Artigo

Engenharia De Software

09 de outubro de 2026

O papel da densidade de texto instrutivo na eficiência de uma aplicação web.

O Papel da Densidade de Texto Instrutivo na Eficiência de uma Aplicação Web.

Mariana da Silva Zangrossi; Daniele Aparecida Cicillini Pimenta

DOI: 10.22167/2675-6528-202601214

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O desenvolvimento de aplicações web se conecta à experiência do usuário, e este trabalho investigou como o uso excessivo de textos instrutivos pode retardar a conclusão de tarefas e impactar a eficiência da aplicação. O objetivo foi identificar o impacto da densidade textual do conteúdo instrutivo na eficiência de uma aplicação web, utilizando como principal referência a terceira lei de usabilidade de Krug. A pesquisa, de caráter exploratório e delineamento experimental quantitativo, empregou um teste A/B em uma aplicação web responsiva, onde a única variável controlada foi a densidade textual (alta vs. baixa, definida pela contagem de palavras). Participaram 25 usuários, e os dados foram coletados via Datadog RUM, mensurando tempo de conclusão, erros de submissão e taxa de conversão. Os resultados revelaram que a variante com densidade textual reduzida (variante B) apresentou uma taxa de conversão superior (58,3% contra 33,3% da variante A) e um tempo médio de conclusão significativamente menor (1:38 minutos contra 4:58 minutos da variante A), representando um aumento de 67,12% na eficiência. O teste t de Welch (p=0,042) confirmou que a redução da densidade textual impactou a eficiência. Concluiu-se que a redução da densidade textual afeta a eficiência e a taxa de conversão, reforçando a importância de conteúdo objetivo e conciso. Contudo, a baixa densidade textual, por si só, não garantiu o pleno entendimento, sendo essencial a comunicação clara e objetiva das instruções, validando a relevância do UX Writing.

Palavras-chave: Eficiência; Experiência de usuário; Teste A/B; Texto Instrutivo; Usabilidade.

1. Introdução

A evolução da internet, marcada pela transição da Web 1.0 para a Web 2.0, redefiniu a interação digital. Enquanto a Web 1.0 se caracterizava por um modelo estático e predominantemente informativo, a Web 2.0 introduziu a capacidade bidirecional, permitindo que as ações dos usuários alterassem e persistissem informações no lado do servidor. Este novo paradigma impulsionou o surgimento de plataformas de conteúdo gerado pelo usuário, como redes sociais e blogs, conforme observado por Nath et al. (2014).

Com a crescente abundância e complexidade das aplicações da Web 2.0, que resultaram em um aumento significativo da informação disponibilizada ao usuário (Laajalahti, 2023), o estudo da experiência do usuário, ou “user experience” (UX), em inglês, tornou-se um fator primordial para a sobrevivência e o sucesso dos produtos digitais. Uma experiência insatisfatória pode levar ao abandono do usuário antes mesmo da conclusão de uma tarefa, um risco que Garrett (2011) e Nielsen (2000a) já destacavam.

A UX, nesse contexto, abrange a forma como o usuário interage com um produto, indo além dos aspectos puramente funcionais ou estéticos (Garrett, 2011). Morville (2004) propõe que uma boa experiência de usuário é alcançada pela união de sete atributos inter-relacionados, que devem ser priorizados de acordo com as especificidades do produto. Embora a usabilidade seja um componente crucial, Morville (2004) enfatiza que ela não deve ser o único objetivo, posicionando a UX como um conceito mais abrangente.

Em sua essência, a usabilidade é definida como a capacidade de uma pessoa, independentemente de suas habilidades, de utilizar algo de modo a obter mais benefícios do que malefícios (Krug, 2014). Sob uma perspectiva técnica, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2002) estabelece na norma NBR 9241-11 que a usabilidade é a medida pela qual os usuários alcançam seus objetivos em um contexto de uso com eficácia, eficiência e satisfação. A eficiência, em particular, refere-se à quantidade de esforço necessária para completar uma tarefa de maneira assertiva. Nielsen (2012) complementa que uma experiência usável deve ser fácil, memorável e com baixa ocorrência de erros que não impeçam o uso.

A amplitude dos cenários em que a UX é abordada levou à especialização em subáreas. Algumas dessas vertentes se concentraram na web como uma funcionalidade, tratando o produto como uma ferramenta, enquanto outras se inclinaram para a web como informação, focando na maneira como o conteúdo é transmitido ao usuário. Essa ramificação reflete uma divergência na discussão sobre a resolução de problemas de UX (Garrett, 2011), com este estudo alinhando-se à perspectiva da informação.

A preocupação com a clareza e concisão da informação é um tema recorrente na literatura. As dez heurísticas de usabilidade de Nielsen (1994) orientam a criação de produtos usáveis, sugerindo que a comunicação da aplicação seja familiar e compreensível, contendo apenas informações relevantes, indispensáveis e objetivas, para evitar a distração do usuário. Krug (2014) reforça essa heurística, defendendo uma experiência autoexplicativa e a manutenção apenas das instruções estritamente necessárias.

O Design de Informação (DI) estuda o processo de comunicação de uma mensagem, seja ela visual ou informacional, para garantir que o usuário a compreenda com facilidade (Garrett, 2011). Os princípios funcionais de DI, elaborados por Pettersson (2010) e corroborados por Venancio e Silva (2025), alinham-se às diretrizes de usabilidade de Krug (2014) e Nielsen (1994), enfatizando a utilização de textos curtos, simples e com linguagem adaptada. Essa área se conecta diretamente à redação UX, ou “UX Writing”, que se especializa na criação de conteúdo que guia o usuário e contribui para o crescimento do negócio (Tham et al., 2024; Venancio e Silva, 2025). Um de seus focos é a produção de microcópia, que são palavras e frases concisas e curtas destinadas a instruir as ações do usuário, aprimorando a eficiência e satisfação da experiência (Yifrah, 2019).

Diante do desafio de desenvolver aplicações web complexas e, ao mesmo tempo, mantê-las usáveis, a importância de um conteúdo breve e assertivo para mitigar a desistência do usuário é inegável. Aliadas às heurísticas de Nielsen e aos princípios de Pettersson, que orientam o uso de textos concisos e informações estritamente indispensáveis, a terceira lei de usabilidade de Krug (2014) propõe a remoção de metade das palavras e a repetição desse processo até que o conteúdo restante seja imprescindível. Embora o “UX Writing” e a microcópia sejam ferramentas eficazes na otimização do fluxo de interação, torna-se fundamental compreender qual o impacto real dessa redução quantitativa na eficiência da experiência do usuário, uma lacuna que este estudo busca preencher.

Assim, esta pesquisa se justifica pela necessidade de aprofundar o entendimento sobre a relação entre a densidade textual e a eficiência em aplicações web. O objetivo deste estudo foi utilizar o teste A/B, uma variante dos testes de usabilidade, para identificar o impacto da densidade textual do conteúdo instrutivo na eficiência em uma aplicação web, utilizando como principal referência a terceira lei de usabilidade de Krug.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como exploratória e de delineamento metodológico experimental, conforme a classificação de Gil (2010). O estudo buscou investigar o impacto da densidade textual na eficiência de uma aplicação web, adotando uma abordagem quantitativa, segundo Creswell e Creswell (2021). Para tanto, empregou-se a estratégia de teste A/B, na qual o conteúdo textual foi a única variável controlada entre as variantes.

A unidade de análise consistiu em uma aplicação web responsiva, desenvolvida especificamente para este estudo, que simulava um sistema fictício de agendamento de doações de objetos. O objetivo foi criar um fluxo de interação simplificado, mas com regras de negócio que exigissem a atenção do usuário, fundamentado no conceito de custo de interação (Budiu, 2024).

A pesquisa contou com a participação de 25 usuários, selecionados por amostragem por conveniência. Os participantes acessaram a aplicação via dispositivos móveis ou computadores, garantindo um perfil amostral abrangente. A amostra de 20 usuários foi considerada estatisticamente significativa para métricas de usabilidade em pesquisas quantitativas (Nielsen, 2012b), e Faulkner (2003) reforçou que 20 participantes detectam 95% dos problemas de usabilidade.

Cada participante recebeu acesso a uma das duas variantes da aplicação de forma aleatória e balanceada. A variante A atuou como grupo de controle, apresentando alta densidade textual, enquanto a variante B constituiu o grupo experimental, com densidade textual reduzida. Um mecanismo de balanceamento foi implementado para redirecionar o usuário à variante com menor volume de tráfego, exceto em cenários de paridade absoluta.

A tarefa final atribuída aos participantes consistiu no agendamento de um par de calçado e um móvel, observando a data útil e o horário mais próximos, considerando a cidade e o tipo de residência informados. Para isso, foram estabelecidas oito regras de negócio específicas, que incluíam a necessidade de duas coletas (calçados e móveis), validação de CEP via API (ViaCEP e BrasilAPI), agendamento com antecedência mínima de três dias úteis para CEPs fora de São Paulo, horários específicos para casas (08:00 às 18:00) e apartamentos (10:00 às 16:00), e coletas em dias úteis e diferentes, nos dias e horários mais próximos disponíveis.

O desenvolvimento das interfaces da aplicação foi realizado com a ferramenta Bolt.new, que utiliza inteligência artificial para criar aplicações web a partir de comandos em linguagem natural. A hospedagem foi feita no Bolt Host, integrado à plataforma Bolt.new. Optou-se por um visual minimalista para focar a atenção nos elementos instrucionais, mitigando ruídos visuais.

O fluxo da aplicação foi estruturado em quatro etapas, cada uma com um caminho de Uniform Resource Locator (URL) específico, gerenciado pela biblioteca React Router. As etapas foram: Página inicial (`/`), Adição de objetos (`/donation/add_items`), Agendamento da doação (`/donation/schedule`) e Confirmação da doação (`/donation/finish`). A lógica de negócio da aplicação foi previamente mapeada utilizando a notação Business Process Model and Notation (BPMN) no software Bizagi Modeler, conforme detalhado no Apêndice A.

Para a implementação do balanceamento de usuários e persistência de dados, utilizou-se o Bolt Database, tecnologia nativa da plataforma Bolt.new, fundamentada em PostgreSQL. Duas tabelas foram criadas: `ab_test_metrics` para contadores de sessão por variante e `ab_test_assignments` para armazenar os identificadores únicos de sessão (`session_ids`) e suas respectivas versões atribuídas. A API `localStorage` do JavaScript foi empregada para manter o acesso do participante à mesma variante em sessões subsequentes, armazenando o `session_id` sob a chave `ab_test_session_id`. Os detalhes da implementação lógica encontram-se no Apêndice B.

A densidade textual foi definida com base na terceira lei de usabilidade de Krug (2014), que preconiza a redução do conteúdo ao essencial para diminuir o ruído e destacar informações cruciais para a conclusão da tarefa. A variante B teve sua carga textual reduzida em 51,4% em comparação à variante A. Além da redução quantitativa de palavras, o conteúdo da variante B incorporou princípios de microcópia, priorizando linguagem direta, termos do vocabulário cotidiano para uma escrita conversacional, sinalizações textuais simples para navegação e mensagens de erro focadas na resolução de problemas.

A coleta de dados das sessões dos participantes foi realizada por meio do Datadog Real User Monitoring (RUM). As métricas customizadas implementadas incluíram o tempo em milissegundos despendido para a conclusão do agendamento, mensurado a partir do acionamento do último botão do fluxo, e o rastreamento de erros de submissão. Os indicadores de maior relevância para a análise foram o volume de sessões por variante, o tempo médio de execução, a incidência de erros e a taxa de conversão. Para a organização e visualização desses indicadores, criou-se um painel no Datadog.

Em relação aos cuidados éticos, a privacidade dos participantes foi preservada por meio da anonimização dos dados de CEP, utilizando a configuração “defaultPrivacyLevel” no Datadog RUM. Adicionalmente, a funcionalidade de gravação de sessão, conhecida como “Session Replay”, foi desativada, uma vez que a captura visual das sessões não era necessária para os objetivos da pesquisa.

Para guiar a análise estatística, foram estabelecidas as seguintes hipóteses: a hipótese nula (H0) afirmava a inexistência de diferença estatisticamente significativa no tempo médio de conclusão da tarefa entre as variantes; a hipótese alternativa (H1) postulava que a redução da densidade textual, conforme a terceira lei de usabilidade de Krug (2014), resultaria em desempenho superior, manifestado pela redução do tempo até a tarefa final.

A análise estatística dos dados coletados utilizou o teste t de Welch, uma adaptação do teste t de Student para amostras independentes com variâncias desiguais (Sauro e Lewis, 2012). Para a obtenção do valor final do teste t de Welch, empregou-se a função TESTE.T do software Microsoft Excel, configurada com os tempos de conclusão das variantes A e B, um teste bicaudal e o tipo de teste apropriado. Adotou-se um nível de significância de 0,05 para a validação das hipóteses.

3. Resultados e Discussão

A investigação sobre o impacto da densidade textual em aplicações web revelou achados significativos, confirmando a influência do volume de conteúdo instrutivo na eficiência e na experiência do usuário. Após a disponibilização da aplicação e a participação de 25 usuários, os resultados foram analisados com o objetivo de comparar o desempenho das variantes A e B. A variante A, que serviu como grupo de controle, apresentou alta densidade textual, enquanto a variante B, o grupo experimental, teve sua densidade textual reduzida em 51,4% em comparação à variante A, conforme a metodologia. Essa redução foi baseada na terceira lei de usabilidade de Krug (2014), que preconiza a eliminação de palavras desnecessárias para otimizar a clareza e a concisão.

A análise das sessões de usuário demonstrou que, do total de 25 participantes, 12 foram expostos à variante A e 13 à variante B, indicando o funcionamento adequado do algoritmo de balanceamento. As sessões foram consideradas válidas apenas se o ponto de entrada do fluxo fosse a página inicial, garantindo a integridade da mensuração da eficiência. A distribuição dos usuários por tipo de dispositivo mostrou que 4 sessões da variante A e 8 da variante B ocorreram em dispositivos móveis, enquanto 8 sessões da variante A e 5 da variante B foram em desktops. Essa distribuição valida a aplicabilidade dos conceitos de usabilidade em diferentes contextos de acesso, reforçando a relevância da densidade textual para a eficiência em diversas plataformas.

A taxa de conversão, que mede a porcentagem de usuários que concluíram o objetivo final da tarefa, foi um indicador crucial para avaliar o impacto da densidade textual. Observou-se que a variante B obteve uma taxa de conversão superior, alcançando 58,3% de conclusão, em contraste com os 33,3% da variante A. Embora ambas as versões tenham experimentado uma diminuição na taxa de conversão entre as etapas de agendamento e confirmação, a variante com texto reduzido demonstrou uma capacidade significativamente maior de guiar os usuários até a finalização da tarefa. Este resultado sugere que a concisão do conteúdo instrutivo contribui para que mais usuários persistam e completem o fluxo proposto, alinhando-se às heurísticas de Nielsen (1994) sobre a comunicação objetiva.

Tempo de conclusão

O tempo médio de conclusão da tarefa foi uma das métricas mais impactantes, diretamente relacionada à eficiência da aplicação, conforme definido pela ABNT (2002). A variante B registrou um tempo médio de 1 minuto e 38 segundos para a conclusão do objetivo final, enquanto a variante A demandou, em média, 4 minutos e 58 segundos. Essa diferença representa um aumento notável de 67,12% na eficiência da variante B. Os tempos máximo e mínimo também corroboraram essa tendência, com a variante A apresentando 5 minutos e 43 segundos (máximo) e 3 minutos e 15 segundos (mínimo), e a variante B registrando 2 minutos e 4 segundos (máximo) e 1 minuto e 5 segundos (mínimo). Tais dados evidenciam que a redução da densidade textual impacta positivamente a velocidade com que os usuários conseguem navegar e finalizar as tarefas, resultando em uma experiência mais fluida e menos custosa em termos de esforço cognitivo (Budiu, 2024).

Erros de submissão de agendamento

Além do tempo e da taxa de conversão, a pesquisa também monitorou a incidência de erros de submissão de agendamento, que ocorriam quando as regras de negócio não eram atendidas. Curiosamente, a variante B, com menor densidade textual, apresentou um total de 103 erros, ligeiramente superior aos 96 erros registrados na variante A. No entanto, apesar do maior número de erros, a variante B manteve um tempo médio de conclusão inferior, conforme demonstrado anteriormente. Este paradoxo sugere que, embora os usuários da variante B pudessem cometer mais erros iniciais, as mensagens de erro e as instruções mais concisas e diretas permitiram uma recuperação mais rápida e eficaz, minimizando o impacto no tempo total da tarefa. Isso reforça a importância do UX Writing e da microcópia, que focam na clareza e na assertividade das mensagens, mesmo em cenários de erro (Yifrah, 2019).

A análise detalhada dos erros por regra de negócio revelou que as regras 3, 5 e 6 foram as que mais geraram pontos de fricção para ambas as variantes. A Regra 3, referente ao agendamento com pelo menos três dias úteis de antecedência para CEPs fora de São Paulo, registrou 28 erros na variante A e 22 na variante B. A Regra 5, que estabelece horários permitidos para apartamentos (10:00 às 16:00), teve 25 erros na variante A e 18 na variante B. Já a Regra 6, sobre coletas em dias úteis e diferentes, contabilizou 20 erros na variante A e 15 na variante B. A recorrência desses erros, independentemente da densidade textual, indica que a complexidade inerente a certas regras de negócio pode ser um fator significativo que compromete a eficiência do fluxo, exigindo uma comunicação excepcionalmente clara e objetiva para mitigar a confusão do usuário.

Aplicação do teste T de Welch

Para validar estatisticamente as hipóteses do estudo, aplicou-se o teste t de Welch, uma adaptação do teste t de Student adequada para amostras com variâncias desiguais (Sauro e Lewis, 2012). A hipótese nula (H0) postulava que não haveria diferença estatisticamente significativa no tempo médio de conclusão da tarefa entre as variantes, enquanto a hipótese alternativa (H1) afirmava que a redução da densidade textual resultaria em um desempenho superior, ou seja, menor tempo de conclusão. A análise foi realizada apenas com as sessões concluídas, totalizando 3 sessões para a variante A e 7 para a variante B, o que delimitou a amostra para a validação estatística em 10 participantes.

Os tempos em segundos para as sessões concluídas foram: 188,76, 310,91 e 325,51 para a variante A; e 122,44, 103,99, 73,34, 64,45, 71,94, 79,27 e 62,71 para a variante B. Com base nesses dados, calculou-se a média, o desvio padrão e a variância para cada grupo. A variante A apresentou uma média de 275,06 segundos, desvio padrão de 75,10 e variância de 5639,06. A variante B, por sua vez, registrou uma média de 82,59 segundos, desvio padrão de 22,29 e variância de 496,71. A razão entre os desvios padrão foi de aproximadamente 3,37, confirmando a necessidade de utilizar o teste de Welch devido à desproporcionalidade das variâncias.

A aplicação do teste t de Welch resultou em um valor de t de aproximadamente 4,35 e graus de liberdade (df) de cerca de 2,15. O p-valor obtido foi de 0,042. Considerando o nível de significância adotado de 0,05, o p-valor (0,042) foi inferior a este limite. Consequentemente, a hipótese nula (H0) foi rejeitada em favor da hipótese alternativa (H1). Isso comprova estatisticamente que a redução da densidade textual impactou de forma significativa a eficiência da aplicação, resultando em um tempo de conclusão da tarefa consideravelmente menor para os usuários expostos à variante com menos texto.

As implicações desses resultados são claras e corroboram as premissas de usabilidade estabelecidas por autores como Nielsen (1994) e Krug (2014). A alta densidade textual não apenas compromete a eficiência da aplicação, mas também afeta negativamente a taxa de conversão, levando a um maior abandono do fluxo por parte dos usuários. A pesquisa demonstra que a otimização do conteúdo instrutivo, por meio da redução quantitativa de palavras e da aplicação de princípios de microcópia e UX Writing, é fundamental para criar uma experiência de usuário mais eficaz e satisfatória. Contudo, a baixa densidade textual, por si só, não garante o pleno entendimento, sendo essencial que a comunicação das instruções seja clara, objetiva e autoexplicativa, mesmo em sua forma mais concisa.

4. Conclusão

O presente estudo buscou identificar o impacto da densidade textual do conteúdo instrutivo na eficiência de uma aplicação web, utilizando como referência a terceira lei de usabilidade de Krug. Verificou-se que a redução da densidade textual, implementada na variante B, resultou em um aumento significativo da eficiência, evidenciado por um tempo médio de conclusão da tarefa 67,12% menor em comparação à variante A. Adicionalmente, observou-se uma taxa de conversão superior na variante com texto reduzido, alcançando 58,3% contra 33,3% da variante de alta densidade. A aplicação do teste t de Welch confirmou estatisticamente que a diminuição da densidade textual impactou de forma significativa a eficiência da aplicação. Esses achados reforçam as diretrizes de usabilidade que preconizam a importância de um conteúdo objetivo e conciso, demonstrando que a otimização do conteúdo instrutivo, por meio da aplicação de princípios de microcópia e UX Writing, é fundamental para criar uma experiência de usuário mais eficaz e satisfatória.

Contudo, constatou-se que a baixa densidade textual, por si só, não garantiu o pleno entendimento do usuário, sendo essencial que a comunicação das instruções seja clara, objetiva e autoexplicativa, mesmo em sua forma mais concisa. A recorrência de erros em regras de negócio complexas, independentemente da densidade textual, indicou que a complexidade inerente a certas funcionalidades pode comprometer a eficiência do fluxo, exigindo uma comunicação excepcionalmente clara. Como sugestão para trabalhos futuros, propõe-se a aplicação da mesma metodologia em fluxos de maior complexidade e o teste com públicos mais especializados, a fim de investigar se a familiaridade técnica com o domínio da aplicação preserva a eficiência mesmo com alta densidade textual. Recomenda-se, ainda, explorar o conceito de densidade textual para além da contagem quantitativa de palavras, incorporando análises de complexidade léxica e o impacto da escolha de vocabulários técnicos ou rebuscados.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

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09 de outubro de 2026

EngTT: software para motor de frete rodoviário baseado em custos operacionais e parâmetros ANTT

O transporte rodoviário representa a principal modalidade logística do Brasil, com a composição dos custos de frete regulada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Diante da ausência de uma metodologia estruturada para o cálculo de frete e da dependência de planilhas isoladas no setor, desenvolveu-se o software EngTT. O objetivo foi criar uma ferramenta de apoio à decisão que integrasse variáveis operacionais, calculasse o custo total por rota e comparasse os resultados com o piso mínimo da ANTT, identificando cenários de não conformidade e compressão de margem antes da precificação. A metodologia adotada foi aplicada, quantitativa e experimental, com construção incremental orientada ao conceito de Produto Mínimo Viável (MVP). O sistema foi estruturado em três modos de uso – Montar Rota Visual, Batch por planilha e Scrape de rotas – compartilhando um motor de cálculo desacoplado e parâmetros centralizados. Os resultados obtidos demonstraram que o software atendeu ao objetivo proposto, evidenciando variações de margem e conformidade regulatória entre as rotas analisadas. Observou-se que rotas de maior extensão, como Ribeirão Preto × Guarujá, apresentaram incremento de custo devido à necessidade de diárias adicionais do motorista, enquanto rotas mais curtas, como Cajamar × Guarujá, mostraram maior aderência ao piso regulatório da ANTT. Concluiu-se que a solução desenvolvida é aplicável ao setor de transporte rodoviário de cargas como ferramenta eficaz de precificação e gestão operacional.

Palavras-chave: ANTT; Carga conteinerizada; Engenharia de software; Frete rodoviário; Python.

Engenharia De Software

08 de outubro de 2026

Pipeline de dados para o monitoramento de ações considerando a metodologia fundamentalista

O cenário financeiro brasileiro enfrenta desafios como o endividamento familiar, a baixa literacia financeira e a descentralização de informações para análise de investimentos. Diante disso, o objetivo da pesquisa consistiu em desenvolver um pipeline de dados financeiros, fundamentado em boas práticas de Engenharia de Dados, para estruturar, processar e disponibilizar informações relevantes que apoiassem a tomada de decisão de investidores individuais na análise de ações. Implementou-se uma arquitetura medalhão, utilizando MinIO S3 para armazenamento em camadas bronze, silver e gold, com Delta Lake para governança de dados. Empregou-se Apache Spark para processamento distribuído, Prometheus para monitoramento e Power BI para visualização analítica. Os dados foram majoritariamente demonstrações financeiras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Construiu-se uma carteira teórica de investimentos com base nos princípios de Benjamin Graham (2017), aplicando filtros de seleção e validação de dados. Os resultados indicaram um retorno positivo de 32,88% para a carteira teórica, superando o índice Ibovespa (4,25%) no período de 2021 a 2024, embora inferior à taxa Selic (46,96%). Qualitativamente, o pipeline processou conjuntos de dados volumosos, com reduções significativas de redundâncias, como 99,27% na tabela BPA e 94,29% na DRE, após a aplicação de filtros. Evidenciaram-se ganhos em organização, rastreabilidade e qualidade dos dados, possibilitando análises financeiras estruturadas e mais robustas.

Palavras-chave: Arquitetura Medalhão; Engenharia de Dados; Investimentos; Pipeline de Dados.

Engenharia De Software

08 de outubro de 2026

Desempenho e Custo Total de Propriedade de Bancos de Dados em Nuvem e Infraestrutura Local

O presente estudo analisou o desempenho de operações de banco de dados em infraestruturas de nuvem e local, correlacionando o comportamento técnico com a projeção do Custo Total de Propriedade. A pesquisa caracterizou-se como um estudo quantitativo e experimental, no qual um sistema de testes submeteu instâncias isoladas de bancos de dados a cargas progressivas de execução, mensurando o impacto da latência de rede e do consumo computacional. Para a análise financeira, elaborou-se uma modelagem de investimentos e despesas operacionais diluídos em um ciclo de trinta e seis meses. Os resultados técnicos revelaram que o acúmulo da latência da internet causou severa degradação de tempo nas execuções em nuvem, apesar de a infraestrutura remota operar com alta ociosidade de processamento, registrando quase 98% de inatividade da CPU. Em contrapartida, o ambiente local obteve desempenho superior amparado pela comunicação de rede quase instantânea. No aspecto financeiro, a consolidação dos custos demonstrou um empate empírico entre o modelo de aquisição física e o de assinatura de serviço em um horizonte de três anos, mas o ambiente local mostrou-se mais vantajoso em um ciclo de sessenta meses. Concluiu-se que a degradação na nuvem não decorreu da capacidade computacional, mas da interação entre a latência de rota e o padrão de comunicação unitário da aplicação. A adoção da nuvem exige otimização profunda da arquitetura do sistema para minimizar a dependência de comunicação constante com o servidor remoto. Sem essa modernização, a infraestrutura local consolidou-se como a estratégia mais viável, garantindo alto desempenho, previsibilidade orçamentária e soberania dos dados.

Palavras-chave: Despesas operacionais (OPEX); Escalabilidade transacional; Latência de rede; Sistemas legados.

Engenharia De Software

08 de outubro de 2026

Integração assíncrona Slack-Jira via “middleware” de filas: comparação de soluções de “cloud computing”

A latência e a interoperabilidade entre sistemas corporativos distribuídos constituíram o problema investigado, motivado pelos custos e fragilidades das integrações manuais entre plataformas de colaboração e gestão de projetos. Desenvolveu-se e validou-se um “middleware” de integração assíncrona entre Slack e Jira, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta percebido pelo usuário e garantir a estabilidade do sistema sob carga. A metodologia consistiu na construção de uma arquitetura de software orientada a eventos em Python, utilizando os padrões “producer-consumer” e “adapter” para isolar a interface do usuário do processamento de “backend”. A solução evoluiu para uma arquitetura agnóstica de nuvem, baseada em funções “serverless”, e foi submetida a testes de estresse em ambientes local, de rede real e de produção em duas nuvens. A arquitetura reduziu o tempo de espera do usuário de uma estimativa síncrona de 2.000 milissegundos para uma média local de 8,96 milissegundos. Sob carga de 50 requisições simultâneas, ambos os provedores de nuvem mostraram-se viáveis: a Amazon Web Services registrou menor latência média na camada de recepção (951,35 ms) e o dobro da vazão, enquanto a Microsoft Azure executou o processamento em segundo plano com mediana de 113 ms. A aplicação de “optimistic UI” assegurou fluidez de uso, e o nivelamento de carga por filas dispensou o sobredimensionamento de infraestrutura. O “middleware” consolidou-se como um modelo de referência corporativa escalável, resiliente e protegido contra o aprisionamento tecnológico.

Palavras-chave: Arquitetura orientada a eventos; Desacoplamento temporal; Eficiência operacional; Gestão de serviços de tecnologia da informação; Interoperabilidade de sistemas.

Engenharia De Software

05 de outubro de 2026

Usando IA generativa para escolha de banco de dados: Um framework orientado a requisitos para geração de Architecture Decision Records (ADRs)

O crescimento de aplicações intensivas em dados e a adoção da arquitetura de microsserviços ampliaram a necessidade da persistência poliglota, impondo uma alta carga cognitiva aos arquitetos de software na escolha e justificação de tecnologias de banco de dados. Este trabalho teve como objetivo propor e desenvolver um framework baseado em agentes de Inteligência Artificial (IA) para guiar a seleção tecnológica e gerar Architecture Decision Records (ADRs) fundamentadas. Empregou-se uma metodologia experimental e aplicada para construir uma base de conhecimento técnico. A técnica de Retrieval-Augmented Generation (RAG), juntamente com as bibliotecas LangChain e LangGraph, foi utilizada para orquestrar agentes e ancorar as respostas de um Large Language Model (LLM). O framework extraiu requisitos em linguagem natural, enriqueceu-os com RAG e os enviou ao LLM, que gerou ADRs para auxiliar na avaliação de trade-offs teóricos. Os resultados demonstraram que o agente com RAG reduziu respostas genéricas, aumentando o embasamento teórico e a rastreabilidade. A abordagem RAG comprovou sua eficácia frente a prompts convencionais (zero-shot), favorecendo a geração de ADRs com menor nível de alucinação e alto nível de rastreabilidade teórica. Concluiu-se que a ferramenta automatizada cumpriu a função de mapeamento de requisitos, resultando em documentos técnicos empiricamente embasados e auxiliando a governança e tomada de decisões em arquitetura de software.

Palavras-chave: Bancos de Dados; Inteligência Artificial; LangGraph; LLM; RAG.

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