrais que fundamentaram a construção do cenário simulado incluíram o perfil organizacional de duzentos colaboradores, a utilização de cinquenta máquinas virtuais e vinte terabytes de armazenamento, com operação contínua (24×7) para sistemas críticos. O horizonte de análise foi de cinco anos. Para o cenário em nuvem sem governança, estimou-se um desperdício de 25%, enquanto a adoção de FinOps resultou em uma redução de 30% nos custos. Esses parâmetros foram derivados de levantamentos em calculadoras públicas de nuvem, pesquisas de mercado e relatórios setoriais, como os da FinOps Foundation (2023) e Flexera (2023), garantindo a consistência metodológica e a aderência às práticas de mercado.

Custos no Modelo On-Premise

No modelo on-premise, os investimentos iniciais (CAPEX) foram estimados em R$ 1.100.000,00, abrangendo a aquisição de servidores, equipamentos de rede, armazenamento e licenciamento de software. Considerando a depreciação linear desses ativos ao longo de cinco anos, o CAPEX anualizado foi de R$ 220.000,00. As despesas operacionais recorrentes (OPEX) foram calculadas em R$ 500.000,00 por ano, incluindo custos com energia elétrica, refrigeração, manutenção de hardware, espaço físico e mão de obra especializada. Assim, o custo total anual estimado para o ambiente on-premise atingiu R$ 720.000,00.

Esse custo anual do modelo on-premise, embora previsível, reflete a rigidez inerente à capacidade instalada, que nem sempre se alinha de forma proporcional à demanda real. A estrutura de custos fixos e a necessidade de investimentos iniciais substanciais limitam a flexibilidade e a eficiência em cenários de variação de carga de trabalho, conforme apontado por Marston et al. (2011). A previsibilidade, portanto, é uma vantagem que pode ser comprometida pela falta de adaptabilidade a mudanças no ambiente de negócios.

Custos no Modelo em Nuvem

Para o ambiente em nuvem, os custos base foram estimados a partir do consumo de recursos no modelo de IaaS (Infrastructure as a Service), incluindo computação, armazenamento e tráfego de dados. O custo mensal projetado foi de R$ 45.000,00, totalizando R$ 540.000,00 anuais. No entanto, ao considerar um percentual médio de desperdício de 25% – decorrente de recursos ociosos, superdimensionamento e falta de governança, conforme indicado pela FinOps Foundation (2023) e Stormont, Fuller e Fuller (2021) – o custo anual efetivo do ambiente em nuvem sem FinOps atingiu R$ 675.000,00.

Esse valor de R$ 675.000,00 para o ambiente em nuvem sem governança estruturada é notavelmente próximo ao custo do modelo on-premise (R$ 720.000,00). Tal proximidade evidencia que a simples adoção da nuvem, sem um controle financeiro adequado, pode não gerar os ganhos de eficiência econômica esperados. A flexibilidade e a escalabilidade da nuvem, sem uma gestão ativa, podem facilmente levar a um consumo descontrolado e, consequentemente, a custos elevados, conforme destacado por relatórios da Flexera (2023).

Impacto da Adoção de FinOps na Nuvem

A incorporação de práticas de FinOps no ambiente em nuvem demonstrou um impacto significativo na otimização dos custos. Considerando uma redução conservadora de 30% nos custos, decorrente de ações como rightsizing, desligamento de recursos ociosos e uso de instâncias reservadas, o custo anual do ambiente em nuvem no cenário analisado passou a ser de R$ 472.500,00. Essa redução é calculada a partir do custo ajustado com desperdício (R$ 675.000,00), aplicando-se o percentual de otimização.

Esse resultado de R$ 472.500,00 anuais evidencia que os benefícios econômicos da computação em nuvem estão diretamente condicionados à adoção de práticas adequadas de governança financeira. O FinOps, ao promover maior transparência, previsibilidade orçamentária e alinhamento estratégico entre tecnologia e negócio, torna-se um fator determinante para a sustentabilidade e a eficiência do modelo de nuvem. Os ganhos não são automáticos, mas dependem de um ciclo contínuo de gestão e otimização, conforme a FinOps Foundation (2024).

Comparação Quantitativa Consolidada

A comparação dos custos anuais entre os modelos analisados revelou que o ambiente on-premise apresenta um custo de R$ 720.000,00. O modelo em nuvem sem a adoção de FinOps resultou em um custo de R$ 675.000,00, enquanto o ambiente em nuvem com FinOps alcançou um custo de R$ 472.500,00. Esses dados demonstram claramente a vantagem econômica do FinOps, que proporciona uma redução substancial em comparação com os outros dois cenários.

Ao analisar o custo acumulado ao longo de um horizonte de cinco anos, observou-se que o modelo on-premise totalizou R$ 3.600.000,00. O ambiente em nuvem sem práticas estruturadas de governança apresentou um custo acumulado de R$ 3.375.000,00, valor ainda elevado e próximo ao modelo tradicional. Contudo, a adoção de FinOps no ambiente em nuvem resultou em um custo acumulado de R$ 2.362.500,00, evidenciando uma economia superior a R$ 1.000.000,00 em cinco anos. Essa diferença ressalta o impacto direto do FinOps na eficiência econômica da infraestrutura.

Análise sob as Perspectivas de Governança e Escalabilidade

A governança financeira foi avaliada com base em critérios como transparência dos custos, capacidade de rastreabilidade e frequência de monitoramento. No modelo on-premise, a governança tende a ser mais tradicional, com menor visibilidade em tempo real e maior rigidez na alocação de recursos. Em contrapartida, o modelo em nuvem, especialmente quando associado ao FinOps, oferece maior transparência e capacidade de monitoramento contínuo, permitindo ajustes rápidos e decisões mais alinhadas aos objetivos de negócio, conforme a visão da FinOps Foundation (2023).

Em relação à escalabilidade, o ambiente em nuvem apresenta vantagens significativas, possibilitando a expansão ou redução da infraestrutura de forma ágil e sem a necessidade de investimentos iniciais. O tempo de provisionamento é reduzido, e a capacidade de adaptação à demanda é elevada. Em contraste, o modelo on-premise depende de planejamento prévio e de novos investimentos para suportar o crescimento da demanda, caracterizando uma escalabilidade limitada e menos flexível.

Síntese Comparativa

A síntese comparativa entre os modelos revela que, em termos de custo, o modelo on-premise e a nuvem sem FinOps apresentam custos altos, enquanto a nuvem com FinOps demonstra um custo baixo. A previsibilidade orçamentária é alta no on-premise (se não houver expansão), baixa na nuvem sem FinOps e média na nuvem com FinOps. A escalabilidade é limitada no on-premise, mas alta em ambos os cenários de nuvem. Quanto à governança e otimização, o modelo on-premise é tradicional e restrito, a nuvem sem FinOps é baixa em ambos os critérios, e a nuvem com FinOps é alta, destacando a importância das práticas de gestão financeira para maximizar os benefícios da nuvem.

Análise Crítica dos Resultados

Os resultados obtidos indicam que a adoção da computação em nuvem, de forma isolada, não garante eficiência econômica. Observa-se que, na ausência de práticas estruturadas de governança, os custos podem se aproximar ou até superar aqueles do modelo on-premise. Esse comportamento é consistente com estudos da FinOps Foundation (2023) e do relatório State of the Cloud da Flexera (2023), que apontam níveis significativos de desperdício em ambientes sem controle financeiro estruturado.

A literatura converge com Stormont, Fuller e Fuller (2021), que destacam que a flexibilidade da nuvem, quando não acompanhada de mecanismos de governança, pode levar ao uso ineficiente de recursos, reduzindo os benefícios econômicos esperados. Dessa forma, a nuvem deixa de ser um modelo intrinsecamente mais eficiente e passa a depender diretamente da maturidade organizacional na gestão de custos. A eficiência econômica não está associada exclusivamente ao modelo tecnológico, mas ao perfil de uso da infraestrutura.

Por outro lado, o modelo on-premise ainda pode apresentar vantagens em cenários específicos. Organizações com cargas de trabalho estáveis e previsíveis tendem a se beneficiar da previsibilidade de custos, o que está alinhado com análises clássicas de TCO em infraestrutura de TI (Marston et al., 2011). Este resultado reforça a ideia de que a escolha do modelo de infraestrutura deve considerar o perfil da carga de trabalho e a maturidade organizacional.

A análise também evidencia que o impacto do FinOps é mais significativo em organizações que operam em ambientes dinâmicos, com múltiplas equipes e consumo descentralizado de recursos. Esse achado reforça a visão da FinOps Foundation (2023), que posiciona o FinOps como uma disciplina essencial para ambientes de cloud computing orientados ao consumo. Do ponto de vista gerencial, os resultados sugerem que decisões relacionadas à adoção da nuvem devem considerar não apenas aspectos tecnológicos, mas também a capacidade da organização de implementar governança financeira (McKinsey, 2021).

Nesse sentido, os achados deste estudo convergem com a literatura ao evidenciar que a eficiência econômica da nuvem está diretamente associada ao nível de maturidade na gestão financeira da organização. O FinOps não deve ser compreendido apenas como uma prática de redução de custos, mas como um modelo de governança orientado a dados e ao consumo, capaz de alinhar decisões técnicas e financeiras, promovendo maior transparência e responsabilidade compartilhada.

Análise de Sensibilidade

Com o objetivo de avaliar a robustez dos resultados, foi realizada uma análise de sensibilidade, considerando variações nos principais parâmetros da simulação. Foram analisados diferentes níveis de desperdício (15%, 25% e 35%), diferentes níveis de redução de custos associados ao FinOps (20%, 30% e 35%) e variações na carga de trabalho (número de máquinas virtuais e volume de armazenamento). Essa abordagem permitiu verificar o comportamento dos resultados frente a mudanças nas premissas adotadas, reduzindo a dependência de valores específicos e fortalecendo a generalização das conclusões.

Sensibilidade ao percentual de desperdício

A análise da sensibilidade ao percentual de desperdício no ambiente em nuvem, mantendo constante o nível de redução de custos com FinOps em 30%, demonstrou que o custo anual sem FinOps varia de R$ 621.000,00 (para 15% de desperdício) a R$ 729.000,00 (para 35% de desperdício). Em contraste, o custo anual com FinOps variou de R$ 434.700,00 a R$ 510.300,00, respectivamente. A economia anual gerada pela adoção de FinOps aumentou de R$ 186.300,00 para R$ 218.700,00 conforme o desperdício aumentava de 15% para 35%. Isso indica que o aumento do desperdício impacta diretamente os custos totais da nuvem, ampliando a diferença entre cenários com e sem governança, e que a adoção de FinOps mantém vantagem econômica mesmo em cenários com menor nível de desperdício.

Sensibilidade ao nível de otimização com FinOps

A variação dos custos considerando diferentes níveis de eficiência na adoção de práticas de FinOps, mantendo fixo o percentual de desperdício em 25%, revelou que o custo anual com FinOps diminui à medida que o estágio de maturidade avança. Com uma redução de 20% (estágio inicial), o custo anual foi de R$ 540.000,00. Para uma redução de 30% (estágio intermediário), o custo foi de R$ 472.500,00. No estágio avançado, com 35% de redução, o custo anual atingiu R$ 438.750,00. Esses resultados indicam que o nível de maturidade na implementação de FinOps exerce impacto significativo sobre os custos totais, com ganhos mais expressivos em cenários mais avançados de otimização.

Sensibilidade à variação da carga de trabalho

A análise da sensibilidade à variação da carga de trabalho, considerando diferentes volumes de máquinas virtuais e armazenamento, mantendo os parâmetros de 25% de desperdício e 30% de redução com FinOps, demonstrou que o crescimento da carga de trabalho impacta proporcionalmente os custos no ambiente em nuvem. Para um cenário reduzido (30 VMs / 10 TB), o custo anual com FinOps foi de R$ 294.000,00. No cenário base (50 VMs / 20 TB), o custo foi de R$ 472.500,00. Já em um cenário de expansão (80 VMs / 30 TB), o custo anual com FinOps atingiu R$ 724.500,00. A estrutura de custos da nuvem mantém um comportamento linear, permitindo maior previsibilidade e adaptação em comparação ao modelo on-premise, que exigiria novos investimentos em infraestrutura para suportar a expansão.

Síntese da análise de sensibilidade

De forma geral, os resultados da análise de sensibilidade indicam que, mesmo diante de variações nos parâmetros considerados, o modelo em nuvem com adoção de práticas de FinOps mantém vantagem econômica em relação aos cenários sem governança estruturada. Em cenários conservadores, a diferença de custo entre os modelos tende a diminuir, enquanto em cenários com maior nível de desperdício e maior capacidade de otimização, os ganhos proporcionados pelo FinOps tornam-se mais expressivos. Adicionalmente, a variação da carga de trabalho reforça a maior flexibilidade do modelo em nuvem, evidenciando sua capacidade de adaptação ao crescimento da demanda sem a necessidade de investimentos iniciais elevados. Dessa forma, a análise de sensibilidade reforça que as conclusões deste estudo não estão condicionadas a valores específicos adotados na simulação, mas sim à dinâmica estrutural dos modelos analisados, especialmente no que se refere à governança financeira e à capacidade de otimização contínua.

Em síntese, os achados deste estudo demonstram que a eficiência econômica da computação em nuvem não é inerente à tecnologia, mas sim um resultado direto da aplicação de práticas robustas de governança financeira, como o FinOps. A comparação entre os modelos on-premise, nuvem sem FinOps e nuvem com FinOps revelou que, embora a nuvem ofereça flexibilidade e escalabilidade superiores, esses benefícios se materializam em ganhos financeiros significativos apenas quando acompanhados de uma gestão ativa e contínua dos custos. Assim, a adoção do FinOps emerge como um diferencial estratégico para as organizações que buscam otimizar seus investimentos em TI e alinhar a tecnologia aos objetivos de negócio.

4. Conclusão

Este estudo teve como objetivo avaliar comparativamente os modelos de infraestrutura on-premise e em nuvem, considerando as dimensões de custo, governança e escalabilidade. Verificou-se que a simples adoção da computação em nuvem, sem práticas estruturadas de governança financeira, não garante ganhos de eficiência econômica, com os custos anuais aproximando-se significativamente daqueles do modelo on-premise devido a desperdícios. Contudo, a incorporação de práticas de FinOps demonstrou um impacto substancial na otimização dos custos, resultando em uma economia acumulada superior a R$ 1.000.000,00 em cinco anos no cenário simulado. Observou-se que, enquanto o ambiente on-premise oferece previsibilidade para cargas de trabalho estáveis, o modelo em nuvem, quando associado ao FinOps, proporciona maior flexibilidade, escalabilidade e transparência na gestão financeira, elementos essenciais para ambientes dinâmicos e orientados ao consumo. A eficiência econômica da nuvem, portanto, está diretamente condicionada à maturidade organizacional na gestão de seus recursos.

A principal contribuição deste trabalho reside em fornecer subsídios analíticos e gerenciais para a tomada de decisão estratégica sobre infraestrutura de TI, ao evidenciar que a viabilidade econômica da computação em nuvem se materializa consistentemente apenas com a implementação de práticas estruturadas de governança financeira, como o FinOps. Recomenda-se que as organizações priorizem a adoção do FinOps desde os estágios iniciais da migração para a nuvem, garantindo controle, visibilidade e otimização contínua dos custos. Como limitação, ressalta-se que o estudo se baseou em um cenário simulado com dados médios de mercado, não contemplando particularidades específicas de organizações reais, arquiteturas híbridas ou multicloud, nem custos indiretos de segurança e compliance. Para estudos futuros, sugere-se a realização de pesquisas empíricas com dados reais, a ampliação da análise para ambientes híbridos e multicloud, e a incorporação de variáveis de maturidade organizacional e aspectos regulatórios, visando aprimorar a generalização e robustez dos modelos de análise comparativa em cloud computing.

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STORMONT, J. R.; FULLER, M.; FULLER, T. Cloud FinOps: Collaborative, Real-Time Cloud Financial Management. Sebastopol: O’Reilly Media, 2021. Disponível em: https://www.oreilly.com/library/view/cloud-finops-2nd/9781492098263/. Acesso em: 10 fev. 2026.

UPTIME INSTITUTE. Global Data Center Survey 2021. New York: Uptime Institute Intelligence, 2021. Disponível em: https://uptimeinstitute.com/about-ui/press-releases/uptime-institute-11th-annual-global-data-center-survey. Acesso em: 01 mar. 2026.

WEILL, P.; ROSS, J. W. IT Governance: How Top Performers Manage IT Decision Rights for Superior Results. Boston: Harvard Business School Press, 2004. Disponível em: https://store.hbr.org/product/it-governance-how-top-performers-manage-it-decision-rights-for-superior-results/3533. Acesso em: 05 mar. 2026.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

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Engenharia De Software

09 de outubro de 2026

O papel da densidade de texto instrutivo na eficiência de uma aplicação web.

O desenvolvimento de aplicações web se conecta à experiência do usuário, e este trabalho investigou como o uso excessivo de textos instrutivos pode retardar a conclusão de tarefas e impactar a eficiência da aplicação. O objetivo foi identificar o impacto da densidade textual do conteúdo instrutivo na eficiência de uma aplicação web, utilizando como principal referência a terceira lei de usabilidade de Krug. A pesquisa, de caráter exploratório e delineamento experimental quantitativo, empregou um teste A/B em uma aplicação web responsiva, onde a única variável controlada foi a densidade textual (alta vs. baixa, definida pela contagem de palavras). Participaram 25 usuários, e os dados foram coletados via Datadog RUM, mensurando tempo de conclusão, erros de submissão e taxa de conversão. Os resultados revelaram que a variante com densidade textual reduzida (variante B) apresentou uma taxa de conversão superior (58,3% contra 33,3% da variante A) e um tempo médio de conclusão significativamente menor (1:38 minutos contra 4:58 minutos da variante A), representando um aumento de 67,12% na eficiência. O teste t de Welch (p=0,042) confirmou que a redução da densidade textual impactou a eficiência. Concluiu-se que a redução da densidade textual afeta a eficiência e a taxa de conversão, reforçando a importância de conteúdo objetivo e conciso. Contudo, a baixa densidade textual, por si só, não garantiu o pleno entendimento, sendo essencial a comunicação clara e objetiva das instruções, validando a relevância do UX Writing.

Palavras-chave: Eficiência; Experiência de usuário; Teste A/B; Texto Instrutivo; Usabilidade.

Engenharia De Software

09 de outubro de 2026

Implementação de sistemas de analytics em ambientes de automação na indústria de processos

A digitalização de plantas de processo depende de coleta e armazenamento estruturados de dados, sem os quais não há visibilidade da operação. Chama-se analytics industrial a cadeia que percorre esses dados desde a aquisição do sinal no instrumento de campo, passando pelo armazenamento ordenado no tempo, até a disponibilização para análise e para outros sistemas. Softwares industriais proprietários cobrem hoje essa cadeia, e os custos de licenciamento e manutenção restringem sua adoção. O estudo teve por objetivo arquitetar, implementar e validar um sistema dessa natureza, empregando técnicas correntes de desenvolvimento de software e componentes sem custo de licenciamento. O sistema, denominado Sistema de Aquisição e Tratamento de Informações de Processo (SATIP), foi estruturado em três camadas independentes, tendo como fonte de dados um simulador de reator farmacêutico que executou uma receita de oito etapas e gerou séries temporais com variação estocástica. O simulador foi escrito em Go, linguagem adotada por gerar binários autocontidos, adequados à execução em equipamentos de borda. O armazenamento utilizou o TimescaleDB e a disponibilização foi realizada por meio de uma interface REST com um painel web. O sistema processou cerca de 414 mil registros por execução, com tendência multivariável, registro de alarmes e correlação temporal entre instrumentos. A arquitetura mostrou-se reproduzível e sem custo de licenciamento, e a identificação da degradação exigiu apenas as leituras já armazenadas pelo sistema.

Palavras-chave: Arquitetura de software; Digitalização; Integração IT/OT; Manutenção preditiva; Séries temporais.

Engenharia De Software

09 de outubro de 2026

Utilização da voz em conjunto a grandes modelos de linguagem como ferramenta à acessibilidade digital

A fala é uma base essencial para a interação humana, e para pessoas com deficiência, pode representar a principal forma de comunicação com o ambiente externo. Diante da crescente influência tecnológica, a identificação de comandos de voz emergiu como uma estratégia promissora para a interação homem-máquina. O trabalho explorou como a voz, em conjunto com Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), pode ser utilizada de forma eficiente, natural e precisa. Para tal, empregaram-se diversos padrões de projetos e a linguagem Python, visando maior extensibilidade. Utilizou-se o Gemini como provedor de LLM, enviando o áudio diretamente e aproveitando sua capacidade de chamada de função para interagir com o dispositivo. Desenvolveu-se um sistema capaz de compreender a intenção do usuário e convertê-la em ações, cujo diferencial foi a capacidade de visão computacional baseada em capturas de tela e um sistema de malha para orientação da LLM. Os testes revelaram uma taxa de compreensão da intenção do usuário de 91,81% e uma taxa de sucesso na execução de 75,45% com o modelo “Flash-3” (top p 0,5 e top k 5). O sistema proposto validou a premissa de que a integração de LLMs a interfaces de voz aumenta a autonomia de usuários com deficiência motora, cumprindo o propósito de ser uma Tecnologia Assistiva moderna e eficaz. Contudo, foram levantadas questões sobre os custos da IA e a segurança dos dados do usuário, indicando a necessidade de aprimoramento.

Palavras-chave: Chamada de função; Interação homem-máquina; Reconhecimento de voz; Visão computacional.

Engenharia De Software

09 de outubro de 2026

ReasonGuard: Uma Plataforma de Auditoria de Raciocínio para Modelos de Linguagem Baseada em Decomposição Estruturada de Pensamento

Apresentou-se o ReasonGuard, uma plataforma de auditoria de raciocínio de Inteligência Artificial, desenvolvida como middleware de observabilidade entre aplicações cliente e modelos de linguagem de grande escala (LLMs). O trabalho teve como objetivo oferecer transparência e rastreabilidade para processos de tomada de decisão baseados em IA, abordando a lacuna na operacionalização de técnicas de raciocínio estruturado para fins de auditoria. O sistema interceptou, analisou e documentou interações com LLMs por meio de cinco módulos fundamentados nos paradigmas Chain-of-Thought (CoT), Tree-of-Thought (ToT) e Graph-of-Thought (GoT). Esses módulos capturaram trilhas de raciocínio, detectaram falhas lógicas estruturais, avaliaram a consistência de respostas e geraram relatórios de auditoria direcionados a diferentes perfis de stakeholders. A plataforma implementou-se com FastAPI (Python) no backend, React com TypeScript no frontend e PostgreSQL como banco de dados relacional, seguindo arquitetura modularizada com isolamento multitenancy por usuário. Os resultados demonstraram a viabilidade técnica da abordagem proposta, com todos os cinco módulos operacionais e integrados. Concluiu-se que o ReasonGuard contribui para a governança de IA ao instrumentalizar paradigmas de raciocínio estruturado como ferramentas de observabilidade e auditoria, preenchendo uma lacuna na literatura.

Palavras-chave: Auditoria de IA; Chain-of-Thought; Governança de IA; Modelos de Linguagem de Grande Escala; Transparência Algorítmica.

Engenharia De Software

09 de outubro de 2026

EngTT: software para motor de frete rodoviário baseado em custos operacionais e parâmetros ANTT

O transporte rodoviário representa a principal modalidade logística do Brasil, com a composição dos custos de frete regulada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Diante da ausência de uma metodologia estruturada para o cálculo de frete e da dependência de planilhas isoladas no setor, desenvolveu-se o software EngTT. O objetivo foi criar uma ferramenta de apoio à decisão que integrasse variáveis operacionais, calculasse o custo total por rota e comparasse os resultados com o piso mínimo da ANTT, identificando cenários de não conformidade e compressão de margem antes da precificação. A metodologia adotada foi aplicada, quantitativa e experimental, com construção incremental orientada ao conceito de Produto Mínimo Viável (MVP). O sistema foi estruturado em três modos de uso – Montar Rota Visual, Batch por planilha e Scrape de rotas – compartilhando um motor de cálculo desacoplado e parâmetros centralizados. Os resultados obtidos demonstraram que o software atendeu ao objetivo proposto, evidenciando variações de margem e conformidade regulatória entre as rotas analisadas. Observou-se que rotas de maior extensão, como Ribeirão Preto × Guarujá, apresentaram incremento de custo devido à necessidade de diárias adicionais do motorista, enquanto rotas mais curtas, como Cajamar × Guarujá, mostraram maior aderência ao piso regulatório da ANTT. Concluiu-se que a solução desenvolvida é aplicável ao setor de transporte rodoviário de cargas como ferramenta eficaz de precificação e gestão operacional.

Palavras-chave: ANTT; Carga conteinerizada; Engenharia de software; Frete rodoviário; Python.

Engenharia De Software

08 de outubro de 2026

Pipeline de dados para o monitoramento de ações considerando a metodologia fundamentalista

O cenário financeiro brasileiro enfrenta desafios como o endividamento familiar, a baixa literacia financeira e a descentralização de informações para análise de investimentos. Diante disso, o objetivo da pesquisa consistiu em desenvolver um pipeline de dados financeiros, fundamentado em boas práticas de Engenharia de Dados, para estruturar, processar e disponibilizar informações relevantes que apoiassem a tomada de decisão de investidores individuais na análise de ações. Implementou-se uma arquitetura medalhão, utilizando MinIO S3 para armazenamento em camadas bronze, silver e gold, com Delta Lake para governança de dados. Empregou-se Apache Spark para processamento distribuído, Prometheus para monitoramento e Power BI para visualização analítica. Os dados foram majoritariamente demonstrações financeiras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Construiu-se uma carteira teórica de investimentos com base nos princípios de Benjamin Graham (2017), aplicando filtros de seleção e validação de dados. Os resultados indicaram um retorno positivo de 32,88% para a carteira teórica, superando o índice Ibovespa (4,25%) no período de 2021 a 2024, embora inferior à taxa Selic (46,96%). Qualitativamente, o pipeline processou conjuntos de dados volumosos, com reduções significativas de redundâncias, como 99,27% na tabela BPA e 94,29% na DRE, após a aplicação de filtros. Evidenciaram-se ganhos em organização, rastreabilidade e qualidade dos dados, possibilitando análises financeiras estruturadas e mais robustas.

Palavras-chave: Arquitetura Medalhão; Engenharia de Dados; Investimentos; Pipeline de Dados.

Engenharia De Software

08 de outubro de 2026

Desempenho e Custo Total de Propriedade de Bancos de Dados em Nuvem e Infraestrutura Local

O presente estudo analisou o desempenho de operações de banco de dados em infraestruturas de nuvem e local, correlacionando o comportamento técnico com a projeção do Custo Total de Propriedade. A pesquisa caracterizou-se como um estudo quantitativo e experimental, no qual um sistema de testes submeteu instâncias isoladas de bancos de dados a cargas progressivas de execução, mensurando o impacto da latência de rede e do consumo computacional. Para a análise financeira, elaborou-se uma modelagem de investimentos e despesas operacionais diluídos em um ciclo de trinta e seis meses. Os resultados técnicos revelaram que o acúmulo da latência da internet causou severa degradação de tempo nas execuções em nuvem, apesar de a infraestrutura remota operar com alta ociosidade de processamento, registrando quase 98% de inatividade da CPU. Em contrapartida, o ambiente local obteve desempenho superior amparado pela comunicação de rede quase instantânea. No aspecto financeiro, a consolidação dos custos demonstrou um empate empírico entre o modelo de aquisição física e o de assinatura de serviço em um horizonte de três anos, mas o ambiente local mostrou-se mais vantajoso em um ciclo de sessenta meses. Concluiu-se que a degradação na nuvem não decorreu da capacidade computacional, mas da interação entre a latência de rota e o padrão de comunicação unitário da aplicação. A adoção da nuvem exige otimização profunda da arquitetura do sistema para minimizar a dependência de comunicação constante com o servidor remoto. Sem essa modernização, a infraestrutura local consolidou-se como a estratégia mais viável, garantindo alto desempenho, previsibilidade orçamentária e soberania dos dados.

Palavras-chave: Despesas operacionais (OPEX); Escalabilidade transacional; Latência de rede; Sistemas legados.

Engenharia De Software

08 de outubro de 2026

Integração assíncrona Slack-Jira via “middleware” de filas: comparação de soluções de “cloud computing”

A latência e a interoperabilidade entre sistemas corporativos distribuídos constituíram o problema investigado, motivado pelos custos e fragilidades das integrações manuais entre plataformas de colaboração e gestão de projetos. Desenvolveu-se e validou-se um “middleware” de integração assíncrona entre Slack e Jira, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta percebido pelo usuário e garantir a estabilidade do sistema sob carga. A metodologia consistiu na construção de uma arquitetura de software orientada a eventos em Python, utilizando os padrões “producer-consumer” e “adapter” para isolar a interface do usuário do processamento de “backend”. A solução evoluiu para uma arquitetura agnóstica de nuvem, baseada em funções “serverless”, e foi submetida a testes de estresse em ambientes local, de rede real e de produção em duas nuvens. A arquitetura reduziu o tempo de espera do usuário de uma estimativa síncrona de 2.000 milissegundos para uma média local de 8,96 milissegundos. Sob carga de 50 requisições simultâneas, ambos os provedores de nuvem mostraram-se viáveis: a Amazon Web Services registrou menor latência média na camada de recepção (951,35 ms) e o dobro da vazão, enquanto a Microsoft Azure executou o processamento em segundo plano com mediana de 113 ms. A aplicação de “optimistic UI” assegurou fluidez de uso, e o nivelamento de carga por filas dispensou o sobredimensionamento de infraestrutura. O “middleware” consolidou-se como um modelo de referência corporativa escalável, resiliente e protegido contra o aprisionamento tecnológico.

Palavras-chave: Arquitetura orientada a eventos; Desacoplamento temporal; Eficiência operacional; Gestão de serviços de tecnologia da informação; Interoperabilidade de sistemas.

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