Análise preditiva ajuda a antecipar insatisfações e corrigir rota

31 de julho de 2024

2 min de leitura

Profissional do futuro não poderá prescindir do pensamento analítico

O Fórum Econômico Mundial prevê que, até 2027, as habilidades mais procuradas pelos recrutadores de recursos humanos das empresas serão o pensamento analítico, o pensamento criativo e os conhecimentos em inteligência artificial (IA) e big data.

O cenário corporativo atual – complexo e altamente tecnológico – demanda profissionais com capacidade de analisar grandes quantidades de informação, decompor dados em partes menores, reconhecer padrões e estabelecer comparações. Além disso, a tecnologia está avançando mais rapidamente do que a capacidade que as empresas têm para reformular seus programas de treinamento.

Nossos entrevistados deste mês, Denise de Moura, consultora de RH e professora convidada do MBA USP/Esalq, e Ladmir Carvalho, fundador da Alterdata Tecnologia, destacaram uma dessas competências em particular, que, para eles, todo profissional do futuro precisará desenvolver: o pensamento analítico. Através dessa skill os profissionais adquirem expertise em uma técnica importante: a análise preditiva, que usa dados estatísticos e machine learning para identificar a probabilidade de ocorrência de eventos futuros. Confira abaixo na entrevista concedida à Revista Estratégias e Soluções (E&S), da Editora Pecege, e conduzida pela apresentadora Soraia Fessel.

Na opinião da professora Denise de Moura, o pensamento analítico envolve saber lidar com os problemas corporativos mais complexos, aqueles que nunca aconteceram nem foram mapeados pelas empresas. E, segundo ela, essa skill éa principal aliada na hora de antecipar as demandas dos clientes.

Ladmir Carvalho exalta a importância do pensamento analítico para potencializar a assertividade das decisões empresariais. “O ‘feeling’, o faro, a percepção têm um peso, [que] para mim não passa de 10%”, disse Carvalho. “90% das decisões têm que ser tomadas baseadas em dados”, afirmou.

E como treinar os colaboradores que a empresa já tem para desenvolver essa competência? Na Alterdata, desde o primeiro momento dentro da empresa, o funcionário passa por um treinamento que Carvalho chama de “transfusão de sangue”. Segundo ele, alguns ficam dois meses em treinamento. “Aquela pessoa tem que se estruturar e entender que ela não pode sugerir algo sem estar baseado em alguma informação”, explicou.

Foi utilizando os dados que a empresa desenvolveu um algoritimo de análise preditiva de felicidade, que examina diariamente sua base de clientes, checando 22 características de comportamento e descobrindo padrões que podem sugerir o início de processos de insatisfação. “A gente descobre a insatisfação do cliente antes de o próprio cliente saber que ele está insatisfeito”, comemora Carvalho. Graças a esse modelo matemático a empresa assistiu a uma redução da fuga de clientes.

Carvalho destacou, por fim, que é importante reciclar a cabeça da liderança nas corporações, para que os líderes entendam que “o sucesso do passado não garante o sucesso do futuro”.

Sobre os entrevistados

Ladmir Carvalho é fundador da Alterdata Tecnologia.

Denise de Moura é consultora de recursos humanos e professora convidada do MBA USP/Esalq.

Quem editou este artigo

Foto do Colunista

Renata de Gaspari Valdejão Almeida

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