Escolha do periódico, escrita e submissão: o périplo da publicação científica

Coluna

Editoração

Escrita

Publicação

20 de setembro de 2024

Escolha do periódico, escrita e submissão: o périplo da publicação científica

Mapear as publicações da área de pesquisa é essencial para selecionar a revista certa e fugir das armadilhas

“Quando se trata da escrita acadêmica, é como na análise de Freud sobre sexo: ‘Todo mundo faz, mas ninguém fala sobre isso’”. A frase é da autora do livro “Writing Your Journal Article in Twelve Weeks: A Guide to Academic Publishing Success”, Wendy Belcher. Para ela, o tabu em torno do tema acaba tornando a escrita, que deveria ser algo natural, uma atividade disfuncional.

Em seu livro, Belcher, que é professora de literatura africana na Universidade de Princeton (EUA), destaca dois passos como os mais importantes para quem deseja ver um estudo publicado: fazer uma revisão minuciosa do material que já estiver rascunhado (o projeto) e selecionar o periódico para publicação – planejando a revisão de acordo com o veículo escolhido.

A professora adverte, porém, que essa seleção deve ser precedida de uma minuciosa análise dos periódicos existentes na área, para identificar o que melhor se encaixa no tema da pesquisa que se pretende publicar.  A pena da escolha errada é a recusa do artigo, motivo mais do que justo para que essa etapa figure logo no início do processo.

Segundo a professora, uma das principais razões pelas quais um artigo é rejeitado é não estar em conformidade com as normas da publicação a que foi submetido. Por isso, uma vez escolhido o periódico, é indispensável estudá-lo para entender quais são os parâmetros exigidos para publicação. Tudo isso ajuda a nortear a revisão do trabalho e a ajustar sua escrita e formatação como artigo, além de identificar e evitar os chamados títulos predatórios (fraudulentos) – leia mais sobre esse assunto abaixo.

Início da jornada

Belcher detalha no livro os passos necessários para percorrer todas as etapas desse processo. Segundo ela, o ideal é submeter o trabalho em um periódico que tenha sistema de revisão por pares, cujas obras sejam publicadas por uma editora acadêmica (universitária ou comercial) e que conte com autores considerados especialistas em suas áreas. Os artigos devem citar suas fontes e detalhar a metodologia utilizada, para que outros pesquisadores possam replicar ou verificar os trabalhos.

Analisar o corpo e o conselho editorial do periódico, além de suas bases indexadoras, pode dar ao pesquisador uma visão ainda mais ampla sobre o tipo de artigo que ele deverá escrever. Ademais, um conselho editorial formado por especialistas pode acrescentar credibilidade e peso à publicação.  

Fonte: Wendy Laura Belcher

Seguindo os passos de Belcher, o próximo é a preparação do texto. Existem vários tipos de artigo dentro das categorias “publicações primárias” (derivadas dos resultados originais da pesquisa) e “publicações secundárias” (aquelas que discorrem sobre outros trabalhos), com estilos e estruturas diferentes – que também podem variar de acordo com os parâmetros da revista à qual o artigo será submetido para avaliação. O texto deve ser um relato sucinto da pesquisa do autor.

Artigo pronto, hora de submeter. Cada periódico tem um sistema de submissão próprio, basta seguir as instruções do que foi escolhido. O artigo deve ser enviado junto com a documentação exigida pela revista, conforme suas diretrizes.

Processo de publicação

Inicialmente, o texto e a documentação serão analisados pelo editor, para verificar se o material atende ao escopo da revista. Se o artigo for recusado nessa fase, é o fim do processo. Se for aceito, é encaminhado para a revisão por pares, em que especialistas na área da pesquisa avaliam a qualidade, relevância e originalidade do artigo.

Nessa etapa o artigo também pode ser rejeitado e devolvido ao autor. Se for aprovado, na maioria das vezes, volta ao autor para ajustes, que podem ser de “maior” ou “menor” complexidade. No primeiro caso, significa que o avaliador pediu grandes mudanças estruturais no texto e será necessário um pouco mais de esforço para reescrever algumas partes. Ajustes menores geralmente dizem respeito a normas, ortografia ou solução de pequenas dúvidas.

Fonte: Editora Pecege

Depois que o autor faz os ajustes necessários, o editor decide se o artigo está pronto para publicação e, em caso positivo, ele é formatado, diagramado, submetido a uma leitura final pelo autor e, finalmente, publicado. O fluxo desse processo pode durar de seis meses a um ano, embora existam periódicos que ultrapassam esse tempo.

Revistas predatórias

Diferentemente do processo descrito acima, as revistas predatórias são conhecidas por prometerem agilidade no processo de revisão e altas taxas de aceitação. A proliferação desses periódicos tem se tornado um desafio crescente no mundo acadêmico. Essas publicações colocam em risco a integridade da pesquisa científica e a reputação dos pesquisadores que buscam publicar seus trabalhos.

O Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou um formulário para levantar informações sobre revistas com indícios de práticas predatórias no país. O objetivo é mapear esses periódicos a partir das experiências e perspectivas dos pesquisadores.

Os resultados preliminares, apresentados no ABEC Meeting 2023, apontaram cerca de 5.338 denúncias, com a identificação de 478 revistas que exerciam práticas predatórias no mundo todo (Andrade et al., 2023).

O primeiro passo para evitar as armadilhas das revistas predatórias é entender como identificá-las. Ao contrário das publicações legítimas, as revistas predatórias frequentemente carecem de um processo editorial adequado. Elas podem publicar praticamente qualquer artigo mediante o pagamento de uma taxa, sem uma revisão por pares de qualidade.

Para Campos e Maricato (2024), essas revistas possuem características similares às tradicionais, o que atrai os pesquisadores. Elas facilitam o processo editorial, tornando rápida a publicação de um artigo, e cobram taxas altas pelo serviço. Apresentam ampla cobertura temática, disparam convites recorrentes captando autores, e seus sistemas operacional e de gestão aparentam não ter falhas. Esses periódicos também apresentam métricas de rankings falsos e imaginários.

Uma organização formada por pesquisadores voluntários lançou um site chamado “Predatory Journals”, cuja missão é expor e ajudar os pesquisadores a identificar periódicos predatórios e compartilhar suas experiências negativas com essas publicações. Para acessar o site, clique aqui.

Em 2020, o pesquisador norte-americano Matan Shelomi protagonizou um caso curioso para expor esse problema. Ele submeteu um artigo fictício, repleto de nomes e referências ao desenho animado japonês Pokémon, a uma publicação de reputação duvidosa. O tema era como o consumo de Zubat (uma das criaturas fictícias da animação) teria sido responsável pelo surto de Covid-19 em uma cidade que só existe no imaginário dos fãs de Pokémon. O fato ganhou notoriedade ao ser detalhado em um texto escrito por ele e publicado pelo site The Scientist.

O artigo citava outras figuras do mundo da ficção, como Gregory House, famoso personagem da série “House” (2004-2012), além de personagens da saga Harry Potter. Todas essas menções foram utilizas como se fossem relatos verídicos para os acontecimentos do estudo. A dupla de vilões do próprio Pokémon, Jesse e James, foram apresentados nas referências como “base teórica” para o estudo.

Jesse J James J (2020) Prepare for trouble: Coronavirus outbreak reaches North America. Rocket Science Monthly 21(2): 45–47

De acordo com o artigo, Bob Esponja também tinha publicações, juntamente com seus amigos Patrick e Sandy, que foram utilizadas para “fundamentar” o trabalho.

Squarepants, S Star P, Cheeks S (2014) Treatment of Karenovirus infection with processed food. Bikini Bottom Journal of Morbidity and Mortality 32: 2–50.

O periódico aceitou o trabalho após quatro dias do seu recebimento, mediante pagamento de uma taxa no valor de US$ 1.179,00. Apesar das brincadeiras, esse experimento lançou luz sobre a falta de critério desse tipo de publicação.

Métricas de impacto

A crescente preocupação com essas práticas enganosas tem levado a comunidade científica a ser mais cautelosa. Conforme alertado pelo Jornal da USP, o “golpe científico” das revistas predatórias não só compromete a credibilidade da pesquisa publicada, mas também pode manipular as métricas de impacto, iludindo aqueles que buscam informações confiáveis. Isso ocorre, em muitas das vezes, quando pesquisadores, pressionados pela necessidade de publicação para a progressão de carreira e visibilidade, caem na armadilha de revistas que prometem publicação rápida, o que pode vir a comprometer sua reputação no meio acadêmico, como discutido pelo pesquisador Ernesto Spinak (2021). O quadro abaixo apresenta algumas considerações para se levar em conta antes de submeter um artigo.

Fonte: Elaborada pelos autores a partir de Spinav (2021) e Almeida (2023)

A conscientização sobre os perigos das revistas predatórias é um passo vital para proteger a integridade da ciência e garantir que a pesquisa publicada contribua de maneira significativa para o avanço do conhecimento. Assim como salientam os pesquisadores da USP Hoch e Mench (2024), o esforço coletivo em educar a comunidade científica sobre práticas responsáveis de publicação pode ajudar a “cortar o mal pela raiz”, promovendo uma cultura de pesquisa ética e de qualidade. A ciência deve ser tratada com seriedade, para que personagens como Pokémon, Bob Esponja e Harry Potter permaneçam apenas na seara do entretenimento e dos momentos de descontração na TV e no videogame.

Para ter acesso às referências desse texto clique aqui

Quem publicou esta coluna

Editora Pecege

Produz materiais nas áreas de agronegócios, educação, gestão e tecnologia, prestando serviços de padronização, revisão, elaboração de ficha catalográfica e produção gráfica. Gerencia a publicação das revistas Quaestum (científica) e Estratégias e Soluções – E&S – (técnico-científica) e publica livros em diversas áreas.

Você também pode gostar

27 de outubro de 2026

Eficácia da política monetária do Banco Central Brasileiro e seus possíveis custos sociais (1999-2024)

A condução da política monetária no Brasil, particularmente sob o regime de metas de inflação, tem sido amplamente debatida em razão de seus possíveis impactos sobre a inflação e a atividade econômica. O estudo objetivou avaliar a eficácia da política monetária brasileira, conduzida pela taxa Selic, no controle da inflação, e investigar seus possíveis custos sociais no período de 1999 a 2024. Para isso, utilizaram-se dados trimestrais de Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa Selic e câmbio, extraídos do Banco Central do Brasil. A metodologia empregou um modelo Vetorial de Correção de Erros (VECM), precedido por testes de estacionariedade e cointegração, e complementado por análises de Função de Resposta ao Impulso e Decomposição da Variância. Os resultados indicaram que a inflação apresentou forte componente inercial, sendo predominantemente explicada por sua própria dinâmica, enquanto os choques na taxa de juros e no câmbio demonstraram impacto estatisticamente limitado sobre o IPCA. Adicionalmente, verificou-se que o PIB não respondeu de forma significativa a variações na Selic, sugerindo baixa sensibilidade da atividade econômica à política monetária no período analisado. Em síntese, concluiu-se que a política monetária demonstrou eficácia limitada no controle da inflação, sem, contudo, gerar custos sociais diretos e significativos sobre o Produto Interno Bruto, que atua como principal motor da geração de emprego.

Palavras-chave: Cointegração; Econometria; Inércia inflacionária; Metas de inflação; Produto Interno Bruto.

27 de outubro de 2026

Eficiência financeira e mitigação de riscos em departamentos jurídicos

A pesquisa investigou como mecanismos de governança e controles internos, aplicados a práticas de “Legal Operations”, podem fortalecer a gestão financeira e a previsibilidade orçamentária de um departamento jurídico em uma empresa multinacional. O estudo objetivou diagnosticar pontos críticos do ciclo orçamentário jurídico, desde a previsão ao pagamento, e identificar melhorias de processos, indicadores e responsabilidades entre os setores jurídico e financeiro. Para tanto, realizou-se uma pesquisa aplicada de natureza qualitativa, configurada como estudo de caso. A coleta de dados incluiu entrevistas com profissionais das áreas jurídica e financeira, análise documental de planilhas de custos (2022-2024) e políticas de compliance, além de mapeamento do fluxo de despesas jurídicas. Os resultados revelaram fragilidades na coordenação interdepartamental, notadamente na definição de centros de custo e na utilização de instrumentos de controle orçamentário. Observaram-se lacunas no acompanhamento de processos e na integração de informações de escritórios externos, além de oportunidades para automação de rotinas e aprimoramento de indicadores gerenciais. A previsibilidade orçamentária mostrou-se impactada por fatores exógenos, como a dinâmica do Poder Judiciário, e endógenos, como a qualidade da informação e a governança do ciclo orçamentário. Concluiu-se que a previsibilidade orçamentária depende da maturidade da governança aplicada aos processos, dados e rotinas operacionais. Propôs-se um modelo de governança e controle para o orçamento jurídico, com foco na padronização de processos, fortalecimento do acompanhamento e melhoria da tomada de decisão, incluindo mapeamento de processos, matriz de riscos e controles, e indicadores de desempenho.

Palavras-chave: Automação; Controles internos; Governança corporativa; Legal Operations; Previsibilidade orçamentária.

27 de outubro de 2026

Comparação de modelos de risco de pré-pagamento em carteiras de crédito pré-fixado

O risco de liquidação antecipada em carteiras de crédito pré-fixadas constituiu um desafio relevante para a Gestão de Ativos e Passivos (ALM) em instituições financeiras, por gerar assimetrias de fluxo de caixa e ineficiências em estratégias de hedge. O trabalho teve como objetivo avaliar comparativamente o desempenho preditivo de modelos econométricos e estatísticos tradicionais frente a algoritmos de aprendizado de máquina na estimativa da Taxa de Mortalidade Mensal (SMM). Para isso, utilizou-se uma base de dados real de operações de crédito originadas entre 2016 e 2025, totalizando aproximadamente 500 milhões de observações. Avaliou-se modelos como CPR Histórico, Regressão Beta, Regressão Quantílica, Regressão Logística, Riscos Proporcionais de Cox e LightGBM, com a performance mensurada pelo Erro Absoluto Médio (MAE) e validada por meio de validação cruzada temporal com janela expandida. Os resultados demonstraram a superioridade das abordagens não lineares, com o modelo LightGBM apresentando a melhor performance no período de teste (jan/2024 a jul/2025), reduzindo o MAE em 34,21% em relação ao benchmark histórico. Adicionalmente, técnicas de interpretabilidade baseadas em valores SHAP e análise de sobrevivência foram empregadas para identificar o spread da taxa de contrato, a taxa de mercado e a idade do título como os principais determinantes econômicos da antecipação. A aplicação do modelo proposto aprimorou a precisão das estimativas de fluxo de caixa e ofereceu evidências favoráveis ao aperfeiçoamento do cálculo da duration efetiva e do dimensionamento do colchão de liquidez institucional, sugerindo que modelos mais flexíveis podem otimizar a gestão de ALM.

Palavras-chave: Aprendizado de máquina; Gestão de ALM; Hedge; Modelagem financeira; Risco de juros.

27 de outubro de 2026

Arquitetura imperativa vs. reativa: impacto na depuração e correção de erros no desenvolvimento mobile iOS

O desenvolvimento de aplicações mobile iOS pode ser conduzido sob arquiteturas imperativa e reativa, impactando diretamente as práticas de depuração e manutenção. Objetivou-se estabelecer o impacto da escolha arquitetural na depuração e correção de erros em aplicações iOS, avaliando a detectabilidade automática de falhas, a rastreabilidade dos relatórios e a utilidade dos logs. Conduziu-se uma pesquisa experimental, na qual se desenvolveram duas aplicações nativas funcionalmente equivalentes com UIKit (imperativa) e SwiftUI/Combine (reativa). Inseriram-se quatro cenários de erro controlados, classificados em crashes explícitos e erros silenciosos. Coletaram-se dados com Firebase Crashlytics e Xcode Debugger em quarenta sessões, e estes foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados revelaram que, para inconsistências de estado, a arquitetura UIKit gerou crash imediato e relatório automático, enquanto SwiftUI suprimiu o crash e produziu aviso silencioso invisível a ferramentas automáticas. Para desempacotamento forçado, a arquitetura mostrou-se irrelevante. Em cenários silenciosos, nenhuma arquitetura ofereceu observabilidade automática, o que evidenciou limitações das ferramentas. Concluiu-se que a arquitetura reativa, ao abstrair mecanismos de controle de estado, reduziu erros explícitos, mas introduziu falhas silenciosas com menor rastreabilidade. A decisão arquitetural deve considerar as implicações para o monitoramento em produção, exigindo instrumentação manual de logs em projetos SwiftUI/Combine para erros que seriam automaticamente capturados no UIKit.

Palavras-chave: Combine; Manutenibilidade; Observabilidade; SwiftUI; UIKit.

27 de outubro de 2026

CRM NA RETENÇÃO DE DADOS PARA ANÁLISE DE POTENCIAL DO CLIENTE NO SETOR B2B SAÚDE

A gestão comercial no setor B2B saúde enfrentou desafios constantes, exigindo visão estratégica e atenção aguçada para a entrega de resultados. Investigou-se como a implantação do sistema CRM (Customer Relationship Management) colaborou para mitigar a perda de informações históricas e potencializar a retenção de clientes frente ao custo de vender. Adotou-se uma abordagem qualitativa-quantitativa, de caráter exploratório-descritivo, e os dados foram coletados por meio de questionário respondido por 42 profissionais da área comercial, inseridos na indústria ou em empresas do segmento saúde. Os resultados revelaram que, embora 71,4% dos entrevistados utilizassem CRM informatizado, a cultura organizacional impôs forte resistência, confirmada por 57,1% dos profissionais que dependiam de métodos manuais, como agendas e planilhas isoladas, para registro e retenção dos dados. Evidenciou-se também uma lacuna na capacitação, visto que 24,4% dos entrevistados raramente ou nunca receberam treinamentos específicos. A pesquisa inferiu que a subnotificação de dados não decorreu apenas da falta de tecnologia ou por falha tecnológica, mas pela existência de uma deficiência na gestão estratégica de pessoas e processos. Reforçou-se a visão da necessidade de uma gestão integrada para gerar inteligência competitiva e previsibilidade nas vendas, e alertou-se para a necessidade de treinamentos e capacitação mais frequentes. A mitigação do custo de vender e a potencialização da retenção de clientes dependem da integração consistente entre capital humano e tecnologia, gerando ativos gerenciais para aumentar a produção comercial e a retenção de dados estratégicos.

Palavras-chave: Capacitação; Estratégia de vendas; Gestão de clientes; Gestão estratégica; Inteligência comercial.

27 de outubro de 2026

Avaliação da aplicação do Scrum na melhoria da eficiência e adaptabilidade em projetos de tecnologia

A crescente complexidade dos projetos de tecnologia exigiu abordagens capazes de equilibrar controle, eficiência e adaptabilidade a mudanças constantes, visto que modelos tradicionais de gerenciamento apresentaram limitações em ambientes dinâmicos. Avaliou-se o gerenciamento de projetos de tecnologia antes da implementação de um método ágil, propôs-se melhorias baseadas em práticas iterativas e reavaliou-se o desempenho pós-implementação, buscando identificar ganhos em eficiência operacional e adaptabilidade ao longo do ciclo de vida do projeto. A pesquisa empregou um estudo de caso descritivo, de abordagem qualitativa, em duas empresas do setor de tecnologia. Coletaram-se dados por meio de formulários estruturados aplicados antes e após a intervenção, complementados por análise documental e observação sistemática ao longo de noventa dias de aplicação da solução. Os resultados evidenciaram melhoria consistente na flexibilidade do planejamento, maior alinhamento com as necessidades do cliente, aumento da previsibilidade das entregas e aprimoramento da produtividade das equipes. Um ganho de produtividade foi o indicador mais expressivo, com 85,7% de concordância total sobre a melhoria do desempenho das equipes após a adoção do *framework*. Concluiu-se que a implementação estruturada do método aprimorou o gerenciamento dos projetos analisados, reforçando a capacidade de resposta a mudanças e promovendo maior geração de valor ao negócio.

Palavras-chave: Adaptação organizacional; Entrega incremental; Gestão ágil; Planejamento iterativo; Produtividade de equipes.

27 de outubro de 2026

Desafios na operacionalização do crédito rural: percepção de funcionários de uma instituição financeira no Sudeste brasileiro

O crédito rural constitui um instrumento crucial da política agrícola brasileira, essencial para a viabilização dos ciclos produtivos agropecuários e o desenvolvimento do setor. Apesar de sua relevância, a operacionalização do crédito rural enfrentou desafios significativos nas instituições financeiras, decorrentes da complexidade normativa, burocracia documental e riscos inerentes à atividade agrícola. Nesse contexto, o estudo objetivou analisar a percepção de funcionários de uma instituição financeira sobre o processo de liberação do crédito rural, identificando dificuldades, desafios operacionais e oportunidades de melhoria. Adotou-se uma abordagem quantitativa de caráter descritivo, com aplicação de questionário estruturado a 37 funcionários que atuam direta ou indiretamente na concessão de crédito rural. A amostra foi intencional, e os dados foram analisados de forma descritiva, com apoio de tabulação e representação gráfica. Os resultados indicaram que os principais desafios enfrentados pelas instituições financeiras relacionaram-se ao excesso de burocracia, exigência de garantias, análise de risco, limitação de autonomia dos agentes e necessidade de maior capacitação técnica. Fatores externos, como endividamento dos produtores, eventos climáticos adversos e elevados custos de produção, também impactaram negativamente o acesso ao crédito. Concluiu-se que o aprimoramento dos processos internos, aliado à capacitação contínua dos profissionais e à articulação entre agentes reguladores e instituições financeiras, pode contribuir para tornar o crédito rural mais eficiente e acessível.

Palavras-chave: Agronegócio; Burocracia; Política agrícola.

27 de outubro de 2026

Dissonância Institucional e Barreiras de Privacidade na Adoção do DREX no Brasil

A percepção de diferentes partes interessadas sobre a implementação do DREX (Real Digital) no sistema financeiro brasileiro foi analisada, com foco nos impactos esperados em segurança, privacidade e adoção. O estudo objetivou investigar as percepções de grupos distintos sobre os riscos e oportunidades do DREX, oferecendo subsídios para a tomada de decisão de instituições financeiras e reguladores. Para isso, aplicaram-se três questionários a 415 participantes, divididos entre profissionais do setor financeiro e tecnologia (81), investidores em criptoativos (149) e público geral (185). Os dados coletados foram tabulados e submetidos à análise descritiva quantitativa, complementada por uma análise comparativa entre os grupos. Identificou-se uma dissonância institucional consistente, onde a confiança técnica no Banco Central superou a confiança política no Governo Federal. Entre investidores em criptoativos, verificou-se uma rejeição ideológica ao DREX, impulsionada por preocupações com rastreabilidade e controle governamental, com uma relação inversa entre conhecimento técnico e intenção de adoção. O público geral demonstrou disposição pragmática, condicionada à ausência de percepção explícita de vigilância financeira, um padrão denominado “Lacuna Pix-Privacidade”. A privacidade financeira emergiu como o principal obstáculo transversal à adoção em todos os grupos, e um incentivo de cashback de 1% mostrou-se insuficiente para superar essa resistência. Concluiu-se que a adoção voluntária do DREX tende a ser fragmentada e condicional, dependendo de iniciativas estruturadas de comunicação, educação financeira digital e arquiteturas de privacidade auditáveis que reforcem a credibilidade e independência do Banco Central perante a sociedade.

Palavras-chave: CBDC; Confiança institucional; Percepção de risco; Rastreabilidade; Sistema financeiro.

27 de outubro de 2026

Aplicação do Six Sigma DMAIC e Gemba Walk para análise da disponibilidade mecânica de equipamentos móveis

A gestão ineficiente das rotinas de manutenção de equipamentos móveis em obras de infraestrutura havia evidenciado impactos diretos nos indicadores de disponibilidade mecânica e no desempenho produtivo. O estudo objetivou analisar a disponibilidade mecânica de equipamentos em uma obra de superestrutura rodoviária, empregando o ciclo Six Sigma DMAIC e a prática do Gemba Walk. A metodologia adotada caracterizou-se como um estudo de caso aplicado, de natureza mista. Realizou-se a coleta e tratamento de dados de apontamentos operacionais, calculou-se indicadores de disponibilidade mecânica e conduziu-se análises qualitativas por meio do Diagrama de Ishikawa. Na fase Define, mapearam-se as rotinas e coletaram-se dados históricos. Em Measure, padronizaram-se os registros de perdas mecânicas e calculou-se a disponibilidade mecânica, identificando equipamentos críticos com desempenho inferior a 85%. A etapa Analyze utilizou o Diagrama de Ishikawa para identificar causas-raiz, e na fase Improve, estruturaram-se ações de melhoria e um cronograma de implementação. Os resultados revelaram que certas famílias de equipamentos apresentaram desempenho abaixo do patamar aceitável, com a usina de asfalto destacando-se por sua indisponibilidade de 79%, impactando diretamente a produção. As principais causas identificadas incluíram a ausência de planejamento preventivo, falhas na gestão de manutenção e a indisponibilidade de insumos críticos. Concluiu-se que a aplicação integrada das metodologias permitiu não apenas identificar as causas da baixa disponibilidade, mas também estruturar um modelo de gestão voltado à confiabilidade operacional e à melhoria contínua, propondo a transição de um modelo reativo para uma manutenção proativa e baseada em campo.

Palavras-chave: Confiabilidade operacional; Gestão de ativos; Indicadores de desempenho; Manutenção; Melhoria contínua.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade