05 de agosto de 2026
Aplicação do método clássico de engenharia de requisitos para otimização de processos logísticos.
Jhony Hebert Caldeira; Elisa Antolli
DOI: 10.22167/2675-6528-202600961
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
O setor de logística brasileiro caracteriza-se por alta complexidade e sistemas fragmentados, o que ressaltou a necessidade de processos bem definidos em engenharia de software para otimizar operações. Investigou-se como a aplicação sistemática do método clássico de Engenharia de Requisitos pôde gerar artefatos de maior qualidade e rastreabilidade para o desenvolvimento de software no setor logístico. A pesquisa, de caráter aplicado e qualitativo, utilizou um estudo de caso focado no módulo de gestão de fretes de uma empresa fictícia de médio porte em Mato Grosso. A metodologia seguiu as fases sequenciais de elicitação, análise e modelagem, especificação e validação, empregando técnicas como análise documental, construção de cenários de uso e entrevistas simuladas com stakeholders. Os resultados demonstraram a identificação estruturada de cinco requisitos funcionais, quatro não funcionais e três regras de negócio, cuja rastreabilidade foi assegurada por matrizes que vincularam 100% dos itens funcionais a cenários e interessados. A validação dos artefatos identificou alta consistência, mas revelou lacunas de completude em requisitos não funcionais e cálculos, como a ausência de fórmulas explícitas, o que originou um plano iterativo de refinamento. Concluiu-se que o método clássico foi eficaz na identificação precoce de falhas estruturais, permitindo tratar ambiguidades antes da fase de codificação e garantindo maior previsibilidade técnica ao projeto, contribuindo significativamente para a redução de riscos e retrabalho no desenvolvimento de software.
Palavras-chave: Artefatos de software; Estudo de caso; Rastreabilidade; Refinamento; Validação.
1. Introdução
A economia global contemporânea é intrinsecamente dependente de cadeias de suprimentos eficientes e sistemas logísticos robustos. No Brasil, este setor apresenta complexidade acentuada, caracterizada por vastas dimensões territoriais, infraestrutura diversificada e uma rede de operações frequentemente fragmentada (Laplante & Kassab, 2022). A gestão de fluxos de mercadorias, informações e recursos financeiros exige soluções tecnológicas inteligentes e previsíveis. Contudo, o desenvolvimento de software para atender a essas demandas é permeado por desafios significativos. Estudos como o CHAOS Report do Standish Group International (2020) indicam que uma parcela considerável dos projetos de software falha em entregar o valor esperado, frequentemente devido a problemas na fase inicial de concepção e especificação de requisitos. Apenas cerca de trinta e um por cento dos projetos são considerados bem-sucedidos, enquanto cinquenta por cento enfrentam atrasos e estouros de orçamento, e dezenove por cento são cancelados, com a má especificação de requisitos sendo um dos principais fatores de insucesso. Essa realidade ressalta a importância de abordagens estruturadas na engenharia de software para mitigar riscos e garantir a entrega de sistemas eficazes (Pressman & Maxim, 2016).
A Engenharia de Requisitos (ER) emerge como disciplina fundamental para enfrentar esses desafios, atuando como a ponte entre as necessidades dos usuários e as capacidades técnicas do software (Sommerville, 2011). Ela abrange um conjunto sistemático de atividades que incluem a elicitação, análise, especificação e validação dos requisitos de um sistema. O método clássico de ER, descrito em fases sequenciais, busca garantir que as necessidades do negócio sejam compreendidas e documentadas de forma clara, completa e consistente antes que o desenvolvimento do código-fonte se inicie (Wiegers & Hokanson, 2022). Os artefatos gerados por essa abordagem, como catálogos de requisitos funcionais, não funcionais e regras de negócio, são cruciais para estabelecer uma base sólida para o projeto. A qualidade desses artefatos é diretamente proporcional à capacidade do projeto de software de atender às expectativas, reduzir ambiguidades e minimizar o retrabalho. A rastreabilidade, conceito central na ER, assegura que cada requisito possa ser vinculado à sua origem, design e testes, proporcionando uma visão holística do ciclo de vida do software e facilitando a gestão de mudanças (Pressman & Maxim, 2016).
No contexto logístico brasileiro, a ausência de um processo rigoroso de ER agrava as dificuldades operacionais. Empresas de médio porte, em particular, enfrentam a fragmentação de sistemas, em que módulos de gestão de frota, finanças e operações não se comunicam eficazmente. Essa desconexão resulta em ineficiências significativas, como a perda de horas por analistas financeiros na conciliação de planilhas de frete e faturamento, a falta de dados em tempo real para otimização de rotas por coordenadores de frota e a dificuldade de gerentes de operações em obter visões consolidadas para tomadas de decisão estratégicas. Tais gargalos impactam a eficiência operacional e geram custos de retrabalho e correção de erros, que, segundo Boehm (1981), podem ser até cem vezes mais caros quando identificados após a implementação. A complexidade inerente ao cálculo de fretes, que envolve múltiplas variáveis como peso real, peso cubado, tarifas e pedágios, torna a especificação imprecisa uma fonte constante de divergências e prejuízos financeiros. A aplicação de um método sistemático na ER é imperativa para transformar essas operações logísticas complexas em processos digitais previsíveis e eficientes.
Diante da complexidade do setor logístico e dos desafios persistentes no desenvolvimento de software, torna-se essencial investigar a eficácia de abordagens estruturadas para a especificação de requisitos. A lacuna na literatura e na prática reside em demonstrar, de forma empírica e detalhada, como o método clássico de Engenharia de Requisitos pode ser aplicado sistematicamente para gerar artefatos de software de alta qualidade e rastreabilidade em um domínio tão crítico. Este estudo justifica-se pela necessidade de fornecer diretrizes e um modelo prático para empresas que buscam otimizar seus processos logísticos por meio de soluções tecnológicas robustas, minimizando os riscos associados a projetos de software. O objetivo geral deste trabalho é aplicar o ciclo de vida completo do método clássico de Engenharia de Requisitos, desde a elicitação até a validação, na produção de artefatos de software para um sistema de gestão logística, visando aprimorar a qualidade e a rastreabilidade dos requisitos e, consequentemente, a previsibilidade técnica do projeto.
2. Material e Métodos
A pesquisa foi caracterizada como um estudo de natureza aplicada, conduzido sob a forma de um experimento didático no campo da Engenharia de Requisitos. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com o delineamento de estudo de caso, visando investigar a aplicação sistemática de métodos e ferramentas de especificação de software. A estrutura da pesquisa foi concebida para simular um ambiente corporativo, inspirando-se em práticas reais do setor logístico, o que permitiu uma análise aprofundada das dinâmicas de requisitos em um contexto relevante para a indústria.
O cenário organizacional fictício foi estabelecido em uma empresa de logística de médio porte, localizada no estado de Mato Grosso, Brasil, especializada em transporte rodoviário de cargas. Este ambiente simulado refletia os desafios comuns do setor, como a fragmentação de sistemas, o retrabalho operacional e as inconsistências na gestão de fretes e entregas. Para gerenciar a complexidade do estudo, o escopo foi delimitado ao módulo de “Gestão de Fretes e Entregas”. A pesquisa foi realizada no início de 2026, conforme as datas das interações simuladas com os participantes.
A unidade de análise concentrou-se nos artefatos de software gerados pelo processo de Engenharia de Requisitos. A população de interesse para a elicitação de requisitos foi representada por um conjunto de stakeholders fictícios, cuidadosamente selecionados para abranger diferentes perspectivas operacionais e estratégicas. Os papéis incluíram um gerente de operações, um analista financeiro, um coordenador de frota e um gestor. A escolha desses perfis visou mitigar riscos de omissão e assegurar uma cobertura abrangente dos domínios do sistema, desde a execução logística até a tomada de decisão estratégica.
Tabela 1. Stakeholders envolvidos
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Identificador |
Stakeholder |
Papel no Sistema |
Interesse Principal |
|
ST01 |
Gerente de Operações |
Responsável pela execução das entregas |
Agilidade no cadastro e acompanhamento dos fretes |
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ST02 |
Analista Financeiro |
Responsável pelo controle de custos |
Precisão no cálculo de valores |
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ST03 |
Coordenador de Frota |
Gestão de veículos e manutenção |
Planejamento adequado das entregas |
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ST04 |
Gestor |
Tomada de decisão estratégica |
Visão consolidada e confiável das operações |
Fonte: Dados originais da pesquisa
Para a fase de elicitação de dados, foram empregadas três técnicas complementares, buscando uma visão multifacetada das necessidades do sistema. Primeiramente, realizou-se a análise documental de planilhas de frete simuladas, que forneceram dados concretos sobre as operações logísticas (Apêndice, Tabela 17). Em seguida, construíram-se cenários de uso, que consistiram em narrativas detalhadas sobre o cadastro, cálculo de fretes e acompanhamento de entregas (Apêndice, Tabela 18). Por fim, foram conduzidas entrevistas simuladas com os stakeholders fictícios, cujos relatos foram cruciais para identificar as dores e expectativas do negócio (Apêndice, Tabela 19).
Na fase de especificação, os requisitos foram formalizados em um catálogo estruturado, complementado por representações conceituais das funcionalidades e regras de negócio. Para a validação da compreensão visual das necessidades e a mitigação de ambiguidades semânticas, foram desenvolvidos protótipos de baixa fidelidade, conhecidos como wireframes. Esses protótipos representaram as principais interfaces operacionais do módulo de “Gestão de Fretes e Entregas”, permitindo uma visualização prática das interações do usuário com o sistema e facilitando a homologação dos fluxos de trabalho pelos stakeholders simulados.
A metodologia seguiu o ciclo de vida completo do método clássico de Engenharia de Requisitos, conforme os preceitos de Sommerville (2011), Pressman e Maxim (2016) e Wiegers e Hokanson (2022). Este ciclo foi estruturado em fases sequenciais bem definidas: elicitação, análise e modelagem, especificação e validação. Cada uma dessas etapas foi aplicada de forma controlada ao cenário fictício da empresa de logística, com o objetivo primordial de gerar artefatos de software que fossem rastreáveis e passíveis de avaliação qualitativa, garantindo a consistência e a clareza do processo.
Após a coleta de dados, a fase de análise e modelagem foi iniciada, com o propósito de avaliar as informações levantadas em busca de ambiguidades, conflitos e redundâncias. Os requisitos identificados foram então classificados em categorias distintas: requisitos funcionais, que descrevem as ações que o sistema deve realizar; requisitos não funcionais, que definem os critérios de qualidade e restrições do sistema; e regras de negócio, que estabelecem as políticas e condições operacionais. Cada requisito foi descrito individualmente e categorizado para facilitar a compreensão e o gerenciamento.
Na etapa de especificação, os requisitos analisados foram organizados em um catálogo formal, que serviu como documento central para o projeto. Este catálogo foi apoiado por representações conceituais das funcionalidades, vinculadas diretamente aos cenários de uso previamente definidos. A rastreabilidade entre os elementos da especificação foi assegurada pela construção de matrizes relacionais, que cruzaram os cenários de uso com os requisitos e os requisitos com os stakeholders. Essas matrizes validaram a origem e a associação de cada requisito a uma necessidade de negócio específica e a um grupo de interessados.
A fase de validação envolveu a análise dos artefatos gerados, utilizando critérios rigorosos de clareza, consistência, completude e rastreabilidade. A clareza avaliou a interpretação única dos requisitos, a consistência verificou a ausência de conflitos, a completude assegurou a cobertura dos cenários e a rastreabilidade confirmou as associações explícitas. Para operacionalizar essa avaliação, cada requisito foi classificado em uma escala qualitativa de “Atende”, “Atende Parcialmente” ou “Não Atende”. Os resultados dessa validação guiaram a elaboração de um plano de refinamento iterativo.
O plano de refinamento foi direcionado especificamente aos requisitos classificados como “Atende Parcialmente” ou “Não Atende”, visando aprimorar sua qualidade e precisão. As ações corretivas propostas concentraram-se em três eixos principais: o detalhamento de regras e fórmulas de cálculo, a definição de métricas objetivas para avaliação de qualidade e a especificação mais precisa de mecanismos de controle e segurança. Este processo iterativo permitiu que as especificações evoluíssem em maturidade técnica, reduzindo ambiguidades e minimizando riscos antes da fase de desenvolvimento do software.
É importante ressaltar que o estudo foi conduzido como um experimento didático em um cenário fictício, o que, embora tenha permitido um controle rigoroso das variáveis e a aplicação sistemática do método, impõe uma limitação quanto à generalização direta dos resultados para outros contextos organizacionais. Contudo, o rigor metodológico empregado na aplicação do método clássico de Engenharia de Requisitos valida as práticas propostas, sugerindo sua aplicabilidade para aumentar a previsibilidade e o sucesso em projetos de software reais no setor logístico.
3. Resultados e Discussão
Os resultados obtidos neste estudo corroboraram de forma significativa a hipótese central de que a aplicação sistemática do método clássico de Engenharia de Requisitos é eficaz na identificação precoce de falhas estruturais no ciclo de vida do software. Esta constatação é particularmente relevante para o setor logístico, caracterizado por sua complexidade operacional e a necessidade de sistemas robustos e integrados. A capacidade de detectar e mitigar ambiguidades e omissões nas fases iniciais do projeto, antes da codificação, representa um diferencial estratégico, alinhando-se diretamente com as recomendações de Sommerville (2011) e Pressman e Maxim (2016), que enfatizam a importância de uma engenharia de requisitos rigorosa para o sucesso de projetos de software.
A identificação estruturada dos requisitos, conforme detalhado nas Tabelas 2, 3 e 4 do material original, demonstrou um forte alinhamento com os desafios empíricos reportados pelo Standish Group International (2020). Este relatório aponta que falhas relacionadas a requisitos mal definidos são uma das principais causas de atrasos, estouros de orçamento e, em casos extremos, o cancelamento de projetos de software. A metodologia empregada, ao focar na elicitação abrangente e na formalização dos requisitos, permitiu que a equipe do projeto simulado antecipasse potenciais problemas, transformando-os em oportunidades de refinamento. Por exemplo, a necessidade de um sistema que permitisse o cadastro de fretes com origem e destino (RF01) e o registro de peso e dimensões da carga (RF02) foi diretamente derivada das operações diárias, visando otimizar a entrada de dados e reduzir erros manuais. A formalização desses requisitos funcionais, juntamente com requisitos não funcionais como desempenho (RNF01) e disponibilidade (RNF02), e regras de negócio como o cálculo do frete (RN01), estabeleceu uma base sólida para o desenvolvimento.
A rastreabilidade entre as necessidades de negócio e as soluções técnicas propostas foi um dos pilares da eficácia do método, evidenciada pelo cruzamento dos relatos das entrevistas simuladas com o catálogo de requisitos. Este processo permitiu que cada requisito fosse diretamente vinculado a uma dor ou necessidade específica de um stakeholder, garantindo que o sistema em desenvolvimento abordasse problemas reais do negócio. Por exemplo, a regra de negócio de cálculo por peso cubado (RN01) e o requisito de cálculo automático (RF03) foram diretamente derivados da dor relatada pelo Analista Financeiro (ST02), que enfrentava constantes divergências nos cálculos de frete. A ausência de uma formalização clara para o cálculo do frete resultava em perdas financeiras e retrabalho, um problema comum em empresas de logística que dependem de cálculos complexos e variáveis. A solução proposta, ao formalizar matematicamente o cálculo, não apenas resolveu a dor do Analista Financeiro, mas também aumentou a previsibilidade financeira da empresa.
De maneira análoga, o requisito RF04, referente à consulta de status das entregas, foi arquitetado como uma solução direta para mitigar as dificuldades de rastreamento levantadas pelo Gerente de Operações (ST01). A falta de visibilidade em tempo real sobre o status das entregas gerava ineficiências operacionais, insatisfação do cliente e dificuldades na tomada de decisão. Ao implementar uma funcionalidade de consulta de status, o sistema não apenas atendeu a uma necessidade operacional crítica, mas também contribuiu para a melhoria da experiência do cliente e a otimização dos processos logísticos. Essa amarração direta entre as dores dos stakeholders e as lógicas do sistema, mediada por um processo rigoroso de engenharia de requisitos, comprova a capacidade do método clássico de traduzir necessidades complexas em especificações claras e objetivas, evitando o “gold plating” e garantindo que cada funcionalidade agregue valor real ao negócio.
Durante a fase de análise e modelagem, as lacunas observadas, especialmente nos requisitos RF03 (cálculo de frete) e RF05 (relatórios gerenciais), caracterizaram-se como especificações incompletas ou excessivamente genéricas. A falta de detalhamento em RF03, por exemplo, poderia levar a implementações inconsistentes do cálculo de frete, resultando em erros financeiros e operacionais. Da mesma forma, a generalidade de RF05, que se referia a “relatórios gerenciais consolidados”, sem especificar quais indicadores ou formatos seriam necessários, comprometeria a capacidade do sistema de fornecer suporte efetivo à tomada de decisão estratégica. A literatura científica, com autores como Boehm (1981) e Pressman e Maxim (2016), ratifica a gravidade dessas constatações, demonstrando que o custo de correção de um erro de requisitos pode ser até cem vezes maior quando identificado após a implantação do sistema. No contexto específico do domínio logístico, onde sistemas são intensivos em regras de negócio e cálculos operacionais, Laplante e Kassab (2022) destacam que ambiguidades em requisitos funcionais críticos são particularmente sensíveis e podem ter impactos financeiros e operacionais severos.
Para ilustrar a mitigação dessas falhas, a modelagem da regra de negócio RN01 (cálculo de frete) exigiu a formalização matemática exata do cálculo do peso cubado e do peso taxado, removendo qualquer subjetividade da operação. Esta formalização foi crucial para resolver as divergências financeiras relatadas nas entrevistas, garantindo que o sistema calculasse o frete de forma consistente e transparente. O processo envolveu a definição do Peso Cubado (kg) como o produto do Comprimento (m), Largura (m), Altura (m) e um Fator de Cubagem padrão para transporte rodoviário (300 kg/m³). Em seguida, o Peso Taxado (kg) foi determinado como o maior valor entre o Peso Real (kg) e o Peso Cubado (kg). Finalmente, o Valor do Frete (R$) foi calculado multiplicando o Peso Taxado pela Tarifa por kg (R$/kg) e adicionando as Taxas Fixas e Pedágios (R$).
A aplicação prática dessa modelagem foi demonstrada através de cenários de exemplo. No Cenário 1, onde o Peso Real (1500 kg) era maior que o Peso Cubado (900 kg), o Peso Taxado foi 1500 kg, resultando em um Valor do Frete de R$ 1350,00. No Cenário 2, com um Peso Real (400 kg) menor que o Peso Cubado (900 kg), o Peso Taxado foi 900 kg, resultando em um Valor do Frete de R$ 870,00. Essa formalização matemática não apenas garantiu a previsibilidade financeira no domínio logístico, mas também forneceu uma base clara para o desenvolvimento do módulo de cálculo, minimizando a chance de erros de implementação e retrabalho. A clareza e a precisão das fórmulas de cálculo são vitais para a confiança dos usuários e para a integridade dos dados financeiros, aspectos críticos em qualquer sistema de gestão de fretes.
A transição estruturada para o Plano de Refinamento evidenciou a natureza iterativa da Engenharia de Software na fase de especificação, conforme defendido por Farley (2021) e Wiegers e Hokanson (2022). A proposição de ações corretivas, como a inclusão de exemplos numéricos explícitos, a definição de parâmetros e a especificação de indicadores mensuráveis, reduziu substancialmente a ambiguidade interpretativa e fortaleceu a comunicação entre as áreas. Este refinamento progressivo transformou o catálogo de requisitos em um artefato vivo, capaz de evoluir em maturidade técnica antes da codificação, reduzindo o retrabalho e os riscos de desalinhamento. A capacidade de revisar e aprimorar os requisitos em ciclos iterativos, mesmo dentro de um modelo clássico, demonstra a flexibilidade e a adaptabilidade do processo quando bem aplicado.
Adicionalmente, com o propósito de validar a compreensão visual das necessidades elicitadas e mitigar ambiguidades semânticas, conforme recomendado por Wiegers e Beatty (2013), foram desenvolvidos protótipos de baixa fidelidade, conhecidos como wireframes. Esses protótipos representaram as principais interfaces operacionais do módulo de “Gestão de Fretes e Entregas”, permitindo uma visualização prática das interações do usuário com o sistema e facilitando a homologação dos fluxos de trabalho pelos stakeholders simulados. A visualização antecipada das interfaces permitiu que os stakeholders fornecessem feedback valioso sobre a usabilidade e a funcionalidade do sistema antes mesmo de qualquer linha de código ser escrita, um benefício inestimável para a redução de custos e tempo de desenvolvimento.
Figura 1. Protótipo de Baixa Fidelidade – Tela Inicial do Sistema Logístico, cadastro de frete.
Fonte: Própria
A Figura 1 ilustra a tela inicial do sistema, estabelecendo o contexto geral da interface de navegação e acesso aos módulos operacionais da organização logística. Esta tela, embora de baixa fidelidade, já permite aos stakeholders visualizar a estrutura geral do sistema e como as diferentes funcionalidades se interligam. A simplicidade do wireframe facilita o foco na funcionalidade e no fluxo de trabalho, sem distrações de design visual, o que é crucial para a validação dos requisitos.
Figura 2. Protótipo de Baixa Fidelidade – Tela de Cálculo e confirmação de Frete.
Fonte: Própria
Para os fluxos operacionais críticos, foram desenhadas telas específicas. A Figura 2 apresenta a interface para o ‘Cadastro de Frete’ (cenário C01), materializando as lógicas de entrada de dados para origem, destino, dimensões (cubagem) e peso da carga, fundamentais para a execução correta da regra de negócio de peso cubado (RN01) e para o cálculo automático do valor (RF03). A visualização desta tela permitiu que o Analista Financeiro e o Gerente de Operações validassem se todos os campos necessários estavam presentes e se a lógica de cálculo era compreensível e transparente. A capacidade de simular a entrada de dados e ver o resultado do cálculo em tempo real, mesmo em um protótipo, aumentou a confiança dos stakeholders na solução proposta.
Figura 3. Protótipo de Baixa Fidelidade – Tela de Acompanhamento de Entregas.
Fonte: Própria
A Figura 3 exemplifica a tela de ‘Acompanhamento de Entregas’ (cenário C03), que materializa a funcionalidade de consulta de status das entregas (RF04) e foi validada para mitigar as dificuldades de rastreamento relatadas pelos stakeholders operacionais nas entrevistas preliminares. Esta interface oferece uma visão consolidada das entregas, permitindo que o Gerente de Operações e o Coordenador de Frota (ST03) monitorem o status das cargas em tempo real. A validação visual desses wireframes com os stakeholders operacionais simulados (Gerente de Operações e Coordenador de Frota) confirmou que o fluxo operacional especificado estava alinhado às necessidades reais de negócio, facilitando a transição para as fases subsequentes de design e desenvolvimento do software. A materialização dessas interfaces através de wireframes de baixa fidelidade permitiu uma validação precoce, garantindo que o sistema atendesse às expectativas dos usuários finais.
A validação analítica inicial evidenciou que a presença de requisitos classificados provisoriamente como “Atende Parcialmente” ou “Não Atende” não representou uma deficiência do levantamento, mas sim um indicador prático da efetividade do processo de avaliação. Conforme argumentam Sommerville (2011) e Wiegers e Beatty (2013), a principal função da Engenharia de Requisitos não é produzir especificações perfeitas na sua primeira versão, mas tornar explícitas as ambiguidades e omissões antes que se propaguem para as fases de projeto e implementação, onde o custo de correção é significativamente mais elevado. Este achado é crucial, pois desmistifica a ideia de que a identificação de lacunas é um sinal de falha, ressaltando, em vez disso, a robustez do método em revelar pontos de melhoria.
Tabela 2. Avaliação da qualidade dos requisitos segundo critérios de validação
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Código do Requisito |
Tipo |
Clareza |
Consistência |
Completude |
Observações |
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RF01 |
Funcional |
Atende |
Atende |
Atende |
Requisito descrito de forma objetiva e alinhado ao cenário C01 |
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RF02 |
Funcional |
Atende |
Atende |
Atende Parcialmente |
Não especifica limites máximos |
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RF03 |
Funcional |
Atende Parcialmente |
Atende |
Atende Parcialmente |
Necessita maior detalhamento das fórmulas de cálculo para peso e dimensões |
|
RF04 |
Funcional |
Atende |
Atende |
Atende |
Fluxo de acompanhamento definido de forma adequada |
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RF05 |
Funcional |
Atende Parcialmente |
Atende |
Não Atende |
Escopo dos relatórios gerenciais ainda não está completamente definido |
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RNF01 |
Não Funcional |
Atende |
Atende |
Atende |
Critério de desempenho mensurável |
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RNF02 |
Não Funcional |
Atende |
Atende Parcialmente |
Atende |
Não define procedimentos em caso de indisponibilidade |
|
RNF03 |
Não Funcional |
Atende Parcialmente |
Atende |
Atende Parcialmente |
Falta definição de métricas objetivas de usabilidade |
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RNF04 |
Não Funcional |
Atende |
Atende |
Não Atende |
Requisitos de segurança ainda tratados de forma genérica |
Fonte: Dados originais da pesquisa
A Tabela 2, que detalha a avaliação da qualidade dos requisitos segundo critérios de clareza, consistência e completude, oferece uma visão granular dos pontos fortes e fracos da especificação inicial. Por exemplo, enquanto o RF01 (cadastro de fretes) foi classificado como “Atende” em todos os critérios, o RF02 (registro de peso e dimensões) foi considerado “Atende Parcialmente” em completude devido à falta de especificação de limites máximos para peso e dimensões. Esta observação é vital, pois a ausência de tais limites pode levar a dados inconsistentes e problemas operacionais, como a tentativa de transportar cargas que excedem a capacidade do veículo. Da mesma forma, o RF03 (cálculo automático do frete) necessitava de maior detalhamento das fórmulas de cálculo, o que, se não corrigido, poderia gerar inconsistências financeiras.
Os requisitos não funcionais também apresentaram desafios. O RNF01 (desempenho) foi classificado como “Atende” em todos os critérios, mas a observação indicou a necessidade de um critério de desempenho mensurável, transformando uma meta qualitativa em um objetivo quantificável. Já o RNF02 (disponibilidade) e RNF03 (usabilidade) foram classificados como “Atende Parcialmente” em completude, com a necessidade de definir procedimentos em caso de indisponibilidade e métricas objetivas de usabilidade, respectivamente. A falta de procedimentos claros para indisponibilidade pode resultar em perda de dados ou interrupção de serviços, enquanto a ausência de métricas de usabilidade dificulta a avaliação da experiência do usuário. O RNF04 (segurança) foi classificado como “Não Atende” em completude, pois os requisitos de segurança ainda eram tratados de forma genérica, o que é inaceitável em um sistema que lida com dados financeiros e operacionais sensíveis.
Este refinamento progressivo transformou o catálogo de requisitos em um artefato vivo, capaz de evoluir em maturidade técnica antes da codificação, reduzindo o risco de desalinhamento e elevando a reprodutibilidade na futura implementação. Como resultado direto deste processo de amadurecimento, procedeu-se à consolidação final dos requisitos, cujos detalhes técnicos e métricas aprimoradas são apresentados formalmente. A capacidade de iterar e refinar os requisitos com base em uma avaliação sistemática é um dos maiores benefícios do método clássico, garantindo que o produto final seja mais alinhado às expectativas e necessidades do negócio.
Tabela 3. Plano de refinamento dos requisitos classificados como “Atende Parcialmente” ou “Não Atende”
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Código do Requisito |
Problema Identificado |
Critério Afetado |
Ação Corretiva Proposta |
Resultado Esperado |
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RF02 |
Ausência de limites máximos para peso e dimensões |
Completude |
Definir e documentar limites técnicos de peso (kg) e dimensões (m³) para validação de entrada de dados. |
Requisito completo e sem ambiguidades |
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RF03 |
Fórmula de cálculo pouco detalhada |
Clareza / Completude |
Estruturar a memória de cálculo completa, incluindo o fator de cubagem e regras de arredondamento. |
Melhor compreensão e rastreabilidade |
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RF05 |
Escopo dos relatórios não definido |
Completude |
Definir tipos de relatórios e indicadores apresentados |
Requisito alinhado às necessidades gerenciais |
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RNF02 |
Falta de procedimentos em caso de indisponibilidade |
Consistência |
Incluir diretrizes para contingência e recuperação |
Maior robustez do requisito |
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RNF03 |
Ausência de métricas objetivas de usabilidade |
Clareza / Completude |
Estabelecer indicadores quantitativos de eficiência (tempo por tarefa) e eficácia (taxa de erro por tentativa). |
Avaliação objetiva da usabilidade |
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RNF04 |
Requisitos de segurança genéricos |
Completude |
Detalhar mecanismos de controle de acesso e autenticação |
Requisito tecnicamente mais preciso |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A Tabela 3, que apresenta o plano de refinamento para os requisitos classificados como “Atende Parcialmente” ou “Não Atende”, detalha as ações corretivas propostas e os resultados esperados. Para o RF02, a ação corretiva foi “Definir e documentar limites técnicos de peso (kg) e dimensões (m³) para validação de entrada de dados”, com o resultado esperado de um “Requisito completo e sem ambiguidades”. Esta ação é fundamental para garantir a integridade dos dados e a viabilidade operacional do transporte. Para o RF03, a proposta foi “Estruturar a memória de cálculo completa, incluindo o fator de cubagem e regras de arredondamento”, visando “Melhor compreensão e rastreabilidade”. Isso assegura que o cálculo do frete seja transparente e auditável, mitigando disputas e erros financeiros.
O RF05, que se referia a relatórios gerenciais, teve como problema identificado “Escopo dos relatórios não definido”. A ação corretiva foi “Definir tipos de relatórios e indicadores apresentados”, com o resultado esperado de um “Requisito alinhado às necessidades gerenciais”. Isso garante que os relatórios forneçam informações úteis para a tomada de decisão, como volume transportado, custo médio por rota e taxa de entregas no prazo (OTIF), conforme detalhado na versão refinada. Para o RNF02, a “Falta de procedimentos em caso de indisponibilidade” foi abordada pela inclusão de “diretrizes para contingência e recuperação”, resultando em “Maior robustez do requisito”. Isso é crucial para a continuidade dos negócios, minimizando o impacto de falhas no sistema.
O RNF03, com “Ausência de métricas objetivas de usabilidade”, teve como ação “Estabelecer indicadores quantitativos de eficiência (tempo por tarefa) e eficácia (taxa de erro por tentativa)”, visando uma “Avaliação objetiva da usabilidade”. Isso transforma a usabilidade de um conceito subjetivo em um critério mensurável, permitindo a otimização da experiência do usuário. Finalmente, o RNF04, com “Requisitos de segurança genéricos”, foi refinado com “Detalhar mecanismos de controle de acesso e autenticação”, buscando um “Requisito tecnicamente mais preciso”. A especificação de autenticação em duas etapas (2FA) e a geração de trilha de auditoria irreversível (logs) para alterações em dados financeiros são exemplos de como a segurança foi aprimorada, protegendo o sistema contra acessos não autorizados e garantindo a conformidade regulatória.
Como etapa conclusiva do processo iterativo de Engenharia de Requisitos, as especificações que apresentaram lacunas de completude e clareza foram totalmente refinadas. O objetivo desta revisão final foi aprofundar a precisão verificável das métricas, especialmente nas vertentes de segurança e usabilidade, e completar o detalhamento das regras de negócio com maior impacto operacional. O catálogo consolidado, que serve como base definitiva para o desenvolvimento, foi detalhado nas Tabelas 15 e 16 do material original.
Os requisitos funcionais refinados, como o RF02, agora especificam que “O sistema deverá permitir o registro do peso (em kg) e dimensões da carga (em metros), validando limites técnicos de capacidade do veículo selecionado para a rota”. Esta adição de “validando limites técnicos de capacidade do veículo” é uma melhoria crítica que garante a integridade dos dados e evita problemas operacionais. O RF03 refinado detalha que “O sistema deverá calcular automaticamente o valor do frete, estruturando a memória de cálculo para aplicar a tarifa sobre o maior valor numérico entre o peso real e o peso cubado (utilizando o fator de cubagem padrão de 300 kg/m³)”. Esta especificação explícita da lógica de cálculo elimina ambiguidades e garante a consistência financeira. O RF05 refinado agora exige que “O sistema deverá gerar relatórios gerenciais consolidados, contendo indicadores explícitos de volume transportado, custo médio por rota e taxa de entregas no prazo (On Time In Full [OTIF]), para suporte direto à tomada de decisão do Gestor”. A inclusão de indicadores específicos como OTIF transforma o requisito de uma descrição genérica em uma diretriz clara e mensurável para o desenvolvimento.
Da mesma forma, os requisitos não funcionais refinados demonstram um nível de detalhamento muito superior. O RNF02 (disponibilidade) agora especifica que “O sistema deverá estar disponível 24 horas por dia, possuindo rotina de backup diário e protocolo de recuperação de desastres com tempo de inatividade máximo aceitável de 2 horas”. Esta definição clara de rotinas de backup e tempo máximo de inatividade é essencial para a resiliência do sistema. O RNF03 (usabilidade) refinado estabelece que “O sistema deve permitir que um usuário realize o processo completo de Cadastro de Frete em até 120 segundos, mantendo uma taxa de erro de preenchimento inferior a 5% por tentativa, sem necessidade de consulta a manuais externos”. A inclusão de métricas de tempo e taxa de erro torna a usabilidade um critério objetivo e verificável. Por fim, o RNF04 (segurança) refinado exige que “O acesso às funcionalidades deverá ser controlado por perfil de usuário, exigindo autenticação em duas etapas (autenticação de dois fatores[2FA]) e gerando trilha de auditoria irreversível (logs) para quaisquer alterações em dados financeiros”. Esta especificação detalhada de mecanismos de segurança é fundamental para proteger os dados e garantir a conformidade.
A elaboração deste novo levantamento solucionou as ambiguidades da versão preliminar. Ao incorporar limites técnicos operacionais, indicadores mensuráveis para relatórios e protocolos rígidos de auditoria e contingência, o catálogo atingiu a maturidade necessária para elevar a reprodutibilidade técnica. Dessa forma, as especificações deixaram de ser apenas descrições conceituais e passaram a atuar como diretrizes exatas para a futura equipe de desenvolvimento, reduzindo drasticamente as margens para interpretações subjetivas. Esta precisão é particularmente valiosa em projetos de software, onde a má interpretação dos requisitos é uma fonte comum de erros e retrabalho. A aplicação sistemática do método clássico de Engenharia de Requisitos, conforme demonstrado neste estudo, não apenas valida as práticas propostas, mas também sugere sua aplicabilidade para aumentar a previsibilidade e o sucesso em projetos de software reais no setor logístico, contribuindo para a entrega de sistemas mais robustos, eficientes e alinhados às necessidades do negócio.
4. Conclusão
Conclui-se que o objetivo foi atingido, demonstrando a eficácia da aplicação do ciclo de vida completo do método clássico de Engenharia de Requisitos. Desde a elicitação até a validação, o processo permitiu a produção de artefatos de software de alta qualidade e rastreabilidade para um sistema de gestão logística. A abordagem estruturada revelou-se crucial para a identificação precoce de ambiguidades e omissões, transformando especificações inicialmente genéricas em diretrizes técnicas precisas. Este refinamento progressivo elevou a previsibilidade técnica do projeto, mitigando riscos de desalinhamento e retrabalho, conforme evidenciado pela consolidação final dos requisitos funcionais e não funcionais.
Contudo, é importante reconhecer as limitações deste estudo, principalmente o fato de ter sido conduzido em um cenário de estudo de caso fictício. Embora o rigor metodológico valide as práticas propostas, a natureza simulada restringe a generalização direta dos resultados para todos os contextos reais. Para estudos futuros, sugere-se a aplicação do método clássico de Engenharia de Requisitos em um projeto de software logístico real, com acompanhamento e mensuração de métricas de desempenho e custo. Adicionalmente, seria valioso comparar a eficácia do método clássico com abordagens ágeis no mesmo domínio, a fim de identificar as melhores práticas para diferentes cenários organizacionais e de projeto.
Referências Bibliográficas
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq
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