O poder da influência digital na jornada de compra do consumidor

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30 de junho de 2025

O poder da influência digital na jornada de compra do consumidor

Modelo de marketing centrado em propaganda dá lugar a uma lógica orientada por conexões interpessoais, construção de confiança e percepção de credibilidade

A influência de criadores de conteúdo digitais sobre o comportamento de consumo tem se consolidado como um fenômeno relevante no marketing. Um exemplo prático e cotidiano pode ser ilustrado pela seguinte questão: você já adquiriu um produto ou serviço com base na recomendação de um influenciador digital?

Caso a resposta seja afirmativa, você integra a significativa parcela captada em estudos recentes. A ascensão das plataformas digitais transformou substancialmente os hábitos de consumo. O processo de descoberta, avaliação e decisão de compra de produtos, serviços e marcas tornou-se mais complexo e multifatorial, afastando-se do modelo linear sustentado exclusivamente, há algum tempo, pela publicidade tradicional, que operava de forma interruptiva e unidirecional, isto é, a comunicação era feita pelas empresas. Atualmente, a recomendação de influenciadores digitais tem muito mais peso do que comerciais televisivos.

De acordo com a pesquisa “O Efeito da Influência no Consumo”, conduzida pela YouPix em parceria com a Nielsen, 80% dos consumidores brasileiros afirmam já ter realizado uma compra motivada por recomendação de um influenciador. Esse dado evidencia a transição de um modelo centrado em propaganda para uma lógica orientada por conexões interpessoais, construção de confiança e percepção de credibilidade.

Jornada de compra

Nesse contexto, marcado pela exposição a uma ampla gama de estímulos digitais diários, a credibilidade torna-se fundamental. Os consumidores não desejam apenas adquirir produtos, mas vivenciar experiências previamente validadas por indivíduos com os quais estabelecem identificação. Tal mudança comportamental transfere, de maneira significativa, o poder de influência para os criadores de conteúdo, que passam a atuar como guias na jornada de compra.

A jornada de compra do consumidor não é linear e é significativamente influenciada pelas interações digitais. Desde o primeiro contato com uma marca até a decisão final de compra, múltiplos fatores intervêm nesse processo — e os criadores de conteúdo ocupam posição central. Atuando como facilitadores, esses agentes comunicacionais desempenham papel muito importante na exposição inicial ao produto, na validação social e na motivação final para conversão.

Ainda segundo o estudo “O Efeito da Influência no Consumo”, 66% dos consumidores afirmam ter comprado e testado novas marcas com base em recomendações de influenciadores, reforçando a capacidade de conversão associada a essa estratégia. A jornada de compra costuma acontecer nas seguintes etapas:

1. Conscientização (Awareness): o primeiro contato com a marca

Para que um produto ou serviço seja considerado pelo consumidor, é necessário que este tenha conhecimento prévio de sua existência. Embora isso pareça óbvio, muitas empresas tentam promover vendas em redes sociais sem garantir que seu público-alvo reconheça a necessidade real do produto. Nesse estágio inicial, os influenciadores exercem papel relevante ao integrar menções a marcas e produtos de maneira orgânica em seus conteúdos.

A pesquisa da YouPix e Nielsen revela que 78% dos consumidores com idades entre 19 e 24 anos descobrem novas marcas e produtos por meio das redes sociais, sendo que 47% dos integrantes desse grupo são diretamente impactados por influenciadores. Essa descoberta pode ocorrer a partir de conteúdos simples, como um story exibindo o uso de um cosmético, a análise crítica de um curso ou uma avaliação informal sobre um destino turístico.

2. Consideração: influenciadores como curadores de opinião

Nesta fase, o consumidor já possui conhecimento prévio sobre a marca, mas necessita de informações adicionais para se decidir pela compra. É nesse momento que conteúdos aprofundados, tais como resenhas, comparações e demonstrações práticas, tornam-se decisivos.

A mesma pesquisa identificou que 45% dos consumidores compraram produtos por recomendação de influenciadores e tiveram suas expectativas superadas. Esse dado sugere que o marketing de influência, quando estruturado estrategicamente, apresenta resultados efetivos. Ao produzir conteúdo autêntico e relevante, o influenciador auxilia o consumidor a tomar decisões mais seguras e embasadas.

Os formatos de conteúdo que mais contribuem nesta etapa são aqueles que demonstram o uso prático do produto, como vídeos de unboxing no YouTube, testes de durabilidade no TikTok ou comparações no Instagram. Um exemplo é o fenômeno dos “achadinhos” no TikTok, nos quais influenciadores avaliam produtos de diversas categorias, contribuindo simultaneamente para o entretenimento e a informação —características centrais da plataforma.

3. Decisão de Compra: a confiança como elemento decisivo

A confiança depositada no influenciador pelo seu público pode representar o fator determinante para a decisão de compra. Esse processo não se restringe à afinidade subjetiva: segundo a pesquisa, 52% dos consumidores sentem-se mais seguros ao consumir marcas utilizadas por influenciadores.

A transparência nas recomendações é outro elemento crucial. O estudo aponta que 39% dos consumidores preferem que os influenciadores sinalizem explicitamente os conteúdos publicitários, reconhecendo tal prática como um requisito normativo no Brasil. Portanto, a identificação de parcerias não apenas não afasta o consumidor, como também reforça a credibilidade do influenciador e, consequentemente, fortalece a confiança na marca recomendada.

O cenário atual exige que as marcas ultrapassem as métricas superficiais, como número de seguidores, e abandonem estratégias limitadas a ações esporádicas, como publicações isoladas. É fundamental adotar uma abordagem estratégica que reconheça a complexidade da jornada de compra e a insira no planejamento de marketing de influência.

É necessário mapear os pontos de dúvida, as barreiras e as motivações do público-alvo, integrando o influenciador de forma contextualizada a cada fase da jornada. E é isso que chamamos de estratégia. A conversão ocorre quando há alinhamento entre as necessidades do consumidor, a autoridade do influenciador e o tipo de conteúdo oferecido.

Por fim, considerando os dados apresentados, resta uma reflexão: você faz parte dos 80% de consumidores que já adquiriram um produto ou serviço por recomendação de um influenciador?

Quem publicou esta coluna

Silmara Regina de Souza

Mestre em Administração, consultora pelo Sebrae SP. Palestrante, conteudista, especialista em marketing e comunicação digital. Entusiasta da produção de conteúdo e do uso estratégico das redes sociais como canais de relacionamento e comunicação.

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