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Neurociencia Y Aprendizaje En La Educación

05 de octubre de 2026

Inclusão de estudantes com transtornos de aprendizagem no Ensino Médio

Inclusão de Estudantes com Transtornos de Aprendizagem no Ensino Médio

Guilherme Bastos Daniel; Carolina Matteussi Lino

DOI: 10.22167/2675-6528-202602964

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A educação inclusiva no Ensino Médio consolidou-se como um desafio relevante para as instituições escolares, especialmente na articulação entre diretrizes normativas e práticas pedagógicas. Analisou-se as condições institucionais de implementação da educação inclusiva em uma escola particular de Ensino Médio, identificando potencialidades e fragilidades relacionadas à organização pedagógica, documental e avaliativa, e propôs-se encaminhamentos estratégicos para seu aprimoramento. Realizou-se uma pesquisa qualitativa de caráter documental, fundamentada na análise do Projeto Político-Pedagógico e de documentos institucionais sobre inclusão escolar. Utilizou-se a análise de conteúdo como referencial metodológico e a matriz SWOT como instrumento complementar. Os resultados indicaram a existência de práticas inclusivas em desenvolvimento, mas evidenciaram fragilidades na sistematização de diretrizes específicas para o Ensino Médio, na formação continuada docente, na organização das adaptações avaliativas e na estrutura de apoio pedagógico especializado. A análise também apontou oportunidades institucionais para fortalecer as práticas inclusivas por meio de ações formativas, reorganização documental e ampliação de estratégias pedagógicas baseadas na neuroeducação. Concluiu-se que a elaboração de um plano de ação estruturado foi fundamental para aproximar o diagnóstico institucional de propostas concretas de intervenção, visando ao fortalecimento da educação inclusiva no Ensino Médio.

Palavras-chave: Avaliação inclusiva; Formação docente; Matriz SWOT; Neuroeducação.

1. Introdução

A educação inclusiva no Brasil representa um processo histórico contínuo, caracterizado pela consolidação de políticas públicas que visam assegurar o direito à aprendizagem para todos os estudantes, independentemente de suas particularidades cognitivas, físicas ou emocionais. Esse compromisso é fundamentado em marcos legais significativos, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), que reconhece a educação especial como uma modalidade a ser preferencialmente ofertada no ensino regular, com o suporte especializado necessário (Brasil, 1996).

Posteriormente, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008) reforçou essa diretriz, garantindo acesso, participação e aprendizagem a estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) consolidou o paradigma da inclusão como um direito social, ancorado no modelo biopsicossocial da deficiência (Brasil, 2018; Souza e Lopes, 2023; Brito e Cunha, 2023).

Apesar dos avanços legislativos e acadêmicos, a efetividade da implementação dessas políticas ainda se configura como um desafio nas escolas brasileiras, tanto públicas quanto privadas. Essa problemática é particularmente acentuada no Ensino Médio, onde as taxas de matrícula de alunos com deficiência ou transtornos de aprendizagem permanecem reduzidas (Souza e Lopes, 2023). Observa-se uma contradição entre as diretrizes inclusivas e as condições reais das instituições de ensino, evidenciada pela precariedade de estruturas, ausência de materiais acessíveis e escassez de formação docente adequada (Brito e Cunha, 2023; Ferreira e Lima, 2023).

A dificuldade em reestruturar o currículo e as práticas avaliativas para garantir a acessibilidade pedagógica a todos os estudantes é um ponto crítico. Ferreira e Lima (2023) destacam que, embora a acessibilidade curricular represente um avanço, sua efetivação depende de professores que compreendam o currículo como flexível e aberto à diversidade. A insegurança pedagógica, muitas vezes associada à ausência de formação específica, é um sentimento recorrente entre docentes que lidam com alunos com transtornos de aprendizagem (Melo e Vargas, 2023; Almeida e Costa, 2023). A carência de capacitação e o despreparo para o uso de recursos inclusivos comprometem a eficácia das ações escolares, e a dificuldade em identificar necessidades específicas impede o desenvolvimento de estratégias adequadas de ensino e avaliação (Pereira e Oliveira, 2019).

Nesse contexto, a aproximação com o campo da neuroeducação emerge como um fator que pode qualificar a prática docente. A neuroeducação busca oferecer subsídios para compreender como o cérebro aprende e reage aos estímulos educacionais, promovendo uma abordagem mais empática e eficaz (Santos et al., 2023). Considerar o funcionamento cerebral distinto de cada aprendiz é fundamental para a construção de uma escola verdadeiramente inclusiva (Silva e Souza, 2019). A integração de princípios neurocientíficos na formação docente favorece o desenvolvimento de estratégias de ensino mais sensíveis às diferenças cognitivas, contribuindo para ambientes educacionais mais acolhedores e equitativos (Santos et al., 2023).

Dessa forma, é de suma importância analisar os desafios presentes no cotidiano escolar em relação à inclusão de estudantes com transtornos de aprendizagem no Ensino Médio. É fundamental revisitar o percurso das políticas públicas brasileiras, reconhecer as tensões entre teoria e prática e compreender os desafios enfrentados pelos docentes na efetivação da inclusão. Este trabalho, portanto, tem como objetivo analisar as fragilidades e os pontos fortes de uma escola privada no que se refere às estratégias de inclusão de estudantes com transtornos de aprendizagem, com foco no Ensino Médio, e a partir dessa análise, propor um plano de ação voltado, principalmente, aos docentes, com orientações sobre estratégias que poderão ser utilizados no ambiente escolar.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de natureza aplicada, com abordagem qualitativa. Conforme Gil (2017), o estudo de caso consiste na análise detalhada e aprofundada de uma unidade específica, como uma organização ou instituição, buscando compreender suas particularidades e o contexto em que se insere. A abordagem qualitativa, por sua vez, focou na interpretação dos fenômenos sociais, privilegiando os significados, percepções e práticas, sem a necessidade de mensuração numérica dos resultados, conforme preconizado por Marconi e Lakatos (2010).

O estudo foi realizado em um colégio particular localizado na zona sul do município de São Paulo/SP. Esta instituição oferece Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Contudo, o foco da investigação foi direcionado especificamente para o Ensino Médio, buscando analisar as estratégias de inclusão de estudantes com transtornos de aprendizagem nesse segmento educacional.

A estratégia de pesquisa adotada foi a análise documental. Para tanto, realizou-se a leitura crítica do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do colégio e de outros documentos institucionais que se relacionavam à inclusão escolar. O objetivo foi identificar as diretrizes e estratégias formais previstas pela escola, além de levantar informações sobre as adaptações pedagógicas adotadas para alunos do Ensino Médio com necessidades educacionais especiais.

Os procedimentos de coleta de dados iniciaram-se com a pré-análise, etapa em que o material disponibilizado foi organizado e sistematizado. Neste momento, diferenciou-se a relevância e a pertinência dos documentos para a pesquisa. Em seguida, realizou-se uma leitura flutuante dos documentos selecionados, o que permitiu a criação das primeiras impressões sobre o conteúdo encontrado, conforme a técnica de Bardin (2016).

Após a leitura flutuante, procedeu-se à escolha dos documentos que se constituíram em material relevante para a análise. Essa seleção visou garantir que os documentos fossem representativos das políticas e práticas institucionais relacionadas à inclusão de estudantes com transtornos de aprendizagem no Ensino Médio, alinhando-se ao objetivo central do estudo.

A técnica de análise dos dados empregada foi a análise de conteúdo, seguindo as orientações de Bardin (2016). Os dados obtidos foram organizados e interpretados de forma qualitativa, conforme as diretrizes de Gil (2017). A análise envolveu a identificação de padrões, recorrências e contradições entre o que estava previsto nos documentos e as práticas pedagógicas observadas.

Para aprofundar a análise, definiram-se algumas categorias de análise pertinentes à temática estudada. Essas categorias incluíram inclusão, avaliação, adaptação curricular, papel docente no ambiente escolar e papel da gestão escolar. A organização dos dados por essas categorias permitiu uma compreensão estruturada das fragilidades e potencialidades institucionais.

Como instrumento complementar, aplicou-se a matriz “Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats” (SWOT). Este instrumento possibilitou o diagnóstico estratégico das práticas inclusivas na instituição, identificando suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. A matriz SWOT foi utilizada para sintetizar os elementos documentais e as condições institucionais observadas.

A partir da análise estratégica realizada com a matriz SWOT, elaborou-se um plano de ação. Este plano foi concebido com propostas de melhoria voltadas ao aperfeiçoamento das estratégias de inclusão na instituição, especialmente para os docentes. A elaboração do plano de ação constituiu a etapa final da pesquisa, visando a proposição de encaminhamentos estratégicos.

3. Resultados e Discussão

A análise documental do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e de outros registros institucionais da escola permitiu a organização dos resultados em quatro categorias analíticas principais: diretrizes institucionais, práticas pedagógicas inclusivas, avaliação e adaptação curricular, e gestão e estrutura de apoio à inclusão. Essa estruturação possibilitou uma compreensão aprofundada da presença ou ausência de elementos relacionados à educação inclusiva e suas implicações na prática educativa, com foco particular no Ensino Médio. Os achados revelam um cenário complexo, com potencialidades em desenvolvimento e fragilidades que demandam intervenções estratégicas para o aprimoramento da inclusão escolar.

Diretrizes institucionais

A investigação do PPP revelou lacunas significativas na descrição de práticas inclusivas direcionadas à Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Observou-se a ausência de diretrizes específicas para o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e de orientações sistematizadas para o acompanhamento pedagógico de estudantes com necessidades educacionais específicas no Ensino Médio. Essa omissão documental contrasta com as metas institucionais declaradas no próprio PPP, que visam ao desenvolvimento integral do educando e à sua participação crítica e ativa na sociedade, evidenciando uma discrepância entre o plano normativo e a operacionalização das práticas inclusivas no cotidiano escolar.

Apesar das lacunas identificadas nos documentos, verificou-se um movimento institucional recente de sensibilização do corpo docente. No início do ano letivo de 2026, a escola promoveu uma formação continuada, conduzida por um especialista da área, que abordou os marcos históricos da Educação Especial e a evolução dos paradigmas de exclusão, segregação, integração e inclusão. Esse dado sugere que, embora as diretrizes não estejam plenamente incorporadas ao PPP, há iniciativas em curso para promover a conscientização e o desenvolvimento de práticas inclusivas, indicando um processo de consolidação que ainda requer formalização e sistematização.

Práticas pedagógicas inclusivas

No que concerne à organização pedagógica, a pesquisa identificou a existência de estratégias diferenciadas de atendimento aos estudantes, notadamente por meio da utilização do Material/Modelo Adaptado (M-AD). Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, foram identificados 25 estudantes que se beneficiaram desse recurso, enquanto no Ensino Médio, o número de discentes atendidos foi de oito. Essa diferença numérica aponta para uma maior consolidação das práticas inclusivas nos anos iniciais da educação básica, sugerindo um desafio na transição para o Ensino Médio.

Adicionalmente, foram observados outros dispositivos de apoio pedagógico em uso. O ledor automático foi utilizado por 11 estudantes nos Anos Finais e por um no Ensino Médio, enquanto a mediação pedagógica atendeu sete estudantes nos Anos Finais e um no Ensino Médio. O currículo flexibilizado foi aplicado a quatro estudantes nos Anos Finais, mas não houve registros dessa modalidade no Ensino Médio. Esses dados reforçam a percepção de que as práticas inclusivas estão mais desenvolvidas e sistematizadas nos Anos Finais, indicando uma transição ainda não plenamente estruturada e com menor abrangência no Ensino Médio.

Avaliação e adaptação curricular

Em relação à organização avaliativa, a escola possui um calendário geral unificado para os Anos Finais e o Ensino Médio, que estabelece prazos para a entrega de semanários e provas adaptadas. Além disso, existe um instrumento denominado “Mapa de avaliações”, cujo objetivo é orientar a elaboração de instrumentos avaliativos adaptados. Contudo, a análise documental revelou que o “Mapa de avaliações” específico para o Ensino Médio não foi localizado, estando disponível apenas para os Anos Finais, o que reforça a hipótese de uma menor sistematização das práticas inclusivas neste segmento educacional.

As adaptações avaliativas observadas concentram-se principalmente na reorganização da estrutura das provas, incluindo alterações no número de questões por disciplina, redistribuição dos níveis de dificuldade, utilização de atividades previamente trabalhadas ao longo do bimestre e ajustes na pontuação por item. Também foram identificadas flexibilizações no tempo de realização das provas e na sequência de aplicação, com a possibilidade de ampliação do tempo quando necessário. Essas adaptações, embora presentes, indicam uma abordagem mais focada na modificação da forma do instrumento do que na diversificação das estratégias avaliativas em si.

A operacionalização dessas adaptações no Ensino Fundamental é realizada por estagiários e monitores das respectivas séries, enquanto os estagiários e monitores especialistas são responsáveis pela produção de adaptações em disciplinas como História, Geografia, Português, Espanhol, Inglês, Biologia, Física e Química. A equipe inclusiva assume a elaboração das adaptações em Língua Portuguesa e Matemática. Esse arranjo, embora demonstre uma estrutura de apoio, revela uma forte dependência de profissionais em formação ou em funções de apoio, o que pode comprometer a continuidade e a sistematização das práticas inclusivas no longo prazo.

Gestão e estrutura de apoio à inclusão

A atribuição de responsabilidades relacionadas ao Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE) é predominantemente realizada pelos tutores e mediadores da equipe inclusiva, com o suporte de estagiários e monitores especialistas. Esses profissionais também colaboram na elaboração dos semanários das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, além de oferecerem acompanhamento pedagógico durante as aulas. Observa-se que os docentes mantêm autonomia para decidir a participação dos estudantes nas atividades propostas ou a necessidade de atendimento pedagógico fora da sala de aula, o que pode gerar inconsistências na aplicação das estratégias inclusivas.

A triangulação entre a análise documental, os relatos profissionais e a observação do planejamento pedagógico indicou avanços na organização de práticas para estudantes com transtornos de aprendizagem, especialmente nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Contudo, persiste a carência de profissionais especializados em funções de gestão e coordenação pedagógica voltadas especificamente à inclusão. Essa lacuna resulta na concentração de responsabilidades em orientadores educacionais, estagiários e monitores, configurando um modelo operacional fragmentado e dependente de iniciativas individuais, o que dificulta a sistematização institucional das práticas inclusivas e a garantia de um suporte contínuo e qualificado.

No Ensino Médio, a fragilidade documental e diretiva é mais acentuada. Um fator relevante identificado é a identificação tardia de transtornos de aprendizagem em estudantes provenientes de outras instituições, que frequentemente apresentam históricos escolares lacunares. Soma-se a isso a centralidade atribuída à preparação para exames vestibulares, o que contribui para a manutenção de instrumentos avaliativos com maior rigidez estrutural, elevado nível de complexidade e menor diversidade metodológica, dificultando a adaptação às necessidades específicas dos estudantes com transtornos de aprendizagem neste segmento.

A sistematização dos elementos analisados no PPP revelou padrões, lacunas e o nível de formalização das práticas inclusivas na instituição. No que se refere ao atendimento educacional especializado, o PPP não descreve uma seção específica sobre AEE, indicando uma fragilidade institucional na organização da inclusão, especialmente no Ensino Médio. Quanto à formação integral do educando, embora seja uma meta institucional, a ênfase no desenvolvimento integral e participação social do estudante contrasta com a ausência de diretrizes inclusivas operacionais. As práticas inclusivas docentes não são explicitadas, o que aponta para a dependência de iniciativas individuais e práticas não formalizadas para a adaptação pedagógica.

A avaliação adaptada é apenas parcialmente descrita, com a existência de um calendário adaptado e um mapa avaliativo restrito aos Anos Finais, evidenciando uma descontinuidade entre os segmentos da educação básica. O currículo flexibilizado não é descrito para o Ensino Médio, sendo sua presença limitada aos Anos Finais, o que sugere fragilidade na transição entre os segmentos. Por fim, a estrutura de apoio especializado, embora não descrita formalmente, conta com a atuação de mediadores, tutores e monitores, mas sua institucionalização documental é incipiente, o que pode comprometer a sustentabilidade e a abrangência dessas práticas.

Análise SWOT

A análise SWOT permitiu um diagnóstico estratégico das práticas inclusivas, identificando forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Entre as forças, destacam-se a existência de adaptações avaliativas por meio do Material/Modelo Adaptado (M-AD), a atuação de mediadores, tutores e monitores, a formação inicial docente recente sobre inclusão, a organização institucional de um calendário avaliativo adaptado, a presença de recursos como o ledor automático, uma estrutura inicial de apoio pedagógico inclusivo e o planejamento compartilhado com a equipe inclusiva. Esses elementos representam bases importantes para o desenvolvimento de uma educação mais inclusiva.

As fraquezas identificadas incluem a ausência de diretrizes inclusivas explícitas no PPP para o Ensino Médio, a fragilidade documental neste segmento, a dependência operacional de estagiários e monitores, a ausência de um “Mapa de avaliações” para o Ensino Médio, a inexistência de currículo flexibilizado no Ensino Médio, a falta de coordenação especializada em inclusão, a sobrecarga de orientadores e da equipe de apoio, e a predominância de avaliação tradicional com foco em vestibulares. Essas fragilidades indicam a necessidade de maior sistematização e profissionalização das práticas inclusivas, especialmente na etapa final da educação básica.

As oportunidades para o fortalecimento da educação inclusiva são diversas, como a Lei Brasileira de Inclusão, que garante o sistema educacional inclusivo, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Política Nacional de Educação Especial. A Declaração de Salamanca, que preconiza o currículo adaptado ao aluno, a ampliação da formação continuada docente (EaD e políticas públicas), a expansão das tecnologias assistivas, os avanços da neuroeducação aplicada à aprendizagem e a ampliação de redes de apoio externo para formação docente em práticas inclusivas também representam fatores externos favoráveis que podem ser explorados pela instituição.

Por outro lado, as ameaças incluem uma cultura escolar ainda centrada em avaliações tradicionais, a resistência institucional à mudança pedagógica, a formação inicial docente ainda insuficiente em inclusão, a identificação tardia de transtornos no Ensino Médio, o foco institucional em vestibulares de alta complexidade, a resistência familiar à obtenção de laudos e suporte especializado, e a limitação de produções acadêmicas sobre inclusão no Ensino Médio. Essas ameaças podem dificultar a implementação de práticas inclusivas e exigem uma abordagem estratégica para serem mitigadas.

A análise da política institucional e da prática pedagógica revelou que, embora o PPP da escola apresente metas relacionadas à formação integral do estudante e à sua participação social crítica, não foram identificados dispositivos organizacionais específicos voltados à educação inclusiva no Ensino Médio. Esse cenário dialoga com as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão, que estabelecem a necessidade de institucionalização do atendimento educacional especializado em todos os níveis de ensino, indicando que a consolidação da inclusão depende não apenas de princípios orientadores, mas também de mecanismos pedagógicos formalizados e bem definidos.

A formação docente insuficiente foi um ponto crítico identificado. Embora tenha ocorrido uma formação institucional recente sobre práticas inclusivas, os dados indicaram que a adaptação curricular ainda não se encontra plenamente incorporada à prática docente cotidiana. Essa configuração sugere a necessidade de fortalecimento da formação continuada, especialmente no Ensino Médio, uma etapa marcada por maior especialização disciplinar. A insuficiência de formação específica tende a produzir insegurança pedagógica no corpo docente, que frequentemente relata dificuldades em compreender as necessidades educacionais específicas dos estudantes público-alvo da educação inclusiva e em elaborar estratégias avaliativas diferenciadas, o que limita as práticas inclusivas em sala de aula e converge com as recomendações da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008), que enfatizam a formação docente como elemento estruturante para a efetivação do atendimento educacional especializado.

A avaliação tradicional predominante na escola atua como um limite à ampliação das práticas inclusivas. Observou-se que, apesar da existência de adaptações avaliativas sistematizadas, prevalece uma lógica de avaliação orientada por modelos seletivos, associados à preparação para exames vestibulares. A presença recorrente de avaliações estruturadas com base em questões adaptadas de vestibulares, como as provas objetivas extensas (semelhantes ao modelo da FUVEST, com aproximadamente 90 questões) e provas dissertativas com número reduzido de questões estruturadas em itens A e B, também inspiradas em exames externos, evidencia a centralidade de uma cultura avaliativa seletiva e classificatória. Essa baixa diversidade de instrumentos avaliativos limita a incorporação de estratégias formativas e processuais de avaliação da aprendizagem, tornando restrita a implementação de adaptações pedagógicas significativas para estudantes público-alvo da educação inclusiva, e contrasta com as orientações da Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), que destacam a necessidade de revisão das práticas avaliativas para a consolidação de sistemas educacionais inclusivos.

A literatura especializada ainda apresenta um volume menor de estudos direcionados à inclusão escolar no Ensino Médio em comparação a outras etapas da educação básica. Essa lacuna repercute diretamente na sistematização de práticas pedagógicas e avaliativas voltadas a esse segmento. Nesse contexto, a presente análise contribui para ampliar a compreensão das especificidades da inclusão escolar no Ensino Médio, articulando o diagnóstico institucional, a análise documental e o planejamento estratégico educacional como instrumentos de qualificação das práticas pedagógicas, preenchendo parte dessa lacuna acadêmica.

Neuroeducação como possibilidade de qualificação das práticas inclusivas

A aproximação entre os conhecimentos sobre o funcionamento cerebral e a prática educacional pode contribuir significativamente para que os docentes compreendam a aprendizagem como um processo dinâmico, influenciado por fatores como atenção, memória, motivação, autorregulação e funções executivas. Esses aspectos são particularmente relevantes diante da heterogeneidade dos estudantes, pois diferentes necessidades educacionais podem demandar formas distintas de organização das atividades, apresentação dos conteúdos e acompanhamento da aprendizagem. As discussões presentes nas formações em neurociência e educação também ressaltam que a aprendizagem envolve processos de neuroplasticidade, nos quais as experiências e os estímulos proporcionados pelo ambiente podem favorecer modificações nas conexões neurais (Silva e Souza, 2019).

Essa perspectiva pode contribuir para superar uma compreensão da inclusão restrita à adaptação dos instrumentos avaliativos. Embora a instituição já desenvolva recursos como provas adaptadas, mediação e ledor automático, os resultados indicaram a predominância de práticas avaliativas tradicionais e a necessidade de ampliar a diversidade metodológica. A neuroeducação pode oferecer subsídios para repensar a organização das situações de aprendizagem, considerando, por exemplo, a fragmentação de conteúdos, a retomada sistemática de conhecimentos, a utilização de diferentes estímulos e linguagens, o desenvolvimento da metacognição e a oferta de diferentes possibilidades para que o estudante demonstre o que aprendeu, promovendo uma prática pedagógica mais responsiva às características dos estudantes (Santos et al., 2023).

É fundamental ressaltar que a incorporação da neuroeducação não deve ser compreendida como substituta da educação especial ou como um conjunto de técnicas isoladas para solucionar dificuldades. Sua contribuição reside principalmente na possibilidade de ampliar o repertório dos profissionais e fundamentar decisões pedagógicas mais conscientes, articulando conhecimentos sobre aprendizagem às necessidades concretas observadas no cotidiano escolar. Dessa forma, a formação continuada em neuroeducação pode constituir uma oportunidade estratégica para enfrentar a fragilidade identificada na capacitação dos profissionais e reduzir a dependência de práticas construídas de maneira predominantemente individual ou artesanal, convergindo com os resultados da pesquisa que apontaram a formação de docentes, estagiários e monitores como uma das ações necessárias para o fortalecimento institucional das práticas inclusivas.

A neuroeducação pode ser compreendida como um eixo complementar às mudanças institucionais, curriculares e avaliativas propostas neste estudo. A análise demonstrou que a inclusão no Ensino Médio não depende apenas da existência de adaptações, mas da articulação entre diretrizes institucionais claras, formação profissional, flexibilização curricular, práticas avaliativas diversificadas e estrutura de apoio especializada. Nesse contexto, a apropriação crítica de conhecimentos sobre aprendizagem pode contribuir para transformar essas diretrizes em práticas pedagógicas mais intencionais, acessíveis e responsivas à diversidade dos estudantes. Assim, sua inserção no plano de ação proposto representa uma possibilidade de qualificar a atuação dos profissionais e fortalecer, de maneira articulada, as demais estratégias de inclusão identificadas ao longo da pesquisa.

Plano de ação

Com base nos elementos identificados na análise SWOT, foi elaborado um plano de ação estratégico, orientado pela necessidade de transformar as fragilidades institucionais em possibilidades de intervenção pedagógica e organizacional. Este plano busca estabelecer uma articulação entre o diagnóstico realizado e a proposição de encaminhamentos estratégicos para fortalecer as práticas de educação inclusiva no Ensino Médio. As propostas de ação foram detalhadas para abordar as fraquezas identificadas, com responsabilidades e prazos de implementação definidos.

Para a fraqueza da ausência de diretrizes inclusivas explícitas no PPP para o Ensino Médio, a proposta é a revisão e ampliação das diretrizes de educação inclusiva no PPP, com responsabilidade da coordenação pedagógica, direção escolar e equipe de inclusão, a ser implementada em médio prazo. A fragilidade documental no Ensino Médio será abordada pela elaboração e sistematização de documentação pedagógica específica para o segmento, sob a responsabilidade da coordenação pedagógica e equipe de orientação educacional, também em médio prazo. Essas ações visam a formalização e clareza das políticas institucionais.

A dependência operacional de estagiários e monitores será mitigada pela ampliação da formação continuada de docentes, estagiários e monitores, com foco em neuroeducação e práticas inclusivas. Essa ação, de curto a médio prazo, será coordenada pela coordenação pedagógica e especialistas convidados. A ausência de um “Mapa de avaliações” para o Ensino Médio será resolvida pela elaboração de mapas de avaliações por disciplina, com responsabilidade da coordenação pedagógica e docentes do Ensino Médio, em curto prazo. Essas medidas buscam qualificar o corpo docente e sistematizar os instrumentos avaliativos.

A inexistência de currículo flexibilizado no Ensino Médio será enfrentada pela implementação de estratégias de flexibilização curricular, com suporte de profissional especializado em inclusão, sob a responsabilidade da coordenação pedagógica, docentes e especialista em inclusão, em médio prazo. A falta de coordenação especializada em inclusão será abordada pela formação específica da coordenação pedagógica e/ou inserção de profissional especializado em educação inclusiva, a cargo da direção escolar, em médio a longo prazo. Essas ações visam aprimorar a estrutura pedagógica e o suporte especializado.

A sobrecarga de orientadores e equipe de apoio será tratada pela reorganização das atribuições da equipe pedagógica e ampliação do suporte institucional ao Ensino Médio, com responsabilidade da direção escolar e coordenação pedagógica, em médio prazo. Por fim, a predominância de avaliação tradicional, com foco em vestibulares, será combatida pela diversificação dos instrumentos avaliativos, com incorporação de estratégias formativas e inclusivas, a ser implementada pela coordenação pedagógica e docentes do Ensino Médio, em médio prazo. Essas propostas buscam uma distribuição mais equitativa das responsabilidades e uma abordagem avaliativa mais abrangente.

As oito ações propostas podem ser organizadas em três eixos principais para otimizar sua implementação. O primeiro eixo foca no fortalecimento dos instrumentos documentais do colégio, estabelecendo diretrizes mais precisas e objetivas para a coordenação pedagógica e o corpo docente. A consolidação de orientações institucionais, articuladas entre a fundamentação teórica e a prática pedagógica, contribuirá para o fortalecimento das ações inclusivas e para a construção de maior coerência institucional na organização dessas práticas, alinhando a escola às políticas nacionais de inclusão.

Nesse sentido, a revisão do PPP, com a ampliação das diretrizes voltadas à educação inclusiva e a participação dos diferentes atores envolvidos no ambiente escolar, é crucial. Paralelamente, a sistematização de documentação pedagógica específica para o Ensino Médio é de suma importância, considerando que, nessa etapa da educação básica, a atuação de docentes especialistas tende a favorecer a elaboração de planejamentos individualizados por disciplina, o que pode dificultar a construção de uma organização pedagógica integrada em relação às práticas inclusivas. A clareza documental é um passo fundamental para a efetivação da inclusão.

De forma articulada à atualização desses instrumentos institucionais, destaca-se a necessidade de reestruturação das práticas avaliativas no Ensino Médio. Esse processo envolve tanto a elaboração de mapas de avaliação específicos para estudantes em situação de inclusão, já existentes no Ensino Fundamental, quanto a ampliação das estratégias avaliativas para além de modelos predominantemente tradicionais, fortemente orientados pela preparação para exames vestibulares. A diversificação dos instrumentos avaliativos, com a incorporação de estratégias pedagógicas mais inclusivas, deve ultrapassar adaptações pontuais em provas objetivas ou dissertativas e favorecer processos mais amplos de acompanhamento da aprendizagem. Complementarmente, a implementação de estratégias de flexibilização curricular no Ensino Médio, com o acompanhamento de profissionais especializados em educação inclusiva, possibilitará a construção de percursos pedagógicos mais ajustados às necessidades específicas dos estudantes.

Outro eixo de intervenção refere-se ao fortalecimento da estrutura de apoio institucional à educação inclusiva, especialmente por meio da formação específica da coordenação pedagógica e da eventual inserção de profissionais especializados na área. Tais ações podem contribuir para a redução da sobrecarga atualmente atribuída aos orientadores educacionais, estagiários e monitores, favorecendo a reorganização das atribuições da equipe pedagógica e a sistematização das práticas inclusivas no contexto escolar. Dessa forma, espera-se ampliar a efetividade das ações anteriormente propostas, fortalecendo a presença institucional da educação inclusiva no Ensino Médio e qualificando o atendimento aos estudantes em situação de inclusão.

Em síntese, a pesquisa revelou que a escola possui práticas inclusivas em desenvolvimento, especialmente nos Anos Finais do Ensino Fundamental, mas enfrenta desafios significativos no Ensino Médio, como a fragilidade das diretrizes documentais, a insuficiência da formação docente continuada, a predominância de avaliações tradicionais e a carência de coordenação especializada em inclusão. Contudo, a análise também apontou oportunidades para o fortalecimento dessas práticas, como a integração da neuroeducação e a implementação de um plano de ação estruturado, visando aprimorar a organização pedagógica, documental e avaliativa, e assim, consolidar a educação inclusiva no Ensino Médio em consonância com o objetivo do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo analisou as condições institucionais de implementação da educação inclusiva em uma escola particular de Ensino Médio, com o intuito de identificar suas potencialidades e fragilidades. Verificou-se que a instituição possui práticas inclusivas em desenvolvimento, especialmente nos Anos Finais do Ensino Fundamental, evidenciadas pela utilização de recursos como o Material/Modelo Adaptado, ledor automático e mediação pedagógica. Contudo, observou-se uma fragilidade documental e diretiva mais acentuada no Ensino Médio, com a ausência de diretrizes explícitas no Projeto Político-Pedagógico para este segmento, a carência de um “Mapa de avaliações” específico e a inexistência de currículo flexibilizado. Identificou-se, ainda, a dependência operacional de estagiários e monitores, a insuficiência da formação continuada docente e a predominância de uma cultura avaliativa tradicional, fortemente orientada para exames vestibulares, o que limita a diversificação das estratégias pedagógicas e avaliativas. A análise apontou a neuroeducação como uma oportunidade estratégica para qualificar a prática docente, oferecendo subsídios para uma compreensão mais aprofundada dos processos de aprendizagem e para o desenvolvimento de abordagens pedagógicas mais responsivas à diversidade dos estudantes.

A principal contribuição deste trabalho reside na elaboração de um plano de ação estruturado, que visa aproximar o diagnóstico institucional de propostas concretas de intervenção para o fortalecimento da educação inclusiva no Ensino Médio. Este plano aborda a revisão e ampliação das diretrizes institucionais, a sistematização da documentação pedagógica, a ampliação da formação continuada de docentes e equipes de apoio com foco em neuroeducação, a elaboração de mapas de avaliação específicos, a implementação de estratégias de flexibilização curricular e a diversificação dos instrumentos avaliativos. Como limitação, o estudo, de caráter qualitativo e focado em uma única instituição, não permite generalizações, mas oferece um diagnóstico aprofundado que pode servir de base para outras escolas. A pesquisa também contribui para preencher uma lacuna na literatura acadêmica sobre inclusão escolar no Ensino Médio, sugerindo a necessidade de mais estudos que explorem a efetividade das ações propostas e a integração da neuroeducação para aprimorar as práticas inclusivas neste segmento educacional.

Referências Bibliográficas

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Brito, L.F.; Cunha, M.E. 2023. Cartografias da educação inclusiva na educação especial: produção científica, políticas e práticas. Revista Brasileira de Educação Especial 29(1): 1–20. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbee/a/m83TGFWyPS6PFqxTBTCQD4J/?format=html&lang=pt>. Acesso em: 25 out. 2025.

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Gil, A.C. 2017. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil. Disponível em: <https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/150/o/Anexo_C1_como

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Silva, E.P.; Souza, M.R. 2019. Fundamentos de neurociência presentes na inclusão escolar: vivências docentes. Revista Electrónica de Investigación Educativa 21(2): 1–15. Disponível em: <https://www.redalyc.org/journal/3131/313158892018/html/>. Acesso em: 25 out. 2025.

Souza, C.F.; Lopes, A.R. 2023. Inclusão de alunos com deficiência intelectual: recursos e dificuldades da família e de professoras. Educação em Revista 39(1): 1–18. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/edur/a/WYpDcmkRfD86Ftvwj9mgTFd/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em: 25 out. 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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Neurociencia Y Aprendizaje En La Educación

05 de octubre de 2026

Elaboração de material educativo sobre higiene do sono para cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista

O sono exerce papel fundamental nos processos de aprendizagem e no funcionamento cognitivo, e evidências indicam que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam alterações significativas na arquitetura do sono, com possíveis repercussões no comportamento e no desempenho escolar. Diante desses desafios, objetivou-se elaborar um material educativo direcionado a cuidadores, contendo orientações práticas sobre higiene do sono em crianças com TEA, considerando seus impactos cognitivos, comportamentais e educacionais. O estudo caracterizou-se como um relato de experiência de natureza aplicada, com abordagem qualitativa, descritiva e reflexiva. O desenvolvimento do material baseou-se em dois eixos: a experiência clínica fonoaudiológica do pesquisador, por meio de observações e registros reflexivos, e o embasamento em evidências científicas, através de revisão da literatura sobre a neurociência do sono e o desenvolvimento neurocognitivo no TEA. A análise dos registros clínicos possibilitou a identificação de padrões recorrentes relacionados às dificuldades na higiene do sono em crianças com TEA, como resistência ao adormecer e despertares noturnos. A partir desses achados, elaborou-se uma cartilha educativa com orientações práticas sobre higiene do sono. Espera-se que o material contribua para a orientação de cuidadores na promoção de hábitos de sono adequados, favorecendo melhorias no comportamento, na aprendizagem e na qualidade de vida das crianças, além de auxiliar na redução da sobrecarga parental e na condução mais efetiva da rotina de sono.

Palavras-chave: Aprendizagem; Neurociências; Sono; Transtorno do Espectro Autista.

Neurociencia Y Aprendizaje En La Educación

05 de octubre de 2026

A neuroplasticidade cerebral possível através da exposição e vivência artística na aprendizagem

A neuroplasticidade cerebral, capacidade do sistema nervoso de modificar suas conexões, é um campo de crescente interesse na educação. Este estudo objetivou averiguar, a partir da percepção de professores, indícios de melhorias globais em alunos, abrangendo cognição, emoção, comportamento e integração sensório-motora, resultantes da exposição à prática e apreciação artística em aulas de Arte do currículo escolar. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, do tipo survey, na qual foram coletados dados por meio de questionários aplicados a 64 professores que utilizam a arte em sala de aula. Os resultados indicaram percepções positivas dos educadores quanto a avanços significativos em aspectos cognitivos, como atenção, memória e raciocínio, e emocionais, como regulação e resiliência. Observaram-se também melhorias comportamentais, incluindo participação, interação social e autocontrole, além de uma notável integração sensório-motora. A maioria dos participantes relatou aumento no foco e na expressão emocional dos alunos durante as atividades artísticas. Concluiu-se que a arte, enquanto prática e experiência estética, contribui para a promoção da neuroplasticidade, gerando benefícios no desenvolvimento integral dos estudantes e no processo de aprendizagem, em consonância com teorias consolidadas na área.

Palavras-chave: Aprendizagem; Arte; Educação; Neuroplasticidade.

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05 de octubre de 2026

Práticas pedagógicas no Atendimento Educacional Especializado sob a perspectiva da Neurociência

O estudo investigou a percepção de professores especialistas em Educação Especial sobre os conhecimentos da neurociência e sua relação com as práticas pedagógicas no Atendimento Educacional Especializado (AEE), com foco em estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A pesquisa caracterizou-se como aplicada, de abordagem qualitativa e levantamento descritivo. Utilizou-se um questionário eletrônico aplicado a doze professores especialistas em Educação Especial que atuam em escolas públicas do estado de São Paulo. Os relatos indicaram que os professores reconheceram a importância da neurociência para a aprendizagem, embora com diferentes níveis de conhecimento e familiaridade com seus conceitos. Descreveram práticas pedagógicas que incluíram atividades lúdicas, jogos, recursos visuais, materiais concretos, tecnologias e estratégias relacionadas às funções executivas. As análises também revelaram desafios na formação docente. Os resultados contribuíram para a reflexão sobre a relação entre neurociência e as práticas do AEE, ressaltando a necessidade de formação continuada e de condições que favoreçam uma atuação pedagógica fundamentada e adequada às particularidades dos estudantes.

Palavras-chave: Atendimento Educacional Especializado; Neurociência; Neurodiversidade; Práticas Pedagógicas.

Neurociencia Y Aprendizaje En La Educación

05 de octubre de 2026

As Funções Executivas em Crianças com Deficiência Intelectual

O estudo analisou a importância das funções executivas no contexto educacional, considerando sua relevância para o desenvolvimento cognitivo, emocional e acadêmico de crianças com deficiência intelectual. O objetivo foi analisar como as funções executivas ocorreram nesses indivíduos e de que maneira interferiram no processo de aprendizagem. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa e explicativa, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico, análise documental e aplicação de questionário eletrônico a 14 profissionais da educação. Os dados foram analisados com base na técnica de análise de conteúdo, que permitiu identificar categorias temáticas sobre práticas pedagógicas, desafios e estratégias. Os resultados indicaram que o desenvolvimento das funções executivas associou-se diretamente à mediação pedagógica, à adaptação das atividades e ao uso de estratégias estruturadas e individualizadas, com destaque para recursos lúdicos, visuais e tecnológicos e para a participação familiar. Evidenciaram-se desafios como a falta de formação continuada e dificuldades na adaptação curricular. Concluiu-se que as funções executivas puderam ser estimuladas no contexto escolar por meio de práticas pedagógicas intencionais, contribuindo para a aprendizagem e a autonomia.

Palavras-chave: Aprendizagem; Deficiência intelectual; Desenvolvimento cognitivo; Funções executivas; Inclusão escolar.

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05 de octubre de 2026

Organização da rotina como estratégia para a autonomia e otimização da aprendizagem: uma revisão sistemática.

A organização da rotina foi investigada como estratégia para o desenvolvimento da autorregulação da aprendizagem, sob a perspectiva das funções executivas. O estudo objetivou analisar a eficácia dessa organização para a autonomia e otimização da aprendizagem. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura, de caráter exploratório e abordagem quali-quantitativa. As buscas ocorreram nas bases SciELO, Portal CAPES e Google Acadêmico, resultando na seleção de 11 publicações brasileiras datadas entre 2015 e 2025. Os resultados evidenciaram que a sistematização da rotina contribuiu para a redução da carga cognitiva e o fortalecimento das funções executivas, distribuídas em quatro eixos temáticos centrais. Observou-se, contudo, a escassez de pesquisas que articulassem os três conceitos principais de forma integrada e a prevalência de intervenções de curto prazo. Concluiu-se que a organização da rotina constituiu uma base neuropsicológica essencial para a construção da independência estudantil. A pesquisa abriu caminhos para que novos estudos revelem, com maior precisão, o potencial transformador das interações entre esses construtos no cenário educacional.

Palavras-chave: Autorregulação; Autonomia da aprendizagem; Funções executivas; Neurociência educacional.

Neurociencia Y Aprendizaje En La Educación

05 de octubre de 2026

Princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem em recursos de geometria molecular

Este estudo investigou, sob a perspectiva do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), o potencial inclusivo de recursos didáticos no ensino de Química, com foco na geometria molecular. O objetivo foi identificar em que medida esses materiais favorecem a aprendizagem de conceitos abstratos, especialmente para estudantes com Transtornos do Espectro Autista (TEA) e Transtornos do Desenvolvimento Intelectual (TDI). A pesquisa apresentou caráter aplicado e abordagem qualitativa, utilizando como procedimento metodológico a análise documental de dois tipos de recursos amplamente empregados: o simulador digital Molecule Shapes: Basics, da plataforma PhET Interactive Simulations, e kits de modelos moleculares físicos. A análise orientou-se pelos três princípios do DUA: múltiplos meios de representação, ação e expressão, e engajamento. Os resultados indicaram que ambos os recursos apresentaram potencial inclusivo relevante, embora por vias distintas: o simulador digital destacou-se pela visualização dinâmica e interatividade, enquanto o modelo físico favoreceu a materialização concreta dos conceitos. Concluiu-se que a articulação intencional desses recursos, mediada pelo professor, pode ampliar as possibilidades de acesso, participação e aprendizagem no ensino de Química, contribuindo para práticas pedagógicas mais inclusivas.

Palavras-chave: Educação inclusiva; Ensino de química; Neuroeducação; Representação espacial; Recursos didáticos.

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05 de octubre de 2026

Barreiras Religiosas no Acesso ao Tratamento Psicopedagógico: Uma Perspectiva Neurocientífica sobre Crenças e Resistências

Um estudo abordou a interface entre religiosidade e psicopedagogia, contextualizou o crescimento de discursos virtuais que minimizam as bases biológicas de transtornos do neurodesenvolvimento. O objetivo consistiu em analisar as principais barreiras religiosas que dificultaram o acesso e a permanência no tratamento psicopedagógico, investigando narrativas de resistência e integração sob uma perspectiva neurocientífica. A metodologia caracterizou-se como pesquisa qualitativa e exploratória, fundamentada na netnografia e na análise documental. Foram extraídos e analisados 51 comentários públicos de seis vídeos do YouTube referentes a transtornos (TDAH e Autismo) e espiritualidade. A análise de conteúdo revelou profunda polarização, dividiu a amostra em dois eixos: resistência (51%), marcada pela moralização dos sintomas e ativação de sistemas neurais de defesa; e integração (49%), na qual a psicoeducação virtual desconstruiu estigmas, promoveu alívio e validação clínica associados à regulação emocional e à flexibilidade cognitiva. Concluiu-se que o analfabetismo científico e o medo instrumentalizado atuaram como fortes barreiras à adesão terapêutica. No entanto, a psicoeducação mediada demonstrou ser uma ponte eficaz para desarmar os mecanismos de defesa moral e incluir sujeitos neurodivergentes.

Palavras-chave: Neurociência cognitiva; Psicopedagogia; Religiosidade; Resistência ao tratamento; Rigidez cognitiva.

Neurociencia Y Aprendizaje En La Educación

05 de octubre de 2026

Funciones ejecutivas y resolución de problemas matemáticos en la percepción de profesores de matemáticas

Se investigó la percepción de profesores de Matemáticas de la red estatal de São Paulo sobre la relación entre las funciones ejecutivas y la resolución de problemas matemáticos en su práctica docente. El estudio tuvo como objetivo comprender cómo los profesores de Matemáticas perciben esta relación, identificando aspectos cognitivos relevantes para la enseñanza y el aprendizaje. La investigación, de naturaleza aplicada y enfoque mixto, utilizó un cuestionario en línea aplicado a 15 profesores de Matemáticas. Los datos cuantitativos fueron analizados por estadística descriptiva, y las respuestas discursivas, por Análisis de Contenido. Los resultados revelaron que los profesores reconocieron la importancia de las funciones ejecutivas, como la memoria de trabajo, la planificación, el control inhibitorio y la flexibilidad cognitiva, para la resolución de problemas matemáticos, aunque esta comprensión pudiera ser implícita. Se observó que dificultades de los estudiantes, como impulsividad, problemas de interpretación y ausencia de planificación, fueron percibidas como factores que comprometen el desempeño. Se identificaron estrategias pedagógicas, como la lectura orientada del enunciado, el incentivo a la elaboración de estrategias y la verificación de las respuestas, que favorecieron el uso de estas funciones. Los hallazgos indicaron la necesidad de una mayor intencionalidad pedagógica para apoyar la autorregulación cognitiva y optimizar el desempeño de los alumnos en la resolución de problemas matemáticos.

Palabras clave: Enseñanza de Matemáticas; Neurociencia cognitiva; Práctica docente.